SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

São Luiz de Gonzaga - Jesuíta


 Pertencia à família dos duques de Mântua (Itália) e era príncipe do Sacro Império, sendo herdeiro do feudo soberano de Castiglione. Foi batizado apenas nascido e depois educado santamente. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença diante do altar da Santíssima Virgem, fez o voto de castidade perpétua ao qual foi inteiramente fiel até a morte. Por ser príncipe esteve muito tempo entre os soldados e era inevitável os ouvisse pronunciar palavras pouco decentes, que, na sua inexperiência, começou a repetir sem lhe saber a significação. Luiz chorou esta falta durante toda a vida, como se fossem gravíssimos pecados. A vida edificante, a prática das virtudes, importou-lhe o apelido de anjo. Foi aí em Florença que Luiz fez a primeira confissão, e fê-la com tanta dor de arrependimento. que caiu sem sentidos aos pés do confessor. 
   São Carlos Borromeu, Arcebispo de Milão, preparou-o para o primeira Comunhão, que recebeu com uma devoção comovedora. Recebendo depois a Santa Comunhão aos domingos, dedicava três dias para preparar-se e outros três dias para fazer a ação de graças. 
   Luiz guardava tão bem os sentidos, em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa da Espanha da qual era pajem. À guarda dos sentidos, ajuntava as mortificações corporais. Jejuava três dias na semana, usava a disciplina, dormia sobre tábuas. E isto com o fito de ter facilidade para acordar mais cedo e poder rezar. Passava horas de joelhos em oração e contemplação das coisas celestes. Tinha como lema em tudo que ia fazer: "Que vale isto para a eternidade?!" 

S. Luiz na corte de Espanha
  Como filho mais velho era herdeiro do trono, mas a tudo renunciou depois de uma luta árdua para conseguir licença paterna, e chamado por Deus à vida religiosa escolheu a Companhia de Jesus fundada por Santo Inácio de Loiola. Luiz contava 17 anos quando foi aceito como noviço no Colégio de Roma. Modelo de virtude, que era no mundo, muito mais o fora no convento. Desejoso de regular a vida pelas obrigações da vida comum, pediu aos Superiores não usassem com ele de nenhuma consideração, querendo ser tratado com um dos últimos da casa. Nunca falou uma palavra sobre sua origem nobre. De acordo com o espírito religioso, reconhecia na obediência o fundamento de toda a virtude. Sem dar o menor sinal de ostentação, o exterior traduzia-lhe a modéstia, a humildade, a caridade e movia à devoção a quantos o viam. 
   Como grassavam em Roma a peste e a fome, Luiz ia, de casa em casa, pedir esmola aos ricos para os pobres. Não satisfeito com isso, pediu aos Superiores licença para diretamente acudir às necessidades dos empestados e prestar-lhes serviços nos hospitais. Obtida a licença, a dedicação e caridade do jovem não tiveram mais limites. Mas a fraca constituição de Luiz não resistiu às grandes fadigas e esforços verdadeiramente sobre-humanos que fazia no serviço hospitalar. Contraiu aí a peste contagiosa. A morte, porém, não podia amedrontar o angélico jovem. Quando soube que tinha chegado a hora de preparar-se para a última viagem, exclamou com emoções de alegria: "Eu me alegrei do que me foi dito: irei à casa do Senhor" (Salmo 121). Durante os últimos três dias segurava constantemente o crucifixo e o terço. De vez em quando beijava a imagem de Jesus, e os olhos se lhe enchiam de lágrimas de amor. No rosto se lhe via estampada uma paz celestial - reflexo de sua alma pura e cândida. 
   Em 21 de junho de 1591, com a idade de 24 anos começados, sobre uma tábua, como pediu, entregou a alma ao Criador. As últimas palavras que disse, foram invocações dos nomes de Jesus e Maria. Treze anos depois de sua morte, foi beatificado. Sua mãe ainda vivia, e pôde invocá-lo sobre os altares. Feliz mãe! 
   Felizes também todas as pessoas que fazem aniversário no dia deste santo patrono da juventude e modelo de pureza! Meus parabéns a todas!

   Oração a São Luiz de Gonzaga

   Ó Luiz santo, adornado de costumes angélicos, eu, indigníssimo devoto vosso, vos recomendo particularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Peço-vos, pela vossa angélica pureza, me apresenteis ao Cordeiro imaculado Jesus Cristo e a Sua Mãe santíssima, a Virgem das virgens, Maria, e me preserveis de todo o pecado. Não permitais que se implante em minha alma qualquer mancha de impureza; mas, quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai para longe de mim os pensamentos e afetos imundos, despertando em minha alma a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado. Calai-me profundamente no coração um sentimento do santo temor de Deus, e abrasando-me no amor divino, fazei que vos imite na terra, para que possa gozar convosco de Deus no céu. Amém. 

domingo, 18 de junho de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 2º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São João Apóstolo 3, 13-18.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 14, 16-24:

   "Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus esta parábola: Um homem preparou um grande banquete, para o qual convidou muitas pessoas. E, à hora do banquete, mandou um de seus servos dizer aos convidados que viessem, porque já estava tudo pronto. Todos, porém, unanimemente, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei uma quinta e preciso ir vê-la; rogo-te que me dês por escusado. Um outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; peço-te que me dispenses. Disse um terceiro: Casei-me, e por isso não posso ir. Voltando o servo referiu estas coisas a seu senhor. Então, indignado, o pai de família disse a seu servo: Sai já pelas praças e ruas da cidade, traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. E disse o servo: Senhor, está feito o que me mandaste, e ainda há lugar. Respondeu o senhor ao servo: Vai pelos caminhos e cercados, e obriga a gente a entrar para que se encha a minha casa. Eu vos digo, porém, que nenhum daqueles que foram convidados, provará a minha ceia."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Esta meditação foi extraída do Livro "INTIMIDADE DIVINA" do P. Gabriel de Sta. M. Madalena, da Ordem dos Carmelitas Descalços. 

 1.   O Evangelho deste domingo (Lc. 14, 16-24) harmoniza-se perfeitamente com a festa do Corpo de Deus. "Um homem fez uma grande ceia e convidou a muitos". O homem que faz a ceia é Deus, e a grande ceia é o Seu reino onde as almas encontrarão na terra toda a abundância de bens espirituais e, na outra vida, a felicidade eterna. É este o sentido próprio da parábola, mas nada obsta a que também se possa entender num sentido mais particular, vendo na ceia o banquete eucarístico e no homem que o ofereceu, Jesus, que convida os homens a alimentarem-se da Sua Carne e do Seu Sangue.. "A mesa do Senhor está pronta para nós, canta a Igreja. - A Sabedoria [ou seja o Verbo Encarnado] preparou o vinho e pôs a mesa" (Breviário). O próprio Jesus, ao anunciar a Eucaristia, dirige a todos o Seu convite: "Eu sou o pão da vida; o que vem a mim não terá jamais fome e o que crê em mim não terá jamais sede... Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra" (Jo. 6, 35-50). Jesus não se limita, como os outros homens, a preparar-nos uma ceia, a fazer numerosos convites e a apresentar iguarias excelentes; mas o fato singularíssimo - que nenhum homem por mais rico e poderoso que seja poderá imitar - é que Ele próprio Se oferece como alimento. São João Crisóstomo a quem pretende ver Cristo na Eucaristia com os olhos do corpo, diz: "Pois bem, já O vês, tocas e comes. Tu queres ver as Suas vestes e Ele, ao contrário, concede-te não só vê-Lo, mas até tomá-Lo como alimento, tocá-Lo e recebê-Lo dentro de ti... Aquele a quem os anjos olham temerosos e não ousam contemplar livremente devido ao Seu deslumbrante esplendor, faz-se nosso alimento; nós unimo-nos a Ele e formamos com Cristo um só corpo e uma só carne" (Breviário). 

   2. Jesus não podia oferecer ao homem uma mesa mais rica do que o banquete eucarístico. E de que modo correspondem os homens ao Seu convite para esta mesa? Muitos, como os judeus incrédulos, encolhem os ombros e retiram-se com um sorriso cético nos lábios: "Como pode este dar-nos a comer a sua carne?" (Jo. 6, 53). Mas o que afasta da Eucaristia não é só a falta de fé; esta é muitas vezes acompanhada e não raramente deriva das causas morais de que fala o Evangelho de hoje. "Comprei uma quinta e é-me necessário ir vê-la, rogo-te que me dês por escusado", respondeu um; e outro: "Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las: rogo-te que me dês por escusado". A excessiva preocupação com os bens terrenos e o apego aos mesmos, o mergulhar-se totalmente nos negócios, são os motivos pelos quais tantos recusam o convite de Jesus. Porém, ainda não é tudo: "Casei-me e por isso não posso ir", respondeu um terceiro. Este representa aqueles que, submersos nos prazeres dos sentidos, perderam a sensibilidade para as coisas do espírito e, em presença delas, continuam o seu caminho, não se lembrando sequer de se desculpar.

   É impossível não estremecer em face da grande cegueira do homem que antepõe ao dom de Cristo, Pão dos anjos e penhor de vida eterna, os interesses terrenos, os vis prazeres dos sentidos, que muito depressa se dissipam como o nevoeiro aos raios do sol. 

   Terminemos com Santo Agostinho: "Ó Senhor, aproximar-me-ei com fé da Vossa mesa, participando dela para ser por ela vivificado. Fazei, Senhor, que eu seja inebriado pela abundância da Vossa casa, e dai-me a beber da torrente das Vossas delícias... Fazei que eu me aproxime e me fortaleça; deixai que me aproxime embora mendigo, fraco, aleijado e cego. À Vossa ceia não vêm os homens ricos e saudáveis que julgam caminhar bem e possuir a agudeza de vista, homens muito presunçosos e por consequência, tanto mais incuráveis quanto mais soberbos. Aproximar-me-ei qual mendigo, porque me convidais Vós que, de rico, Vos fizestes pobre por mim, para que a Vossa pobreza enriquecesse a minha mendicidade. Aproximar-me-ei como fraco, porque o médico não é para os que têm saúde senão para os doentes. Aproximar-me-ei como aleijado e Vos direi: 'Dirigi Vós os meus passos pelas Vossas veredas'. Aproximar-me-ei como cego e Vos direi: 'Iluminai os meus olhos, a fim de que eu jamais durma o sono da morte'". Amém!

A CARIDADE É A CARACTERÍSTICA DOS FILHOS DE DEUS


Da 1ª Epístola de S. João, III, 13-18,  lida na Missa do 2º domingo depois de Pentecostes

 Caríssimos, não vos admireis de que as pessoas dominadas pelo orgulho, avareza e luxuria, vos tenham ódio. Se deixamos o ódio que mata a alma, agora sabemos que estamos vivos. Porque todo aquele que tem ódio a seu irmão realmente está morto espiritualmente porque o ódio é pecado mortal. Na verdade, quem tem ódio a seu irmão é um homicida e este tal não possuirá a vida eterna. Nisto conhecemos o amor de Deus em ter dado a sua vida por nós; igualmente devemos dar a vida pelos nossos irmãos. Devemos ajudar os pobres. Não seremos verdadeiros discípulos de Jesus se amamos só de boca, mas não fizermos obras de caridade.

Caríssimos, como outrora, ainda hoje o Cristianismo é alvo de ódios e perseguições. O próprio Jesus já o profetizara: "Vós sereis perseguidos por minha causa". Hoje blasfemam contra os dogmas. Protestam contra a Moral. Difamam até os sacerdotes fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo. Na verdade, o ódio dos adversários, ou seja, dos maçons, dos comunistas, dos muçulmanos e modernistas  acusa e condena tudo o que refulge com o nome de católico. Os adversários da Santa Madre Igreja, enganados e excitados pela trevas das paixões, vêem nos dogmas apenas a constante lembrança de realidades aflitivas e molestas. Escravizados ao pecado, negam as sanções eternas. Alheios a toda observância dos mandamentos, atribuem à Igreja leis morais impossíveis. Fazem guerra aos mandamentos de Deus, fazem leis contrárias as leis de Deus. E assim é natural que aqueles que querem viver piedosamente com Jesus Cristo, sejam perseguidos com grande ódio.


 Mas Nosso Senhor Jesus Cristo disse: Bem-aventurados sois, quando vos insultarem e vos perseguirem e disserem falsamente todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas, que existiram antes de vós" (S. Mateus V, 11 e 12). Amém!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O SANTÍSSIMO SACRAMENTO DA EUCARISTIA


   Entre todos os Sacramentos que Nosso Senhor e Salvador nos confiou, como instrumentos certíssimos da graça divina, não há nenhum que possa se comparar com o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pois encerra, não apenas a graça, mas contém em si o próprio Autor da graça e Fonte da Santidade. Por isso não há crime que faça temer pior castigo da parte de Deus, do que não terem os fiéis devoção e respeito para com a Eucaristia.
   Ao estudarmos este artigo tão importante da Doutrina Católica, peçamos a Jesus Hóstia, por intermédio de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que ilumine nossa inteligência e fortifique nossa vontade para uma adesão mais firme e mais profunda a este mistério de fé.
   Graças e louvores se deem a todo momento - Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

PROMESSA DA EUCARISTIA
   No capítulo 6º de seu Evangelho, São João refere um longo discurso em que Nosso Senhor anuncia e promete a Eucaristia.
   Foi no dia seguinte ao da multiplicação dos pães. Jesus estava pregando na sinagoga de Cafarnaum quando a multidão acorreu até Ele a fim de ouvir-Lhe a palavra. Nesse discurso, depois de exigir dos ouvintes a Fé em sua Pessoa, Jesus se apresenta como o verdadeiro pão descido do céu, pão que devia ser comido - pão celeste que é a sua própria carne, sacrificada pela vida do mundo - pão que ainda não foi dado, mas que Ele dará um dia.
   'EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCI DO CÉU. SE ALGUÉM COMER DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE. O PÃO QUE EU DAREI É MINHA CARNE PARA A VIDA DO MUNDO".
  "MINHA CARNE É VERDADEIRA COMIDA E MEU SANGUE É VERDADEIRA BEBIDA. QUEM COME A MINHA CARNE E BEBE O MEU SANGUE PERMANECE EM MIM E EU NELE" (versículos 51 - 55 e 56).

REALIZAÇÃO DA PROMESSA: INSTITUIÇÃO DA SS. EUCARISTIA
  
   Foi na Quinta-feira Santa, véspera de Sua Paixão e Morte, quando realizava com seus Apóstolos a Última Ceia, que Nosso Senhor cumpriu o que havia prometido em Cafarnaum.
   São João, no início da narração, diz que Jesus "tendo amado os seus que estavam no mundo, até o fim lhes dedicou extremado amor". A Eucaristia é mistério de fé e também mistério de amor de Deus para com os homens.
   Após o lava-pés, Jesus tornou a assentar-se à mesa. Tomou pão em suas santas mãos, benzeu-o, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: "TOMAI E COMEI. ISTO É O MEU CORPO, QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS".
   Depois tomou o cálice com vinho, deu graças, benzeu-o e o apresentou a seus discípulos, exclamando: "TOMAI E BEBEI DELE TODOS, ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR MUITOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS, FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM".

   Há quatro descrições da instituição da Eucaristia no Novo Testamento: S. Mateus, capítulo 26, versículos 26 a 29; São Marcos, capítulo 14, versículos 22 a 25; São Lucas, capítulo 22, versículos 14 a 20; São Paulo na 1ª Epístola aos Coríntios, capítulo 11, versículos 23 a 25.
   São João é o único que refere as palavras da promessa; não dá as da instituição.
   A Eucaristia pode ser considerada como SACRAMENTO  e como SACRIFÍCIO. Explicaremos primeiro a Eucaristia como um dos Sete Sacramentos da Santa Igreja.
   No outro blog ZELO ZELATUS SUM  já falamos sobre a Eucaristia como SACRIFÍCIO; mas, como se trata do que há de mais santo sobre a face da terra, voltaremos aqui, se Deus quiser, a falar sobre a Eucaristia como SACRIFÍCIO.

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA

   A - DEFINIÇÃO: A Eucaristia é um sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo e de toda a substância do vinho no Seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para nosso alimento espiritual.

   EXPLICAÇÃO:
1 - A Eucaristia ou Comunhão é um dos Sete Sacramentos da Santa Igreja. Três são as coisas exigidas para constituir um sacramento - sinal sensível, instituição divina e produção da graça. Já vimos, em post anterior, que Jesus instituiu a Eucaristia na Quinta-feira Santa e que Ela contém, não só a graça, mas o próprio Autor da graça: Jesus. O sinal sensível são as espécies (ou "aparências") do pão e do vinho. embora a matéria conste de dois elementos, o pão e o vinho, há um único Sacramento, porque estes dois elementos constituem um sinal só, já que a finalidade deles é a mesma. Comida e bebida são duas coisas diversas, que se empregam  para a mesma finalidade, ou seja, para restaurar as forças do corpo. Assim, no Sacramento, as duas espécies diversas representam o alimento espiritual com que as almas se sustentam e se nutrem. Por isso Nosso Senhor declarou: "Minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida".

   Três são as coisas que este Sacramento nos indica: a) a primeira, que já passou, é a Paixão de Cristo Nosso Senhor. Ele próprio havia dito: "Fazei isto em memória de mim". E São Paulo testemunhou: "Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice, anunciareis a Morte do Senhor, até que Ele venha". b) a segunda, é uma graça divina e celestial que o Sacramento dá quando O recebemos, para nutrir e conservar as forças da alma. c) a terceira, que anuncia o futuro, é o fruto de eterna alegria e glória que havemos de possuir na pátria celestial, por promessa de Deus. Jesus prometeu: "Quem comer deste Pão, viverá eternamente".

   2 - O Sacramento da Eucaristia depende do Santo Sacrifício da Missa, que realiza a Presença real de Nosso Senhor. Na hora da Consagração, toda a substância do pão e toda a substância do vinho se convertem na substância do Corpo, Sangue Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo apenas as aparências do pão e do vinho. As aparências (ou acidentes ou espécies) são: a forma, a cor, o gosto, o peso, o tamanho, o cheiro etc. Ensina o Concílio de Trento que, com propriedade, a Santa Igreja dá a esta admirável conversão o nome de TRANSUBSTANCIAÇÃO, porquanto na Eucaristia a substância total de uma coisa se converte na substância total de outra coisa.
   A Eucaristia é JESUS realmente, e não um símbolo de Jesus.
   A Eucaristia é JESUS verdadeiramente, e não uma figura de Jesus.
   Jesus Cristo está substancialmente presente na Eucaristia, e não virtualmente apenas.

   3 - A Eucaristia é um Sacramento de natureza especial. Enquanto os demais têm existência apenas na hora em que se administram, a Eucaristia é e continua a ser sacramento tanto antes como depois do uso. O Batismo por exemplo só existe no momento , muito curto, em que o ministro pronuncia a fórmula, derramando água na cabeça da criancinha; pelo contrário, Nosso Senhor está presente na Eucaristia, no estado de sacramento, sob os véus das espécies, independentemente da comunhão dos fiéis.

   4 - PARA NOSSO ALIMENTO ESPIRITUAL: aí está uma das razões e finalidades por que Nosso Senhor instituiu a Santíssima Eucaristia - para ser Ele próprio o alimento espiritual das almas. "Se não comerdes a Carne do Filho do Homem,  e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a VIDA em vós". A vida divina que recebemos no Batismo e que foi robustecida na Crisma, é conservada e desenvolvida pelo Sacramento da Comunhão.
              COMUNGAI, COMUNGAI TODO DIA, A EUCARISTIA É VIDA IMORTAL.

FESTA DO CORPO DE DEUS

   Pelo P. Gabriel de Sta M. Madalena, O.C.D.  Livro "INTIMIDADE DIVINA".


 1- De etapa em etapa, através do ano litúrgico, fomos subindo desde a consideração dos mistérios da vida de Jesus até à contemplação da Santíssima Trindade cuja festa celebramos no Domingo passado. Jesus, nosso Mediador, nossa vida, tomou-nos pela mão e levou-nos à Trindade, e hoje parece que a própria Trindade nos quer conduzir a Jesus considerado na Sua Eucaristia. 'Ninguém vai ao Pai senão por mim' (Jo. 14, 6) disse Jesus; e acrescentou: 'Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair' (Ib. 6, 44). É este o itinerário da alma cristã: de Jesus ao Pai, à Trindade; da Trindade, do Pai, a Jesus; Jesus leva-nos ao Pai, o Pai atrai-nos para Jesus. O cristão, de maneira alguma pode prescindir de Cristo; Ele é, no sentido mais rigoroso da palavra, o nosso Pontífice, Aquele que Se fez ponte entre Deus e nós. Encerrado o ciclo litúrgico em que se comemoram os mistérios da vida terrena do Salvador, a Igreja como boa mãe, sabendo que a nossa vida espiritual não pode subsistir sem Jesus, conduz-nos a Ele, vivo e verdadeiro no Santíssimo Sacramento do altar. A solenidade do Corpo de Deus não é a simples comemoração de um fato sucedido historicamente há perto de dois mil anos, na noite da última ceia; é a festa de um fato atual, de uma realidade sempre presente e sempre viva no meio de nós, pela qual podemos muito bem dizer que Jesus não nos 'deixou órfãos', mas quis ficar permanentemente conosco na integridade da Sua pessoa, com toda a Sua humanidade, com toda a Sua divindade. 'Não há nem nunca houve nação tão grande - canta com entusiasmo o Ofício do dia - que tivesse os deuses tão próximos de si como está perto de nós o nosso Deus (BR.). Sim, na Eucaristia, Jesus é verdadeiramente o Emanuel, o Deus conosco.

   2- A Eucaristia não é só Jesus vivo e verdadeiro no meio de nós: é Jesus feito nosso alimento. É este  o aspecto principal, sob o qual a liturgia de hoje nos apresenta este mistério; pode afirmar-se que não há parte alguma da Missa que não trate dele diretamente, ou que ao menos lhe não faça referências. A ele alude o Introito,  recordando o trigo e o mel com que Deus alimentou o povo hebreu no deserto, manjar prodigioso e, contudo, só longínqua imagem do Pão vivo e vivificante da Eucaristia. Fala dele a Epístola (1 Cor. 11, 23 a 29), referindo a instituição do sacramento quando Jesus 'tomou o pão e, dando graças, o partiu e disse: 'Recebei e comei, isto é o meu corpo'; canta-o o Gradual: 'os olhos de todos esperam em Vós, Senhor e Vós dais-lhes de comer no tempo oportuno; mais amplamente lhe entoa um hino a belíssima sequência Lauda Sion, ao passo que o Evangelho (Jo. 6, 56-59), fazendo eco ao Aleluia, reproduz o trecho mais significativo do discurso em que Jesus anunciou a Eucaristia: 'a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida'; o Communio, depois, retomando uma frase da Epístola, recorda-nos a necessidade de receber dignamente o Corpo do Senhor e, finalmente, o Postcommunio diz-nos que a comunhão eucarística é penhor da comunhão eterna do céu. Mas para compreender melhor o valor imenso da Eucaristia, é preciso voltar às palavras de Jesus, que muito oportunamente, são citadas no Evangelho do dia: 'O que come a minha carne e bebe o meu sangue, fica em mim e eu nele'. Jesus fez-Se nossa comida para nos assemelhar a Ele, para nos fazer viver a Sua vida, para nos fazer viver n'Ele, como Ele mesmo vive em Seu Pai. A Eucaristia é verdadeiramente o sacramento da união ao mesmo tempo que é a prova mais clara e convincente de que Deus nos chama e solicita à íntima união com Ele". 

domingo, 11 de junho de 2017

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE - I Domingo depois do Pentecostes

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 11, 33-36.
   Continuação do Santo Evangelho de N. S. Jesus Cristo segundo S. Mateus 28, 18-20:

   "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todos os povos, e batizai-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; e ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Pelo P. Gabriel de Sta. M. Madalena, LIVRO "INTIMIDADE DIVINA".
  

 
 "Desde o Advento até hoje a Igreja levou-nos a considerar as magníficas manifestações da misericórdia de Deus para com os homens: a Encarnação, a Redenção e o Pentecostes; agora dirige os nossos olhares para a fonte de tais dons, a Santíssima Trindade, da qual tudo provém, de modo que brota espontaneamente dos lábios o hino de reconhecimento expresso no Introito da Missa: 'Bendita seja a Santíssima Trindade, e a Sua indivisível Unidade. Cantemos-Lhe louvores pela Sua misericórdia para conosco'. Misericórdia de Deus Pai 'que amou de tal maneira o mundo que lhe enviou o Seu Unigênito' (cfr. Jo. 3, 16); misericórdia de Deus Filho que, para nossa redenção, encarnou e morreu na cruz; misericórdia do Espírito Santo que Se dignou descer aos nossos corações para nos comunicar a caridade de Deus, para nos tornar participantes da vida divina. Muito a propósito a Igreja inseriu no Ofício Divino de hoje a bela antífona de inspiração paulina: 'O Pai é caridade, o Filho é graça e o Espírito Santo é a comunicação', quer dizer, a caridade do Pai e a graça do Filho são-nos comunicadas pelo Espírito Santo que as derrama nos nossos corações. Não se poderia sintetizar melhor a maravilhosa obra da Trindade a favor das nossas almas. O Ofício Divino e a Missa do dia são, na verdade, um hino de louvor e de agradecimento à Santíssima Trindade, são como que um Glória Patri e um Te Deum prolongados. E estes dois hinos, um na sua compendiosa brevidade, e outro na sua majestosa sucessão de louvores, são verdadeiramente os hinos do dia destinados a despertar nos nossos corações um eco profundo de louvor, de ação de graças e de adoração.

   2 - A festa de hoje leva-nos a louvar e a engrandecer a Santíssima Trindade, não só pelas imensas misericórdias que tem concedido aos homens, mas também e sobretudo em Si mesma e por Si mesma. Pelo Seu Ser supremo que jamais teve princípio e jamais terá fim; pelas Suas perfeições infinitas, pela Sua majestade, beleza e bondade essenciais; pela sublime fecundidade de vida, pela qual o Pai incessantemente gera o Filho e do Pai e do Filho procede o Espírito Santo (todavia o Pai não é anterior nem superior ao Verbo, nem o Pai e o Verbo são anteriores ou superiores ao Espírito Santo, mas as três Pessoas divinas  são coeternas e iguais entre Si); pela Divindade e por todas as perfeições e atributos divinos que são únicos e idênticos no Pai, no Filho e no Espírito Santo. O que pode dizer e compreender o homem em face de um tão sublime mistério? Nada! No entanto, aquilo que sabemos é certo, porque o mesmo Filho de Deus 'o Unigênito que está no seio do Pai, Ele mesmo é que o deu a conhecer' (Jo. 1, 18); mas o mistério é tão sublime e superior à nossa compreensão que não podemos senão inclinar a cabeça e adorar em silêncio'. 'Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus; quão incompreensíveis são os Seus juízos e imperscrutáveis os Seus caminhos!', exclama São Paulo na Epístola do dia (Rom, 11, 33-36), ele que 'tendo sido arrebatado ao terceiro céu' não soube nem pôde dizer outra coisa senão que ouviu 'palavras inefáveis que não é lícito a um homem proferir' (II Cor. 12, 2-4). Em presença do altíssimo mistério da Trindade, sente-se realmente que o mais belo louvor é o silêncio da alma que adora, reconhecendo-se incapaz de exprimir um louvor adequado à Majestade divina".

   Ó Santíssima Trindade, revesti-me de Vós mesma, para que eu passe esta vida mortal na verdadeira obediência e na luz da fé santíssima que inebriou a minha alma! Amém!