SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE


Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do Mexico e de toda a América Latina





Igreja antiga na colina
de Tepejac
   O Breviário Romano traz um resumo da História de Nossa Senhora de Guadalupe: Segundo reza uma antiga e constante tradição, em 1531 a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus apareceu na colina de Tepejac ao neófito Juan Diego, piedoso e inculto indígena, e comunicou-lhe seu desejo de ele se dirigir ao bispo com o pedido de, naquele local, construir uma igeja. O bispo, Dom João de Zumárraga adiou a resposta, prometendo fazer antes um exame meticuloso do caso. Pela segunda vez a Santíssima Virgem apareceu a Juan Diego renovando, e desta vez com insistência o seu pedido anteriormente feito. O indígena aflito e entre lágrimas se apresentou novamente ao sr. Bispo e suplicou, fosse atendido o pedido da Mãe de Deus. Dom João de Zumárraga exigiu como prova da veracidade, que Juan Diego trouxesse um sinal pelo qual a Mãe de Deus mostrasse sua vontade. Juan Diego estava de viagem à cidade do México, para procurar um padre para ir dar os últimos sacramentos a um tio seu  com grave enfermidade. Era bem longe da colina de Tepejac e a benigníssima Virgem lhe apareceu pela terceira vez. Primeiramente Nossa Senhora assegurou a Juan Diego que o seu tio já estava completamente curado. Era inverno e num lugar árido. Juan Diego, em atitude de devoção, estendeu aos pés da Santíssima Virgem o seu manto, e este, imediatamente se encheu de belíssimas rosas. "É este o sinal, disse-lhe Maria Santíssima, que darei a quem tal pediu: leva estas rosas ao Sr. Bispo". E a ordem foi cumprida, e no momento em que o índio Juan Diego espalhou as flores diante do Prelado, apareceu sobre o tecido do manto uma linda pintura de Nossa Senhora, reprodução fiel da primeira aparição na colina de Tepejac. O fato causou grande estupefação, e às centenas acorreram os fiéis ao palácio episcopal para verem as rosas e a imagem. Esta foi respeitosamente guardada na residência episcopal, e mais tarde em triunfo foi levada à grandiosa igreja que se construiu na colina de Tepejac, local indicado pela Santíssima Virgem. Desde então Guadalupe é o grande santuário nacional do México, visitado pelas multidões, atraídas pelos inúmeros milagres. O Papa Bento XIV proclamou Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira principal de todo México. E o Papa Pio XII declarou-a a Padroeira de toda a América Latina.
   O índio Juan Diego, o vidente de Nossa Senhora, hoje já é venerado nos altares, canonizado pela Santa Madre Igreja. O manto de Juan Diego, perfeitamente conservado apesar de se terem passado mais de 460 anos, é ainda hoje venerado no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe.
  

domingo, 10 de dezembro de 2017

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 2º DOMINGO DO ADVENTO


S. Mateus XI, 2-10

2. Como João, estando no cárcere, tivesse ouvido falar das obras de Cristo, enviou dois de seus discípulos, 3. a dizer-lhe: És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?4. Respondendo Jesus, disse-lhes: ide e contai a João o que ouvistes e vistes: 5. Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados; 6. e bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo. 7. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João às turbas: Que fostes vós ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8. Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas vivem nos palácios dos reis. 9. Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais do que profeta; 10. Porque este é aquele de quem está escrito: "Eis que eu envio o meu mensageiro adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti".

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

João Batista era o precursor do Messias como fora escrito pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor" (Is. 40, 3). Malaquias igualmente diz: "Eis que mando o meu mensageiro, o qual preparará o caminho diante da minha face". E o próprio Jesus confirma no vers. 10 do Evangelho de hoje, que João Batista é este mensageiro predito pelo profeta.

Mas, João Batista fora preso pelo rei Herodes porque censurava em face o adultério e o encesto deste cruel e debochado soberano. Lá do fundo da prisão, o Precursor quer dar um último testemunho de Jesus Cristo. João Batista já havia mostrado Jesus às margens do rio Jordão: "Eis o Cordeiro de Deus". Dissera também quando Jesus vinha ter com ele: "Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira  o pecado do mundo. Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um homem que me foi preferido, porque era antes de mim, Eu não o conhecia, mas vim batizar em água, para ele ser reconhecido em Israel... Vi o Espírito (Santo) vir do céu em forma de pomba e repousou sobre ele. Eu não o conhecia, mas o que me mandou batizar em água, disse-me: Aquele, sobre quem vires descer e repousar o Espírito , esse é o que batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dei testemunho de que ele é o Filho de Deus" (S. João I, 29-34).

Na verdade, os discípulos de João Batista não admitiam que pudesse haver outro Mestre acima dele. Mas o Precursor fazia questão de frisar que ele não era o Messias; foi mandado por Deus apenas para preparar os corações para receberem o Messias. Afirmava que o Salvador já estava no meio deles, e ele não era digno nem de desatar as correias de suas sandálias. Dizia outrossim, que era mister que Jesus crescesse e que ele diminuísse. Em outras palavras: o Batista deixava claro que a sua missão era levar o povo a seguir a Jesus e não a ele.

E assim compreendemos o significado desta atitude de João Batista em relação aos seus discípulos: queria que eles fossem até Jesus e vissem com os próprios olhos os milagres que Jesus fazia e que eram exatamente os que os profetas predisseram que o Messias faria quando viesse ao mundo. Embora um santo extraordinário, a Providência divina não quis que João Batista fizesse milagres.

Os enviados do Batista perguntaram a Jesus: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? Respondeu-lhes Jesus: "Ide e contai a João  o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados". Lemos em Isaías XXXV, 3-6: "Deus mesmo virá e vos salvará. Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então saltará o coxo como um cervo e desatar-se-á a língua dos mudos". Em outro lugar diz: "E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos" (Is. XXIX, 18).  Sobre os pobres eis o que diz ainda Isaías: "Não julgará pelo que se manifesta exteriormente à vista, nem condenará somente pelo que ouve dizer; mas julgará os pobres com justiça, tomará com equidade a defesa dos humildes da terra" (Is. XI, 3 e 4). E Davi no Salmo 71, 13: "Usará de clemência com o pobre e o desvalido, e salvará as almas dos pobres".

 Jesus não afirma: Eu sou o Messias. Faz muito mais: isto é, mostra que n'Ele se realizam as profecias sobre o Messias. Na presença dos discípulos de João Batista realiza as obras com que os profetas mostraram antecipadamente o perfil do futuro Messias. Os falsos profetas, os fundadores de religiões novas, Maomé, Lutero, Alan Kardec e muitos outros  afirmaram que eram os enviados de Deus, mas não o provaram com obras.

No versículo 6º Jesus diz: "E bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim!". O velho Simeão havia predito que Jesus devia ser objeto de contradição por muitos, e esta predição se cumpria já. Jesus era alvo de escândalo por parte dos doutores que invejavam sua influência, pela vulgaridade que emanava de sua pobreza; era objeto de escândalo até por parte dos discípulos mesmos de João Batista que colocavam Jesus bem abaixo de seu mestre. Feliz portanto, exclama Jesus, aquele que não se escandalizar de mim, isto é, bem-aventurado aquele que reconhecer quem Eu sou, feliz quem vir em mim o Messias Redentor, o enviado do Altíssimo, o Filho de Deus! Caríssimos, aceitemos tudo o que saiu dos lábios divinos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é, pois, o nosso Salvador, é o Filho de Deus vivo! 

Nos versículos 7-9 Jesus Cristo faz o elogio de João Batista: "Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? Assim, o primeiro elogio que Jesus faz de João Batista é este de sua CONSTÂNCIA. João dera testemunho de Jesus às margens do Rio Jordão; dá-Lhe testemunho do fundo de sua prisão. Ele anuncia a verdade ao povo, aos sacerdotes, aos próprios reis, e com uma força que os faz tremer e empalidecer em seu trono. Portanto, João não é um caniço fraco e movediço à mercê do vento. Não é um destes homens pusilânimes que o temor o abate, que o respeito humano desconcerta e faz vacilar. Não, a prisão, a espada, a morte mesma não  levarão o Batista a trair seu dever.

Na crise sem precedente que afeta a Igreja, ai dos Sacerdotes e Bispos que, às expensas da verdade, se preocupam prioritariamente quando não exclusivamente com seus interesses ambicionais ou monetários. 
  
No vers. 8º  Jesus faz um segundo elogio ao Seu Precursor: "Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas vivem nos palácios dos reis". Caríssimos, a PENITÊNCIA é uma das grades virtudes do cristianismo, uma virtude essencial, indispensável. Sem ela, a salvação eterna torna-se impossível. Portanto, quem quiser seguir a Jesus Cristo deve renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz.

João Batista que fora enviado por Deus para mostrar aos homens Jesus penitente, devia evidentemente apresentar em si mesmo antes de tudo os caracteres da penitência: habita os desertos, não tem por vestimenta senão peles de camelo presa por uma correia de couro; por alimento senão gafanhotos e mel silvestre. Nosso Senhor Jesus Cristo que quer inculcar no povo o amor da penitência, quis enfatizar cuidadosamente a prática da penitência em Seu santo Precursor.

Caríssimos, nestes tempos de moleza, de luxo e sensualidade, quão necessária se nos torna esta lembrança de Jesus e de Seu Precursor! Não somente nos palácios dos reis encontramos hoje aqueles que se vestem molemente, suntuosamente, sensualmente e imodestamente! Estes estão em total oposição à doutrina e aos exemplos do divino Mestre. No entanto, encontramos tais pessoas em toda parte, em todas as condições sociais, e, dizemos com tristeza, muitas vezes até nas casas paroquiais e episcopais. Talvez muitos sejam aqueles mesmos que, escandalizados criticam a suntuosidade na Casa de Deus.

No vers. 9º e 10º lemos o terceiro elogio: "Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais do que um profeta. Porque este é aquele de quem está escrito: "Eis que eu envio o meu mensageiro adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti".  Na verdade, os profetas não haviam feito senão anunciar o Salvador; João O mostra: "Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo". Não é, portanto, somente profeta, ele é também apóstolo. Não somente prediz o Messias, ele O prega, O mostra à multidão, ganha para Ele numerosos discípulos. É outrossim, além de profeta e apóstolo, testemunha de Jesus também pelo sangue, ou seja, é mártir. Por ter dado testemunho da verdade, e por conseguinte, de Deus, que é a Verdade por essência, é que ele incorreu na cólera de Herodes, que é metido na prisão e que teve a cabeça cortada. E é por isso que Jesus disse que João era o maior dos filhos dos homens. Que santo da Antiga Lei, pois, reuniu tantos títulos, e mostrou em sua pessoa tão altas virtudes?

Caríssimos, que glória para João Batista receber dos lábios do Juiz Supremo e já aqui na terra, isto é, antes mesmo do Juízo Final, elogios tão altos! É que Jesus não se deixa vencer em generosidade. Estes elogios são, na verdade, a recompensa pelo desvelo, pelo zelo e pelo desinteresse perfeito com os quais João Lhe havia, por primeiro, dado testemunho.

Se quisermos, irmãos caríssimos, obter um dia esta mesma recompensa, isto é, que Jesus nos confesse, em seu dia supremo, diante do Pai, dos Anjos e dos homens, então, confessemo-Lo agora à exemplo de João Batista, confessemo-Lo por palavras, confessemo-Lo por obras, confessemo-Lo sem temor, sem respeito humano, com perigo de nossa vida, se necessário for. Não temos outra missão sobre a terra senão esta de servir de testemunha de Jesus Cristo e da verdade. É para isto que Deus nos colocou na terra. De cada um de nós é verdade dizer: "Este veio como testemunha, para dar testemunho da Luz". A cada um de nós Jesus Cristo diz, como dizia aos seus apóstolos: "Sereis minhas testemunhas". Devemos dar testemunho firme e impávido da doutrina e da pureza da moral de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só assim, mereceremos no Juízo Universal, ouvir dos lábios divinos do Juiz Supremo aquelas palavras que nos farão felizes para todo sempre: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino de Deus, que vos foi preparado desde o início do mundo". Amém!


HOMILIA DO 2º DOMINGO DO ADVENTO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 15, 4-13.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 11, 2-10: 


"Naquele tempo ouvindo João no cárcere, as obras de Cristo, tendo enviado dois dos seus discípulos disse-Lhe: És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados e bem-aventurado é aquele que de Mim não se escandalizar. E quando eles partiram, começou Jesus a falar ao povo acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que saístes a ver? Um homem vestido suntuosamente? Ora, os que vestem roupas finas habitam os palácios dos reis. Então, que saístes a ver? Um Profeta? Sim, eu vos digo, e mais que um Profeta. Porque, este é aquele do qual foi escrito: Eis que envio diante de tua face o meu Mensageiro, que preparará o teu caminho adiante de ti". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Hoje vamos meditar nas provas da missão divina de Jesus, que nos mostra este Evangelho colocado pela Santa Igreja à nossa meditação neste segundo domingo do Advento. 
  "És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes...
   Como já o explicamos no ano passado, o Santo Precursor, ao enviar seus discípulos para fazer esta pergunta a Jesus, evidentemente não duvidava de nenhum modo que Jesus fosse o Messias; queria, isto sim, vencer a incredulidade deles colocando-os na oportunidade de reconhecer a missão divina de Jesus vendo pessoalmente as suas obras, obras estas antecipadamente preditas pelos profetas como demonstração da veracidade do futuro Messias.
    Infelizmente ainda hoje quantos cristãos semelhantes a estes discípulos de João Batista! Não têm uma fé firme e prática em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ficam apegados a certos pretensos sábios e se esquecem da verdadeira Sabedoria, d'Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida. Uns por malícia e impiedade, outros por cegueira provocada pelas paixões, outros ainda por uma ignorância mais ou menos culpável... Que todos estes escutem e meditem a resposta do Divino Mestre. 
  Ora, o Salvador prova a divindade de sua missão mediante três meios:  1º - por sua doutrina; 2º - pela santidade de sua vida; 3º - por seus milagres.
   Consideremos brevemente cada uma destas provas: 
Sermão da Montanha. Na década de 1930 foi construída
esta igreja em forma octogonal e com oito vitrais onde se
encontram escritas as 8 Bem-Aventuranças.
O sermão que Jesus fez aí resume toda sua doutrina,
assim como as oito Bem-Aventuranças com que o
inicia, resumem todo o sermão. 
   Primeira: Pela sua doutrina: Todos a ouviam. Pois, Jesus pregava por toda parte, a todos, publicamente. Sua doutrina é sublime, celeste, divina, e portanto, simples e ao alcance de todos. Ele instrui os homens sobre a bondade e a providência de Deus, e, ao mesmo tempo, mostra Seu poder e Sua justiça; Jesus em suas pregações fala contra as fraquezas e misérias da humanidade, sobre a vida presente e a futura. Ensina a todos claramente seus deveres para com Deus, o próximo, e para consigo mesmos. Mostra todas a virtudes que devem praticar: a humildade, o desprendimento dos bens materiais e o amor à pobreza, a castidade, a penitência, a paciência, a caridade ... etc. Temos no sermão da montanha um resumo admirável de toda a sua doutrina.
   É claro que uma moral tão pura, uma doutrina tão santa não poderiam vir senão do céu, senão de um Deus. Assim os que a ouviam ficavam convencidos da missão divina do Divino Pregador: "Todos ficavam admirados a respeito de Sua doutrina... E perguntavam entre si: Que é isto? Que nova doutrina é esta?... Todos ficavam estupefatos, porque percebiam que Ele falava com autoridade. Nenhum homem, diziam as turbas, falou até hoje como este homem" (Cf. S. Mt. VII, 28; S. Mc, I, 27; S. Lc. IV, 32; S. Jo. VII, 46). 
   Quão culpáveis eram aqueles judeus ou que simplesmente não quiseram ouvir esta doutrina, ou, ouvindo-a, ficaram admirados, tocados pela graça, mas não quiseram segui-la, porque não quiseram reconhecer seu autor como Deus! Se Jesus diz que são bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática, devemos concluir que até muitos cristãos não são bem-aventurados. 
   
   Segunda: Pela santidade da vida de Jesus. São Lucas diz que Jesus começou a fazer e a ensinar... Ele é o modelo vivo e mais completo de todas as virtudes e de todas as perfeições. Que zelo pela glória de Seu Pai e pela salvação das almas! Como reluziam n'Ele a pobreza, a pureza, a humildade, a misericórdia, a caridade, a doçura, a paciência, a bondade e todas as demais virtudes. Jesus Cristo nos deu o exemplo para que façamos como Ele fez. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!" Mostrou que era Deus em toda sua vida e na Sua morte. Por isso, aqueles que seguem a Jesus não andam nas trevas!

 Terceira: Pelos milagres que Jesus fez. "Ide dizer a João o que vistes: os cegos vêem, os coxos andam.. etc. Os discípulos de João, nesta ocasião, foram testemunhas, com todos os judeus, dos milagres de toda espécie, e sem número que Jesus fazia. Eles podiam e deviam claramente reconhecer nestes prodígios que Jesus era verdadeiramente o Messias prometido, anunciado, e esperado; porque Jesus Cristo operava exatamente aqueles milagres que os profetas atribuíam antecipadamente ao Messias. E os milagres eram evidentes, públicos, múltiplos, feitos em seu nome e as vezes, com uma única palavra sua. O próprio Jesus dizia aos judeus: "Estas mesmas obras que Eu faço,  dão testemunho de mim: provam que o Pai me enviou... Se não quereis acreditar em mim, acreditai em minhas obras". 
   Os próprios judeus eram tocados fortemente pelas obras maravilhosas que Jesus operava. Muitos chegavam a dizer: "Será que quando vier o Messias, ele fará tantas obras maravilhosas como este homem faz? Infelizes, mesmo assim se recusavam em acreditar. O pior cego é aquele que não quer ver, diz o ditado popular. Corações endurecidos, que recusam adorar e seguir a Jesus, malgrado tantos milagres!

  Ó Jesus, nós vos adoramos de todo nosso coração. Cremos firmemente que Vós sois o Cristo, o Filho de Deus vivo, descido do céu à terra para nos salvar, para nos ensinar o caminho da virtude e do céu. 
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! que a vossa fé seja firme e prática. Glorificai a Jesus Cristo por vossa fidelidade aos Seus preceitos, pela imitação de todas as suas virtudes. 
   Senhor! eu creio, mas aumentai a minha fé! Amém!
   

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A IMACULADA CONCEIÇÃO - 14ª LIÇÃO



- TODOS NÓS CONTRAÍMOS O PECADO ORIGINAL?
- SIM , EXCETO MARIA SANTÍSSIMA, TODOS NÓS CONTRAÍMOS O PECADO ORIGINAL.

-POR QUE MARIA SANTÍSSIMA NUNCA TEVE PECADO ORIGINAL?
- PORQUE FOI ESCOLHIDA PARA SER MÃE DE DEUS.

- COMO CHAMAMOS NOSSA SENHORA PELO FATO DE ELA NUNCA TER TIDO PECADO ORIGINAL?
-IMACULADA CONCEIÇÃO.


  
Da Sagrada Escritura aprendemos que Maria Santíssima esmagou a cabeça da serpente e é cheia de graça, bendita entre as mulheres e por isso compreendemos que Maria nunca teve o pecado original: Maria foi concebida sem pecado original.
   Nossa Senhora disse em Lourdes a Santa Bernadete que Ela era a "Imaculada Conceição", isto é, concebida sem pecado original.
   Os protestantes não querem crer na Imaculada Conceição de Nossa Senhora. É porque não compreendem a santidade de Jesus. Jesus é infinitamente santo, isto é, Jesus tem um imenso ódio ao pecado. O Filho de Deus não podia permitir que sua Mãe fosse manchada de pecado, nem do pecado original. O Filho de Deus quis que Sua Mãe fosse cheia de graça desde o primeiro momento da sua vida. Maria Santíssima, desde o primeiro momento da sua conceição, teve a graça santificante, isto é, conservou-se limpa do pecado original. Este grande privilégio, recebeu-o Maria pelos méritos de Jesus Cristo, que, depois, com Sua morte na cruz, pagou a dívida do pecado original.
   Suponhamos um homem pobre que esteja preso por não poder pagar suas dívidas. Nunca poderá pagar. Mas felizmente se apresenta um homem muito rico e diz: "Eu me constituo fiador: pagarei depois a dívida inteira". Então soltam o homem mesmo antes que pague a dívida. Assim Jesus pagou a dívida por Maria Santíssima. Maria havia de herdar a dívida de Adão, pois era filha de Adão como nós. Mas o Filho de Deus sabia que Maria mais tarde seria sua Mãe. Por isso o Filho de Deus declarou: "Eu pagarei depois a dívida inteira. Não quero que ela tenha, nem um só momento, a dívida de Adão, o pecado original. Assim Maria ficou livre da dívida antes que Jesus pagasse. Por isso dizemos: "Maria foi preservada da mancha do pecado original, pelos méritos previstos de Jesus Cristo".
   Os protestantes dizem que querem a Jesus. Mas querem a Jesus, sem honrar sua Mãe. Não creem que Maria tenha sido concebida sem pecado original. A Sagrada Escritura chama-a "cheia de graça". Mas os protestantes riscam estas palavras de suas bíblias: não querem chamar Maria "cheia de graça". Não respeitam as imagens de Nossa Senhora, nem rezam a Ave Maria. Os protestantes querem Jesus sem Maria. Mas Jesus não quer os protestantes. Jesus é bom filho. A ofensa contra Maria cai também sobre Jesus.
   Não queremos em nossas casas bíblias protestantes; pois nestas bíblias protestantes se riscam as palavras do anjo, que chama a Virgem Maria "cheia de graça". Estas bíblias não são mais a Sagrada Escritura. Nunca devemos ir a conferências protestantes.; pois não nos pode falar bem de Deus quem não respeita a santa Mãe de Deus.
   Maria concede favores a quem tem devoção a sua Imaculada Conceição.
   É tão fácil dizer muitas vezes e pensar: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós". É a jaculatória que nós cantamos em francês aqui na paróquia: "O Marie conçue sans péché, priez pour nous qui avons recours a vous."
                                                                        

   

A IMACULADA CONCEIÇÃO

A  IMACULADA  (Murilo)
  Se o amor restrito, com que Deus amou João Batista, bastou para purificá-lo no seio materno, por que não preservaria da culpa hereditária a sua futura mãe o amor irrestrito com que Deus a quis?
  Tanto mais perfeita uma pessoa quanto mais perto de Deus ela está constituída. Ora, Maria está tão perto de Deus, seus liames com Deus são tão estreitos e inefáveis que não é possível haver criatura mais intimamente unida às três Pessoas Divinas. Filha predileta de Deus Pai, Mãe amorosíssima de Deus Filho e Esposa amantíssima e fidelíssima de Deus Espírito Santo. Maria Santíssima teve uma Predestinação singular, isto é, foi preparada por Deus para ser Sua Mãe. Daí, todos os privilégios concedidos à Maria Santíssima lhe foram outorgados por Deus em vista desta missão de trazer ao mundo o Filho de Deus para operar a Redenção de toda a Humanidade. Deus assim decretou: seu Filho seria "factus ex muliere". E, malgrado a obstinação protestante, ninguém poderá mudar os desígnios de Deus. 
   Em se tratando do pecado original, cada uma das três Pessoas Divinas tinha suas razões a alegar para que se decretasse uma exceção em favor de Maria. Deus Pai via nela uma criatura toda privilegiada, uma filha prediletíssima. No tempo Ela seria Mãe daquele Filho que Ele gera por via de inteligência deste toda eternidade. Podia acaso permitir que ela fosse manchada, ainda por um instante, pela nódoa do pecado? 
  Deus Filho via nela sua Mãe, que Ele amava já infinitamente mais do que pode ser amada qualquer outra mãe. Podendo dispor da sorte dela, sendo a própria Onipotência e a própria Bondade, como não faria por sua Mãe tudo quanto podia!? Salomão vai ao encontro de Betsabé e previne os desejos de sua mãe: "Pedi, minha mãe, nada te posso negar". Um Deus que escolhe mãe para si mesmo, será porventura menos bom filho que Salomão? Ele sabe o que pediria Maria, se existisse já, e se pudesse pedir alguma coisa. Ouve-a dizer de antemão: Ó meu Filho, ó meu Deus, o que prefiro a tudo, é ser sempre pura aos vossos olhos, é que nenhum instante da minha vida, e ainda menos o primeiro, pertença a outrem senão a vós. Maria Santíssima dará o Coração e o Sangue a Jesus. Seu sangue correrá nas veias de Jesus Cristo; e sofreria Ele que o sangue divino, que havia de lavar o mundo, fosse manchado na sua origem? 
  O Espírito Santo via nela a Sua Esposa, pois ela conceberia milagrosamente pelo Seu poder. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade via em Maria a obra prima da graça, uma criatura em quem Ele operaria mais maravilhas que em todas as criaturas juntas. Ela será por excelência o tabernáculo de Deus entre os homens; e o Espírito Santo é encarregado de preparar este santuário vivo. Ele quer que nada falte à sua obra, que a morada seja digna d'Aquele que a há de habitar, e d'Aquele que é o seu arquiteto. E tê-lo-ia sido, se o Divino Espírito não tivesse coberto com sua sombra a conceição de Maria para afastar dela ainda a mais leve mácula? 
   A Imaculada Conceição de Maria Santíssima é portanto a base em que se assenta todo o edifício de suas grandezas. E devemos ter em mente que este privilégio foi singular, isto é, só concedido a ela. Há santos em favor dos quais Deus tornou impotente o furor dos leões, a atividade das chamas,,, Há alguns que foram por Deus santificados no seio materno como Jeremias, São João Batista e provavelmente São José; mas a isenção de toda a mácula original é um benefício só privativo de Maria Santíssima. E este detalhe importantíssimo faz parte do dogma. "Por um privilégio singular", disse Pio IX nas palavras da Definição do Dogma da Imaculada Conceição.(1854). 
  Oh! quantas maravilhas nesta grande maravilha! O demônio prende em suas cadeias toda a descendência de Adão; só uma menina lhe escapa, e ela lhe esmagará a cabeça! Um fogo abrasador assola tudo; e no meio do incêndio geral, só uma vergôntea fica intacta; não só não é queimada nem tisnada, mas antes produz a mais bela das flores, e dá um fruto que será a salvação dos povos! Um tirano furioso desola toda a terra, e estende por todo a parte a sua cruel dominação; só uma cidade lhe resiste e vem a ser a senhora do universo! A serpente infernal terrivelmente mancha com sua baba impura a toda pobre criatura logo no primeiro instante de existência, mas vemos  uma criatura humana privilegiada, não só defendida desta afronta, mas pisando e esmagando a cabeça envenenada deste monstro infernal. Pois bem, caríssimos e amados irmãos, esta menina, esta vergôntea, esta cidade, esta criatura privilegiada é a Bem-aventurada Virgem Maria.
   Do privilégio da Maternidade Divina brota a Conceição Imaculada, e, desta brotam todos os outros privilégios: plenitude de graças e dons espirituais, que desde este primeiro instante eleva a santidade de Maria acima da dos maiores Santos; perfeito uso da sua razão e de todas as faculdades desde aquele primeiro momento; isenção da concupiscência e de outros funestos efeitos do pecado original; abundância de luzes sobrenaturais; facilidade em adiantar continuamente nos caminhos sublimes da santidade, por uma perfeita correspondência a todas as graças que recebe, sem que a menor imperfeição venha jamais deter os seus progressos e impanar  toda sua beleza. A incorruptibilidade no túmulo, a ressurreição antecipada, sua Assunção em corpo e alma aos céus, sua coroação como Rainha do Céu e da Terra, tudo isto é porque, sendo Mãe de Deus, foi Imaculada desde o primeiro instante de sua existência. 
   Antes de terminar gostaria de desfazer de antemão todas as possíveis dificuldades. Na verdade, para os católicos não há a minima dúvida. Trata-se de um dogma definido "ex cathedra" e aí o Papa é infalível. Mas o próprio Papa antes de definir os dogmas, apresenta os argumentos a favor dele, e responde as objeções feitas contra ele. Pois bem, em síntese, podemos dizer que nada se opõe à Imaculada Conceição de Maria. Nem o dogma da transmissão do pecado original, porque dessa nódoa Deus podia eximir sua Mãe por singular privilégio. Nem o dogma da universalidade de Redenção, porque Deus podia remi-la com redenção preservativa, aliás mais perfeita. Nem o dogma da Redenção por meio de Cristo, porque Deus podia remi-la, aplicando os seus méritos futuros. E Maria Santíssima foi a primeira remida por Nosso Divino Salvador. 
   A primeira mártir da Ação Católica Mexicana foi Maria da Luz Camacho. Varada por balas comunistas às portas da igreja de Coyacan, no desempenho da sua missão catequética, foi uma alma sinceramente apaixonada por Maria Santíssima. Durante a vida não teve outro fito senão estudar e copiar esse protótipo de perfeição. Não admira, pois, que, ao ver o seu corpo varado por balas selvagens, somasse as energias do seu amor acrisolado pela Mãe de Deus, e expirasse com o seu nome nos lábios. Viva Nossa Senhora de Guadalupe! Foi com efeito, o último canto desse cisne mariano. 
   Não posso sopear o desejo de terminar este sermão com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus. Durante a novena que precedeu a sua primeira comunhão (8 de maio de 1884) a Florzinha de Lisieux pediu a Virgem lhe tornasse a alma mais pura, mais e mais alvinitente: "Ô ma Mére, pouisque vous êtes si pure, vois devez savoir comment on fait éclore cette fleur d'innocence... Montre-le-moi! et just'au jour tant desiré ne me laissez pas perdre une occasion de rendre mon âme plus blanche et plus limpide". 

TOTA PULCHRA ES MARIA, ET  MACULA ORIGINALIS NON EST IN TE!
  

domingo, 3 de dezembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo do Advento

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 13, 11-14.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 21, 25-33: 

  "Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra consternação dos povos por causa da confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de medo, na expectativa do que sobrevirá a todo o orbe, porque as forças do céu serão abaladas. Então, verão o Filho do homem vindo sobre uma nuvem com grande poder e majestade. Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e erguei vossas cabeças, porque se aproxima a vossa redenção. E lhes propôs uma comparação: Vede a figueira e as demais árvores; quando começam a dar frutos, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes que se realizam estas coisas, sabei que está perto o Reino de Deus. Em verdade, vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão".

  Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Coisa digna de nota, a Igreja começa e acaba o ano eclesiástico pelo Evangelho do fim do mundo, tomado em São Mateus para o último Domingo do ano litúrgico (24º depois de Pentecostes) e em São Lucas para hoje. É que ela, como boa Mãe, quer lembrar-nos que o pensamento do Juízo final deve acompanhar-nos durante toda a vida e, por assim dizer, dirigir todos os nossos atos, afim de excitar em nós um temor salutar e fazer-nos evitar o pecado e praticar a virtude. Já o Espírito Santo nos disse: "In omnibus operibus tuis, memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis", "Em todas as tuas obras, meditar em teus novíssimos, e jamais pecarás" (Ecles., VII, 40). 
  Os anos sucedem-se e passam depressa, tudo se transforma, tudo envelhece, mas o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é inalterável e eterno. Prendamo-nos, portanto, com a fé e amor a esta infalível verdade, a estas palavras de vida. Meditemo-la com o coração reto dispostos a praticá-la.

  "O monge São Metódio (+ 861), que converteu à fé cristã a Bulgária e outras nações bárbaras, era também um bom pintor. Um dia ele foi chamado pelo rei dos búlgaros, de nome Bógoris, o qual lhe disse: 'Deveis fazer-me um belo quadro para eu pôr em meu palácio, e quero que esse quadro represente coisas que metam medo a todos os que o olharem'.  -  É mister saber que esse rei era pagão e meio selvagem, e só se deleitava com caçadas de animais ferozes e cenas terríveis. O santo então, recomendando-se a Deus, pintou o Juízo Universal. 
  "No meio do quadro via-se Jesus Cristo em sua tremenda majestade entre as nuvens e num trono de glória, rodeado pelos anjos; à direita uma fila de pessoas com os rostos resplendorosos de luz (os justos); à esquerda uma multidão de pessoas monstruosas com caras horríveis; cheias de pavor e de desesperada angústia (os pecadores). Em baixo afinal se via um abismo cheio de figuras horrendas de demônios, e desse abismo saíam chamas ameaçadoras e foscas.  -  Quando o rei viu esse quadro, ficou impressionado e perguntou: 'Que espetáculo é esse tão magnífico e pavoroso?' - Aí Metódio lhe deu a seguinte explicação:

  - "Majestade, iniciou S. Metódio, esse quadro representa o Juízo Universal. Ficai sabendo que logo após a morte haverá, para todos, o Juízo Particular; isto é, deveremos todos comparecer perante Deus para dar contas do bem e do mal que tivermos feito em vida. Mas além do Juízo Particular, haverá outro Juízo, que se diz Universal, e este será feito por Jesus Cristo no fim do mundo no Vale de Josafá. Ao Juízo Universal deverão apresentar-se todos os homens do mundo, que existiram, que existem e que existirem: grandes, pequenos, soberanos e súditos, sábios e ignorantes, ricos e pobres, bons e maus'. - Ao ouvir isso, o rei já começava a empalidecer e indagou: 'Quando e como será o Juízo Universal?' - Responde Metódio: 'Esse dia ninguém o sabe, nem os Anjos do Céu, exceto apenas o Pai (Deus) (S. Mt. 24, 36). - Como depois se dará o Juízo, di-lo a Sagrada Escritura. Primeiro haverá sinais: guerras espantosas dos povos e dos reinos, que se lançarão uns contra os outros (S. Mt. 24, 7); pestes, carestias, terremotos (S. Mt. 24, 36 e sgs). Depois o sol escurecerá, e a lua não dará mais a sua luz, e cairão do céu as estrelas e haverá a destruição do Universo (S. Mt. idem). Depois virá do céu um dilúvio de fogo que destruirá tudo: terra autem, et quae in ipsa sunt opera, exurentur = a terra, porém, e todas as obras que há nela, serão queimadas (1ª São Pedro, III, 10). E então será grande a tribulação, como não houve desde o início do mundo. (S. Mt. ibid., 21). E tudo isso é verdade do Evangelho. 
  "Quando estiver tudo destruído pelo fogo, os Anjos soarão uma trombeta que se fará ouvir nos quatro ventos; e os mortos ressuscitarão: 'Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará) os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos mudados'. (1ª Cor. XV, 52). E aí se dará um grande espetáculo. Todos os mortos, saídos de seus túmulos, da terra, do mar, dos abismos, deverão estar vivos. - Mas com que diferença! As almas dos bons, vindas do Céu, retomarão o seu corpo belo, resplandecente, impassível: 'Então os justos brilharão como o sol (S Mt. XIII, 43). As almas dos réprobos, surgidas do inferno, unir-se-ão a seus corpos que no entanto serão disformes, horríveis, esquálidos, cheirando mal. 
  "Depois virão os Anjos, e separarão os malvados dos justos. E os justos ficarão à direita, e os pecadores à esquerda. Não vos parece vê-los, Majestade!?... Todos os blasfemadores, caluniadores,, desonestos, soberbos, ladrões, avarentos, escandalosos, sacrílegos, serão separados dos bons; e, vendo-os, dirão com raiva: 'Eis aqueles de quem zombávamos em vida. Estultos que fomos! Julgávamos uma insensatez a sua vida: eis no entanto como se incluíram entre os filhos de Deus' (Sab. V, 3-5). 
  "Feita a separação, abrir-se-ão os Céus, e entre fileiras de Anjos aparecerá o sinal do Filho do Homem: a Santa Cruz. E aí bater-se-ão no peito todas as tribos da terra. E eis a descer nas nuvens Jesus Cristo com grande poder e majestade (S. Mt. XXIV, 30 e sgs). Aí os réprobos cairão como fulminados. E que berros de choro!!! Que pavor!!! Que desespero!!! ao passo que os justos rejubilar-se-ão!!!
  "Depois o divino Juiz fará exame público: manifestará as consciências todos, revelando as culpas, diante de todo o mundo. Depois pronunciará a sentença de bênção sobre os bons e a de maldição sobre os maus; e estes irão para o eterno suplício com os demônios: os justos ao contrário para a vida eterna. (S. Mateus, 25, 46): "Esses (os maus), disse Jesus, irão para o suplício eterno, os justos para a vida eterna". 
  
  "Eis, Majestade, concluiu o monge São Metódio, o que ouvistes do quadro pintado: mas é uma realidade: a tremenda verdade do Juízo, que é verdade do Evangelho". (Extraído do Livro "A PALAVRA DE DEUS EM EXEMPLOS" de autoria do Padre Mortarino). 

  Ao ouvir isso, o rei Bógoris ficou aterrorizado; fêz-se logo instruir na religião, e, iluminado pela graça de Deus, converteu-se ao Catolicismo, e com ele se converteram também os seus súditos. Todo o país da Bulgária se tornou católico. Amém!
   

HOMILIA SOBRE A EPÍSTOLA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 13, 11-14. 
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 21, 25-33. 


EPÍSTOLA DESTA SANTA MISSA DO 1º DOMINGO DO ADVENTO:

   "Irmãos: Sabeis que já é hora de despertar-vos do sono, pois, a salvação está agora mais perto de nós, do que quando abraçamos a fé. A noite passou e aproxima-se o dia. Renunciemos, portanto, às obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz. Caminhemos honestamente como quem anda em plena luz, não em excesso de comida ou de bebida, não em dissoluções e impurezas, nem em contendas e emulações. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo."

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Primeiramente queria lembrar a todos que o pecador Agostinho, filho de Santa Mônica, passou definitivamente da trevas do erro e da morte do pecado para a luz da verdade e a vida da graça, através desta Epístola: Achando-se ele com seu amigo Alípio em um jardim, ouviu uma voz que lhe dizia: "Toma e lê". Impressionado com estas palavras misteriosas, segura o livro que vê ao seu lado e abre-o exatamente na página em que se encontra esta Epístola. Foi o golpe certeiro da graça a quebrar a última corrente férrea que ainda o detinha preso ao mundo de trevas e impurezas. Converteu-se! E oxalá, muitos e muitos lendo e meditando estas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras, se convertam como aconteceu com Agostinho. 

   "Já é hora de despertarmos do sono".  Caríssimos, o sono é necessário para restaurar as forças, e por isto, reduz-nos à inércia. É indispensável para a vida física, mas referindo-se à vida espiritual, na linguagem ascética, o sono é sinônimo de negligência, de torpor nas coisas de Deus, é símbolo da tibieza. A alma vive esquecida de Deus, apegada que está muito mais à coisas exteriores da terra. Daí a oração ou é frequentemente omitida ou, então, feita com certo enfado. O mesmo acontece com a recepção dos sacramentos. A alma na tibieza fica alheia a todo amor divino e busca antes vãs consolações nos corações humanos. Quase não se mortifica. Preocupada com o tempo presente, não lhe interessam os destinos da vida futura. Nesta indolência espiritual a alma fica fraca e cai facilmente em pecado veniais deliberados e geralmente em quedas fatais. Do sono da alma passa facilmente à morte da alma. Por isso São Paulo define o pecado como sendo "obra das trevas". Na verdade é o príncipe das trevas que o inspira. E o pecado conduz ao reino das trevas. Por isso grita o Apóstolo: "Despojai-vos, pois, das obras das trevas" e "revistamo-nos das armas da luz". Devemos procurar a força na oração, meditação dos novíssimos, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurar o força nos Sacramentos da Penitência e da Comunhão. Devemos estar acordados, bem vigilantes, para afastarmos as tentações do príncipe das trevas, com a mesma prontidão e energia com que afastamos uma brasa que cai em nossas vestes. 

   Assim com as palavras da Epístola da Missa deste 1º Domingo do Advento, São Paulo anima os tíbios a acordarem do sono do espírito; aos pecadores o Apóstolo ordena que rejeitem as obras das trevas. Aconselha os fracos que empunhem as armas da luz. A todos São Paulo exorta a que se revistam de Jesus Cristo. 

   Para terminar, caríssimos, vejamos o que significa afinal "revestir-se de Jesus Cristo". Significa tomar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, seguir a sua doutrina, imitar seus exemplos, reproduzir suas virtudes. Significa, outrossim, unir-se interiormente a Deus com o maior grau de santidade possível e exteriormente revelar, através da nossa conduta, a bondade, caridade, e doçura de Jesus Cristo. 

   Por isso, é com imensa tristeza que constatamos que muitos cristãos, em lugar de ser o perfume de Jesus Cristo entre os demais, violando, portanto, a missão que lhes cabe de revelarem Jesus aos homens, profanam com sua vida, a vida d'Aquele que deviam com suas virtudes honrar e glorificar. 

  Ó Jesus, fazei que, pela prática das virtudes, especialmente da humildade e mansidão, eu possa ser o bom odor vosso junto aos meus irmãos. Amém!