SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

PECADO VENIAL


""Abstende-vos de toda aparência do mal" (Tessal. V, 22)

Há um erro popular, e não é só de hoje, que consiste em persuadir-se falsamente de que o pecado venial é coisa de somenos importância, como se a palavra venial significasse bagatela, coisa de nada. Talvez este erro venha da palavra "leve" também empregada para designar pecado venial. Na verdade, "leve" aqui é um termo relativo, assim, por exemplo, comparando, quando a gente diz que a Terra é pequena em relação ao Sol. É claro que em si mesma a Terra não é pequena. Assim, fazendo a aplicação, dizemos que o pecado venial é leve em comparação com o mortal, mas em si mesmo é o maior mal que existe sobre a terra depois do pecado mortal. Não é difícil entendermos, pois, se é pecado, ofende a Deus que é de uma dignidade, perfeição e majestade infinitas. Daí dizer São Jerônimo: "Não é falta leve desprezar a Deus nas coisas pequenas". É chamado venial (de venia em latim que significa perdão)porque significa coisa perdoável, ou, melhor dizendo "coisa mais facilmente perdoável", porque o pecado mortal também é perdoável. Mas não esqueçamos que para os pecados (mortais e veniais) poderem ser perdoados, Jesus Cristo sofreu e morreu numa Cruz.

Mas o que é pecado venial? Bom! se é pecado é porque tem os três elementos que constitui um pecado: transgressão da lei de Deus, advertência sobre esta transgressão e apesar disto há o consentimento da vontade. Quando se dá o pecado venial? Nestes casos: Quando a matéria da transgressão é de si mesma leve; ou é grave mas a advertência sobre esta malícia não é total e o consentimento da vontade não é pleno. É, portanto, qualquer pensamento, palavra, ação ou omissão contra a lei de Deus, mas que não  é tão grave, que nos faça perder a amizade do Senhor e dê a morte à alma. Acha-se neste gênero de faltas, tudo o que constitui o pecado: Deus que manda, o homem que recusa obedecer. A única diferença que há entre o pecado mortal e o venial, é o consentimento mais ou menos completo, matéria mais ou menos grave. Quanto ao mais, em um e outro há uma indigna preferência dada à vontade do homem sobre a de Deus; é uma ofensa de Deus; e feita por quem, e porque? Por uma vil criatura, por um desprezível motivo. Há portanto no pecado venial um verdadeiro desprezo de Deus, uma verdadeira injúria feita a todas as perfeições de Deus; injúria leve comparativamente com a que resulta do pecado mortal, mas de uma gravidade como que infinita, já que ofende a dignidade infinita de Deus.

Vamos dar alguns exemplos de pecados veniais: pequenas iras passageiras, ligeiras intemperança no  comer ou beber, falar mal dos outros em coisas que não causam graves danos a reputação do próximo, mentiras oficiosas, manifestações de amor próprio, distrações e curiosidades que me alheiam de mim mesmo e me perturbam o coração, negligências nos exercícios espirituais e religiosos, donde resultam tantas faltas contra o respeito devido ao Senhor. Se não vigiarmos, quantas faltas cometemos pelo mau humor, pela liberdade da língua etc.

Os teólogos e também autores espirituais fazem algumas suposições hipotéticas para se fazer compreender melhor o mal que é o pecado venial. Eis alguns exemplos: Seria um grande mal aquele que não pudesse ser reparado com todas as lágrimas do gênero humano, com os tormentos dos mártires, as austeridades dos anacoretas, os sofrimentos, a caridade de todos os Santos, e com todas as boas obras que se têm feito desde o princípio, e se farão até ao fim do mundo. E todavia, todas estas satisfações, se não se lhes ajuntassem as satisfações infinitas do Verbo encarnado, não bastariam para reparar a ofensa que faz a Deus um só pecado venial. Outro exemplo: a mentira quando não prejudica gravemente o próximo é sempre de si mesma um pecado venial. Pois bem! Se fosse para tirar todos os condenados do inferno ou evitar que fossem expulsos do Céu todos os Santos, não se poderia cometer tal mentira, que é um pecado venial. Será que haverá alguém ainda afirmando com tanta desenvoltura que o pecado venial é coisa de nada, e que se pode fazê-lo com a mesma facilidade com que se bebe um copo d'água? Se houver, por ventura algum pecador que ouse afirmá-lo, ouça também o que diz os santos dos quais citarei apenas alguns: Santa Catarina de Gênova: "Lançar-me-ia em um oceano de chamas, sendo preciso, para evitar a ocasião do menor pecado, e ali ficaria sempre, antes do que sair de lá por um pecado venial";  Santa Catarina de Sena: "Se a alma que é imortal, pudesse morrer, a vista de um só pecado venial, que manchasse a sua beleza, seria capaz de lhe dar a morte"; Santo Inácio de Loiola dizia: "Todo o homem que é zeloso da pureza da sua consciência, deve humilhar-se diante de Deus pelos pecados mais leves, considerando que aquele Senhor contra quem são cometidos, é infinito em todo o gênero de perfeições, o que lhes agrava infinitamente a malícia" ; Dizia Santo Tomás de Aquino: "Antes morrer que pecar venialmente". Eis mais um exemplo: "O Santo Cura d'Ars tinha recebido  uma cédula de mil francos, para as suas obras. Quando foi acender a vela, não tendo fósforo, tirou do bolso sem olhar um pedaço de papel e o chegou ao fogo. O padre coadjutor deu um grito: "Senhor Vigário, é uma nota de mil francos que queimais". "Antes isso, disse o Santo, que um pecado venial".


E, caríssimos, quem pode contar a multidão dos pecados veniais. Santo Agostinho dizia; "Se não temes os pecados veniais, quando pensas na sua gravidade, temei-os quando o contas". Milhares de pecados veniais somados não constitui um mortal, a não ser quanto àqueles mandamentos em que a matéria se soma, como é o caso do 7º mandamento (pode chegar a uma soma que já passe a constituir pecado mortal). Fora disto não. Mas se não se combate os pecados veniais e estes se tornam um hábito, a alma se torna tíbia e aí vai aos poucos escorregando para o abismo do pecado mortal. E uma circunstância que nos deve atemorizar: é mais difícil sair do pecado mortal, quando se chegou a ele aos poucos através de pecados veniais não combatidos. Os pecados veniais diminuem as luzes e as forças da alma. Num naufrágio pouco importa se ele acontece por uma furiosa tempestade ou pelo fato de a água entrar por um fenda gota a gota. Se muitos pecados mortais não constitui um mortal, é, no entanto, certo que dispõem para o mortal. Depois, se Deus quiser, falaremos sobre a tibieza, e, então explicaremos isto melhor. 

domingo, 22 de outubro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 20º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, 5, 15-21.
"Irmãos: Tende cuidado em andar com circunspecção; não como insensatos, e sim como prudentes. Aproveitai o tempo, porque os dias são maus. Assim, pois, não sejais imprudentes, mas aplicai-vos a conhecer qual seja a vontade de Deus. E não vos embriagueis com vinho, do qual nasce a impureza; mas ficai repletos do Espírito Santo. Entoai salmos, hinos e cânticos espirituais; cantai e salmodiai ao Senhor em vossas orações. Dai sempre e por tudo graças a Deus, nosso Pai, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo."

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 4, 46-53: 
"Naquele tempo havia um oficial do rei cujo filho estava doente em Cafarnaum. Tendo ouvido que Jesus voltara da Judeia para a Galileia, foi ter com Ele, e pediu-lhe que viesse à sua casa e curasse seu filho, que estava à morte. Disse-lhe, então, Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes. O oficial do rei respondeu: Senhor, vinde, antes que meu filho morra. Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. Acreditou o homem na palavra de Jesus e partiu. Quando ele já ia para casa, vieram-lhe ao encontro seus criados e deram-lhe a notícia de que o seu filho vivia. Perguntou-lhes, então, a hora em que o doente se achara melhor. Responderam-lhe: Ontem pela sétima hora, a febre o deixou. Reconheceu logo o pai ter sido aquela a mesma hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho vive. E acreditou ele e toda a sua família."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
  
  Deus infinitamente bom e sábio, serve-se, às vezes, da doença como um recurso para salvar a alma. No caso presente do Evangelho, vemos que a doença corporal do filho é motivo para a convalescênça espiritual do pai e conversão de toda aquela família. 
Vista parcial de Caná atual. Aí Jesus fez seu primeiro
milagre; e daí curou o filho do oficial em Cafarnaum,
que fica a alguns Km de Caná e abaixo 500 metros.
Por isso o oficial pediu que Jesus descesse até à
sua casa em Cafarnaum.
Como percebemos pela foto, Caná está construída numa
região montanhosa.
 Na verdade, a fé daquele oficial do rei Herodes era diminuta e imperfeita. Vinha pedir a Jesus a cura do filho, unicamente porque ouvira dizer que aquele homem de Nazaré estava fazendo milagres. Jesus se achava em Caná da Galileia; e ali mesmo havia transformado água em vinho. Este oficial nem sequer pensava na razão e origem de tanto poder, ou seja, não pensava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, o Messias. Além disso, julgava que Jesus só podia operar a cura, vindo tocar o próprio doente, ou impor-lhe as mãos. É por isso que o Salvador parece censurá-lo, embora amenize as palavras, dirigindo-as mais aos circunstantes que ao pai aflito: "Se não virdes milagres e prodígios, não credes".  Os milagres são, sem dúvida, necessários. É por eles que o Messias, segundo os Profetas, devia manifestar a sua missão divina e a sua Igreja estender-se pelo mundo. Mas não deixa de ser verdadeira a palavra de Jesus a S. Tomé: "Bem-aventurados os que não viram e creram". Aliás, os milagres, a maior parte das vezes, só convertem os homens de boa fé e de boa vontade. Os Fariseus, na sua maioria, viram, com seus olhos todos os milagres feitos por Jesus e não quiseram crer e crucificaram-No. Tinham olhos mas não viam, por causa do orgulho. 
No fundo vemos a igreja católica construída no local
onde Jesus fez o seu primeiro milagre e "Seus discípulos
creram n'Ele"
. O serviço arqueológico descobriu duas das
seis talhas usadas nas Bodas de Caná: uma está na
igreja católica e a outra na igreja greco-ortodoxa que
vemos em primeiro plano, construída perto da outra. 
  O oficial, parecendo não compreender a censura de Jesus, insistiu: "Senhor, descei, antes que meu filho morra". Vemos que este oficial acredita no poder de Jesus, mas a sua fé continua imperfeita, pois que julga necessária a presença  do taumaturgo e não acredita ainda que Jesus possa curar o seu filho à distância ou ressuscitá-lo, se estiver morto. Devemos observar que Jesus estava na ocasião, no início de sua vida pública, e, portanto, não havia feito ainda muitos milagres. Veremos mais tarde, numa circunstância análoga, o Centurião romano dizer a Jesus com fé e humildade admiráveis, bem superiores às deste oficial do rei: "Senhor, eu não sou digno que vos incomodeis em vir a minha casa; dizei somente uma palavra e o meu servo será curado!" Por isso o Centurião mereceu ouvir de Jesus: "Não encontrei tamanha fé no meu povo de Israel!
  O Divino Mestre, no entanto, não despreza essa fé imperfeita do oficial, mas trata de a robustecer, curando o enfermo ausente. Cumpriu-se mais uma vez a palavra do profeta: "Não quebrará a cana fendida, nem apagará a mecha que ainda fumega".  Disse Jesus àquele pai aflito: "Vai, teu filho vive". 
  Acreditou o homem na palavra de Jesus e partiu. Não instou mais com Jesus: sinal de que acreditou. Sua fé já era bem mais viva e perfeita. 
  A meio do caminho encontrou seus servos que vinham ao seu encontro anunciar-lhe a feliz nova: seu filho  subitamente ficara curado. Perguntou o pai a que hora isto se deu. Se, deste modo quis, por assim dizer, verificar o fato, precisando o momento da sua realização, foi, para confirmar a sua própria fé e poder atribuir a Jesus e só a Jesus a cura do filho e assim se excitar a uma perfeita gratidão. Quis também, sem dúvida, que os seus servos partilhassem da sua admiração e da sua convicção, de que Jesus era o único autor dum tão grande milagre e assim levá-los a felicidade de acreditarem como ele. 

A fé deste oficial estava no começo, quando veio à procura de Jesus e pedir-lhe a cura do filho; aumentou, quando acreditou na palavra do Senhor: Vai, o teu filho vive; atingiu  perfeição, quando soube a boa notícia que os servos lhe traziam. Neste momento ele creu que Jesus era o verdadeiro Messias prometido, o Cristo, o Filho de Deus; e, não contente, de crer ele só, comunicou, pelas suas exortações e pelos seus exemplos, a sua fé, o seu amor e a sua felicidade a toda a sua casa. A partir deste dia, esta casa tornou-se uma espécie de igreja antecipada em que o Salvador recebeu as homenagens que lhe eram devidas. 
  Admiremos a fé ativa, o zelo e o amor deste oficial que, esclarecido pela graça, testemunha a Jesus o seu reconhecimento da maneira que mais lhe agrada, fazendo-o conhecer e amar pelos seus. É um verdadeiro apostolado. Belo exemplo que todos os pais de família e donos de casa verdadeiramente cristãos fariam bem em imitar, que as ocasiões não serão raras. 
  Infelizmente, numerosos cristãos, santificados desde o nascimento pelo Batismo, educados na verdadeira religião, cumulados por Deus de toda a espécie de benefícios, se bem que o não reneguem, contudo vivem de tal forma que, em vez de edificar as suas famílias, algumas vezes as escandalizam duma forma lamentável. Em lugar de se aproximarem dos sacramentos, de recitarem piedosamente as suas orações em comum, de praticarem as virtudes cristãs, vemo-los constantemente afastados de toda a prática religiosa, entregarem-se ao jogo, à bebida, a paixões vergonhosas e culpáveis.
  Concedei, Senhor, benignamente a vossos fiéis o perdão e a paz, para que sejam purificados de toda culpa, e Vos sirvam com firme confiança. Amém!

sábado, 21 de outubro de 2017

O JUÍZO UNIVERSAL SEGUNDO S. AFONSO DE LIGÓRIO


(RESUMO)

"Cognoscetur Dominus judicia faciens"
Conhecido será o Senhor, que faz justiça (Salmo IX, 17).

O Redentor destinou o dia do Juízo Universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl  9, 17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sofonias I, 15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-Lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo nesse grande dia.

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Salmo 96, 3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2 S. Pedro III, 10). Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1 Cor. XV, 52). Dizia S. Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus.

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais resplandecentes que o sol (S. Mateus XIII, 43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos! ... Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes,  e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo! ... "Corpo maldito  -  dirá a alma   -  foi para te contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Joel III, 14) e separarão ali os justos dos réprobos (S. Mat. XIII, 49). Os justos ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Que confusão experimentarão os ímpios, quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse S. João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem de sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. Caríssimo irmão, abandona  o caminho que conduz à esquerda.

Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória   -  segundo afirma o Apóstolo  -  serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1 Tess IV, 17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juiz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos.

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse Santo Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (S. Mat. XXIV, 30). Os Apóstolos serão assessores e com Jesus Cristo julgarão os povos. Aparecerá, enfim, o Eterno Juiz em luminoso trono de majestade: "E verão o Filho do Homem, que virão nas nuvens do céu, com grande poder e majestade. À sua presença chorarão os povos" (S. Mat. XXIV, 30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno, disse S. Jerônimo. Cumprir-se-á, então, a profecia de S. João: "Os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juiz irritado" (Apoc. VI, 16).

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consciências de todos (Dan. VII, 10). A própria consciência dos homens os acusará depois (Rom. II, 15). A seguir, darão testemunho clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hab. II, 11). Virá enfim, o testemunho do próprio Juiz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jer. XXIX, 23). Disse S. Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1 Cor. IV, 5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem- aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Salmo 31, 1). Pelo contrário   -  disse S. Basílio  -  as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama S. Tomás: "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado no seu trono de Juiz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!".

Chegada a hora da  sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (S. Mat. XXV, 34). Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juiz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençoo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A virgem Santíssima  abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial, para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus.

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça , apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (S. Mat. XXV, 34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos quero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha bênção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma..." E por quantos séculos?... Por toda a eternidade, enquanto Deus for Deus.

Depois desta sentença, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônios e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!... Ó maldito pecado!... A que triste fim levarás um dia tantas pobres almas!... Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim.

Meu Deus e meu Salvador! Já que declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zac. I, 3), tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a Vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de Vós... Maria Santíssima, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Amém!


domingo, 15 de outubro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 19º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, 4, 23-28.


Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 12, 1-14: 


"Naquele tempo, falava Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos fariseus em parábolas, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um rei que quis celebrar as núpcias do seu filho. E mandou seus servos a chamar os convidados para as bodas; estes, porém, não quiseram vir. Novamente enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram-se, um para sua casa de campo e outro para seu negócio; e ainda outros prenderam-lhe os servos e depois de os terem ultrajado, mataram-nos. Tendo conhecimento disto, o rei encolerizou-se, mandou seus exércitos e exterminou aqueles homicidas. pondo fogo à sua cidade. Então, disse a seus servos: As bodas estão preparadas, mas os convidados não foram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, chamai para as núpcias. Saindo os servos pelas ruas, reuniram todos os que encontraram, bons e maus. E a sala do festim ficou cheia de convidados. Então entrou o rei para ver os que estavam à mesa e viu ali um homem que não trazia a vestimenta nupcial. E lhe disse: Amigo, como entraste aqui, não tendo a vestimenta nupcial? Ele nada respondeu. Então, disse o rei aos servidores: Amarrai-o de mãos e pés e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Primeiramente, devemos fazer uma observação: O Evangelista São Lucas relata uma parábola muito semelhante a esta. O fundo e o fim são os mesmos. Diferem, contudo, quanto aos pormenores: a de São Lucas foi exposta em casa dum chefe dos Fariseus, alguns meses antes da outra, que hoje nos ocupa e que foi dita no Templo, na terça-feira antes da Paixão. 
  A parábola de hoje compreende duas partes bem distintas: A primeira dirige-se aos Judeus que, tendo sido os primeiros convidados e chamados várias vezes a reconhecer o Messias, Deus feito homem, recusaram vir e chegaram mesmo a matar alguns dos enviados do Senhor e que, por causa da sua obstinação, foram excluídos do reino de Deus. A sua reprovação e a ruína de Jerusalém são claramente anunciados. 
  A segunda parte refere-se aos Gentios, convidados em massa para o lugar dos Judeus. Entretanto, Nosso Senhor quer também instrui-los e mostrar-lhes, com o que aconteceu àquele que não tinha a veste nupcial, que não basta, para ser recebido no festim das núpcias divinas, ser batizado e ter fé, mas que é preciso ainda estar revestido da graça santificante. 
Vista parcial de Nazaré. Em primeiro plano, vemos a Basílica da Encarnação,
em estilo moderno, construída em 1968. Nesta Igreja está o local em que se
deu o mistério da Encarnação. "O Anjo anunciou a Maria, e Ela concebeu
do Espírito Santo", "O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós".
  O rei que faz as bodas de seu filho é o Pai celeste. Estas núpcias do Filho de Deus realizam-se de várias maneiras:  Antes de tudo pela Encarnação, ou seja, o Filho de Deus, une-se hipostaticamente à natureza humana no seio da Bem-aventurada Virgem Maria. Há, portanto, a união da natureza divina com a natureza humana na pessoa divina do Verbo, ou seja, do Filho de Deus. 
  Núpcias também no sentido de que o Filho de Deus feito Homem fez uma aliança mística com a sua Igreja. Neste sentido diz São Paulo que o matrimônio é grande em Jesus Cristo e na sua Igreja (Ef. V, 32).
 Em terceiro lugar, podemos dizer que Filho de Deus feito homem como que desposa a alma fiel pela graça, consoante a fórmula do profeta Oséas: "Eu vos desposarei em fidelidade". (Oséas, II, 20). 
  Estas três núpcias santas, só têm por fim preparar as núpcias eternas no Céu. 
  Assim, ser convidado para as núpcias do Filho de Deus, é ser chamado ao conhecimento e ao amor de Jesus, a entrar no grêmio da Igreja, a unir-se a Nosso Senhor pela Sagrada Comunhão, para um dia, enfim, entrar no reino dos Céus e lá gozar a eterna felicidade. Diz o Apocalipse XIX, 9: "Bem-aventurados os que foram chamados à ceia das bodas do Cordeiro!"
   E enviou seus servos a chamar os convidados para as bodas: Os judeus, os primeiros convidados, sempre se mostraram de cerviz dura, indócis e rebeldes ao convite divino.Os judeus rejeitaram este primeiro convite que foi feito desde Abraão até Moisés e os Profetas.
   Novamente enviou outros servos: Este novo chamamento, mais instante, representa a missão de João Batista e dos Apóstolos. 
  O festim evangélico está pronto: eis que o Verbo se fez carne; eis também a doutrina de vida; eis os sacramentos, sobretudo a Eucaristia, para alimentar, para regozijar e fortificar as almas. Jesus morrendo na Cruz exclamou: "Tudo está consumado". Sim, tudo está pronto! o mistério da reparação está satisfeito eficazmente; a entrada do reino dos Céus, até então fechada pelo pecado, está aberta; a salvação é oferecida a todos: Vinde às núpcias! 
   Os Judeus recusaram o convite. Uns ocupados unicamente com os seus interesses materiais, ou com os prazeres, negligenciaram tão instantes convites. Outros, mais perversos, prenderam os servos enviados pelo rei. Estes homens ingratos e malvados, depois de terem ultrajado os servos do rei, mataram-nos. Na  parábola dos vinhateiros,  Nosso Senhor Jesus Cristo disse que eles mataram o próprio Filho do Rei, ou seja, o próprio Jesus Cristo. 
  O rei encolerizou-se, mandou seus exércitos e exterminou aqueles homicidas, pondo fogo à sua cidade: Isto se cumpriu à letra quando as legiões romanas guiadas por Tito e Vespasiano, investiram contra Jerusalém e, depois do memorável cerco, a destruíram juntamente com o Templo e dispersaram por toda a terra os habitantes que sobreviveram. 

  Agora a segunda parte da parábola: Diz respeito especialmente a todos os cristãos. O rei diz aos seus servos, isto é, aos Apóstolos e a seus sucessores no decorrer dos séculos: O festim das núpcias está pronto, isto é, os mistérios da Encarnação e da Redenção estão consumados. Os judeus, pela sua incredulidade e obstinação, tornaram-se indignos dele. Diz São Paulo: "Pelo seu (dos judeus) delito, veio a salvação aos gentios" (Rom. XI, 12). Deus sabe tirar o bem do mal. Portanto, ide por toda a terra, ao meio dos povos mais remotos e mais bárbaros, e todos aqueles que encontrardes, sem distinção de idade e de sexo, de condição ou de dignidade, sem acepção de pessoas. E os Apóstolos diziam aos Judeus: "Porque vocês foram julgados indignos, nós nos voltaremos para os gentios". Efetivamente, os Apóstolos dispersaram-se e foram pregar por todo o mundo. A sua obra foi continuada através dos séculos.Por isso a Igreja militante está cheia duma multidão inumerável de todas as regiões e de todos os povos. 
  Mas nela os justos e os pecadores, estão ainda confundidos: trigo e cizânia, bons e maus, porque, na verdade, todos foram chamados, mas nem todos se converteram sinceramente e são fiéis às obrigações contraídas no Batismo. 
  O rei entrou na sala do festim para ver os que estavam à mesa: Esta visita súbita simboliza a que Deus fará a cada um de nós na hora do juízo que se seguirá logo após a morte. 
  E o rei viu um homem sem a veste nupcial. Todos recebiam esta veste na entrada da sala do banquete. Todos os cristãos recebem a veste cândida da graça na entrada da Igreja pelo santo Batismo. Não basta, porém, vir assentar-se à mesa do banquete, participar dos sacramentos, praticar os atos exteriores da fé: é preciso ter ainda a veste da graça. É preciso tê-la conservado sempre ou, ao menos, tê-la recuperado pela penitência para participar do banquete da graça e depois do da glória.
   Disse o rei aos servidores: Atai este homem que não traz a veste nupcial. Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Tudo isto é imagem dos castigos que Deus infligirá ao pecador encontrado sem a veste nupcial da graça na hora do juízo. De pés e mãos ligadas porque sua pena será eterna. As trevas exteriores são a figura das horríveis trevas da privação da visão beatífica de Deus. Choro e ranger de dentes, imagem da aflição indizível, dos remorsos pungentes e do desespero que causarão ao pecador, a lembrança das suas infidelidades e a eternidade do inferno, onde caiu por sua culpa, porque dependia dele só, fazer-se receber no Céu.
  Caríssimos, seremos nós do pequeno número dos eleitos? É segredo de Deus, mas isso depende de nós. São Pedro faz-nos esta recomendação que é, ao mesmo tempo, uma verdade dogmática e um preceito moral para assegurar a nossa salvação: "Portanto, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em tornardes certa a vossa vocação e eleição por meio das boas obras, porque, fazendo isto, não pecareis jamais. Desde modo vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" ( 2 S. Ped., I, 10 e 11). Amém!
  

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A SENHORA APARECIDA

A SENHORA “APARECIDA”
 
                                                                                                                    Dom Fernando Arêas Rifan*



         No próximo dia 12,celebraremos a Padroeira do Brasil, nos 300 anos do achado milagroso da sua imagem. O Brasil em peso estará em prece pedindo sua proteção e bênção, especialmente no difícil momento político e social por que passamos.
        Tudo começou, quando, em 1717, por ocasião da visita do Conde de Assumar à cidade de Guaratinguetá, SP, foi pedido aos pescadores locais peixes para o banquete do nobre visitante. Três pescadores, amigos entre si, João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso, tentavam e não conseguiam os peixes que necessitavam, quando apanharam em suas redes uma pequena imagem truncada de Nossa Senhora da Conceição e a seguir, num lance de rede sucessivo, a cabeça da mesma imagem, conseguindo, num terceiro lance, imensa quantidade de peixes. A esse milagre sucederam muitos outros. A imagem foi chamada de “Aparecida” e colocada numa pequena capela que, com o tempo, tornou-se o monumental Santuário Nacional, maior centro de peregrinação do país.
        É óbvio que ali houve algo sobrenatural. Pois, como explicar que uma simples imagem, quebrada, sem uma intervenção divina e uma bênção especial da Mãe de Jesus, pudesse atrair milhões de pessoas em oração fervorosa, ininterruptamente, há quase três séculos?
        Em 1904, Nossa Senhora Aparecida, foi coroada Rainha do Brasil. No Congresso Mariano de 1929, quando se comemorou o Jubileu de Prata dessa Coroação, os bispos do Brasil decidiram enviar um pedido ao Papa para que declarasse Nossa Senhora Aparecida Padroeira de toda a nação brasileira. Este pedido tornou-se realidade através do Decreto do Papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, no qual diz: “... Na plenitude de nosso Poder Apostólico, pelo teor da presente Carta, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, conhecida sob o título de Aparecida, Padroeira principal de todo o Brasil junto de Deus... concedendo isso para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar, cada vez mais, sua devoção à Imaculada Mãe de Deus...”.
        A proclamação oficial se realizou numa grande manifestação popular de um milhão de pessoas, no Rio de Janeiro, então capital federal, com o reconhecimento oficial do Governo do país, pela presença do seu Presidente, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, e de outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. Era o Brasil reconhecendo oficialmente sua padroeira.
        Que o Brasil, que nasceu católico desde a sua descoberta, cujo primeiro monumento foi um altar e uma cruz, que teve como primeira cerimônia uma Missa, que tem essa Senhora Padroeira, mostre-se digno de tais origens e de tal Patrona, em suas instituições, suas leis, seus governantes, sua política, seus legisladores, sua população e seu modo de viver, na verdadeira justiça e caridade, na ordem e no verdadeiro progresso, na harmonia e no bem comum, na lei de Deus e na coerência com os princípios da fé cristã, base da nossa identidade pátria e princípio de toda a convivência honesta, solidária e pacífica. 

 *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

OS NOVÍSSIMOS SEGUNDO S. JOÃO BOSCO


"Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás" (Eclesiástico VII, 40).

A MORTE.
 A morte é a separação da alma do corpo e o total abandono das coisas deste mundo. Todos sabem que um dia devem morrer, mas ninguém sabe onde e como morrerá. Você não sabe se a morte o surpreenderá na sua cama ou no seu trabalho, na estrada ou em outro lugar. A ruptura de uma veia, um infarto, um tumor que talvez já esteja crescendo em seu organismo, uma  queda, um acidente, um terremoto, um raio e outras mil causas de que você nem suspeita agora, podem privá-lo da vida. E isto pode acontecer daqui a um ano, a um mês, uma semana, a uma hora e, talvez, apenas terminada a leitura desta meditação. Quantos se deitaram à noite com boa saúde e de manhã foram encontrados mortos! Quantos ainda hoje morrem de improviso! E onde se encontram agora? Se estavam na graça de Deus, felizes deles! São para sempre bem-aventurados. Mas se estavam em pecado mortal, agora estão eternamente perdidos! Diga-me, meu caro jovem, se você devesse morrer neste instante, que seria de sua alma?

Embora o lugar e a hora de sua morte lhe sejam desconhecidos; você sabe com certeza que vai morrer. Esperemos que a sua última hora não venha de repente, mas aos poucos, por uma doença comum. De qualquer modo virá um dia em que, estendido em sua cama, você estará prestes a passar à eternidade assistido por um sacerdote e cercado por parentes que choram. Você terá a cabeça dolorida, os olhos embaçados, a língua ressequida, um suor gélido e o coração fraquíssimo. Assim que a alma expirar, seu corpo será vestido e colocado num caixão. Aí os vermes começarão a roer suas carnes, e bem depressa de você não restarão a não ser poucos ossos descarnados e um pouco de pó. Experimente abrir um sepulcro e verá a que ficou reduzido aquele jovem antes cheio de saúde, aquele rico, aquele ambicioso, aquele orgulhoso!

Meu caro filho, ao ler estas linhas, lembre-se de que elas falam de você, como de todos os outros homens! Agora, o demônio, para induzi-lo a pecar, procura desviar sua atenção destes pensamentos e escusá-lo de suas culpas, dizendo-lhe não ser um grande mal aquele prazer, aquela desobediência, aquela omissão da Missa no domingo ou em dia santo, e assim por diante; mas quando chegar o momento da sua morte, será ele mesmo que vai lhe revelar a gravidade destes e dos outros pecados, e vai lançá-los diante de sua consciência. Que fará você então? Ai de você se, naquele momento, se achar em desgraça de Deus!

Não se esqueça, meu jovem amigo, de que daquele momento depende a sua eterna salvação ou a sua eterna condenação. Duas vezes temos diante de nós uma vela acesa: no Batismo e na hora da morte. A primeira vez para fazer-nos ver os preceitos da Lei divina que devemos cumprir, e a segunda para fazer-nos ver se os cumprimos. À luz daquela vela quantas coisas se verão! À luz daquela vela, você verá se amou a Deus ou se O desprezou; se honrou seu santo Nome ou se O blasfemou; você verá as festas profanadas, as Missas perdidas, as impurezas cometidas, os escândalos dados, os furtos, os ódios, as soberbas ... Oh! meu Deus, verei tudo naquele momento em que se abrirá diante de mim a porta da eternidade!

Grande e terrível momento do qual depende uma eternidade de glória ou de sofrimentos! Você está compreendendo o que lhe digo? Eu lhe digo que daquele momento depende o ir para o céu ou para o inferno; ser para sempre feliz ou desesperado; para sempre filho de Deus ou escravo de Satanás; para sempre gozar com os anjos e os santos no céu ou gemer e queimar para sempre com os condenados no inferno! Por isso, prepara-se para aquele grande momento fazendo logo um ato de contrição e, o mais depressa que você puder, uma boa e santa confissão. Decida-se, depois, a viver sempre na graça de Deus, porque como se vive assim se morre.

O JUÍZO PARTICULAR.

O juízo é a sentença que Jesus vai pronunciar no fim da nossa vida, com a qual fixará o destino de cada um por toda a eternidade. Assim que sua alma tiver saído do corpo, comparecerá diante do Juiz Divino, que lhe pedirá conta rigorosa do bem e do mal que você praticou na sua vida. Num piscar de olhos, como que numa luz repentina, você verá toda a sua vida posta em confronto com a vontade de Deus. Então você ficará horrorizado com os pecados cometidos dos quais não se arrependeu, com as orações desleixadas, com os escândalos dados. Verá as almas que, com seus maus exemplos, levou ao pecado, as quais o amaldiçoam no inferno e pedem sua condenação. Verá os demônios ansiosos para arrastá-lo consigo e, embaixo, o inferno escancarado para recebê-lo. Você tentará, então, levantar o olhar suplicante para a face de Cristo, mas não conseguirá manter o olhar. Invocará o auxílio de Nossa Senhora, mas Ela não poderá mais fazer nada por você. Então, não encontrando acolhida, gritará às montanhas e às pedras que o cubram e o aniquilem, mas elas não se moverão. Sua alma imortal não poderá de maneira alguma refugiar-se no nada. Nesta hora, você mesmo, reconhecendo a Justiça de Deus, invocará o inferno como uma libertação!
Meu caro jovem, você está ainda em tempo de evitar um juízo de condenação! Peça logo perdão a Deus de seus pecados e comece desde hoje uma vida verdadeiramente cristã. Naquele dia tremendo, você será feliz por ter amado a Jesus e ter observado seus mandamentos. Até os sofrimentos, que você padece agora, ser-lhe-ão naquele momento fonte de alegria. Viva, portanto, hoje como gostaria de ter vivido então!

O INFERNO.
Quem recusa Deus até o fim, isto é, até a hora da morte, continuará a recusá-Lo para sempre. Por isso, a Justiça divina, respeitando a livre escolha feita pela sua criatura, afasta-a para sempre de Si, deixando-a caminhar para o destino de quem recusou o Sumo Bem para escolher o sumo mal, o Inferno Eterno. A primeira pena que os condenados sofrem no inferno é a pena dos sentidos, que serão atormentados por um fogo que queima terrivelmente sem jamais se consumir. fogo nos olhos, fogo na boca fogo em todas as partes. Cada sentido  padece a própria pena conforme o mau uso que dele fez em vida. Os olhos são aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Os ouvidos só escutam uivos e prantos de desespero. O olfato sofre com o mau cheiro do enxofre e a boca com sede e fome canina.

O rico epulão, no meio dos tormentos do inferno, levantou o olhar para o céu e pediu, suplicante, uma gota d'água para refrescar a ardência de sua língua: mas até essa gota d'água lhe foi negada!
Oh! Inferno, Inferno! Quão infelizes são os que caem nos teus abismos! Meu caro, jovem, se você devesse morrer neste momento, para onde iria? Mas agora você não pode suportar um minuto o dedo na chama de uma vela sem gritar de dor, como poderá suportar o tormento de todas aquelas chamas por toda a eternidade?

A segundo pena que os condenados padecem no inferno é a pena do dano. Esta é, sem comparação, mais terrível que a dos sentidos, porque é a privação completa e eterna do Bem Infinito para o qual fomos criados. Como os nossos pulmões têm necessidade do ar para viver, assim a nossa alma tem necessidade de Deus; e como a morte por afogamento é a mais terrível que existe, assim não há pena mais insuportável para a alma do que a necessidade insopitável que sente de "respirar" Deus. Sem contar que o sofrimento do afogado dura poucos minutos, enquanto que o padecimento do condenado dura para sempre! E com a privação de Deus, o condenado é privado também da companhia dos Anjos, de Nossa Senhora, dos Santos e dos seus caros defuntos, que não verá nunca mais.

Caro jovem, como poderá ainda viver em pecado, agora que você conhece que terríveis penas esperam quem não se decide a amar a Deus verdadeiramente! Não adie a sua conversão! Tem certeza de que esta não será a última chamada, e, se não corresponde a ela, não terá outras para salvá-lo do inferno?

Considere, meu caro jovem, que se você for para o Inferno, nunca mais dele sairá! Pois no Inferno não só se sofrem todas as penas, mas todas eternamente. Passarão cem anos desde que você caiu no Inferno, passarão mil anos e o Inferno terá apenas iniciado; passarão cem mil, cem milhões, passarão mil milhões de séculos, e o inferno estará ainda em seu começo.

Se um Anjo levasse aos condenados a notícia de que Deus os quer libertar do Inferno, depois de passados tantos milhões de séculos quantas são as gotas d'água do mar, as folhas das árvores e os grãos de areia da terra, esta notícia lhes causaria a maior satisfação. "É verdade  -  diriam  -  que devem passar ainda tantos séculos, mas um dia hão de acabar!" Pelo contrário, passarão todos esses séculos e todos os tempos que se possam imaginar, e o Inferno estará sempre no princípio.

Se ao menos o pobre condenado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se pensando: "Quem sabe, um dia talvez Deus poderá me arrancar deste tormento..." Mas não, nem isto será possível, porque foi o próprio condenado que, na hora da morte, firmou sua vontade contra Deus a tal ponto que não quer mudá-la mais agora que entrou na eternidade. Será ele mesmo a querer para sempre aquelas chamas que o queimam, aqueles demônios que o atormentam, e a rejeitar para sempre  aquele Deus que ele ofendeu!

Meu jovem amigo, compreende bem o que você está lendo? Uma pena eterna por um só pecado mortal que, talvez, cometeu com tanta facilidade! Escute, pois, o meu conselho: Se a consciência o acusa de algum pecado mortal (mesmo que seja um só), vá depressa confessar-se e comece logo uma vida boa. Para isto, escolha um santo sacerdote ao qual você poderá recorrer para pedir conselho e, se necessário, faça uma confissão geral, ou seja, que abranja toda a sua vida.

Lembre-se sempre de que, para não cair no Inferno, qualquer sacrifício que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios que você possa fazer é bem pouca coisa, porque todos os sacrifícios deste mundo duram pouco, enquanto que o Inferno dura para sempre!

O PARAÍSO.

Tanto apavora o pensamento do Inferno, quanto consola a lembrança do Paraíso que Deus preparou para aqueles que O amam. Se você pudesse gozar ao mesmo tempo de todas as alegrias deste mundo, desde as belezas criadas até os alimentos mais saborosos, desde as músicas mais suaves até os afetos mais puros, saiba que tudo isso é nada em comparação com as alegrias que o aguardam no Céu!

Pense, com efeito, na alegria que experimentará encontrando-se com os seus parentes e amigos, que virão correndo ao seu encontro para acolhê-lo no meio deles; pense na beleza e nobreza dos Anjos e dos Santos que, aos milhões, louvam ao seu Criador. No Céu você verá a grande multidão de jovens que conservaram intacta a virtude da pureza e daqueles que a reconquistaram pelo arrependimento e pela penitência: e os verá todos felizes cumulados de uma felicidade que nunca lhes será tirada.

Mas saiba que todas as alegrias do Paraíso não são nada em comparação com a alegria que se experimenta ao ver a Deus! Como o sol ilumina e embeleza todo o mundo, assim Deus, com sua presença, ilumina e embeleza todo o Paraíso e enche seus bem-aventurados moradores de delícias inefáveis. N'Ele você verá, como num espelho, todas as coisas, gozará todos os prazeres, amará todos os Santos do Céu.

São Pedro, no monte Tabor, por ter contemplado uma só vez o rosto de Jesus radiante de luz, sentiu-se repleto de tanta doçura que, fora de si, exclamou: "Senhor, como é bom estar aqui!" E ali teria ficado para sempre. Pense, portanto, naquela sua alegria de poder contemplar e amar, não por um instante apenas, mas para sempre, aquele rosto divino que encanta os Anjos e os Santos e que embeleza todo o Paraíso!

E pense que alegria será para você contemplar e beijar o rosto puríssimo e amável de Maria Santíssima, que na terra você invocou tantas vezes e agora o recebe como filho caríssimo e o apresenta a Jesus!

Crie coragem, portanto, meu caro filho; se ainda lhe couber padecer alguma coisa neste mundo, não importa; o prêmio que o aguarda no Céu recompensará infinitamente todos os seus sofrimentos.


Então sim, você poderá dizer: "Estou salvo! Estarei para sempre com o Senhor!" Então sim, você bendirá o momento em que deixou o pecado, o momento em que fez aquela boa confissão e começou a frequentar os Sacramentos, o dia em que deixou as más companhias, as más leituras e os maus espetáculos... Então, cheio de gratidão, você se voltará para Deus e Lhe cantará seus louvores por todos os séculos. 

domingo, 8 de outubro de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 18º Domingo depois de Pentecostes

Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 1, 4-8.


Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 9, 1-8:



 Naquele tempo, subiu Jesus a uma barca, atravessou para o outro lado e foi à sua cidade. E eis que Lhe apresentaram um paralítico, prostrado num leito. Vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Tem confiança, filho, os teus pecados te são perdoados. Pensaram logo alguns dos escribas em seu íntimo: Este homem blasfema. E Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados ou dizer: Levanta-te, e anda? Pois, para que saibais, que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar pecados, disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma teu leito, e vai para a tua casa. E ele levantou-se e foi para a sua casa. As multidões, vendo isto, encheram-se de temor e glorificaram a Deus, que tal poder confiava aos homens. 


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Lago (Mar) da Galileia ou Tiberíades ou de Genesaré.
Água doce, formado pelo Rio Jordão.
Em hebraico: Kinneret  que significa harpa, cujo formato o
lago imita. 
O que o Santo Evangelho de hoje nos relata deu-se no fim do primeiro ano da vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. O relato de São Mateus, que é o de hoje, é o mais curto. Os Evangelistas São Marcos e São Lucas ajuntam alguns pormenores muito importantes e interessantes: São Lucas V, 17 diz: "Estavam ali Fariseus e Doutores da Lei, vindos de todas as cidades da Galileia, da Judeia e de Jerusalém". Isto mostra como já era grande a reputação do novo Profeta. São Marcos II, 2-5 diz: "Soube-se que Ele estava em casa, e juntou-se muita gente, de modo que não cabia nem mesmo diante da porta; e Ele pregava-lhes a palavra. E foram ter com Ele, conduzindo um paralítico, que era transportado por quatro. E como  não pudessem apresentá-lho por causa da multidão, descobriram o teto pela parte debaixo da qual estava Jesus; e, tendo feito uma abertura, arriaram o leito em que jazia o paralítico".  Esta casa certamente era a de São Pedro. É, de fato, na casa de São Pedro, na Igreja Católica, que Jesus opera ainda hoje, a cura de tantos enfermos corroídos pela lepra do pecado, e que estão paralíticos espiritualmente falando, impossibilitados pelo pecado mortal, de qualquer atividade meritória para o céu.  
As ruínas da casa de São Pedro em Cafarnaum. Vemos as
bases da casa e podemos distinguir as divisões da
construção. Fica à beira do Lago de Genesaré. Era
fácil para São Pedro pescar.
Aqui nesta casa se deu o milagre do Evangelho de hoje,
como também a cura da sogra de São Pedro. 
  Jesus pregava-lhes a palavra: vemos como Nosso Senhor não perdia nenhuma oportunidade de pregar a sua doutrina do reino dos Céus. 
  Eis que alguns conduziam num leito um paralítico... O pobre paralítico, por causa de sua doença, era incapaz de vir sozinho. Quatro homens transportavam-no, então, e estavam dispostos a não recuar diante de nenhum obstáculo até chegar ao pé de Jesus, tão grande era a sua confiança em Nosso Senhor. Admiremos e imitemos a caridade e a fé destes intrépidos homens. Eles ensinam-nos como devemos prestar auxílio aos pobres doentes e socorrê-los mesmo que nos pareça muito difícil. 
 São Mateus, o Evangelista da narração do Evangelho de hoje, diz que Jesus entrando numa barca, atravessou o Mar da Galileia e foi à sua cidade. A cidade de Jesus era Cafarnaum. Sabemos que Jesus era Judeu porque nasceu em Belém que fica na Judeia.  É também Galileu porque morou mais de vinte anos na casinha de sua Mãe Santíssima em Nazaré da Galileia. Mas, na sua vida publica de três anos, a sua moradia ordinária era em Cafarnaum. Esta cidade, era, portanto, o centro das suas excursões apostólicas na Galileia. Aí Jesus fez mais milagres do que em outros lugares. 
Sobre as ruínas da casa de São Pedro (foto acima), foi
construída esta igreja em estilo moderno. Tudo indica
que o arquiteto quis dar-lhe a forma de uma barca.
Esta construção protege inteiramente a casa de
São Pedro. 
  Caríssimos, depois destas observações, passemos para a explicação dos milagres. Neste Evangelho Nosso Senhor Jesus Cristo dá três provas irrefutáveis da sua Divindade: 1ª perdoando os pecados ao paralítico; 2ª descobrindo os pensamentos secretos dos Escribas e Fariseus; 3ª curando o paralítico da sua doença. 
  Vendo Jesus a fé daqueles homens, - os que conduziam o paralítico e o próprio doente, - disse ao paralítico: "Filho, tem confiança, os teus pecados te são perdoados". Belas palavras que o mundo nunca tinha ouvido. Jesus chama filho a este pobre enfermo quase abandonado. É esta uma expressão de amizade e de ternura que a Igreja conservou. Ela também diz ao penitente arrependido, que se lhe apresenta para receber a cura dos pecados - Meu filho! tem confiança, vai em paz! Todos os teus pecados foram perdoados! A única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo recebeu d'Ele este poder divino de perdoar pecados: "A quem perdoardes os pecados, disse Jesus aos Apóstolos e aos seus sucessores, ser-lhes-ão perdoados" (São João, XX, 23). 
  Nosso Senhor, infinitamente sábio e bom, começa antes de tudo, por curar a alma deste infortunado, para provocar a admiração dos soberbos Fariseus, e manifestar-lhes o seu poder divino. Em segundo lugar, Jesus quer fazer-nos compreender que os bens espirituais estão infinitamente acima dos bens e dos lucros temporais; que os tesouros da graça e a vida da alma, são preferíveis às honras, às riquezas, à própria saúde e à vida do corpo, que, por conseguinte, é preciso, antes de tudo, ter piedade e ocuparmo-nos da nossa alma. É assim que Ele queria reformar as ideias falsas e mundanas de tantos cristãos da atualidade, que só apreciam e procuram a saúde e as vantagens materiais. Em terceiro lugar, Nosso Senhor quer fazer-nos compreender um mistério da justiça divina muito desconhecido ou muito esquecido, a saber: Nem sempre, mas, muitas vezes, os nossos pecados são a causa das doenças e doutros males que nos afligem. Talvez que Deus nos poupasse estes males ou os fizesse cessar, se fizéssemos verdadeira e sincera penitência dos nossos pecados. Lembremo-nos do povo de Nínive. 
  O primeiro milagre de Jesus, nesta circunstância, tinha sido curar a alma do paralítico, prova infalível da sua onipotência como Deus. Faz um segundo milagre, igualmente de ordem sobrenatural, o qual atesta a sua onisciência divina e deveria ter convertido estes homens soberbos. Jesus penetra os seus mais íntimos pensamentos. Só Deus vê o fundo dos corações: "Deus intuetur cor" diz a Bíblia. Jesus pondo a nu as suas murmurações interiores, prova-lhes que é Deus e que por isso pode perdoar os pecados.
   Mas Jesus vai dar ao povo uma terceira prova de que Ele é Deus: vai curar o paralítico. "Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados ou dizer: Levanta-te, e anda? Pois, para que saibais , que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar pecados, disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa. E ele levantou-se e foi para a sua casa". 
  É, caríssimos, como se Nosso Senhor dissesse: vede como sois cegos e injustos! Vós desconheceis o meu poder sobre as almas. Ora para vos provar que todo o poder me foi dado por meu Pai sobre elas e sobre os corpos e que eu sou Deus como Ele, vou dar-vos um sinal visível e manifesto, isto é, vou fazer diante de vós um milagre, que podereis verificar por vós mesmos. Ele será a demonstração sem réplica de que tenho também o poder admirável e misterioso de perdoar os pecados.
  Em outras palavras: Se Jesus pode dizer a um paralítico - levanta-te e anda, - pode também perdoar-lhe os pecados. Se pode perdoar-lhe os pecados, é certamente Deus. Jesus deixa claro que lê no íntimo daqueles Fariseus os seus pecados de maus pensamentos, como vê também no íntimo da alma do paralítico, os seus pecados e seu arrependimento. Logo é Deus. Se faz milagres, se lê no íntimo das almas, é prova de ser Ele Deus. Por isso, pode perdoar os pecados. 
  Infelizmente, os Fariseus não se converteram. O orgulho é o sinal mais certo da condenação de uma alma. Também os fariseus de hoje não aceitam a consequência lógica das premissas estabelecidas por eles mesmos. 
   Pela graça de Deus, sabemos que Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, Deus e Homem. Adoremo-Lo portanto com amor, agradeçamos-Lhe ter deixado aos seus ministros este sublime poder sobre as almas, poder maravilhoso e divino de perdoar os pecados e vamos pedir aos representantes de Deus, a cura da nossa pobre alma, todas as vezes que ela estiver doente, para recebermos novas forças, triunfarmos do demônio e alcançarmos a felicidade eterna. Amém!