SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 20 de agosto de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 11º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: 1 Epístola aos Coríntios, 15, 1-10
                    Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos, 7, 31-37


   "Naquele tempo, saindo Jesus da região de Tiro veio por Sidon ao mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. E trouxeram-Lhe um surdo-mudo e Lhe rogaram impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tomando-o dentre o povo, de parte, pôs os dedos em seus ouvidos e tocou-lhe a língua com a saliva. Depois, ergueu os olhos para o céu, suspirou, e disse-lhe: Efhetha, isto é, abre-te. E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se lhe soltou a prisão da língua, e ele falou retamente. Então, Jesus lhes ordenou que a ninguém o dissessem. Não obstante, quanto mais o proibia, tanto mais o divulgavam, e mais admirados diziam: Ele tudo tem feito bem; fez os surdos ouvirem e os mudos falarem". 


   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   A Santa Madre Igreja propõe hoje, para nossa meditação e ensinamento, a cura do surdo-mudo. 
   A primeira coisa que devemos observar é que na administração do santo Batismo o sacerdote faz quase os mesmos gestos de Jesus e pronuncia a mesma palavra "effeta", que significa: abre-te. Estas cerimônias no santo Batismo significam o seguinte: Os cristãos devem ter os ouvidos sempre abertos para a palavra de Deus. É pela pregação que vem a fé. Esta mesma fé deve ser confessada externamente. Em outras palavras: pelo santo Batismo, o ouvido da nossa alma abriu-se à fé e a língua aos louvores de Deus, Nosso Senhor. Tornamo-nos capazes de ouvir a voz da fé, a voz externa dos ensinamentos da Igreja e a voz interior do Divino Espírito Santo. Os nossos lábios devem sempre estar abertos para a oração, para a adoração de Deus e para fazer sempre bem feita a confissão.
   Devemos observar também que, ao fazer este milagre, diferentemente de muitos outros milagres, Jesus não se contenta só em dizer: fica curado! Não, aqui o Divino Mestre faz vários gestos: retira o surdo mudo dentre a multidão e o leva à parte; põe o dedo em seus ouvidos; toca-lhe a língua com o dedo molhado na saliva; ergue os olhos para o céu; suspira e diz: "effeta", abre-te.
   Jesus não faz nada inútil. Se agiu assim ao realizar a cura do surdo-mudo, é porque há um significado em tudo isto. Na verdade, esta enfermidade natural figura uma outra, muitíssimo mais grave, deplorável e perigosa: a surdez e a mudez espirituais. 
   Este homem surdo-mudo é a imagem do pecador endurecido que recusa ouvir os preceitos e os conselhos paternais de Deus, e que se cala para não confessar os seus pecados ao ministro das misericórdias do Senhor. Como a confissão é secreta no confessionário, Jesus retira o surdo-mudo do meio da multidão e o toma de parte. Este gesto de Jesus significa também o santo retiro onde a alma fica longe do barulho do mundo e na solidão tem todas as condições para ouvir a palavra de Deus externa e internamente. Diz Deus pelo profeta Oseias, II, 14: "Conduzirei a alma à solidão, e falar-lhe-ei intimamente ao coração". Deus, na verdade, não se encontra no barulho: "Non in commotione Dominus", "Deus não está na agitação" (3 Reis, XIX, 11). 
Esta estampa representa as três etapas
da cura do homem surdo-mudo
  Este surdo-mudo representa um grande número de almas pecadoras. Elas não ouvem a palavra de Deus, não sabem mais falar a Deus, isto é, não rezam. Não sabem pedir perdão dos seus pecados, ou seja, não se confessam. São mudas porque são surdas. Como se formou esta surdez? Pelo barulho do mundo agitado por toda espécie de orgulho, avareza e luxúria. São como uma estrada aberta a todas as agitações dos transeuntes; endurecida, onde a semente da palavra de Deus não consegue penetrar, ficando assim a mercê dos demônios, que como as aves do céu, veem e comem a semente. Estas pobres almas, cheias de si mesmas, dos seus pensamentos e da sua ciência, sufocadas pelas preocupações das riquezas e dos prazeres da vida, não querem ouvir a Deus nem aos homens de Deus. E o demônio, que as entretém nesta surdez espiritual, as torna também mudas para que não falem a Deus. Como poderiam elas orar, se não sentem a necessidade da oração? Como poderiam proferir uma palavra de fé, se não têm pensamentos de fé? Só Jesus as pode curar, só Jesus pode fazer que elas ouçam e falem. É preciso, pois, levá-las a Jesus. O Divino Mestre as tocará com o dedo, isto é, com a graça do Espírito Santo, que é o dedo de Deus; ungindo-as com a sua saliva, lhes dará a sabedoria e o gosto das coisas de Deus. E depois, levantando os olhos para o céu, isto é, orando por elas, pronunciará o Effeta, que quer dizer - abri-vos. Jesus por onde passa, vai abrindo tudo: abre as consciências; abre os corações, abre as torrentes de sua graça, e, no último dia, nos abrirá também as portas da eternidade feliz.
   Caríssimos e amados fiéis, como é triste o estado de um surdo-mudo! Jesus suspirou: oh! como é difícil a salvação de um surdo-mudo espiritual!!! Não tem fé porque não ouve a palavra de Deus. Mas, sem a fé é impossível agradar a Deus. Não reza, e, sem oração não se salva. Não se confessa, e, sem confissão não há perdão. Devemos ter compaixão destes infelizes e procurar conduzi-los a Jesus, recomendando-os à Sua infinita misericórdia.
   Ó Jesus, meu bom Salvador, suplico-Vos que Vos digneis abrir os meus ouvidos, para que aprenda a vossa santa vontade, soltar a minha língua, para que Vos louve e Vos faça conhecer e amar. Amém!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA

   Quem se humilha será exaltado. Maria Santíssima é glorificada na sua morte, na sua ressurreição e assunção, em virtude de sua santidade, especialmente de sua humildade. "O Senhor olhou, -  disse ela no 'Magnificat'. - para a humildade de sua serva... todas as gerações me chamarão bem-aventurada ... depôs do trono os poderosos e exaltou os humildes". 

   Esta é a lei geral: para ser coroado, é necessário ter combatido. E, com relação a nós que somos orgulhosos, o primeiro combate é contra o nosso orgulho. 

   O bom servo do Evangelho não só diz ao seu senhor, que recebeu cinco talentos, mas também que os fez valer. Esforcemo-nos, pois, por assegurar a nossa vocação e eleição para a glória no Céu, por meio das boas obras de que é a recompensa. 

   Maria Santíssima excede em glória a todos os Santos, porque os excedeu a todos em santidade. Deus., para preparar para si uma digna Mãe, não lhe deu riquezas da terra, mas a máxima santidade, pois, fê-la cheia de graça. Mas, com muito mais razão que São Paulo, podia ela dizer: "A graça de Deus não foi vã em mim". 

   Assim como, para conceder a glória eterna, Deus só se funda nos merecimentos, assim também quer que esta glória corresponda exatamente nos merecimentos. Quando Maria Santíssima semeou nas lágrimas, tanto colhe na alegria. Desde a profecia do Velho Simeão até ao alto do Calvário, Maria Santíssima sofreu com o seu filho Jesus. Agora está em corpo e alma ao Seu lado no Céu. 

   E eu também, receberei em proporção do que tiver dado. Maria, Virgem fiel, levai-me atrás de vós pelo caminho doloroso, que conduz a tão feliz termo. Fazei que eu tenha sempre presente este pensamento: que o que me causa tristeza durante e vida, me causará alegria no hora da morte. Amém!

LIÇÕES ESPIRITUAIS DA FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

   Quando rezamos o Santo Têrço e meditamos os mistérios gloriosos, no quarto mistério meditamos na Assunção de Nossa Senhora aos Céus e pedimos como fruto deste mistério a graça da perseverança final. Na verdade, a Assunção de Maria Santíssima nos mostra o caminho espiritual para chegarmos ao céu. Morrendo na graça de Deus, ganhamos o céu. Isto significa que o nosso corpo ressurgirá glorioso e irá brilhar como o sol no dia do Juízo final que se dará no fim do mundo. Então sim, quem se salvou, subirá juntamente com Jesus Cristo e os demais santos, para o céu em corpo e alma.
   Enquanto peregrinamos neste vale de lágrimas, lutamos para seguir sempre o caminho do céu. A Assunção nos ensina alguns meios de conseguirmos a meta final, o nosso último Fim. Quais são estas lições espirituais?
1º - Recorda-nos que a nossa morada permanente não é a terra mas o céu. Somos peregrinos e estrangeiros. A oração da Missa de hoje assim diz: "Deus todo poderoso e eterno que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos compartilhar da sua glória". Assim, pois, a festa da Assunção de Nossa Senhora é para nós um poderoso apelo a desejarmos sempre as coisas do alto, isto é, do céu; o corpo, depois da ressurreição da carne, também será acolhido no céu e admitido a participar da glória da alma. Esta completa glorificação da nossa  humanidade, que não só para nós, mas também para todos os santos se efetuará no fim do mundo, contemplamo-la hoje plenamente realizada em Maria, nossa querida Mãezinha do Céu. Que motivo de inefável alegria para os seus verdadeiros filhos devotos!!! O privilégio da Assunção convida-nos fortemente a elevar toda a nossa vida, não só do espírito, mas também a dos sentidos, ao nível da vida celestial que nos espera.
   A Assunção nos ensina assim três coisas que constituirão a nossa senda luminosa para o Paraíso: desprendimento da terra, impulso para Deus e união com Deus.
   Nossa Senhora foi elevada aos céus em corpo e alma por ser a Imaculada,  isenta não só de toda sombra de culpa, mas ainda do menor apego às criaturas da terra, que nunca teve impressa na alma forma de qualquer criatura, nem por ele se moveu ( S. João da Cruz). A primeira condição para chegar a Deus é a pureza total, fruto do desapego total. Nossa Senhora que viveu a nossa vida terrena num desprendimento absoluto de todas as coisas criadas, ensina-nos a não nos deixarmos prender pelo encanto das criaturas, mas a vivermos no meio delas, a ocuparmo-nos delas com muita caridade, sim, mas sem prender a elas o coração, sem jamais procurar nelas a nossa satisfação.
  A Virgem da Assunção fala-nos também do impulso para o céu, para Deus. Não basta purificar o coração de todo o pecado e de todo o apego; é preciso, ao mesmo tempo,  lançá-lo para Deus, tender para Ele com todas as nossas forças. A nossa vida terrena tem valor de vida eterna enquanto é impulso para Deus, enquanto é uma contínua busca de Deus, uma contínua adesão à Sua graça. Este impulso nunca pode deixar de crescer. Parar é retroceder. Não se afervorar sempre é cair na tibieza. Não remar contra a correnteza é ser arrastada por ela.
   Finalmente, a Assunção da Virgem Santíssima nos ensina a união com Deus. Porque Maria Santíssima foi elevada ao céu por ser a Mãe de Deus e este seu máximo privilégio, origem e causa de todos os outros, evoca especialmente a união íntima com Deus; a sua Assunção à união beatífica do céu fala-nos também dessa união. A Assunção de Nossa Senhora confirma-nos, portanto, nesta grande e doce verdade: fomos criados e chamados à união com Deus. Assim, caríssimos e amados irmãos, com os olhos fixos em Nossa Senhora Assunta ao Céu, será mais fácil caminhar: Nossa Mãe mesma será a nossa guia, a nossa força, a nossa consolação em qualquer luta, tentação e adversidade.
   Ó Nossa Senhora Assunta ao céu, nós nos alegramos convosco. Olhai para nós pobres pecadores! Erguemos os nossos olhos para Vós que sois, depois de Jesus, a nossa vida, nossa doçura e esperança. Chamai-nos com a suavidade da vossa voz, para nos mostrar um dia, depois do nosso exílio, Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria"! Amém!

domingo, 13 de agosto de 2017

HOMILIA DOMINICAL - 10º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, 12, 2-11.
                    Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 18, 9-14.


   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   A Santa Madre Igreja coloca hoje para nossa meditação a parábola do fariseu e do publicano. São Lucas observa de início qual é a finalidade desta parábola: "Disse Jesus esta parábola a alguns que se tinham a si mesmos em conta de justos, e desprezavam os outros."E, no fim, Nosso Senhor deixou bem claro o ensinamento da mesma parábola: "O que se eleva será humilhado, e o que se humilha, será exaltado."
   Pelos gestos e atitudes exteriores e pelas palavras, Jesus mostra as disposições interiores destes dois homens: o fariseu e o publicano. Ambos sobem a encosta do Mória, colina sobre a qual se encontrava o Templo. Vão orar. Entram no pátio dos gentios, o mais espaçoso, o mais concorrido de todos. O fariseu avança em atitude solene, como quem tem consciência do seu próprio valor e da sua importância social. O gesto grave, o andar majestoso, o manto amplo com as largas franjas de filactérias, coalhadas de textos de Moisés. O nosso homem caminha indiferente a todas saudações, chega ao pátio das mulheres, sobe os degraus da grande escadaria de mármore, que conduz ao Átrio de Israel, e pára por fim para dizer a sua oração. Está de pé, empertigado como se houvesse engessado a espinha dorsal, diante de todos, faz o sua oração: "Senhor, dou-vos graças, porque não sou como os outros homens: os outros afora eu, são ladrões, injustos, adúlteros... como este publicano... Jejuo duas vezes por semana, pago os dízimos de tudo o que possuo". Que singular e estranha oração! Esse homem nada tem que pedir a Deus, não precisa de nada! Basta-lhe contar o bem que faz e o mal que não faz. Nada tem de que se acusar!... Lança os olhos em torno de si, com a satisfação de quem tivesse a consciência alvíssima como a neve, e encontra um publicano, um pecador, um miserável digno de todo o desprezo! Mas, caríssimos, não é mais ou menos assim que muitos não querem se confessar dizendo que: não mato, não roubo, não mexo com família de ninguém, não desejo mal a ninguém; dou esmola aos pobres, faço o bem que posso! - Portanto, deviam eles concluir, sou um santo! Mas a consciência protesta contra esta hipocrisia. 
   "O publicano, diz Nosso Senhor, pelo contrário, conservando-se à distância, nem ao menos ousava levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo - Meu Deus, tende compaixão de mim que sou um pecador". Eis, caríssimos irmãos, o reverso da medalha. Colocado no último lugar, em atitude humilde e penitente, o publicano mantém-se longe do santuário, à entrada do pátio das mulheres, trêmulo não vê o que passa no Templo, não conhece o fariseu que ali está, na sua frente, cheio de orgulho e de supostas virtudes. Só pensa em Deus a fim de alcançar misericórdia para os seus pecados. E oprimido pela consciência de suas culpas, repete muitas vezes: "Senhor, tende piedade deste pecador!"
   Na verdade o fariseu não ora. Suas palavras não são mais que um alarde de suas virtudes e um inventário, sem dúvida exagerado, dos vícios dos demais. É possível que seja verdade o que diz: nunca roubou, nem cometeu adultério, nem quebrantou o mínimo ponto da Torah. Mas, deitou tudo a perder: aquela complacência na sua virtude e aquele desprezo pelos outros envenenavam todas as suas obras. Deus não o pôde ver nem ouvir e, pelo contrário, olha com complacência o pobre publicano, que talvez um dia tenha manchado as mãos com a rapina, mas agora entra na casa de Deus arrependido, humilhado, cheio de confusão e vergonha. É o que Jesus nos diz: 
   - Eu vos asseguro que, ao deixar o Templo, este publicano era mais agradável aos olhos de Deus do que aquele fariseu, porque o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.
   Santo Agostinho diz: "Tanto mais agrada a Deus a humildade nas coisas mal feitas do que a soberba nas bem feitas!"
    Nem todos os que vão para o Paraíso pregaram o Evangelho aos povos infiéis; nem todos derramaram o seu sangue ou perderam sua vida por amor de Cristo; nem todos têm a estola sacerdotal ou vêm do claustro. Mas todos, sem exclusão de nenhum, devem ter praticado a humildade, porque só será exaltado quem  se houver humilhado.
   Jesus, manso e humilde de coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso! Amém
   
                   

terça-feira, 8 de agosto de 2017

MATÉRIA E FORMA, EFEITOS, MINISTRO E SUJEITO DO SACRAMENTO DA ORDEM

   I - MATÉRIA E FORMA:
   1º) Matéria: A) Na Igreja Latina, confere-se a Ordem - a) por meio da IMPOSIÇÃO DAS MÃOS, e b) por meio da apresentação dos objetos a serem utilizados nas funções sagradas da Ordem que se recebe: livro dos Evangelhos para o diaconato; cálice e patena para o Presbiterato; oferta da Cruz, do anel e da mitra para o Episcopado. B) Na Igreja Grega, faz-se apenas a imposição das mãos.
   2º) Forma: A forma consiste nas palavras que o Bispo pronuncia, enquanto impõe e faz o ordenando tocar os objetos que hão de servir para as funções da ordem conferida.

   II - EFEITOS DO SACRAMENTO DA ORDEM:
   1) A Ordem confere "o poder de consagrar, de oferecer e de administrar o Corpo e o Sangue de Cristo, de perdoar e reter os pecados" (Conc. de Trento ses. XXIII, cap. I) - "Todo pontífice, diz São Paulo, foi estabelecido em favor dos homens no que diz respeito ao culto de Deus, a fim de oferecer dons e sacrifícios pelos pecados". (Heb. V, 1). Ora, já que em o Novo Testamento há somente um sacrifício, o do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, é sobretudo para celebrar a Eucaristia que os padres recebem o Sacerdócio.
   2) A Ordem concede um aumento da graça santificante, visto ser sacramento de vivos.
 3) Graça sacramental própria deste sacramento: o direito de receber os socorros atuais necessários para o bom desempenho das funções sagradas. Estes auxílios hão de variar conforme as disposições do sujeito.
   4) Finalmente a Ordem imprime na alma caráter indelével. Um padre nunca deixará de ser padre. A pena de suspensão, deposição, ou degradação tira-lhe o direito de exercer suas funções, mas não pode apagar o caráter que recebeu, nem o priva do poder de ordem, inseparável do caráter. Portanto, o padre interdito, suspenso, consagraria validamente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Um bispo apóstata ou deposto administraria validamente os sacramentos da Confirmação e da Ordem. Procederiam, no entanto, de modo gravemente ilícito, cometendo sacrilégios.

   III - MINISTRO:
   1º) Para a validade: a) só o Bispo é ministro ordinário do Sacramento da Ordem. b) Um simples sacerdote, com delegação do Sumo Pontífice, pode ser ministro extraordinário da tonsura, da ordens menores e do subdiaconato.
    2º) Para a liceidade, o bispo deve: a) ter jurisdição sobre os candidatos que ordena; b) observar todas as normas canônicas, sendo que as principais fixam o tempo, o lugar e o sujeito da ordenação.

   IV - SUJEITO DO SACRAMENTO DA ORDEM:
   1º) SUJEITO: Só o homem batizado pode receber as Ordens.
   2º) CONDIÇÕES EXIGIDAS: A) Para a validade: a) pertencer ao sexo masculino; b) Ter sido batizado. Além disso, devem ter a intenção, pelo menos habitual, de receber o sacramento.
                                                     B) Para a liceidade: será ordenado licitamente apenas o sujeito que, além do estado de graça, necessário para qualquer sacramento de vivos, a) tiver as devidas qualidades, a juízo do Bispo (por exemplo: ter a vocação sacerdotal, ter sido crismado, possuir a ciência e piedade requeridas, ter recebido as ordens inferiores, ter observado os intervalos entre a recepção de cada ordem); b) estiver isento de toda a irregularidade e impedimento.

"DEPOIS DE DEUS, O SACERDOTE É TUDO... DEIXAI UMA PARÓQUIA VINTE ANOS SEM  PADRE E AÍ SE ADORARÃO OS ANIMAIS" (Santo Cura d'Ars).

MORTIFICAÇÃO


"Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (S. Mateus XVI, 26).

 "Certamente, nem a todos é dada a possibilidade, nem todos têm a obrigação de fazer o mesmo; mas cada um é obrigado, segundo o seu poder, a mortificar a sua vida e os seus costumes. Exige-o a justiça divina, à qual é dada estrita satisfação das culpas cometidas; e é preferível dar essa satisfação enquanto se está em vida, com penitências voluntárias, porque assim também se tem o mérito da virtude. Além disto, já que nós todos estamos unidos e vivemos no corpo místico de Cristo, que é a Igreja, daí se segue, consoante S. Paulo, que, tal como os gozos, assim também as dores de um membro são comuns a todos os outros membros: quer dizer que os irmãos cristãos devem vir voluntariamente em auxílio dos outros irmãos nas suas enfermidades espirituais ou corporais, e, na medida em que estiver em seu poder, cuidar da cura deles; "os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros; e, se um membro sofre, sofrem com ele todos os membros; ou, se tem glória um membro, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois corpo de Cristo, e particularmente sois membros deste" (1 Cor. 12, 25-27). Nesta prova que a caridade nos pede, de expiarmos as culpas de outrem, a exemplo de Jesus Cristo, que com imenso amor deu a sua vida para redimir todos do pecado, está este grande vínculo de perfeição que une estreitamente os fiéis entre si, com os Santos e com Deus. Em suma, o espírito da santa mortificação é tão vário, industrioso e extenso, que qualquer um   -  desde que animado de piedade e de boa vontade  -  pode praticá-lo com muita freqüência e sem esforço excessivo" (Leão XIII, Octobri Mense).
Caríssimos, amar a Deus sobre todas as coisas, de todo coração, com todas as forças, eis o grande mandamento. No Céu O amaremos naturalmente, necessariamente, infinitamente. Igual coisa não se dá na terra. No estado atual da natureza decaída, é impossível amar a Deus com amor verdadeiro e efetivo, sem esforço, sem sacrifício. É o que resulta da tendências da natureza corrupta que permanece no homem, mesmo regenerado pelo batismo. Não podemos amar a Deus sem combater estas tendências. Por isso Nosso Senhor disse: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (S. Mat. XVI, 26). Seguir a Jesus Cristo é amá-Lo, a condição de O seguir e amar é renunciar a si mesmo, isto é, as más inclinações da natureza, o que se consegue pela prática da mortificação. Para obter a graça, para conservá-la e multiplicá-la, precisamos a cada passo de penitência. Daí a mortificação em si, dentro de certas condições e em dadas circunstâncias, não é um simples conselho de perfeição, é, antes, DE PRECEITO, ou seja, é necessária à salvação: "Se não fizerdes penitência, disse o divino Mestre, todos igualmente perecereis" (S. Lucas XIII, 5).
O luxo moderno e costumes efeminados que se alegam muitas vezes em favor de uma diminuição da mortificação, podem também servir para defender o ponto de vista oposto. Pois, sendo ofício especial da Igreja dar testemunho contra o mundo, deve este testemunho consistir em atacar os vícios reinantes da sociedade, e por conseguinte, deve fazê-lo nestes dias contra a moleza, o culto do conforto e as extravagâncias do luxo. O mundo, a carne e o demônio permanecem realmente os mesmos em todos os tempos, e assim também a mortificação corporal presta os mesmos serviços. A melhor de todas as penitências é receber em espírito de compunção interior as mortificações que Deus, na sua Sabedoria e na sua amorosa e paternal Providência, nos envia. Quanto a isso não há a menor dúvida. É mister, porém, observar o seguinte: sem o generoso hábito das penitências voluntárias não é muito provável conseguir adquirir este espírito interior de penitência e portanto tirarmos todo proveito das provações involuntárias que Deus nos manda.
Vamos apresentar dez vantagens da mortificação:
- Domar o corpo: A penitência submete as paixões revoltosas ao poder da graça e à parte superior da nossa vontade. Na verdade, não encontraremos em pessoa alguma a força de vontade ou a seriedade de espírito, se ela não se esforçar deveras por subjugar o corpo.
2ª- Criar uma consciência delicada: isto é, uma sensibilidade de consciência para ver e detestar o menor pecado que seja. Se não é o único meio, pelo menos a mortificação constitui um dos principais.
3ª - Obter crédito diante de Deus: Empresta uma maior força à oração; dá um êxito muito maior nos esforços para desarraigar algum pecado habitual, vencer as tentações, obviar as surpresas do gênio e da língua.
4ª - Avivar o nosso amor a Deus: Manifestam e aumentam o nosso amor. E quando o objeto que amamos e contemplamos é, como Jesus, um objeto de dor e de sofrimentos, na contemplação da Paixão de Jesus sentimos um amor maior que nos excita a imitá-lo.
5ª - Desapegar-nos das vaidades do mundo e inundar-nos com a alegria espiritual: Nada em si é tão oposto às vaidades do mundo como a mortificação que destrói tudo o que elas mais prezam e mais amam. A alegria espiritual, é como a enchente da maré, que entra por onde encontra lugar vazio. A proporção, portanto, que os nossos corações se desapegam das amizades terrenas, isto é, das afeições que não constituem para nós um dever, eles se tornam capazes de gozar da doçura de Deus. As pessoas mortificadas são sempre alegres. O coração se alivia por lhe ser retirado o fardo do corpo. A penitência junto com a oração bem feita nos unem a Jesus e, estar com Jesus é um doce paraíso!
6ª - Impedir que abandonemos cedo demais a Via Purgativa: Na verdade constitui um grande perigo na vida espiritual querer passar logo para as vias iluminativa e unitiva, abandonando precocemente a via purgativa em que devem dominar a virtudes da penitência. Na verdade, muitos se apressam tanto no começo, que ficam sem respiração e abandonam por completo a corrida. Assemelham-se aos insensatos que correm loucamente para fugir de sua sombra. A alma ainda ligeiramente fatigada de vigiar a si mesma, quer já converter o mundo. Assim peca por indiscrição e zelo imprudente. Fazendo uma comparação: a água transborda a força de ferver, apagando assim o fogo, isto é, destrói a ação do Espírito Santo pela indiscrição. Verdadeiramente, conservar-se por mais tempo (não meses mas anos) na região inferior de purificação, nunca trará prejuízo à alma, mas querer elevar-se com demasiada rapidez é expor-se a muitos perigos. As nossas paixões são como lobos, fingem estar mortas. Daí constituir um grande perigo abandonar a mortificação.
7ª - Conceder-nos o dom da oração mental. Por tudo o que já foi dito acima, temos facilidade em compreendê-lo: O coração se alivia por lhe ser retirado o fardo do corpo, e aí, alma, qual, águia tem facilidade em subir às alturas da meditação e da contemplação.
8ª - Dar à santidade profundeza e força: Assim como os exercícios de ginástica desenvolvem os músculos e os robustecem. Isto refere-se ao que foi dito há pouco, de não abandonar cedo demais a Via Purgativa. Ex.: Simeão Estilita quando primeiro começou a se sustentar sobra a coluna, ouviu no sono uma voz lhe dizer: levanta-te, cava a terra. Pareceu-lhe ter cavado algum tempo e depois cessado, quando a voz lhe disse: cava mais fundo! Quatro vezes cavou, quatro vezes descansou, e quatro vezes a voz repetiu: cava mais fundo! Depois disse-lhe: Agora constrói tranquilamente. Pois bem! Este trabalho humilhante de cavar é a mortificação. Sendo escultor, veio-me uma comparação que compreendo com conhecimento de causa: o escultor, quando quer trabalhar com madeira, escolhe o cedro. Por que? primeiro por ser um madeira de lei que não é atacada pelo cupim; segundo é uma madeira ao mesmo tempo fácil de cortar e firme. Nossa alma deve ser firme pela penitência, e também humilde, isto é,  fácil de ser talhada pelo divino Artista, Nosso Senhor Jesus Cristo.
9ª - As austeridades corporais levam a alma a atingir a graça mais alta da mortificação interior: Seria pura ilusão supor ser possível mortificar o juízo e a vontade, sem mortificar também o corpo. Na verdade a mortificação interior é mais excelente; a exterior, no entanto, é mais eficaz.
10ª - A mortificação é uma escola excelente onde será adquirida a régia virtude da discrição. A discrição é o hábito de dar exatamente no alvo, e, para acertá-lo, é preciso ter no olhar uma exatidão e na mão uma firmeza sobrenaturais. A discrição se manifesta na obediência, na humildade, na falta de confiança em si mesmo, na perseverança e no desapego das próprias penitências.
Depois de tudo que acabamos de expor sobre a penitência, facilmente entendemos a afirmação tão categórica de São João da Cruz: "Se alguém desaprova a penitência, não lhe deis crédito, ainda que faça milagres".
Caríssimos, o divino Mestre disse: " O reino dos céus sofre violência e só os violentos o arrebatarão". Para chegarmos ao céu temos que combater como bons soldados de Jesus Cristo. E esta luta durará enquanto durar a vida. A felicidade eterna será um bem laboriosamente conquistado; e isto constitui, outrossim, a glória dos eleitos e lhes aumenta o gozo, pois amarão a Deus com maior perfeição. Consola-nos saber que cada vitória é uma conquista; triunfando de um defeito, adquirimos maior domínio sobre nós mesmos e, quanto mais fortes formos, mais capazes seremos de fazer o bem.

Através da mortificação, à medida que a alma progride, as revoltas da natureza, embora nunca desapareçam de todo, tornam-se menos violentas, e a graça, menos embaraçada, opera com maior poder. A vitória custa muito menos e entretanto os atos de virtude são mais puros, mais eficazes; a imaginação permanece mais calma, o apetite irascível mantém-se em repouso, o espírito não raciocina tanto. Então Deus opera com maior liberdade. Oh! como serão ricas as almas generosas, no dia da prestação de contas, quando for dado, e para sempre, a cada um, segundo suas obras! Amém!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A ORAÇÃO


"É preciso orar sempre e não cessar de o fazer"  (S. Lucas XVIII, 1)

A oração é o grande meio de salvação. E tanto isto é verdade, que Santo Afonso de Ligório afirma e prova que quem reza se salva e quem não reza, se condena.

O homem de si mesmo, é um nada e fraqueza, já que sua natureza corrompida é tão violentamente inclinada ao mal. Tem, na verdade, a razão para conhecer seus deveres. Mas isto não basta. "Vejo o bem e o aprovo, vejo o mal e o desaprovo, e, no entanto, faço a mal que desaprovo e não faço o bem que aprovo" assim diz do homem o Apóstolo S. Paulo (cf. Rom. VII, 15-20). Portanto, é absolutamente necessário ao homem o auxílio de Deus, auxílio este alcançado pela oração.

A oração bem feita produz sempre frutos e põe à nossa disposição a onipotência de Deus. Na verdade, a oração bem feita enternece o Coração de Deus, é uma homenagem aos seu poder, à sua sabedoria, à sua bondade, ao seu amor. Quem reza, pois, une-se a Deus que se compraz em espargir suas perfeições sobre todos os que d'Ele se aproximam pela oração. A oração também nos une aos Santos no Céu e às almas virtuosas na terra. Duas pessoas que rezam uma pela outra, embora separadas pelos oceanos, estão mais intimamente unidas que outras duas que vivem juntas mas não rezam.

Quão comovente são os convites de Nosso Senhor à oração! "Vigiai e orai"; "Pedi e recebereis, procurai e achareis; batei e vos será aberto" (S. Mat. VII, 21; S. Luc. XI, 9). E ainda: "Tudo quanto pedirdes com fé, ser-vos-á concedido" (S. Mat. XXI, 22); "Se dois dentre vós estiverem de acordo, aquilo que pedirdes vos será concedido por meu Pai que está no céu" (S. Mat. XVIII, 19); "Tudo quanto pedirdes  a meu Pai em meu nome, eu o farei" (S. João XVI, 13); "Se vós permanecerdes em mim e se minhas palavras permanecerem em vós, tudo quanto quiserdes pedir, ser-vos-á concedido" (S. João XV, 7).

Mas São Tiago diz: "Pedis e não obtendes", e logo dá a razão: "porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes vossas paixões" (S. Tiago IV, 3). Deus é a própria sabedoria e não irá ceder aos caprichos de quem reza mal. Santo Agostinho assim resume em latim os motivos porque a oração não é atendida: "Petimus mali, petimus male, petimus mala. Traduzindo: Nós que pedimos somos maus; pedimos com oração mal feita; pedimos coisas más.

Petimus mali: sendo maus, isto é, em estado de pecado. Encontrar-se em estado de revolta contra Deus será disposição para alcançar suas graças? Reconciliemo-nos primeiro com Ele, façamos a sua vontade e Ele fará a nossa.

Petimus male: rezamos mal, ou seja, sem atenção; sem elevar a alma para Deus, sem humildade, sem confiança, sem perseverança. Santo Agostinho diz que "o latir do cão é menos desagradável aos ouvidos de Deus do que a oração mal feita".  

Petimus mala: isto é, o que pode ser inútil, mesmo prejudicial, sem o sabermos, como são às vezes, os bens relativos como saúde, recursos, talentos etc. Peçamos primeiro os bens absolutos: a graça, a virtude, a salvação, os bens sobrenaturais, e secundariamente, e sob condição de serem para a glória de Deus e  bem da alma, também os bens de ordem natural. É a regra que traçou Nosso Senhor Jesus Cristo: "Procurai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas ser-vos-ão dadas por acréscimo" (S. Mat. VI, 33). Não esqueçamos de pedir "em nome de Nosso Senhor, isto é, "pelos merecimentos de Jesus Cristo e pelo amor que Deus Pai Lhe tem. Deus Pai nada recusa ao seu Filho, diz S. Paulo, por causa da consideração que Lhe tem: "propter reverentiam".

É mister, porém, observar que a oração feita de boa fé, nunca ficará sem resposta. Portanto se o vosso pedido é imprudente mas provém de vossa ignorância, Deus vos concederá então, não o que pedis, mas coisa muito melhor. Por ex. pedis recursos materiais, e Deus sabe que será uma pedra em que tropeçarás e perderás a fé, Ele então vos dará um pão, poderá ser uma fé e amor maiores para com a Santíssima Eucaristia. Caríssimos, quando pedirdes uma virtude, rezai, antes, para que vos seja dado um real desejo dessa virtude, e dizei depois, em toda a sinceridade de vosso coração: Senhor, fazei-me praticar essa virtude, custe o que custar. Por ex. pedimos a virtude da humildade; mas devemos pedir também que Nosso Senhor nos dê a graça de termos fortaleza para aceitarmos todas as humilhações que Ele se dignar enviar-nos.

O Pai-Nosso foi ensinado por Jesus como o modelo supremo. Aí a alma começa a dar a Deus o belo título de Pai. Só isto já nos mostra quais os sentimentos que devemos trazer no coração quando rezamos. Conversamos como o nosso Pai, não o da terra (o que já é tão agradável!) mas o Pai do Céu, a própria Bondade, a própria Perfeição , o Onipotente. Logo após, a alma pede a glória divina e só depois expõe sua próprias necessidades.

Na oração podemos pedir tudo que é bom e santo, tudo o que nos pode ser útil. Mas antes de tudo devemos desejar e pedir que Deus seja conhecido, amado e glorificado. O terceiro pedido do Pai-Nosso, pedido este que Jesus fez Ele mesmo de modo tão comovedor no Horto das Oliveiras, é um dos que devem brotar com frequência de nossos lábios, e que parece resumir todos os outros. "Meu Pai, se for possível, que se afaste de mim esse cálice; mas que a vossa vontade seja feita e não a minha". Assim devemos sempre adorar, louvar e amar a vontade de Deus. Com estas palavras: seja feita a vossa vontade", podemos formular todas as nossas orações. Peçamos para que se faça em nós a vontade de Deus. É certo que Deus quer sejamos piedosos, humildes, desapegados, mortificados, caridosos. Então peçamos: Senhor seja feita a vossa vontade, mesmo se for contra a minha, custe o que custar. E, Senhor, quantos aos meios pelos quais me santificareis, também escolhei-os Vós mesmo.

E se rezamos pelos outros, como por ex. pelos nossos parentes ou amigos, ou pelas almas que nos são confiadas (os pais pelos filhos, os padres pelos seus fiéis) será sempre a mesma regra: aliás, que podemos pedir de melhor para eles senão a vontade de Deus?! Então digamos sempre com sinceridade perfeita: Senhor, Vós sabeis e quereis o que convém mais: fazei a vossa vontade, inspirai-me e inspirai aos outros as medidas as mais sábias, dai a todos prudência e força, dai luz ao espírito e energia à vontade, e que tudo se faça segundo a vossa sabedoria e as vossas preferências, para vossa maior glória e para o nosso maior bem.


Caríssimos, já meditastes alguma vez sobre a vida de oração de Nosso Senhor Jesus Cristo? Nada mais próprio para incutir em nós o amor à oração, a convicção profunda da importância e necessidade da oração. Lembremos apenas algumas passagens: "Levantado-se muito antes de amanhecer, saiu, foi  a um lugar solitário e lá fazia oração" (S. Marc. I, 35); "Mas ele retirava-se para lugares desertos e fazia oração"(S. Lucas V, 15); "Despedidas as turbas, subiu só a um monte para orar" (S. Mat. XIV, 23); "Aconteceu naqueles dias que se retirou para o monte a orar e estava passando toda a noite em oração a Deus" (S. Lucas VI, 12); "Ora aconteceu que, recebendo o batismo todo o povo, batizando também Jesus, e estando em oração, abriu-se o céu..." (S. Lucas III, 21); na Transfiguração: "Tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu a um monte para orar. Enquanto orava..." (S. Lucas IX,28, 29); "Então Jesus, falando novamente [ao Pai em oração] disse: "Graças te dou, ó Pai..." (S. Mat. XI, 25 e sgs). Já consideramos Sua oração no Getsêmani. Na cruz, sua primeira palavra foi uma oração de perdão: Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". Quão comovente é a oração que Jesus faz ao Seu Pai após a Santa Ceia (cf. (S. João XVII, 1-26). Caríssimos, leiam e meditem! Oremos como Jesus e nossa oração será perfeita. Amém!