SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 15 de abril de 2018

SEGUNDO DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA


O BOM PASTOR

S. João X, 11-16

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Eu sou o bom Pastor. 

Quem assim fala é Jesus - pastor por excelência, pastor que possui todas as qualidades, todas as perfeições para tornar feliz o seu rebanho, procurando-lhe todas as vantagens: : conhece suas ovelhas, guia-as, caminha à sua frente, defende-as, nutre-as e dá sua vida pelas suas ovelhas. Só Deus é bom em todo sentido da palavra. Assim, propriamente falando, somente Jesus Cristo, Deus-Homem, é o Bom Pastor. Jesus é o Bom Pastor por antonomásia! Todos os outros pastores eclesiásticos, ou seja, bispos e padres, na expressão do Apóstolo (Hebr. V, 1), "estão cercados de fraquezas". Mas, é claro, eles devem se esforçar por imitar o seu Mestre.

E como Jesus Cristo se mostra o bom Pastor? Dando sua vida por suas ovelhas; também os pastores eclesiásticos devem dar tudo o que têm e tudo o que são em prol das almas. Assim fazia S. Paulo e todos padres e bispos santos: "Empenhar-se e super se empenhar pela salvação das almas". Um bom pastor, deve considerar que sua vida não lhe pertence, mas sim à ovelhas que lhe foram confiadas. Ele deve estar disposto a sacrificá-la nas perseguições, nas epidemias e no atendimento de pessoas com doenças contagiosas. É bem verdade que estas ocasiões não são lá tão comuns; não é mártir quem quer, mas há uma maneira de se imolar pelo seu rebanho, mais ordinariamente e no entanto, não menos heroicamente, isto é, não morrendo, mas vivendo pelas suas ovelhas. Deve consagrar suas orações (como os clérigos deveriam amar o seu Breviário!). São delegados por Deus a exercer este Ofício Divino! O bom pastor deve consagrar, outrossim, suas exortações, suas fatigas, os combates aos quais deve sustentar em defesa da fé e dos mandamentos de Deus. De bom ânimo deve estar preparado paras sofrer contradições. Pois bem, estes sacrifícios de todos os dias, quase diríamos, de todos os momentos, este sacrifício de si mesmo, de todas as suas faculdades, de todas suas forças, é, na verdade, menos brilhante e talvez menos glorioso, e, no entanto, mais completo, mais penoso que o sacrifício rápido de sua vida, executado com um só golpe. Este dura só um instante, não exige mais que um esforço de coragem, enquanto que o outro dura anos inteiros, e exige uma sucessão ininterrupta de esforços e trabalhos.

"O mercenário, porém, e o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vê vir o lobo, deixa as ovelhas, foge e o lobo arrebata e faz desgarrar as ovelhas, porque é mercenário, e porque não se importa com as ovelhas".

Ao lado do bom pastor, há, infelizmente, o pastor mercenário, que não leva em conta nas suas funções e na guarda de seu rebanho, senão  a recompensa e não  a salvaguarda das ovelhas que lhe são confiadas. Como antes de tudo a recompensa lhe é menos cara que a vida, ao primeiro perigo, ele abandona suas ovelhas, mesmo com o risco de perder o fruto de seus cuidados. Mas o bom pastor, aquele que olha não o salário de seus trabalhos, mas suas ovelhas, diante de algum perigo não abandona seu posto, e vindo o lobo ele se arma de seu cajado, se coloca à porta do aprisco, grita, bate, e se não é mais forte, sucumbe, mas mesmo sucumbindo, pelo grito que dá, pelos golpes de desfere, ele salva seu rebanho. Eis, caríssimos, a característica do bom pastor. Eis o que fez Jesus Cristo e o que fazem e devem fazer todos os pastores aos quais o Bom Pastor confiou o cuidado e a guarda de suas ovelhas. Não vos admireis que o bom pastor, tão doce com suas ovelhas, grite contra os lobos que se aproximam do rebanho, não vos admireis se ele resista, combata, faça guerra; porque ele deve fazê-lo e, de fato o faz mesmo às expensas de sua saúde, e até mesmo de sua vida. Ele segue o exemplo do Bom Pastor: "O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas".

O bom pastor quando vê vindo os lobos, isto é, os escândalos, as más doutrinas, os maus exemplos, os usos perniciosos, o comunismo, a Teologia da Libertação e seus corifeus; não guarda silêncio, não abre as portas ao mal, mas resiste ao escândalo e não dá lugar ao lobo rapace e não foge nunca da luta em defesa da verdade e da moral. Não é mercenário, não olha seus próprios interesses, não visa alcançar honrarias agradando à maioria. Só almeja salvar almas, nada mais. Caríssimos, como devemos lamentar a míngua de bons pastores!!!

"Eu sou o Bom Pastor, eu conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem".

Eis o dever de um pastor de almas: de conhecer suas ovelhas, de estender seus cuidados a todas, de as ver, de lhes falar, de as procurar, de as atrair pela sua doçura, pela sua caridade. Mas é também dever de as ovelhas conhecer o pastor, isto é, vir até ele, de escutar sua palavra, de obedecer às suas ordens, de seguir seus conselhos, de caminhar em seu seguimento, e é assim também que se estabelecem os bons relacionamentos entre o pastor e suas ovelhas, é assim que os laços que os devem unir se estreitam e que a paz, a piedade, a caridade reinem numa paróquia, e aí espalhem uma doce felicidade, antegozo daquela que nos aguarda no Paraíso. Por outro lado como é triste e lamentável ver como ovelhas desrespeitam e até perseguem seus pastores, pastores zelosos e fiéis à sua missão de salvar as almas!!! Onde isto acontece com frequência, este lugar ou fica amaldiçoado ou porque já o foi: "Seja anátema aquele que tocar nos meus ungidos e maltratar os meus profetas [aqueles que pregam a palavra de Deus] (Salmo 104, 15).

"Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor".

Estas outras ovelhas eram as nações pagãs que deveriam entrar na Igreja e formar com os judeus o rebanho único de Jesus Cristo. Temos a felicidade de ser deste rebanho e isto deve ser para nós um motivo de grande reconhecimento. Quantos que estão fora do redil, que nunca aí entraram, ou que dele saíram pelo cisma ou pela heresia! Caríssimos, permaneçamos portanto no rebanho onde Deus nos colocou, sob o cajado do bom Pastor, do Pastor supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo!

          Ó Jesus, todo meu amor, dai-me, o Vosso ardentíssimo amor para que por ele, com a Vossa graça, Vos ame, Vos agrade, Vos sirva, cumpra os Vossos preceitos, não seja separado de Vós, nem no tempo presente nem no futuro, mas convosco permaneça unido no amor pelos séculos eternos. Amém!


HOMILIA DOMINICAL - 2º Domingo depois da Páscoa

  Leituras: Primeira Epístola de São Pedro Apóstolo, 2, 21-25.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 10, 11-16:

 
 "Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: Eu sou o bom Pastor. O Bom Pastor dá a sua vida por suas ovelhas. O mercenário, porém, o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vendo chegar o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo rouba e dispersa as ovelhas. O mercenário foge, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor, e conheço minhas ovelhas, e as minhas ovelhas me conhecem. Assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai, eu dou a minha vida por minhas ovelhas. Outras ovelhas tenho eu ainda que não são deste aprisco. É preciso que eu as chame também e ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
   
   Eu sou o bom Pastor. Quem assim fala é Jesus - pastor por excelência, pastor que possui todas as qualidades, todas as perfeições para tornar feliz o seu rebanho, procurando-lhe todas as vantagens:
  • Primeira qualidade característica: conhece suas ovelhas. Entre o Bom Pastor e as Suas ovelhas estabelece-se uma íntima relação de conhecimento amoroso, tão íntima, que o Pastor conhece uma a uma as Suas ovelhas. Cada alma pode dizer: Jesus conhece-me e ama-me, não de um modo genérico e abstrato, mas concreto, nas minhas necessidades, nos meus desejos, na minha vida. Para Ele, conhecer-me significa fazer-me bem, envolver-me cada vez mais com a Sua graça, santificar-me. Porque me ama, Jesus chama-me pelo meu nome. Chama-me na oração, nas consolações espirituais, e até nas provações. Chama-me, sobretudo, quando desperta em mim um amor mais profundo por Ele. Perante os Seus apelos, a minha atitude deve ser a da ovelha dedicada que reconhece a voz do seu Pastor e O segue sempre. 
  • O Bom Pastor guia as suas ovelhas: Nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua bondade infinita, faz tudo por nós. Ele deixou os seus representantes aqui na terra e disse: "Quem vos ouve, a mim ouve". "Ide e ensinai a todos os povos a observar tudo o que Eu vos ensinei". Deixou a Sua Igreja: "Tu és Pedro (Kefas=pedra) e sobre esta pedra edificarei a MINHA Igreja". 
  • O Bom Pastor caminha à frente de suas ovelhas: Ele mesmo disse: "Eu sou o caminho". Ele nos deu o exemplo, para assim como Ele fez, façamos nós, suas ovelhas. Caríssimos, quereis vós praticar a modéstia, a obediência, a doçura, a paciência, a caridade, o perdão dos injúrias etc? Olhai para Jesus: "Olhai, e fazei segundo o exemplar"...Aprendei de mim, disse Jesus, que sou manso e humilde de coração. 
  • O Bom Pastor guarda e defende suas ovelhas: Assim diz o Salmo 23: "O Senhor é meu Pastor, e nada me falta; colocou-me num lugar de pastos. Conduziu-me à água fortificante. Converteu a minha alma. Levou-me por veredas de justiça, por causa do seu nome. Por isso, ainda que ande no meio da sombra da morte, não temerei males, porque estás comigo. Tua vara e teu báculo me consolaram. Preparaste uma mesa diante de mim, à vista daqueles que me perseguem. Ungiste com óleo a minha cabeça, e quão precioso é o meu cálice que transborda! Tua misericórdia irá após de mim todos os dias da minha vida, a fim de que eu habite na casa do Senhor, durante longos dias". (Na Vulgata é o Salmo 22).  

  • O Bom Pastor nutre suas ovelhas: Ó Senhor, meu Bom Pastor, o que poderíeis ter feito por mim que não tenhais feito? O que poderíeis dar-me, que não me tenhais dado? Vós mesmo Vos fizestes meu alimento e minha bebida. E que alimento mais delicioso e salutar, mais nutritivo e mais fortificante poderia eu encontrar do que o Vosso Corpo e o Vosso Sangue? Jesus, Nosso Bom Pastor, nutre-nos também com a sua doutrina: "Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". Mandou que pedíssemos no Pai-Nosso também o pão nosso de cada dia. E Ele, o melhor dos pais, nada nos poderá negar. "Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Vosso Pai que está nos Céus". Como vimos há pouco no Salmo 22: "O Senhor é meu Pastor, e nada me faltará". 
  • O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas: Basta meditarmos a Sua vida: em Belém, no Egito, em Nazaré, durante seu ministério público, durante sua Paixão. "Amou-me e entregou-se a si mesmo ao sacrifício por mim. Jesus sofreu a morte para nos dar a vida, nos cumular de graças e nos merecer o Céu. Eis, caríssimos irmãos, o nosso verdadeiro e único bom Pastor. Ele não pensa em dinheiro como os mercenários. Resgatou-nos não com dinheiro, ouro ou prata, mas com o Seu preciosíssimo Sangue!
          Ó Jesus, todo meu amor, dai-me, o Vosso ardentíssimo amor para que por ele, com a Vossa graça, Vos ame, Vos agrade, Vos sirva, cumpra os Vossos preceitos, não seja separado de Vós, nem no tempo presente nem no futuro, mas convosco permaneça unido no amor pelos séculos eternos. Amém!

   

  

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Algo sobre a TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

      É muito evidente a inspiração marxista desta nova teologia. Foi formulada mais explicitamente pelo padre dominicano Gustavo Gutiérrez, mundialmente conhecido como grande amigo do ex- Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, D. Müller. A Teologia da Libertação recebeu com certeza, um alento especial na Conferência do Episcopado latino-americano em Medelim (1968). O Padre Battista Mondin (colaborador de "L'Osservatore Romano") afirmou: "O primeiro impulso para a elaboração de uma teologia da libertação foi dado pela célebre conferência do episcopado latino-americano realizada em Medelim em 1968. Naquela circunstância a Igreja da América do Sul lançou as bases da Teologia da Libertação" (Conf. "Os Teólogos da libertação", da Edições Paulinas, S. P. 1980, p. 30). Nesta mesma obra e lugar, na nota 9, o Pe. Mondin cita Raul Vidales, na revista "Concilium", nº 4, 1974, p. 154: "Foi no encontro do CELAM, em Medelim (1968) que a Teologia da Libertação adquiriu o seu direito de cidadania. Se não é possível afirmar que nasceu naquela ocasião, devemos todavia notar que esta circunstância marcou sua acolhida oficial e deu o impulso ao futuro movimento e trabalho teológico na prospectiva da libertação... É, pois, a partir de Medelim que o empenho, a reflexão teológica e a mesma produção literária sobre o tema da libertação não só se tornam explícitas como também se intensificam". 

    Encontro pessoas que se deixam enganar sobre esta funesta propaganda, ouvindo de seus corifeus ou inocentes úteis, que a Teologia da Libertação apenas se preocupa em ajudar os pobres. É perfeitamente ortodoxa. Algo semelhante propala a Maçonaria e muitos se deixam iludir. Mas um católico sabe muito bem, que, em se tratando de fé, o Sumo Pontífice é infalível. Assim sendo, não só para conhecermos bem o pensamento dos teólogos da libertação mas também para os rejeitarmos como heterodoxos, basta ouvirmos os Sumos Pontífices. 
    O Santo Padre, o Papa João Paulo II: Em sua alocução em Puebla condenou aberta e energicamente esta nova teologia. Eis um trecho: "Circulam hoje em muitos lugares - o fenômeno não é novo - 'releituras' do Evangelho, resultado de especulações teóricas mais do que autêntica meditação da palavra de Deus e de um verdadeiro compromisso evangélico. Elas causam confusão aos se apartarem dos critérios centrais da Fé da Igreja, caindo-se ademais na temeridade de comunicá-las, à maneira de catequese, às comunidades cristãs.
   Em alguns casos, ou se silencia a divindade de Cristo, ou se incorre de fato em formas de interpretação conflitantes com a Fé da Igreja. Cristo seria apenas um 'profeta', um anunciador do Reino e do amor de Deus, porém não o verdadeiro Filho de Deus, nem seria portanto o centro e o objeto da própria mensagem evangélica.
    Em outros casos se pretende mostrar a Jesus como comprometido politicamente, como um lutador contra a dominação romana e contra os poderes e, inclusive, como implicado na luta de classes. Esta concepção de Cristo como político, revolucionário, como o subversivo de Nazaré, não se compagina com a catequese da Igreja. Confundindo o pretexto insidioso dos acusadores de Jesus com a atitude de Jesus mesmo - bem diversa - se aduz como causa de sua morte o desenlace de um conflito político e se silencia a vontade de entrega do Senhor, e ainda a consciência de sua missão redentora" (Insegnamenti di Giovanni II, Libreria Editrice Vaticana, vol. II, 1979, pp. 192-193). Lemos neste mesmo documento à página 197, o seguinte: "Percebe-se, diz João Paulo II, às vezes, certo mal-estar relacionado com a própria interpretação da natureza e da missão da Igreja. Alude-se, por exemplo, à separação que alguns estabelecem entre Igreja e Reino de Deus. Este, esvaziado de seu conteúdo total, é entendido em sentido mais bem secularista: não se chegaria ao Reino pela Fé e pela pertença à Igreja, mas pela simples mudança estrutural e pelo compromisso sócio-político. Onde há um certo tipo de compromisso e de práxis pela justiça, ali estaria já presente o Reino. Esquece-se, deste modo, que 'a Igreja... recebe a missão de anunciar o Reino de Cristo e de Deus, e instaurá-lo em todos os povos, e constitui na terra o germe e o princípio desse Reino' (Lumen Gentium, nº 5). 

   Sabemos que em Puebla como em Medelim estavam presentes muitos teólogos da libertação. O Papa falou tão claramente que talvez achou supérfluo dar nome aos bois. Mas, se naquela conjuntura, o Sumo Pontífice dissesse que ali estavam hereges que negavam a fé da Santa Igreja, deturpadores da missão Redentora do Homem-Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, certamente Gutiérrez, Assmann, D. Hélder Câmara e companhia teriam dito: "Somos nós, porventura, senhor?". Na verdade, saíram dali para continuar a obra de traição a Jesus Cristo, e, em que pese a advertência clara e enérgica do Santo Padre João Paulo II, a Teologia da Libertação continua fazendo seus estragos. 

   Frei Beto, certa vez, indagou ao Presidente da CNBB na época, D. Ivo Lorscheiter, se o Papa João Paulo II havia realmente condenado a Teologia da Libertação. Com muita ênfase, respondeu o Presidente da CNBB: "De jeito nenhum. O Papa apenas chamou a atenção para o risco de alguns abusos. A Teologia da Libertação já foi incorporada à doutrina oficial da Igreja, através do Evangelii Nuntiandi, onde Paulo VI, sem negá-la, também adverte sobre alguns exageros que podem ser cometidos em seu nome".  Não se vê nenhuma lógica, nesta conclusão de D. Ivo, mas, na verdade, a Teologia da Libertação, continua em plena atividade e, aí sim, com aprovação da CNBB. Para isto basta compulsar documentos da mesma. 

   Para mais nos compenetrarmos  da perversidade desta teologia, ouçamos alguns dos seus corifeus:
   Frei Leonardo Boff: "A opção política, ética e evangélica prévia em favor dos pobres contra a sua pobreza ajuda a escolher aquele instrumental que faça justiça aos reclamos de dignidade por parte dos explorados. Neste momento de racionalidade e objetividade, o teólogo pode se utilizar do aporte de teoria marxista da história... O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da teologia" (Marxismo na Teologia, Jornal do Brasil, 6-4-80).

   Luiz Alberto Gomes de Souza: "Para a teologia da libertação não existe, atualmente, outra reflexão teórica melhor que o marxismo, que está inserido na práxis da realidade" (Secretariado General del CELAM, Bogotá, 1977, p. 276). 

    Padre Gustavo Gutiérrez (grande amigo de D. Müller): "O homem latino-americano ao tomar parte em sua própria libertação,... na luta revolucionária liberta-se de algum modo da tutela de uma religião alienante que tende à conservação da ordem". (Teologia da Libertação, Vozes, Petrópolis, 1975, p. 67). 

    Padre Alfonso Garcia Rubio: "O que espera a Teologia da Libertação da Hierarquia eclesiástica? Que se dessolidarize efetivamente do sistema imperante, e que admita, de fato, no seu interior, opções claramente revolucionárias... Na grande maioria dos países latino-americanos... significa normalmente a opção política de esquerda, uma opção contra o sistema dominante, considerado como opressor e anti-humano" (Teologia da Libertação: Política ou Profetismo?, Edições Loiola, São Paulo, 1977, p. 31).

   Padre Gustavo Gutiérrez: "No encontro com os homens dá-se nosso encontro com o Senhor... É conhecida esta poesia de León Felipe, da qual muito gostava 'Che' Guevara... 'Amo-te, Cristo/ ... Tu nos ensinaste que o homem é Deus... / Um pobre Deus crucificado como tu / e aquele que está à tua esquerda no Gólgota / o mau ladrão / também é Deus! (Teologia da Libertação, Vozes, Petrópolis, 1975, p. 171).

   Caríssimos e amados leitores, eu poderia fazer muitas outras citações, mas, creio que bastam estas, principalmente, esta última, que constitui uma pancada matando dois coelhos. Só numa crise sem precedentes na Igreja como o é a atual, poder-se-ia acreditar que um Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (hoje ex-Prefeito) fosse amigo particular do autor desta última citação. Uma mente verdadeiramente católica recusar-se-ia aceitar tal possibilidade mesmo num sonho em sono profundo!!! Seria um pesadelo tão terrível que impediria conciliar novamente o sono. Mas, infelizmente, é a triste realidade. Rezemos!

   

   

domingo, 8 de abril de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo depois da Páscoa

   Leituras: Primeira Epístola de São João 5, 4-10)
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 20, 19-31: 

   
   
"Naquele tempo, chegada já a tarde daquele dia, que era o primeiro dia da semana, e estando fechadas as portas do lugar onde se achavam reunidos os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio deles, disse-lhes: A paz esteja convosco. E dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se muito os discípulos, vendo o Senhor. Disse-lhes Jesus outra vez: A paz esteja convosco.  Assim como meu Pai me enviou, assim também eu vos envio. Ditas estas palavras, soprou sobre eles, dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Os pecados daqueles a quem perdoardes ser-lhes-ão perdoados: os pecados a quem retiverdes, ser-lhes-ão retidos. Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor" Ele, porém, lhes disse: Se eu não vir em suas mãos o sinal dos cravos, se não introduzir o meu dedo no lugar dos cravos, e se mão meter minha mão em seu lado, não acreditarei. Oito dias depois, estavam os discípulos de Jesus outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Veio Jesus, , estando as portas fechadas. E pondo-se no meio deles, disse: A paz esteja convosco! Depois disse a Tomé: Coloca aqui o teu dedo, o vê as minhas mãos; chega também a tua mão e mete-a em meu lado; não sejas incrédulo, mas fiel. Respondeu Tomé e disse-Lhe: Meu Senhor e meu Deus! Disse-lhe Jesus: Tu creste, ó Tomé, porque viste; bem-aventurados os que não viram e, creram; Jesus fez ainda, em presença dos discípulos muitos outros milagres, que não foram escritos neste livro. Estes, porém foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus; e para que, crendo, tenhais a vida em seu Nome."


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Quantos assuntos de meditação nos oferece o Santo Evangelho de hoje: A Bondade e Misericórdia do Coração de Jesus, a paz, a fé, o Sacramento da Penitência! 

   Com a graça de Deus vamos falar sobre a Misericórdia. Como são assuntos que se entrelaçam, falaremos  de passagem também sobre os demais. 

   Caríssimos, a Misericórdia divina é infinita. Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida eterna. Deus espera com paciência o pecador; vai a procura dele com toda solicitude; e recebe com toda alegria o pecador arrependido.  Os Apóstolos estavam sem paz: haviam pecado, abandonado o Mestre, estavam fechados numa casa com medo dos judeus. Jesus ressuscitado lhes aparece. Suas primeiras palavras não foram de repreensão, foram de paz: A paz esteja convosco! Como Jesus é bom!. A paz é um dom tão precioso que sobrepuja todo entendimento humano. Jesus quer que seus discípulos tenham a paz e dá a eles o poder de transmiti-la a todos os pecadores arrependidos: dá-lhes o poder de perdoar os pecados. É o tribunal da misericórdia em que o próprio réu se acusa, mas para ser perdoado. Caríssimos, é o sangue de Jesus Cristo que banha e lava a nossa alma. Não vemos, mas tenhamos fé: "A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados". Façamos um profundo ato de fé: Deus ama-nos com amor infinito, distinto, imutável, se não me afasto d'Ele por um ato consciente de minha livre vontade, como infelizmente fez Judas Iscariotes. Este infeliz apóstolo até se arrependeu, mas não confiou na bondade do Coração de Jesus.

   Ensina a fé que Deus é misericórdia e que por esse motivo se inclina com tanto mais amor para nós quanto mais reconhecermos as nossas misérias: porque a miséria atrai a misericórdia. Invocá-Lo com confiança, é afinal honrá-Lo, é proclamar que Ele é a fonte de todos os bens e nada tanto deseja como conceder-no-los. É por isso que na Sagrada Escritura nos declara vezes sem conta que defere as súplicas dos que esperam n'Ele: "Porque esperou em mim, livrá-lo-ei; protegê-lo-ei, porque conheceu o meu nome" (Sl. XC, 14). Nosso Senhor Jesus Cristo convida-nos a orar com confiança; e, para inculcar esta disposição, recorre não somente às exortações mais insistentes, mas ainda às parábolas mais comovedoras. Ele possui o mais perfeito coração humano, o mais terno, o mais amante, o mais desejoso de praticar o bem, o mais sensível ao esquecimento e à ingratidão. Quando Jesus Cristo pode encontrar uma alma completamente confiante n'Ele e convencida de sua própria miséria, não há maravilhas que não opere nela.

   Quando o sentimento de nossas misérias nos inquietar, meditemos estas palavras de São Vicente de Paulo: "Representais-me as vossas misérias. E quem não se encontra, infelizmente, cheio delas? Tudo está em as conhecer e amar a abjeção que as acompanha, como vós fazeis, sem se deter mais que para nelas estabelecer o fundamento bem firme duma grande confiança em Deus; porque então o edifício levanta-se sobre rocha, de sorte que, ao rugir a tempestade, fica imóvel".  Na verdade, as nossas misérias atraem, efetivamente, a misericórdia divina, quando a invocamos com humildade, e não fazem senão pôr-nos na melhor disposição para recebermos as graças divinas. São Vicente acrescentava que, quando Deus começou a fazer bem a uma criatura, não cessa de lho continuar a fazer até o fim, se ela se não torna excessivamente indigna dele. Assim, as misericórdias passadas são penhor das futuras.

   Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro; pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro. Meu Jesus, misericórdia! Jesus, eu confio em Vós! Amém!

domingo, 1 de abril de 2018

SERMÃO DA RESSURREIÇÃO

Surrexit, alleluia!  Ressuscitou, aleluia!

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! 

   Uma Feliz e Santa Páscoa a todos!

   Pelas três horas da tarde, na sexta-feira Santa, estando tudo consumado, inclinando a cabeça Jesus rendeu o espírito. Suspenso entre o céu e a terra Jesus estava realmente morto. A obra ímpia dos filhos das trevas estava consumada. O Salvador do mundo tinha exalado o último suspiro. Seu corpo, descido da cruz, tinha sido colocado num sepulcro. Os fariseus triunfavam. Viram a seus pés o cadáver ensanguentado e inânime de Jesus a quem tanto odiavam. Nos arraiais dos escribas e fariseus a alegria era geral, embora mesclada de um certo temor. Pois Jesus tinha ressuscitado o jovem de Naim, a filha de Jairo e Lázaro. E isso agora pouco importaria se Jesus não tivesse também predito sua própria ressurreição: "Ao terceiro dia o Filho do Homem ressurgirá". Sua desconfiança, portanto, não era de todo infundada. Impunha-se máxima cautela.
   Antes prevenir que remediar. Cuidadosos, fariseus e escribas puseram guardas em redor do túmulo. Selaram a tampa com o selo da nação. Deixaram ordens severas ao pelotão dos soldados. Retiraram-se satisfeitos. 
  Vede homens cegos e insensatos, quereis ligar o Verbo Eterno. Credes selar para todo sempre nas entranhas da terra a Religião de Cristo!?
 Três dias depois, era de madrugada. As estrelas iam desmaiando uma após outra na cúpula celeste. Meigos clarões de uma linda aurora purpurizavam as nuvens. Os passarinhos começavam a pipilar nos arbustos. O sol não tardaria a dourar os píncaros do Calvário.
    E eis que a terra treme, a pedra sepulcral é retirada, os guardas caem por terra como mortos. Jesus Cristo sai glorioso do túmulo. Surrexit! Ressuscitou! Sua alma pelo poder da divindade unira-se de novo ao  corpo, o qual se levanta majestoso, saindo triunfante do sepulcro. Surrexit! Alleluia! Ressuscitou! Aleluia! Que palavra!!! meus irmãos!!! Vinte séculos são passados que ela se fez ouvir pela primeira vez sobre um túmulo vazio. Um anjo a disse a algumas mulheres, estas a alguns discípulos e estes a toda Jerusalém. De Jerusalém ela passou pelas nações e percorreu rapidamente a terra inteira. E sob a ação desta palavra tudo se muda: o velho mundo desmorona-se, os velhos costumes caem-se, um mundo novo se eleva, novos costumes florescem. A humanidade regenerada sente um sangue novo circular em suas veias. 
    Surrexit! Ressuscitou! E depois, cada ano, num dia marcado a Igreja repete esta palavra. Ela a canta em seus cânticos. Ela a diz em suas orações. Ela a proclama em seus ensinamentos. Ela a lança com entusiasmo nas abóbodas de seus templos. E os ecos sagrados, a voz dos fiéis e os instrumentos religiosos a repetem: Surrexit! Ressuscitou! Alleluia, Alleluia! A esta palavra o gozo renasce em todos os corações, a felicidade se pinta em todos os olhares, o luto da Santa Quaresma desaparece. Os altares se cobrem de flores, os sacerdotes entoam novamente seus cânticos de alegria. Alleluia! Repicam os sinos nos céus de primavera em cada ângulo do mundo, sob todas as latitudes!!!

   Mas, caríssimos e amados irmãos, por que este gozo universal? É porque a Ressurreição de Jesus Cristo é a pedra angular do Cristianismo. Jesus ressuscitou! Tudo está aí contido: Dogma, Culto, Moral. Se Jesus Cristo ressuscitou, nossa fé é certa, nossa esperança é segura, nossa Religião é divina. 

   Mas não é este o único motivo de nossa alegria e extraordinário júbilo neste santo dia: A Ressurreição de Jesus Cristo é também o penhor e ao mesmo tempo o modelo de nossa ressurreição futura. E este pensamento leva ao auge a nossa felicidade. Jesus Cristo ressuscitou, logo nós ressuscitaremos também e nas mesmas condições e com a mesma glória, é claro, segundo nossa medida limitada de  puras criaturas. Assim, que a nossa carne se desfaça no pó do qual veio, nós não nos inquietaremos. Um dia ela se elevará deste mesmo pó cheia de vida e gloriosa. O próprio Jesus garantiu que os justos brilharão como o sol. 

   Jesus Cristo pôde ressuscitar a Si mesmo, Ele poderá ressuscitar também a nós. Nenhuma voz mortal, nenhuma voz divina, nenhum profeta, anjo algum Lhe disse: Levantai-Vos. Nenhuma mão estranha desligou as faixas que prendiam seu sudário. Só, no silêncio da noite rompeu as portas da morte, sozinho a abateu e venceu. Ora, o que Ele pôde para Si, não poderá para nós? Nossa carne não é porventura da mesma natureza que a Sua? Nosso corpo não é semelhante ao seu Corpo? Não disse Ele: "Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim e Eu nele; e Eu o ressuscitarei no último dia? 
   Depois, Jesus mesmo prometeu: " Eu sou a Ressurreição e a Vida. O que crê em mim, ainda mesmo que tenha morrido, viverá e todo homem que vive e crê em mim não morrerá para sempre".

   São Paulo exclama: "Si compatimur ut et conglorificemur". Se sofremos com Cristo para que com Ele sejamos igualmente glorificados". Jesus Cristo é a nossa Cabeça e nós somos seus membros. Nossas mãos como as de Jesus devem distribuir benefícios sobre os homens; nossos pés, a exemplo dos Seus, devem correr a procura de nossos irmãos que se extraviaram. Nosso corpo todo inteiro como nossa alma deve se entregar às obras de piedade e de misericórdia. Pois bem, este corpo assim oferecido em vítima para a glória de Deus e ao bem das almas, estas mãos que tantas vezes depositaram o bálsamo nas chagas dos feridos, estes pés que levaram a consolação e a esperança nos tugúrios dos pobres e dos infelizes; estes pés tão belos que levaram o Evangelho às nações bárbaras; estes pés e estas mãos, este corpo, serão então para sempre cinza e pó e, depois de ter participado dos trabalhos do Corpo Mistico de Jesus Cristo, eles também não participarão da Sua glória? 

   Tanto no pensamento do grande Apóstolo como no pensamento de todos os cristãos, o dogma de nossa ressurreição futura está estreitamente ligado ao dogma da Ressurreição de Jesus Cristo. Um é a consequência rigorosa, necessária do outro.

   Mas a Ressurreição de Jesus Cristo não é somente o penhor de nossa ressurreição. Ela é também o modelo da nossa.
    Jesus sai do túmulo, inteiramente outro. Sai com seu corpo revestido com todos os dotes de um corpo glorioso. Não mais sujeito à dor, à enfermidade, à morte. Seu corpo ressuscitado é ligeiro como o espírito, penetrável, entrará no Cenáculo estando as portas fechadas. Todo ele revestido de glória e resplendente de luz, deslumbrará seus discípulos por aparições inesperadas. Ora, caríssimos irmãos, todas estas qualidades constituirão os dotes dos nossos corpos ressuscitados. Não haverá mais lugar para a morte. Esta foi tragada na vitória de Cristo. Nossos corpos terão por abrigo as abóbodas celestes, por vestes a luz deslumbrante do paraíso; por alimento, a eterna vista e eterna posse de Deus. 

   Alleluia! Alleluia! Regozija-te, portanto, ó minha carne no dia da Ressurreição de Jesus! Este dia é o anúncio de tua regeneração e de teu triunfo. Este dia é verdadeiramente o dia que fez o Senhor. Nossa alma está na alegria, nosso corpo cheio de esperança!
   Não! Não! a separação de minha alma e de meu corpo não será eterna. Estes dois seres, tão longo tempo e tão estreitamente unidos se reunirão um dia. Quando a alma se separar com tanta pena do corpo que ela anima, o adeus que ela lhe diz não é um adeus sem esperança. Eles se tornarão a ver, se reencontrarão um dia. Ao som de trombeta angélica a alma acorrerá sobre este túmulo onde repousa seu mortal invólucro. Ela chamará seu companheiro bem amado; e a esta voz conhecida, o corpo se levantará do pó e se unirá em fraternais amplexos a alma, sua cara companheira. 

   Eis, caríssimos irmãos, o que a solenidade deste dia nos anuncia. Jesus Cristo saindo radioso do túmulo nos diz: Vede-Me. O que Eu sou, vós sereis um dia. Aleluia! Aleluia!

   Uma mãe, a quem havia pouco, tinham morrido dois filhos, ouviu falar do juízo final e da ressurreição da carne.  - "Portanto - dizia ela extasiada - meus dois filhos eu os verei ainda, ainda poderei acariciá-los. Ver-lhes-ei os seus rostos, beijá-los-ei ainda; porém, não mais chorando, como os beijei, frios, frios, antes de os recompor no caixão. Mas quando será? "Quando as trombetas dos anjos soarem a hora do juízo final!"
   E quase impaciente por tornar a ver seus filhos, aquela mãe disse: "E por que não é amanhã este dia?"

   Caríssimos irmãos! Quem é que não chora algum parente defunto! Talvez sua mãe, talvez um irmão, talvez o esposo? Quantas vezes não vos assaltou um desejo veemente de lhes rever as feições, de olhar nos olhos tristes, de tornar a ouvir-lhes a voz qual a ouvíamos em horas felizes?
   Pois bem! O mistério da Páscoa dá-nos um grande consolo. Revê-lo-emos, tornaremos a ver não só os seus espíritos mas também os seus corpos gloriosos; revê-lo-emos como os havemos conhecido e amado na terra.

   Os santos sorriam na hora da morte. E tinham razão. Para o cristão que procura imitar a Cristo, a morte não passa de uma breve separação entre a alma e o corpo. É a alma que saúda seu corpo: Até breve irmão, combatemos juntos, estás cansado, deixo-te repousar. Depois de teu breve sono, ao soar da trombeta angélica, voltarei para te retomar, mas para gozares sempre, sem mais te cansares. 

   Ressurgiremos! Este é o grito de Jó: "Sei que o meu Redentor vive. Mas também sei que no último dia eu também ressurgirei para O ver com estes meus olhos!"

   Preparemo-nos, caríssimos irmãos, para a gloriosa ressurreição dos corpos, ressurgindo do pecado e da tibieza.
   Se caímos em algum pecado, comecemos tudo de novo. Confessemo-lo arrependidos.

   O rei Felipe II de Espanha velou uma noite inteira para escrever ao Papa uma carta de suma importância. Quando acabou, distraído pela fadiga e pelo sono, em vez de derramar nela a areia para enxugar; derramou a tinta. Felipe II empalideceu, mas depois recolhendo a sua coragem disse: "Comecemos de novo".
   Oh! Se na nossa vida tem havido momentos de sono e distração em que havemos derramado a tinta dos pecados na nossa alma, hoje que é Páscoa, é justamente o momento oportuno de dizermos: Comecemos de novo! Amém! Assim seja!

   

sábado, 31 de março de 2018

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


31 de março

PRÁTICAS DE DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ


 
 A devoção a São José é de uma grande riqueza e variedade de formas.  É certo que esta devoção, tão bela, nunca deve estar separada em nós da verdadeira devoção a Jesus e Maria. Façamos, pois, com que a invocação do nome do Santo Esposo de Maria e a sua lembrança, cada dia, a cada hora, em todas as circunstâncias de nossa vida sempre nos acompanhem. O conselho de Santa Teres é de uma eficácia maravilhosa: Recorrei a São José! Confiai em São José! Nunca haveis de recorrer em vão a São José! Pois o meio de incentivar e sustentar em nossa alma a chama de uma devoção fervorosa, é a fidelidade a algumas práticas que a experiência de alguns séculos de tantas almas santas prova serem meios poderosos para se alcançar a proteção do maior dos santos. 

   Em primeiro lugar a IMITAÇÃO : pois a glória dos santos está na imitação de suas virtudes. O santos são heróis para serem imitados e não apenas admirados. É verdade que nossa fraqueza nem sempre permite chegar à quele heroísmo e aos prodígios de virtude, de penitência extraordinárias de alguns deles. São José, porém, é mestre de uma escola de santidade, bem acessível à nossa pobre alma. Ensina-nos que, para agradar e servir a Jesus, não é mister fazer prodígios. Basta ser puro e simples, cumprir fielmente o dever de cada dia, custe o que custar, aceitar pacientemente a vontade de Deus nos sofrimentos, obedecer em tudo a lei divina e ter a mais pura das intenções. São José foi pobre operário, esposo fidelíssimo, pai amoroso de Jesus. Viveu no silêncio e no trabalho. O santo do dever. Quem não o pode imitar? Se não merecemos a glória e os privilégios do grande Patriarca, podemos merecer a graça de imitá-lo. Os Santos Padres Leão XIII e Pio IX apresentam São José à cristandade como modelo a ser imitado. Modelo de pai, consolo para as mães atribuladas na luta pela educação dos filhos. E hodiernamente,talvez mais do que nunca, como fará bem a estas mães, uma grande devoção a São José!. O Santo Patriarca é modelo para a juventude pela pureza mais do que angélica com Deus o adornou. Modelo dos operários pela fidelidade e honestidade do trabalho santificado e nobilitado na oficina de Nazaré. Modelo para os sacerdotes, pois José participou da realeza do sacerdócio. Teve em suas mãos o Verbo Encarnado, como o sacerdote tem no altar o Verbo de Deus feito pão eucarístico. As almas consagradas a Deus no claustro e em todas as variadas atividades da vida religiosa. Que modelo de perfeição evangélica, de pobreza, obediência e castidade dos santos votos!

  Enfim, São José não pode ser melhor honrado, que imitado. 

   AS PRÁTICAS DE "DEVOÇÕES". 


 Pequenas e cotidianas: Uma oração, uma jaculatória a São José pela manhã e à noite, uma Ave Maria em sua honra, trazer consigo uma medalha e beijá-la às vezes, uma visita à imagem de São José, uma flor, um obséquio devoto - quem não pode tomar qualquer destes pequenos atos de devoção e ser fiel a eles?

   Nada ficará sem recompensa, e o mais poderoso dos santos e o mais terno dos pais jamais deixará de socorrer um dos seus devotos, seja o maior e o mais miserável dos pecadores. Vimo-lo em alguns exemplos apresentados durante este mês.

   Celebremos cada ano, com todo fervor, as duas festas litúrgicas do Santo Esposo de Maria: 19 de março e 1º de maio. Uma novena bem fervorosa e pelo menos uma santa comunhão e a assistência à Santa Missa. A Santa Igreja consagrou a São José, além de um mês - Março - consagrou-lhe também um dia na semana - a Quarta-feira -. Portanto, todas as quartas-feiras, se pudermos, recitemos as Sete dores e sete alegrias de São José.  Caríssimos, seja a quarta-feira o nosso dia de São José. Façamos, neste dia, alguma esmola, alguma boa obra em honra do grande santo. Por exemplo: adornemos a sua Imagem e de joelhos rezemos a Oração de São José pela Igreja, ou as suas Ladainhas. Os pais transmitam aos filhos a herança de uma fervorosa devoção a São José. 

   Usemos o Cordão bento de São José.

   Caríssimos, guardemos bem esta norma: Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria por José! Amém!
   Peçamos ao Esposo de Maria, esta transmite o pedido ao seu Filho Jesus e este nunca deixa de atender!!! Se a qualquer pecador Jesus disse: pedi e recebereis, será que Ele não vai atender ao seu Pai Adotivo e a sua amorosíssima Mãe, a Sempre Virgem Maria?! Caríssimos, talvez nos falte uma fé maior e mais viva. Peçamo-la a Jesus, Maria e José! O resto virá sempre por acréscimo! Amém!

   E não poderia terminar estas reflexões no decorrer do mês de março, sem lembrar mais uma vez que o Glorioso São José é o patrono dos agonizantes. Ele nos garante uma santa morte!!!


EXEMPLO

São José e os viajantes

   O piedoso fundador Padre Chevalier invocava a São José em todas as dificuldades e aflições, e nunca foi desiludido em sua grande confiança.

   Celebrava-se a festa do Patrocínio de São José e o santo homem viajava na Espanha, em trabalhos apostólicos. Dirigia-se para Madri atravessando a montanha perigosa de Mala Cabrera. Esta Montanha era famosa pelos enormes crimes de bandoleiros e salteadores que a infestavam. Era toda semeada de cruzes a indicar mortes, tragédias e assassinatos. No mais perigoso trecho - de um lado a montanha íngreme e de outro um abismo-, dois bandidos assaltaram o carro do Padre Chevalier. Um segura as rédeas do animal e o outro, de pé no rochedo, ameaça e exige dinheiro e malas. O bom padre estremece, mas não perde a confiança em São José. Recomenda-se fervorosamente ao Santo Protetor, abre a bolsa, tira duas moedas de prata e entrega-as ao bandido. Este sacode a cabeça, hesita, sorri, ordena ao outro que largue as rédeas dos animais, despedem-se e desaparecem ambos pela montanha. 

   O padre, salvo pela proteção de São José, narrava este prodígio, profundamente grato.

   Outro sacerdote, desde o dia de sua ordenação, consagrava-se a São José ao empreender qualquer viagem. Dizia, após longos anos de vida:

   - Nunca deixei de experimentar a doce proteção deste Santo Patrono, nos maiores perigos e nas situações mais angustiosas. Estive diante da morte iminente por duas vezes. Vi mortes ao meu lado e escapei ileso, graças a São José.

   Marinheiros contam, maravilhados, graças do céu nos perigos de viagens e nas tempestades, graças essas obtidas pela invocação de São José. 

O SEPULCRO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 Para um Deus, o sepulcro é o último grau de humilhação!
  "Aniquilou-Se a si mesmo". Só achamos uma imagem desta humilhação na comunhão. Ali também não é só Deus que desaparece, é o próprio homem, e ainda mais que na sepultura, onde ao menos conservava a forma exterior de um corpo humano. Não se abaixou tanto na Eucaristia, senão para nos inspirar a confiança de que precisávamos, para comer a sua carne e beber o seu sangue. Preparemos-Lhe no nosso coração um sepulcro, em que tenha gosto de estar. José e Nicodemos receberam o divino corpo privado de vida: nós recebemo-Lo vivo e dando a imortalidade!

 Depois da morte,o Corpo de Jesus é descido da Cruz, depositado por alguns instantes nos braços de sua inconsolável Mãe que O cobre de lágrimas, e em seguida prestam-Lhe, como aos outros homens, as honras da sepultura. É hoje que se verifica plenamente a palavra de São Paulo: "Aniquilou-se a si mesmo".


 "Seu sepulcro será glorioso". A terra e os Céus vão regozijar-se deste triunfo; felizes os vossos verdadeiros servos fiéis, porque participarão dele um dia.  É impossível deixar de ver os desígnios da Providência divina, ao permitir que se fechasse a entrada do sepulcro com uma grande pedra, e que fosse mandado selar e guardar. Com efeito, Deus queria que todas estas precauções servissem para comprovar a morte e sepultura do seu Filho; queria com isto refutar de antemão a fábula ridícula do roubo do corpo, e dar à ressurreição uma certeza que vencesse a mais obstinada incredulidade. Só Vós, ó meu Salvador, achais na vossa sepultura o princípio do triunfo que vosso Pai vos confere. Profundamente humilhado no sepulcro, sois glorificado pelo mesmo sepulcro.




Igreja do Santo Sepulcro
Caríssimos, na verdade, o sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma escola de perfeição. Naquelas trevas em que se envolve, também nos diz que amemos a vida solitária, porque é muito favorável à inocência e ao progresso da virtude. É também um belo modelo de obediência: é um corpo morto. Mas admiro ainda mais a obediência que presta a seus ministros sagrados, que dispõem dele como querem, É inacessível a toda a corrupção por causa da divindade a que está unido. Também nós, se permanecermos unidos a Jesus pelo amor, conservar-nos-e-mos incorrutos embora  vivendo no mundo que é um sepulcro de corrupção. No sepulcro Jesus conserva toda a força para sair dele; também nós receberemos da nossa união com Jesus, o poder de vencer as paixões e o inferno, e como o Divino Salvador, alcançaremos também a glória da ressurreição. Amém!