SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cabe só aos sacerdotes dar a comunhão

   Esta tese é provada por Santo Tomás de Aquino (IV Sent. dist. XIII, q. 1 a 3, qa 1, 2; S. T. q. LXXXII, a. III.  Vê-lo-emos no próximo post, se Deus quiser. 

   Agora quero apenas fazer uma como introdução. 

   Já tivemos ensejo de explicar em outros posts que, conquanto a Eucaristia recorde diretamente e em primeiro lugar a Paixão de Jesus, não exclui a lembrança dos mistérios gloriosos. Jesus Cristo está no altar com a Sua vida divina que não cessa jamais, com a sua vida mortal cuja forma histórica cessou sem dúvida, mas cuja substância e merecimentos permanecem com a Sua vida gloriosa que não tem fim. 

   Para o assunto de que vamos tratar aqui, creio serem muito elucidativas duas passagens da vida de Jesus relatadas por São João no seu Evangelho. No capítulo XII, versículos 3 a 8, São João diz que seis dias antes da Páscoa, Maria (Madalena) ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. Jesus não só o permitiu mas ainda elogiou o gesto desta grande convertida. Já no capítulo XX, versículos 1 e 15 a 18, diz que, depois da Ressurreição, Maria Madalena reconhecendo a Jesus, certamente quis repetir o seu gesto costumeiro e característico. Mas Jesus lhe disse: "Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai..." Podemos assim interpretar as palavras de Jesus: Ainda estou aqui mas agora com o corpo glorioso; por isso não me toques.
   Por ordem de Jesus, São Tomé vai tocá-Lo, mas o Apóstolo tinha sido consagrado por Jesus Cristo na  Última Ceia.
   Ora, sob as aparências do pão, temos na Eucaristia o Corpo Glorioso de Jesus. Logo, só aqueles que forem consagrados sacerdotes poderão tocá-lo para o distribuir aos comungantes.

   Consideremos outro fato também descrito por São João Evangelista: a multiplicação dos pães. São João normalmente não repete o que os sinóticos narram. Mas é interessante notarmos como antes de narrar a promessa da Eucaristia no capítulo VI, o Apóstolo que escreveu o 4º Evangelho narra imediatamente antes a multiplicação dos pães, mostrando claramente que esta seria figura da Eucaristia. O que nos interessa, no momento, na descrição da multiplicação dos pães, é o modo como Jesus distribuiu os pães bentos por Ele multiplicados: fá-lo por meio dos seus discípulos. Confiram os três sinóticos: São Mateus XIV, 19, São Marcos VI, 41 e São Lucas IX, 16. Vemos que todos os três evangelistas dizem que Jesus distribuiu os pães aos seus discípulos para que estes os servissem à multidão. São João diz que Jesus tomou os pães e distribuiu-os entre os que estavam recostados, isto é, às turbas (São João VI, 15). Entendemos que Jesus o fez através de seus discípulos como claramente dizem os outros três evangelistas.
   Ora, se na figura (a multiplicação dos pães) Jesus quis que, apesar de ser uma multidão de 5 mil pessoas, os pães só fossem distribuídos pelos discípulos, como não iria querer que a realidade (o Pão Eucarístico) fosse distribuído  somente pelos seus discípulos consagrados, que são os sacerdotes? Logo, os leigos só poderão ser ministros da Eucaristia em circunstâncias extraordinárias, como, por exemplo, foi o caso de São Tarcísio e outros semelhantes.

   Depois, a experiência tem provado, infelizmente à saciedade, que a existência de ministros leigos da Eucaristia tem propiciado inúmeras profanações e sacrilégios. Vou fazer uma hipótese. Suponhamos que um ministro e pior ainda, uma ministra da Eucaristia leve por algum tempo a comunhão aos doentes. Pois bem, se algum doente, neste ínterim, tiver cometido um pecado grave, ou descobriu que precisa fazer uma confissão geral para reparar confissões sacrílegas, terá, digo, coragem de se denunciar junto ao leigo ou leiga, ou fará comunhões sacrílegas até que um padre se digne ir visitá-lo?

   Antes de terminar quero responder a uma objeção: Se o comungante é digno de tocar Jesus com a língua, por que não poderá tocá-Lo para distribuir a Eucaristia?
   Resposta: Primeiro devemos dizer que comungamos não porque somos dignos, mas unicamente pela bondade infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois, uma coisa é tocar em Jesus para comungar, outra é tocar em Jesus para administrar o Sacramento da Eucaristia. Jesus exige para se poder comungar que a pessoa esteja em estado de graça e tenha reta intenção. Para distribuir a comunhão exige também que esteja em estado de graça, que tenha reta intenção e também que seja consagrado para tanto. Como veremos no próximo post, Santo Tomás diz que a reverência devida a este sacramento requer que não seja tocado senão pelo que é consagrado, como são as mãos do sacerdote.
   Na hipótese desta objeção ser verdadeira, se poderia concluir que qualquer pessoa estando em estado de graça poderia apanhar a hóstia consagrada e comungar-se e também distribuir a comunhão. Aliás, estes abusos estão se tornando frequentes. Vi ontem no "Fratres in Unum" a foto da "beata" Marilena Chaui apanhando a hóstia na âmbula e comungando, enquanto o sacerdote quase em "êxtase" a contempla.

  No próximo post transcreverei os argumentos que dá Santo Tomás para provar a tese enunciada no título desta postagem. Aí toda língua se cale, tanto mais que o próprio Jesus, através do crucifixo da Capela de São Nicolau em Nápoles falara a Santo Tomás referindo-se às questões sobre a Eucaristia que ele escrevera para a Suma Teológica: "Bem escreveste de mim, Tomás, que recompensa queres?"
   

   

domingo, 22 de novembro de 2015

HOMILIA DOMINICAL - 24 domingo depois de Pentecostes

  

  Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses, 1, 9-14.

                 Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 24, 15-35:


     Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, quem ler, entenda. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; e o que se achar no terraço, não desça para ir buscar coisa alguma de sua casa; e o que estiver no campo, não volte para tomar a sua túnica. Ai, porém, das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Rogai, pois, que a vossa fuga não seja nem no inverno, nem em dia de sábado. Porque haverá grande aflição, qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. E se estes dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas, por causa dos Eleitos, serão abreviados esses dias. Então, se alguém vos disser: Aqui está Cristo, ou Ele está ali, não lhes deis crédito. Porque, se levantarão falsos Cristos e profetas, e farão tão grandes prodígios e milagres, que (se fosse possível) até os Eleitos seriam enganados. Vede que já vo-lo predisse. Se, pois, vos disserem: Ei-lo, está no deserto, não saiais. Ei-lo, aqui, no interior da casa, não lhes deis crédito. Porque, como o raio parte do Oriente e é visível até o Ocidente, assim, será a vinda do Filho do homem. Onde quer que esteja o corpo, aí se ajuntarão as águias. Logo após a tribulação daqueles dias, o sol se escurecerá, a lua não dará mais a sua luz, as estrelas cairão do céu, e as forças do céu serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória. E enviará seus Anjos com forte clamor de trombetas e reunirão os eleitos, dos quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Da figueira aprendei, pois, uma comparação. Quando seus ramos já estão tenros e as folhas brotam, sabeis que já está próximo o verão; assim, também, quando virdes todas estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas se cumpram. Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Estamos no último Domingo do Ano Litúrgico. É a profecia de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a ruína de Jerusalém e sobre o fim do mundo.  Para boa compreensão deste Evangelho não se deve perder de vista que Nosso Senhor fala, ao mesmo tempo, da ruína de Jerusalém e do fim do mundo. Os desastres espantosos e extraordinários que assinalaram o fim do povo judeu, são apenas uma imagem da confusão e desordem que há de preceder o fim do mundo. Jesus parece ter diante de si, um só espetáculo, onde estão confundidos estes dois acontecimentos, e os pormenores que Ele profetisa, são aplicáveis, ora à tomada de Jerusalém, ora ao fim do mundo, ora aos dois fatos indistintamente.
  Em resumo Jesus Cristo ensina: que o Templo e a cidade de Jerusalém serão destruídos; que no fim do mundo (que só Deus sabe quando é) Ele voltará  em sua glória para julgar todos os homens. O Divino Mestre alerta os seus discípulos que não devem dar crédito aos falsos cristos que aparecerão e nem temer as perseguições, mas perseverar até o fim. Devem estar sempre preparados, porque o dia do juízo virá como um ladrão, quando menos se esperar. Alguns sinais, no entanto, podem indicar sua proximidade.
  Pouco depois da morte de Nosso Senhor, surgiram muitos falsos profetas que inculcavam como o Messias. Tinham por objetivo principal sublevar o povo contra a odiosa dominação dos romanos, e, entre muitos distinguiram-se Teudas que arrasta as multidões a caminho de Jerusalém, levando-as a acreditar que o Jordão se abriria à sua passagem; Barchochebas e Simão, o Mago, que multiplica simulacros de prodígios e esparge redes de enganos.
Tijolos com o nome da "X Legio" romana e com o símbolo
do javali, encontrados em Jerusalém. A X  Legio era uma das
Legiões que estavam sob o comando de Tito e que, no ano
70 d.C., destruiu Jerusalém. 
  Os Anais do historiador pagão Tácito, e as Antiguidades, de Josefo, são como que um comentário das palavras evangélicas. Aos ruídos de guerra sucede a própria guerra, guerra de morte na Palestina, em todas as regiões do Império. A esterilidade é contínua - dizia o historiador Suetônio. Perto de Nápoles. o solo tremia já com rugidos sinistros. Jerusalém e Roma estremeciam com um terremoto, e se sentia já o começo das dores, quer dizer, a perseguição, as cruzes, as bestas, as luminárias, erguidas, soltas, acesas pelo verdugos de Nero. E chega a abominação da desolação; o Templo convertido em cidadela das tropas do governador da Síria, a cidade entregue à tirania, o efod pontifical adornando o peito de um labrego, as hordas de João de Giscala fechando as portas da cidade, e Tito caminhando a marchas forçadas, para erguer à sua volta fossos, torres e muros e fazer dela o sepulcro do povo de Israel. "Jamais povo algum, - dizia Josefo - terá sofrido tantas calamidades, misturadas com tantos crimes". O próprio Tito, imperador Romano, confessava que Deus tinha combatido pelos sitiantes, cegando os judeus e arrancando-lhes os seus baluartes inexpugnáveis. Em sete meses de assédio, morreu mais de um milhão de homens, e os que ficaram foram distribuídos por todas as províncias do Império com a marca de escravos na fronte. Josefo diz que tal foi a fome, que as mães chegaram a devorar os próprios filhos. Se as desgraças do mundo inteiro desde a criação, fossem comparadas às que os judeus sofreram então, achar-se-iam inferiores a elas".
Pináculo do Templo de Jerusalém
  Segundo São Jerônimo, é preciso ter estado na Palestina para julgar da situação das suas cidades e praças, após o seu tremendo castigo. "Apenas se descobrem, diz ele, alguns vestígios de ruínas onde outrora se levantaram grandes cidades. Os pérfidos vinhateiros, depois de ter assassinado os servos, e, finalmente, o Filho de Deus, não têm mais agora o direito de entrar na cidade de Jerusalém senão para chorar, e ainda para que lhes seja permitido chorar sobre as ruínas da cidade santa, são obrigados a pagar um certa soma de dinheiro. Os que outrora tinham comprado o sangue de Jesus Cristo, compram agora as suas próprias lágrimas. Vede este povo lúgubre que chega no aniversário da tomada de Jerusalém e da sua destruição pelos romanos. Essas velhas decrépitas, estes velhos carregados de anos e andrajos, são outras tantas testemunhas da cólera de Deus. O bando miserável se reúne, e enquanto brilha o instrumento do suplício do Salvador na Igreja da Ressurreição, enquanto o estandarte da Cruz está deslumbrantemente desdobrado por sobre o monte das Oliveiras, este povo desgraçado chora sobre as ruínas do seu Templo".
  Sobre o Templo de Jerusalém Jesus dissera que não ficaria pedra sobre pedra. Esta profecia se cumpriu no ano 70, quando depois de tomarem Jerusalém, os soldados chefiados por Tito atearam fogo ao Templo. Mais tarde Juliano Apóstata, com a intenção de reedificá-lo, destruiu completamente a parte que ficara.
  Caríssimos, no próximo domingo, se Deus quiser, meditaremos mais especialmente sobre o fim do mundo e o juízo universal.


    

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

"DE SUO BONUS, DE MEO JUSTUS"

   "DEUS TIRA SUA BONDADE DE SI PRÓPRIO, E A SUA JUSTIÇA DE MIM".

   Eis o que me consola, e merece toda a minha atenção. Se eu sei usar da minha fé e aplicar bem os seus princípios, é a mesma justiça de Deus que me protege contra os temores que ela me causa. Na verdade, se eu quiser, a justiça do meu Pai que está no Céu, só será para comigo bondade, amor liberalidade. Porque enfim, não terá essa justiça, que me enche de temor, nenhum outro emprego senão o de me castigar? Não distribui também ela cem vezes com mais vontade, magníficas recompensas?

   Viva eu, ó meu Deus, submisso à vossa lei; dedique-me aos interesses da vossa glória, procure com amor cumprir fielmente os mandamentos e os deveres de meu estado! Então, poderei dizer com São Paulo, ao menos com relação ao tempo que ainda viver: "Combati o bom combate... guardei a fé; por isso tenho certeza que me está reservada a coroa da justiça, que me dará o justo Juiz (Confira II Tim. IV, 7 e 8). 

   Sim, decerto, Deus é justo; e é a sua mesma justiça que, para ter uma satisfação digna d'Ele, levou o seu amor a dar-me na pessoa de Jesus Cristo um medianeiro, que suplica e é sempre atendido; um advogado, que pede para mim perdão com autoridade e com a certeza de o obter; um Salvador, finalmente, que dá SUPERABUNDANTEMENTE, o preço do meu resgate. 

   Poço assim orar ao meu Pai do Céu: "Ouso apelar para a vossa mesma justiça. ó meu Deus, apresentando-Lhe o vosso Filho, que está em mim, pois mo destes e se entregou a si mesmo ; e por Ele e com Ele, oferecendo-Vos o meu coração culpado, mas arrependido, estou seguro da vossa misericórdia. Ouso ainda dizer-Vos: Feri-me, Senhor, se a bondade de Jesus não é infinitamente maior que a minha maldade, se o gozo que Vos dá a Sua santidade não é infinitamente maior que o horror que Vos causam os meus pecados. É portanto a vossa mesma justiça que me consola; é nela que se funda a minha esperança. Não, meu Deus, não serei confundido. É o que Vós mesmo me garantis no Salmo XXX, 2: "Em Ti, Senhor, esperei. Não permitas que eu seja jamais confundido. Livra-me segundo a tua justiça". 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

SÃO FRANCISCO DE ASSIS E A CARIDADE

   A alegria de São Francisco de Assis, que era, no fundo, o fruto e a consequência do seu extraordinário amor a Deus, recaiu sobre os homens sob a forma de uma incomparável caridade.
   Afirma Tomás de Celano: "Quero, dizia ele (Frei Francisco) - que os meus Irmãos mostrem ser filhos da mesma mãe, e que, se um deles pedir uma túnica, uma corda ou outro qualquer objeto, outro lho dê logo generosamente; que emprestem livros uns aos outros e tudo o que possa ser agradável, obrigando-os mesmo a aceitá-los..." . "Que os Irmãos, por caridade espiritual, se sirvam voluntariamente uns aos outros e uns aos outros se obedeçam mutuamente... Que se amem uns aos outros , como diz o Senhor: "O meu mandamento é que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei"... "Que nenhum Irmão diga ou faça mal a um outro... E que todos os Irmãos evitem caluniar quem quer que seja e andar em rixas e disputas, mas que antes cuidem de guardar silêncio, tanto quanto lho conceder a graça de Deus. Que não discutam com os outros, mas se esforcem em responder humildemente, dizendo:'Somos servos inúteis'.
   Diz Tomás Celano, I, n. 17: "Como ele (Frei Francisco) era belo, esplêndido, glorioso, na simplicidade das suas palavras, na sua caridade fraternal, no seu comércio agradável [in concordio obsequio], no seu aspecto angélico! De costumes suaves e natureza pacífica, mostrava-se doce nas suas palavras, benevolente nas exortações, sabia guardar fielmente um segredo, era previdente no conselho, gracioso em todas as coisas. Tinha o espirito sereno, a alma doce... era severo para consigo mesmo, indulgente para com os outros, sempre cheio de discernimento". É bom sabermos que Tomás Celano conviveu com São Francisco. 

   Logo antes da redação da Regra definitiva, escreveu Frei Francisco a um Ministro: "Eis o sinal que me fará conhecer se amas o Senhor e a mim, seu servo e teu: é que nenhum Irmão do mundo, que houver pecado, por culpado que seja, saia da tua presença sem haver obtido misericórdia, se tal implorar. E, se ele não implorar misericórdia, vai tu perguntar-lhe se não a quer aceitar. E se, depois, ele se apresentar mil outras vezes diante de ti (para o mesmo fim), ama-o mais que a mim, a fim de o conquistares para o Senhor. E  de tais tem sempre piedade". 

   São Francisco, no entanto, exigia ainda mais do que isto. "A caridade franciscana, como um sol benfazejo, espalhou seus raios pelo mundo inteiro. Francisco considerava todos os homens seus irmãos e suas irmãs. Inclinava-se humildemente para todos, tratava-os como amigos íntimos, e era solícito para cada um deles ".(Bernardo de Bessa: Liber de laudibus, c. 3). Quase sempre, quando recomenda a seus discípulos que pratiquem a caridade uns para com os outros, também os exorta a amarem os homens como a irmãos, sem examinar se estes últimos se mostram favoráveis às ideias franciscanas, ou se se conservam filhos do século, no sentido absoluto da palavra. O seráfico Pai proibia-os severamente de julgarem ou desprezarem os que vivem nos prazeres e envergam suntuosas vestes. "Deus - dizia ele - é seu Senhor, como o é também dos pobres, e pode chamá-los e santificá-los". Ordenava-lhes mesmo que respeitassem os ricos como irmãos e senhores: irmãos diante do Criador; senhores porque provêm às necessidades dos filhos de Deus e ajudam-nos assim a levar a sua vida penitente" (Cf. Tres Socii, n. 58).  (Destaques meus, endereçados aos que pregam luta de classes).

   Quando manda os seus primeiros discípulos pelo mundo afora, o santo Fundador fala-lhes deste modo: "Ide, meus bem-amados; parti dois a dois, para as diferentes regiões do universo, e pregai aos homens a paz e a penitência para remissão dos pecados. Sede pacientes na tribulação e ficai certos de que Deus realizará os seus desígnios e cumprirá a sua promessa. Se vos interrogarem, respondei humildemente; abençoai os que vos perseguirem; dai graças aos que vos cobrirem de injúrias e vos caluniarem, pois, em troca dessas tribulações, o reino eterno vos aguarda". (Tomás Celano, I, n. 29). "Atentemos todos, meus Irmãos, nestas palavras do Senhor: "Amai os vossos inimigos e fazei o bem àqueles que vos odeiam", pois Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem devemos seguir o exemplo, deu a um traidor o título de amigo e entregou-se espontaneamente aos seus algozes. Nossos amigos são, pois, todos aqueles que injustamente nos causam pesares e aflições, humilhações, injúrias, dores, tormentos, o martírio e a morte. Cordialmente os devemos amar, pois o que eles nos fazem alcança-nos a vida eterna" (Regula I.c. 14, 16 22; cf. Tres Socii n. 38 e 41). 

   Caríssimos e amados leitores, poderíamos escrever ainda muito mais sobre a caridade de São Francisco de Assis, mas para quem tem boa vontade não será difícil ver em que consiste a verdadeira caridade franciscana, que é afinal a caridade praticada e ensinada pelo Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Na Eucaristia temos a virtude dos mistérios de Jesus ( I )

  Aqui não consideramos a Eucaristia como memorial, mas como fonte de graça. Meditemos profundamente este aspecto da Eucaristia.
  Nosso Senhor dá-se em alimento para conservar em nós a vida da graça. Pela união que este Sacramento estabelece entre as nossas  almas e a Pessoa de Jesus, e também pela caridade que esta união alimenta, Jesus Cristo opera em nós aquela transformação que levava São Paulo a dizer: "Vivo; mas não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim" (Gal. II, 20). Esta é a virtude própria da Eucaristia. 

  Estando em graça, pela contemplação cheia de fé dos mistérios de Cristo já temos uma união com Ele. Mas, aqui na Eucaristia não pode haver união maior. Cristo dá-se para ser nosso alimento; mas ao contrário do que sucede com o alimento corporal, nós é que somos assimilados por Ele; Jesus Cristo torna-se nossa vida. 

   O primeiro fruto do maná era sustentar; a graça própria da Eucaristia é igualmente manter a vida divina da alma, fazendo-nos participar da vida de Cristo. Assim como o maná se adaptava aos desejos daqueles que o tomavam, assim também a vida que Jesus Cristo nos dá pela Comunhão é TODA A SUA VIDA,  que passa às nossas almas para ser o exemplar e a forma da nossa, para produzir em nós os diversos sentimentos do Coração de Jesus, para nos fazer imitar todas as virtudes que Ele praticou em Seus estados e derramar em nós as graças especiais que nos mereceu quando por nós viveu os Seus mistérios.      

Na Eucaristia temos a virtude dos mistérios de Jesus ( II )

   Como, já em posts anteriores sobre a Eucaristia, tivemos ocasião de demonstrar, sob as espécies eucarísticas está tão somente a SUBSTÂNCIA do corpo GLORIOSO de Jesus, tal qual está agora no Céu, e não como estava, por exemplo, no presépio de Belém. "Mas", - como disse o Beato D. Columba Marmion, - "quando o Pai contempla o Filho nos esplendores celestes, que vê n'Ele? Vê Aquele que por amor de nós viveu sobre a terra trinta e três anos; vê tudo quanto aquela vida mortal conteve de mistérios, e as satisfações e merecimentos de que estes mistérios foram origem; vê a glória que este Filho Lhe deu, vivendo cada um deles. Em cada um destes mistérios vê ainda e sempre o mesmo Filho das Suas complacências, conquanto Jesus Cristo esteja agora sentado à Sua direita no estado glorioso. Do mesmo modo, Aquele que recebemos é Jesus que nasceu de Maria Santíssima, viveu em Nazaré, pregou aos judeus da Palestina; é o bom Samaritano; é Aquele que curou os doentes, livrou Madalena do demônio e ressuscitou Lázaro; é Aquele que, cansado, dormia no barco; é Aquele que agonizava, esmagado pela angústia; é Aquele que foi crucificado no Calvário, é o glorioso ressuscitado do túmulo, o misterioso peregrino de Emaús que se dá a conhecer na fração do pão; é Aquele que subiu aos céus, à direita do Pai; é o Pontífice eterno, sempre vivo, que sem cessar intercede por nós".
   "Todos estes estados da vida de Jesus, com as suas propriedades, com o seu espírito, com os seus méritos e virtude no-los dá a Comunhão; sob a diversidade dos estados e variedades dos mistérios, perpetua-se a identidade da pessoa que os viveu e agora vive eternamente no Céu". 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A COMUNHÃO: Grande Meio de Santificação

   Quando comungo recebo o sacramento mais santo e o mais santificante, o que contém real e substancialmente o Autor de toda a santidade. Uma comunhão é Jesus Cristo todo, enriquecendo-me consigo mesmo. As Suas perfeições infinitas, as Suas graças, os Seus merecimentos, as Suas virtudes, tudo o que é e tudo o que tem. Quando recebo o Pão vivo descido do Céu, Jesus Cristo está todo em mim: a Sua divindade e a Sua humanidade. 

    Pertencem-me todas as Suas PERFEIÇÕES: sabedoria, poder, misericórdia, etc., e Ele mesmo vem oferecer-mas e empregá-las na minha felicidade. Caríssimos, é possível que fiquemos enfermos, quando um Deus nos oferece a cura de todos os nossos males; e indigentes, quando põe nas nossas mãos os tesouros da Sua inefável caridade?

    Pertencem-me todas as Suas GRAÇAS: Nos outros sacramentos, e pelos outros dons que me faz, eu recebo dos regatos; aqui possuo a fonte e o manancial, porque possuo o Sagrado Coração de Jesus Cristo: Não é Ele que fornece à Igreja inteira, para todos os tempos, a água que jorra para a vida eterna? Não é desta fonte inexaurível, que têm saído e sairão sempre todas as graças escolhidas?

    Pertencem-me todos os Seus MERECIMENTOS: porque é principalmente neste mistério que se firma, entre Jesus e a alma que O recebe, aquela comunicação de bens e de vida, que o mesmo Salvador compara àquela que faz que Ele e Seu Eterno Pai sejam uma e mesma coisa. Em uma palavra, pela comunhão, faço meus, todos os merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. 


   Pertencem-me todas as Suas VIRTUDES: Naquele ditoso momento em que Jesus está no comungante como Seu Pai está n'Ele; e em que lhe comunica as divinas ilustrações que Seu Eterno Pai Lhe deu, não devo já temer de aparecer na presença do Deus três vezes santo, porque Ele me verá, por assim dizer, cheio das virtudes de Seu Divino Filho. Depois de eu comungar, posso com confiança inefável dizer ao meu Pai que está no Céu: Ó meu Deus, vede a face do Vosso Jesus. Oh! quantos meios de me santificar há nas comunhões quotidianas ou ao menos frequentes que faço bem feitas, com muita fé, reverência, respeito e devoção!