SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 27 de dezembro de 2015

DOMINGO DENTRO DA OITAVA DO NATAL

HOMILIA DOMINICAL COM EXPLICAÇÃO DO SANTO EVANGELHO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gal. 4, 1-7.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 2, 33-40:

   "Naquele tempo, José e Maria, Mãe de Jesus, maravilhavam-se das coisas que se diziam d'Ele. E Simeão abençoou-os, e disse a Maria, Sua Mãe: Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição. E uma espada transpassará a tua alma, para que se manifestem os pensamentos dos corações de muitos. E estava também ali Ana, profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser, a qual já era de idade avançada; e depois de sua virgindade tinha vivido sete anos com seu marido. E agora, sendo viúva de quase oitenta e quatro anos, não se afastava do templo, servindo a Deus com jejuns e orações, de dia e de noite. Tendo ela chegado àquela mesma hora, louvava ao Senhor e falava do Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel. E quando cumpriram todas as coisas segundo a lei do Senhor, voltaram [José e Maria] para Galileia, para a cidade de Nazaré. E o menino crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com Ele."

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Depois que o santo velho Simeão satisfez a sua devoção, publicando o glorioso destino do Menino que tinha nos braços, entregou-O à sua Mãe Santíssima, e fez uma profecia sobre Jesus que seria já a ponta daquela espada de dor que transpassaria inteiramente o coração de Nossa Senhora lá no alto do Calvário: "Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e em sinal de contradição."  Que aflição lhe causariam estas palavras do profeta! É a Maria diretamente, é ao seu coração de mãe que Simeão as dirige: "Disse a Maria, Sua Mãe". É como se dissesse: "Este Filho que vos é tão caro; este Deus, feito homem para salvar a todos os homens: ai! não os salvará a todos; será para muitos objeto de escândalo; oh! para quantos será ocasião de ruínas! O Salvador das almas será ocasião de perdição de almas, não de algumas somente, mas de um grande número, multorum (de muitos)! Triste mistério da perversidade humana! E isto já fora profetizado: "... E será para vós um motivo de santificação, ao passo que servirá de pedra de tropeço, e de pedra de escândalo às duas casas de Israel; de laço e de ruína aos habitantes de Jerusalém. Tropeçarão muitos de entre eles, cairão, serão feitos em pedaços" (Isaías, VIII, 14 e 15).
   São Paulo mostrava este oráculo já cumprido no seu tempo; e nos nossos dias não o está menos: "Mas Israel, que seguia a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por que causa? Porque procurou atingi-la não pela fé, mas pelas obras; tropeçaram na pedra de tropeço, conforme está escrito: eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma pedra de escândalo; e todo aquele que crê nela, não será confundido". São Paulo aqui quer dizer o seguinte: Israel não chegou a praticar a Lei, porque não compreendeu o seu espírito, mas somente a letra; nem chegou à justiça à qual a Lei tendia, porque não praticou a Lei pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo que haveria de vir, mas, acreditando que alcançaria a salvação graças ao esforço pessoal em praticar a Lei.
   Os judeus não quiseram receber o Messias: "E os seus não o receberam' (S. Jo. I, 11).  Recusando a luz e rejeitando a salvação, tornaram-se mais culpados e desgraçados pelo abuso que fizeram dos meios de salvação que lhes eram oferecidos. É portanto verdade que Jesus Cristo tem sido ocasião de ruína: mas para quem? Para cegos voluntários, para homens ingratos e invejosos, para escribas e fariseus, que se obstinavam em ser maus, porque Ele era bom, e não podiam perdoar-Lhe os seus milagres, os seus benefícios, a sua virtude, e a afeição do povo que essa virtude Lhe granjeava. Aqueles a quem a infinita misericórdia não justifica, a esses condena-os.

   "Será alvo de contradição!" Estas palavras são a explicação das precedentes. Por que não salva o Redentor dos homens a todos aqueles a quem oferece a salvação? Por que não eleva todas as almas justas ao grau de santidade e glória que lhes destinava? PORQUE É OBJETO DE CONTRADIÇÃO. Foi-o durante a sua vida, de todas as maneiras e da parte de todos; é-o ainda hoje. Os seus milagres, a sua doutrina, a sua condescendência e afabilidade: tudo n'Ele foi e é atacado e combatido. Que horrível contradição não sofreu no Calvário da parte dos pecadores! "Considerai, pois, Aquele que sofreu tal contradição dos pecadores contra si, e não vos deixeis cair no desânimo" (Hebr. XII, 3). Mas esses não O conheciam: "Se a (Sabedoria de Deus) tivessem conhecido, nunca teriam crucificado o Senhor da Glória" (1 Cor. II, 8). Jesus pôde dizer a seu Pai: "Perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". Mas, que doloroso é para o seu coração, ver-se contradito por aqueles que Ele tinha instruído com tanto cuidado, e a quem tinha confiado a instrução de seus irmãos! Amar os elogios, rejeitar as humilhações, buscar as comodidades, não querer negar-se a si mesmo, nem tomar a sua cruz, é contradizer a Jesus Cristo, é combatê-Lo. E não é isto Senhor, o que eu faço muitas vezes? Minhas palavras são por Vós; mas a minha vida é contra Vós; o meu modo de proceder está em contradição com as vossas máximas e exemplos. Se, portanto, não me ponho de acordo convosco, enquanto estou no caminho desta vida, que acharei no termo da viagem, senão uma terrível sentença, uma rigorosa condenação? Meu Deus, suplico-Vos que extirpeis do meu coração tudo, absolutamente tudo quanto se opõe à Vossa santíssima vontade.
   Ó Maria Santíssima, que lágrimas derramastes, que angústias sofrestes por nossa causa! Apesar de nossos crimes, amais-nos sempre. Sede junto do Vosso Filho, a nossa poderosa advogada e Mãe. Alcançai-nos que não aflijamos mais o Seu divino Coração, mas sim, como vós, o sigamos com fidelidade até aos pés dessa Cruz que hoje se vos apresenta. Amém!


domingo, 20 de dezembro de 2015

HOMILIA DOMINICAL - 4º Domingo do Avento com explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 4, 1-5.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 3, 1-6.

1ª  EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS LIDA NESTA SANTA MISSA DO 4º DOMINGO DO ADVENTO:

   Irmãos: Assim nos julguem os homens, como a ministros de Cristo e dispensadores dos Mistérios de Deus. Ora, exige-se dos administradores que sejam encontrados fiéis. A mim, no entanto, pouco se me dá de ser julgado por vós ou por qualquer outro tribunal humano; nem, tão pouco, a mim mesmo me julgo. Embora em nada me sinta culpado, nem por isso me tenho por justificado: quem me julga é o Senhor. Portanto, não julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor: que iluminará as coisas escondidas nas trevas, manifestara os segredos dos corações; e, então, cada um terá de Deus o seu louvor.

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Vamos, com a graça de Deus, meditar nas primeiras palavras da Epístola que foi lida nesta Santa Missa. O sentido é o seguinte: Meus irmãos, assim nos considerem os homens a nós, Apóstolos, como ministros de Cristo e encarregados da administração dos Sacramentos e da pregação evangélica. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis ao seu ministério. 

   Caríssimos, para melhor entendermos estas palavras de São Paulo será útil a voltar-se um pouco atrás no capítulo anterior para vermos todo o contexto. Na verdade, o Apóstolo das gentes está condenando e procurando desfazer as divisões e partidos criados por alguns habitantes de Corinto. Diz São Paulo no capítulo III, 3-9 e de 20 a 23: "Porquanto, havendo entre vós rivalidades  e contendas, não é por que sois carnais e andais segundo o homem? Porque, quando um diz: Eu sou de Paulo; e outro: Eu sou de Apolo, não procedeis como homens carnais? Quem é, pois, Apolo? e que é Paulo? Ministros d'Aquele, em quem vós crestes e segundo o que o Senhor deu a cada um. Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento. De modo que não é nada nem o que planta, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. E uma mesma coisa é o que planta e o que rega. E cada um receberá a sua recompensa segundo o seu trabalho. (...) E outra vez: "O Senhor conhece como são vãos os pensamentos dos sábios". Portanto ninguém se glorie entre os homens. Porque todas as coisas são vossas: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes, as futuras; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo de Deus. E sem seguida, já no capítulo IV, São Paulo continua: "Assim todos nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Ora o que se requer dos despenseiros é que eles se encontrem fiéis". 

   Os Coríntios na estima pelos apóstolos e pregadores se deixaram levar por motivos humanos: certamente os que diziam ser de Pedro, admiravam seu poder inigualável. Outros pendiam para Apolo, exaltando-lhe a arte oratória; outros, enfim, diziam ser de Paulo, celebrando-lhe sua incansável atividade. Sem desprezar, é claro, os belos dotes de Deus, considerar o sacerdote apenas sob este aspecto humano, na verdade, é rebaixá-lo. As razões da glória do sacerdote estão nos céus: são cooperadores e ministros de Deus, são "Alter Christus". Participam da vida e do poder de Jesus Cristo. Meditemos estas belas palavras de Perinelle: "Penetra, meu irmão, no sentido dessas palavras, refletindo sobre as grandes ações sacramentais que dos sacerdotes recebem a sua validade: a consagração e a absolvição. Na hora de realizá-las, o sacerdote pronuncia umas palavras, que acompanha de gestos litúrgicos... Entretanto, não são nem sua inteligência nem mesmo suas virtudes que dão a essas palavras e a esses gestos o poder de transformar o pão no Corpo de Jesus Cristo e de perdoar os pecados. Um leigo mais inteligente e mais virtuoso, pronuncie, embora, as mesmas palavras, o pão permanecerá pão e os pecadores não serão absolvidos. Posto que se esforce por observar à risca todas as rubricas; creia, embora, com todas as veras da alma no mistério do Altar e no poder da Penitência; queira ele honrar a Deus e purificar seus irmãos..., ainda assim a sua consagração é nula e a sua absolvição ineficaz. Que lhe falta, então, para a validade? Falta-lhe que suas ações sejam as mesmas ações de Jesus Cristo. E de onde vem que as mesmas palavras pronunciadas por um sacerdote sejam tão eficazes? É que elas são ações de Jesus Cristo. Materialmente continuam a emanar de sua inteligência humana, mas Cristo apropria-se delas e lhes confere poderes divinos". Dizia o Beato Olier: "Tão somente Jesus Cristo pode fazer no Sacerdote o que o Sacerdote faz todos os dias na Igreja".  Verdadeiro representante de Jesus Cristo a renovar no Altar a Paixão e Morte do Senhor e no Sacramento da Penitência a dispensar o perdão de Deus, neste divino mister e em nenhuma outra capacidade humana está toda a glória que eleva o Sacerdote acima de todos os simples cristãos e, até mesmo, ousaria dizer, dos próprios anjos. "Quando encontrasse um padre e um anjo, dizia o Santo Cura d'Ars, antes cumprimentaria o padre e depois o anjo. Este é apenas um servo de Deus, aquele um ministro". 

   Meus irmãos caríssimos, prestes a comemorar a vinda de Jesus, Sumo Sacerdote, único Mediador entre o céu e a terra, vamos agradecer a Ele este dom do sacerdócio concedido à Humanidade, perpetuando através dos séculos a Sua missão. Tenhamos uma estima toda sobrenatural aos sacerdotes. Vejamos no sacerdote o próprio Jesus que nele se exalta para glória de seu Pai celestial e que nele se imola pela salvação do seu povo. Mas nós sacerdotes, por nossa vez, nunca esqueçamos o que São Paulo acrescenta: "Mas é preciso que os despenseiros se mostrem fiéis": ou seja, que celebrem e administrem os Sacramentos devidamente, que preguem fielmente a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque se o sal perder a sua força, como disse o Divino Mestre, não presta para mais nada senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. 

   Caríssimos colegas no sacerdócio, procuremos com a graça de Deus, ser sempre fiéis ministros do Senhor. Amém!
   

domingo, 13 de dezembro de 2015

HOMILIA DOMINICAL - 3º DOMINGO DO ADVENTO

Fora postado em 2011

   Leituras: Epístola de São Paulo aos Filipenses, IV, 4-7; Evangelho segundo São João, I, 19-28.

    Caríssimos e amados fiéis, em Nosso Senhor Jesus Cristo!
  
   "Alegrai-vos: o Senhor está perto!"

Jesus e São João Batista (Murillo)
   Toda a liturgia deste domingo nos convida a gozar a proximidade do Redentor: A Santa Missa de hoje inicia-se com estas palavras: "Alegrai-vos incessantemente no Senhor, outra vez vos digo, alegrai-vos... o Senhor está perto!" O mesmo repete a Epístola. O motivo da alegria é só este: "O Senhor está perto!" E São Paulo nos exorta a não termos outros desejos: "o Senhor está perto, não vos inquieteis com nada... A paz de Deus, que está acima de todo entendimento, guarde os vossos corações". Uma só coisa é necessária: buscar a Deus e em Deus acharemos tudo o que é preciso. Por isso, a proximidade de Nosso Senhor é para nós fonte, não só de viva alegria, mas também de paz. Pois n'Ele temos tudo. Deus nos basta. E São João Batista diz no Evangelho: "O Senhor está no meio de vós e vós não o conheceis". O Batista dirigia estas palavras aos judeus. Mas nós temos também Jesus no meio de nós, nos Tabernáculos pela Eucaristia, temo-Lo dentro de nós pela graça. Mas quem O conhece? Somente aquele que tem fé. Reaviva, pois, a tua fé, porque na medida em que acreditares, acharás e conhecerás a Jesus. 
   Caríssimos e amados fiéis, eis que nos encontramos de novo com aquele filho de Zacarias, cujo nascimento fizera estremecer de gozo as montanhas da Judéia. Uma vida de silêncio, na solidão, naquela solidão de rochas nuas e abruptos barrancos, que se estende por entre os montes do Hebron e a margem ocidental do Mar Morto. Errante à maneira dos antigos profetas, hoje numa gruta, amanhã numa choça, naquele deserto onde apenas alguns arbustos espinhosos podiam resistir aos ardores de uma terra situada a trezentos metros abaixo do nível do mar. João entregava-se às mais duras penitências. Consagrado a Jehová desde o nascimento, era um nazareu. Nunca cortara o cabelo, nunca provara vinho, nem tocara mulher, nem conhecera outro amor além do amor de Deus. Vestia uma pele de camelo, trazia um cinto de couro, bebia água das torrentes e comia mel silvestre e gafanhotos. Não podia esquecer as palavras que o anjo dissera a seu pai diante do véu sagrado: "Caminhará na presença de Deus, com o espírito e a virtude de Elias, para pôr os corações dos pais nos filhos, para infundir nos incrédulos a prudência dos justos, para preparar para o Senhor um povo perfeito".
   O profeta Malaquias fala-lhe do conselheiro que o Senhor enviará para abrir os caminhos do Messias. O profeta Isaías leva até os seus ouvidos os ecos da voz que clama no deserto: "Preparai os caminhos do Senhor; endireitai as suas veredas; todo o vale será levantado e todo o monte aplainado e toda a carne verá a salvação de Deus". Esta voz é a tua, diz o Espírito Santo do fundo do ser; tu és o mensageiro; o reino de Deus aproxima-se, é preciso domar o orgulho dos soberbos; é necessário pregar a penitência, a purificação, o cumprimento da Lei. E, com uma certeza divina, João compreende que é ele o precursor da grande obra preparada durante vários séculos e gerações. Grave, austero, transfigurado pela penitência, queimadas as carnes pelo sol do deserto, abrasada a alma pelo desejo do reino, pupilas relampejantes, longa cabeleira ondulando-lhe pelas costas, barba espessa cobrindo-lhe o rosto, e a boca proferindo palavras penetrantes e inflamadas. Traz ao mesmo tempo esperanças e anátemas, consolações e terrores. O seu gesto domina, a sua presença impõe-se, a sua austeridade espanta, e uma força magnética se lhe desprende dos olhos. Fulmina, exorta, batiza. O seu aparecimento enche toda a Palestina. "Que havemos de fazer, homem de Deus?" - perguntavam-lhe chorosos e aturdidos por aquela palavra de fogo, que caía sobre a multidão como um relâmpago, como se fosse pronunciada pelos lábios de Elias. E ele respondia-lhes, severo: "Fazei penitência, porque se aproxima o reino de Deus". Impressionados por tais palavras, muitos dos ouvintes renunciavam à vida passada e prorrompiam em gritos de dor e arrependimento Então João submetia-os a dois ritos, ambos de clara significação: o batismo e a confissão dos pecados. A primeira coisa que João exigia dos ouvintes era o arrependimento, isto é, uma transformação completa da maneira de pensar e de viver.
  "Vinham até João, diz São Mateus, toda a Jerusalém, toda a Judéia e toda a terra da comarca do Jordão". Severo para com os hipócritas e soberbos, João só se mostrava indulgente para com os corações retos e dóceis: "Que todo aquele que tiver duas túnicas dê uma ao que anda nu, e quem tiver um bocado de pão que o reparta com quem tem fome". Aos publicanos, execrados pelos fariseus, contentava-se com fazer esta recomendação: "Não exijais mais do que vos é lícito exigir". Aos soldados do tetrarca Herodes, inclinados à violência, não os obrigava a deixar a profissão; limitava-se a dar-lhes este conselho: "Não roubeis, não ultrajeis o povo; contentai-vos com o vosso soldo".
   Os fariseus e doutores também iam lá: bisbilhotar, espiar e troçar da missão do Batista, precursor de Jesus, seu amigo, seu parente. O pregador tinha o seu mais terrível anátema reservado para estes orgulhosos. Fazia o mesmo que o Divino Mestre. "Raça de víboras, dizia-lhes João, quem vos ensinou a fugir à cólera que está prestes a cair sobre vós? Produzi frutos dignos de penitência, porque o machado já toca a raiz da árvore. Toda árvore que não der fruto será cortada e lançada ao fogo". O profeta adivinhava o pensamento mais íntimo daqueles homens orgulhosos da sua origem, e encontrava uma imagem impressionante para condenar a estabilidade ilusória que se cobre com privilégios de raça. "Não digais para convosco: Abraão é nosso pai, porque vos garanto que até destas pedras Deus pode extrair filhos de Abraão".
   João Batista cumpre com fidelidade a sua missão: procura atrair as atenções para o cumprimento da importante profecia de Isaías que anuncia a vinda do Redentor. "Eu sou a voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor". Que humildade e zelo de São João! Com que amor proclama a vinda e excelência d'Aquele que anuncia! Com que sinceridade se considera puro nada diante d'Ele, como indigno de exercer a seu respeito o ofício do último dos seus servos. É que São João era um homem de fé. Tinha certeza que Jesus era Deus. "Ele existiu antes de mim!"
   Jesus está nos sacrários, está entre nós! Mas  é o grande desconhecido e abandonado! Para terminar, eis um exemplo bíblico: Privado por Davi seu pai da honra de comparecer à sua presença, Absalão não sabe achar paz. De que lhe valeu ter fugido à morte, se, vivo, é-lhe proibido ver o rosto de seu pai? Triste de dia, inquieto de noite, ele gira como uma sombra soluçante em torno do palácio real, penetra furtivamente nas antecâmeras e suplica a alguém que lhe obtenha o suspirado favor. Um dia, não podendo mais, detém Joab e lhe diz:"Vai à presença do rei meu pai, e dize-lhe que há dois anos eu definho. Que ele não me negue mais ver a sua face! E se meu crime é tal que me não deixe esperar perdão, ó Joab, dize-lhe que mais doce me é morrer do que viver sem vê-lo".
  Ó cristãos, que frisante confronto entre nós e esse filho desnaturado e infeliz! No Santo Tabernáculo onde se fez eterno prisioneiro de amor, Jesus não nos proíbe ir a Ele, antes nos convida: "Vós que trabalhais, vós que estais aflitos, sobrecarregados de problemas, vinde a mim, e eu vos aliviarei!" E, contudo, por todo o dia as igrejas estão sempre silenciosas e desertas como um túmulo. Quantas vezes se passa diante da igreja; e por que não se entra ao menos um minuto para saudar Jesus? A resposta é óbvia: são pouquíssimos os precursores de Jesus como foi São João Batista. É triste dizê-lo: muitos que são, ou melhor, deveriam ser precursores de Jesus, não têm fé. Pior: trabalham para arrancá-la dos poucos que ainda  crêem.
  Ó Jesus! Concedei-nos a graça de Vos amar, de Vos servir e de Vos fazer conhecido de todos os povos, com o mesmo amor, a mesma humildade e o mesmo zelo que teve o vosso Precursor! Amém!
  

domingo, 6 de dezembro de 2015

HOMILIA DOMINICAL - 2º DOMINGO DO ADVENTO

   Queridos e amados leitores em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Leituras desta Santa Missa: Epístola (Rom. XV, 4-13); Evangelho (S.Mat. XI, 2-10).

   A Santa Missa de hoje inicia-se com estas palavras: "Povo de Sião, eis que o Senhor vem para salvar as nações". 
   Tenhamos toda confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo. Alegremo-nos conforme os desejos de São Paulo: "O Deus da esperança vos encha de todo o gozo e de paz na vossa fé, para que abundeis na esperança" (Rom. XV, 4 e 13). E para que a nossa esperança em Jesus Cristo seja estimulada também por fatos concretos, o Evangelho descreve-nos a grandeza das Suas obras: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados"
   No Evangelho de hoje Jesus Cristo apresenta-nos a figura forte e austera de São João Batista: "Que fostes  ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento?... Um homem mole, de luxo, vestido com roupas delicadas? Não!" Mas que fostes ver? Um profeta? Sim! e mais que um profeta. Porque, este é aquele do qual foi escrito: Eis que envio diante de tua face o meu Mensageiro, que preparará o teu caminho adiante de ti".
   Caríssimos e amados irmãos, se queremos preparar os nossos corações para a vinda do Senhor, devemos calcar aos pés os bens terrenos, desapegando inteiramente o nosso coração de nós mesmos e das coisas materiais. Se queremos saborear as doces alegrias do Natal, devemos saber preparar-nos para elas com aquelas disposições que a Igreja hoje nos convida a pedir: "Nós Vos suplicamos, Senhor, que... nos ensineis a desprezar as coisas da terra e a amar as do céu".
   Que alegria para São João Batista ser elogiado pelo próprio Jesus! Mas, também, caríssimos e amados irmãos que alegria para nós sermos instruídos por Jesus com estes mesmos elogios feitos ao Seu Precursor. Sabemos, assim o que Jesus quer que façamos para merecermos também os mesmos elogios. Assim  vamos, com a graça de Deus, procurar guardar e praticar, de acordo com os nossos deveres de estado, as palavras de Jesus elogiando o Seu Precursor.  Mas antes creio ser necessário dissipar uma possível dúvida: João Batista manda dois discípulos perguntar a Jesus se Ele era o Messias ou se deveriam esperar outro. São João estava preso em Maqueronte, nas margens do mar Morto. Sabia que uns dias mais e deixaria de existir. Tinha nascido para ser o Precursor do Messias, aí estava a razão de sua vida. Sentia a cabeça ameaçada e eis que a sua missão não fora ainda coroada com a manifestação solene de Jesus Cristo. João Batista percebia que muitos de seus discípulos ainda estavam presos a ele e não queriam seguir a Cristo. Certamente isto o preocupava. Ele havia dito: "É preciso que Cristo cresça e que eu diminua". "Não sou digno nem sequer de desatar as correias de suas sandálias". Certamente os que iam visitá-lo ali na prisão, falavam-lhe do Taumaturgo, descreviam-lhe os seus milagres, repetiam-lhe suas palavras. São João Batista havia mostrado Jesus às multidões reunidas às margens do Jordão: "Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo". Portanto, ele bem sabia que Jesus era o Cristo, o Messias prometido e tão desejado; mas prevendo a sua morte próxima, queria o precursor que os seus discípulos se certificassem, por si mesmos, da divindade de Jesus. Os dois discípulos de João aproximaram-se de Jesus e disseram-lhe: "João envia-nos para te perguntar se és o que há de vir ou se devemos esperar outro". A resposta de Jesus tem uma transcendência enorme para nós. A princípio não diz uma nem duas. Continua a percorrer as fileiras daqueles infelizes doentes; os seus lábios sorriem aos rostos abrasados pela febre; as suas mãos passam sobre as chagas purulentas; os seus olhos inundam de luz os corações ensombrados pela tristeza, o seu hálito cai sobre as feridas como bálsamo de virtude maravilhosa. E os cegos vêem, ouvem os surdos e saltam pelo campo os paralíticos, e todos gritam de alegria incontida pela saúde recobrada.
   "Agora, disse Jesus aos enviados, ide e contai a João o que vistes e ouvistes; os cegos vêem, os surdos ouvem, os coxos andam, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados". Jesus recorre aos mesmos termos que Isaías tinha empregado para descrever os efeitos da aparição do Messias. Este argumento era suficiente para convencer espíritos de boa vontade. Jesus sendo Deus, via outrossim, os espíritos orgulhosos que não se dobrariam diante da evidência dos milagres e da realização dos profecias. Por isso acrescentou: "Bem-aventurado o que não se escandalizar de mim".
   Logo que os emissários desapareceram - assim, ninguém poderia ver a menor sombra de adulação nas suas palavras - Jesus fez do preso de Maqueronte o panegírico mais fervoroso que jamais se fez de algum homem: "Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelos ventos? Não. Que fostes ver? Um homem delicadamente vestido? Não. Os que usam vestidos finos habitam os palácios dos reis". Não era, decerto, uma cana frágil aquele homem coberto de peles, que se alimentava de gafanhotos e se apresentava ao tirano para lhe lançar em rosto o seu adultério e incesto. O que tinha levado o povo ao deserto fora a presença de um profeta, nem mais nem menos que o Precursor acerca do qual Malaquias dissera: "Eis que vos envio o meu mensageiro para preparar os caminhos diante de Mim". "Na verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, disse Jesus,  não há nenhum maior que João Batista".
   Caríssimos e amados irmãos, não nos contentemos em admirar São João Batista. Imitemos sua vida recolhida. Deus não está na agitação e no barulho. O próprio Deus diz: "Conduzirei a alma à solidão e ali lhe falarei ao coração" (Oséas, II, 14). Imitemos o recolhimento de São João Batista sobretudo neste tempo do santo Advento. Imitemo-lhe igualmente a firmeza e constância no bem, seu espírito de penitência e de mortificação. Enfim, sua pureza angélica e seu zelo em glorificar a Nosso Senhor Jesus Cristo, em fazê-Lo conhecido e amado por todos.
   Possamos, nós também, caríssimos e amados irmãos, merecer os elogios de Jesus e sermos um dia participantes de Sua glória no céu!
   Quero terminar, contando um exemplo de fortaleza, de firmeza na fé: Uma menina americana de nome Graça Minford, convertida do protestantismo e tornada freira dominicana. Seu pai, morrendo, deixou-lhe a fabulosa soma de 12 milhões e meio de dólares, com a condição de ela abandonar o convento e a Igreja Católica. E que foi que essa menina respondeu? "Meu Pai do céu é bastante mais rico do que meu pai da terra, e dar-me-á uma recompensa ainda maior". A jovem Minford não era decerto uma cana agitada pelo vento. Sua atitude denota toda a convicção e força de uma alma verdadeiramente cristã.
   Caríssimos e amados irmãos, hoje, mais do que nunca, precisamos dar testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo, no meio desta geração adúltera e pecadora. Peçamos a Jesus esta graça. Ó Senhor, ensinai-nos a desprezar as coisas da terra e a amar as do céu! Amém!