SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 31 de julho de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 11º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: 1 Epístola aos Coríntios, 15, 1-10
                    Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos, 7, 31-37


   "Naquele tempo, saindo Jesus da região de Tiro veio por Sidon ao mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. E trouxeram-Lhe um surdo-mudo e Lhe rogaram impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tomando-o dentre o povo, de parte, pôs os dedos em seus ouvidos e tocou-lhe a língua com a saliva. Depois, ergueu os olhos para o céu, suspirou, e disse-lhe: Efhetha, isto é, abre-te. E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se lhe soltou a prisão da língua, e ele falou retamente. Então, Jesus lhes ordenou que a ninguém o dissessem. Não obstante, quanto mais o proibia, tanto mais o divulgavam, e mais admirados diziam: Ele tudo tem feito bem; fez os surdos ouvirem e os mudos falarem". 


   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   A Santa Madre Igreja propõe hoje, para nossa meditação e ensinamento, a cura do surdo-mudo. 
   A primeira coisa que devemos observar é que na administração do santo Batismo o sacerdote faz quase os mesmos gestos de Jesus e pronuncia a mesma palavra "effeta", que significa: abre-te. Estas cerimônias no santo Batismo significam o seguinte: Os cristãos devem ter os ouvidos sempre abertos para a palavra de Deus. É pela pregação que vem a fé. Esta mesma fé deve ser confessada externamente. Em outras palavras: pelo santo Batismo, o ouvido da nossa alma abriu-se à fé e a língua aos louvores de Deus, Nosso Senhor. Tornamo-nos capazes de ouvir a voz da fé, a voz externa dos ensinamentos da Igreja e a voz interior do Divino Espírito Santo. Os nossos lábios devem sempre estar abertos para a oração, para a adoração de Deus e para fazer sempre bem feita a confissão.
   Devemos observar também que, ao fazer este milagre, diferentemente de muitos outros milagres, Jesus não se contenta só em dizer: fica curado! Não, aqui o Divino Mestre faz vários gestos: retira o surdo mudo dentre a multidão e o leva à parte; põe o dedo em seus ouvidos; toca-lhe a língua com o dedo molhado na saliva; ergue os olhos para o céu; suspira e diz: "effeta", abre-te.
   Jesus não faz nada inútil. Se agiu assim ao realizar a cura do surdo-mudo, é porque há um significado em tudo isto. Na verdade, esta enfermidade natural figura uma outra, muitíssimo mais grave, deplorável e perigosa: a surdez e a mudez espirituais. 
   Este homem surdo-mudo é a imagem do pecador endurecido que recusa ouvir os preceitos e os conselhos paternais de Deus, e que se cala para não confessar os seus pecados ao ministro das misericórdias do Senhor. Como a confissão é secreta no confessionário, Jesus retira o surdo-mudo do meio da multidão e o toma de parte. Este gesto de Jesus significa também o santo retiro onde a alma fica longe do barulho do mundo e na solidão tem todas as condições para ouvir a palavra de Deus externa e internamente. Diz Deus pelo profeta Oseias, II, 14: "Conduzirei a alma à solidão, e falar-lhe-ei intimamente ao coração". Deus, na verdade, não se encontra no barulho: "Non in commotione Dominus", "Deus não está na agitação" (3 Reis, XIX, 11). 
Esta estampa representa as três etapas
da cura do homem surdo-mudo
  Este surdo-mudo representa um grande número de almas pecadoras. Elas não ouvem a palavra de Deus, não sabem mais falar a Deus, isto é, não rezam. Não sabem pedir perdão dos seus pecados, ou seja, não se confessam. São mudas porque são surdas. Como se formou esta surdez? Pelo barulho do mundo agitado por toda espécie de orgulho, avareza e luxúria. São como uma estrada aberta a todas as agitações dos transeuntes; endurecida, onde a semente da palavra de Deus não consegue penetrar, ficando assim a mercê dos demônios, que como as aves do céu, veem e comem a semente. Estas pobres almas, cheias de si mesmas, dos seus pensamentos e da sua ciência, sufocadas pelas preocupações das riquezas e dos prazeres da vida, não querem ouvir a Deus nem aos homens de Deus. E o demônio, que as entretém nesta surdez espiritual, as torna também mudas para que não falem a Deus. Como poderiam elas orar, se não sentem a necessidade da oração? Como poderiam proferir uma palavra de fé, se não têm pensamentos de fé? Só Jesus as pode curar, só Jesus pode fazer que elas ouçam e falem. É preciso, pois, levá-las a Jesus. O Divino Mestre as tocará com o dedo, isto é, com a graça do Espírito Santo, que é o dedo de Deus; ungindo-as com a sua saliva, lhes dará a sabedoria e o gosto das coisas de Deus. E depois, levantando os olhos para o céu, isto é, orando por elas, pronunciará o Effeta, que quer dizer - abri-vos. Jesus por onde passa, vai abrindo tudo: abre as consciências; abre os corações, abre as torrentes de sua graça, e, no último dia, nos abrirá também as portas da eternidade feliz.
   Caríssimos e amados fiéis, como é triste o estado de um surdo-mudo! Jesus suspirou: oh! como é difícil a salvação de uma surdo-mudo espiritual!!! Não tem fé porque não ouve a palavra de Deus. Mas, sem a fé é impossível agradar a Deus. Não reza, e, sem oração não se salva. Não se confessa, e, sem confissão não há perdão. Devemos ter compaixão destes infelizes e procurar conduzi-los a Jesus, recomendando-os à Sua infinita misericórdia.
   Ó Jesus, meu bom Salvador, suplico-Vos que Vos digneis abrir os meus ouvidos, para que aprenda a vossa santa vontade, soltar a minha língua, para que Vos louve e Vos faça conhecer e amar. Amém!

sábado, 30 de julho de 2016

O ECUMENISMO

Extraído do capítulo X da "CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS" escrita por D. Marcel Lefebvre em 1984.

   (...) "A palavra, que apareceu em 1927 por ocasião dum congresso realizado em Lausanne, deveria por si própria prevenir os católicos se eles se referiam à definição que lhe dão todos os dicionários: "Ecumenismo: movimento favorável à reunião de todas as Igrejas cristãs numa só". Não se podem misturar princípios contraditórios, é evidente, não se podem reunir, de maneira a fazer deles uma só coisa, a verdade e o erro. A não ser que se adotem os erros e se rejeite toda ou parte da verdade. O ecumenismo se condena por si mesmo.

   (...)

   Na linguagem religiosa, o ecumenismo se estendeu ultimamente às religiões não cristãs, traduzindo-se bem depressa em atos. Um jornal do Oeste nos indica por um exemplo preciso a maneira pela qual se processa a evolução: numa pequena paróquia da região de Cherburgo, a população católica se preocupa com trabalhadores muçulmanos que acabam de chegar para uma construção. É uma atitude caridosa pela qual não se pode deixar de felicitá-los. Numa segunda fase, vemos os muçulmanos pedir um local para festejar o Ramadã e cristãos oferecer-lhes o sub-solo de sua igreja. Depois começa a funcionar neste lugar uma escola corânica. No fim de dois anos, os cristãos convidam os muçulmanos a festejar o Natal com eles, "em torno de uma prece comum preparada com extratos dos capítulos do Corão e com versículos do Evangelho" A caridade mal entendida levou estes cristãos a pactuarem com o erro.

  Em Lille, os dominicanos oferecem uma capela aos muçulmanos para ser transformada em mesquita. Em Versalhes, pediu-se auxílio financeiro nas igrejas para "a aquisição dum lugar de culto para os muçulmanos". Duas outras capelas foram-lhes cedidas em Roubaix e em Marselha, assim como uma igreja em Argentenil. Os católicos se fazem os apóstolos do pior inimigo da Igreja de Cristo, que é o Islão e oferecem seus óbulos a Maomé! Há, parece, mais de 400 mesquitas na França e em muitos casos são os católicos que deram o dinheiro para sua construção. 

   Todas as religiões têm hoje direito de cidadania na Igreja. Um cardeal francês celebrava um dia a missa em presença de monges tibetanos que tinham sido colocados na primeira fila vestidos com seus hábitos de cerimônia, e se inclinava diante deles enquanto que um animador anunciava: "Os bonzos participarão conosco da celebração eucarística". Numa igreja de Rennes foi celebrado o culto de Buda; na Itália, vinte monges foram iniciados solenemente no Zen por um budista. 

   Não acabaria de citar os exemplos de sincretismo aos quais assistimos. Veem-se desenvolver associações, nascer movimentos que encontram sempre para presidir-lhes um eclesiástico em pesquisa, como aquela que quer chegar à "fusão de todas as espiritualidades no amor" Ou projetos pasmosos como a transformação de Nossa Senhora da Guarda em lugar de culto monoteísta para os cristãos, os muçulmanos e os judeus, projeto felizmente contrariado por grupos de leigos.

  O ecumenismo, na sua acepção estrita, reservada então aos cristãos, faz organizar celebrações eucarísticas comuns com os protestantes, assim como sucedeu em particular em Estrasburgo. Ou então são os anglicanos que são convidados na catedral de Chartres para celebrar a "Ceia eucarística". A única celebração que não se admite nem em Chartres, nem em Estrasburgo, nem em Rennes, nem em Marselha é a da santa missa segundo o rito codificado por São Pio V.

   Que conclusão pode tirar de tudo isso o católico que vê as autoridades eclesiásticas dar cobertura a cerimônias tão escandalosas? Que todas as religiões se equivalem, que ele poderia muito bem obter sua salvação com os budistas ou os protestantes. Ele corre o risco de perder a fé na santa Igreja. É bem o que se lhe sugere; quer-se submeter a Igreja ao direito comum, quer-se pô-la no mesmo plano que as outras religiões, recusa-se a dizer, mesmo entre os sacerdotes, os seminaristas e os professores de seminário, que a Igreja Católica é a única Igreja, que ela possui a verdade, que somente ela é capaz de dar a salvação aos homens por Jesus Cristo. Agora se diz abertamente: "A Igreja não é senão um fermento espiritual na sociedade, mas em pé de igualdade com as outras religiões, um pouco mais que as outras, talvez... "Aceita-se em rigor, e nem sempre, em conferir-lhe uma ligeira superioridade".

   Neste caso, a Igreja seria apenas útil, não mais necessária. Ela constituiria um dos meios de alcançar a salvação. 

   É preciso dizê-lo claramente, uma tal concepção se opõe dum modo radical ao próprio dogma da Igreja católica. A Igreja é a única arca da salvação, nós não devemos ter medo de afirmá-lo. Vós frequentemente ouvistes dizer: "Fora da Igreja não há salvação" e isto choca as mentalidades contemporâneas. É fácil fazer crer que este princípio não está mais em vigor, que se renunciou a ele. Parece ser de uma severidade excessiva. 

   Entretanto, nada mudou, nada pode ser mudado neste domínio. Nosso Senhor não fundou várias igrejas, mas só uma. Não há senão uma só cruz pela qual nos possamos salvar e esta cruz foi dada à Igreja católica; ela não foi dada às outras. À sua Igreja, que é sua esposa mística, Cristo deu todas as suas graças. Nenhuma graça será distribuída ao mundo, na história da humanidade, sem passar por ela.

   Isto quer dizer que nenhum protestante, nenhum muçulmano, nenhum budista, nenhum animista será salvo? Não; e constitui um segundo erro pensá-lo.

   Aqueles que reclamam da intolerância ouvindo a fórmula de São Cipriano "Fora da Igreja não há salvação" rejeitam o Credo: "Reconheço um só batismo para a remissão dos pecados" e estão insuficientemente instruídos a respeito do batismo. Há três maneiras de recebê-lo: o batismo da água, o batismo do sangue (é o dos mártires que confessam sua fé sendo ainda catecúmenos) e o batismo de desejo. 

   O batismo de desejo pode ser explícito. Bastantes vezes, na África, ouvíamos um de nossos catecúmenos dizer: "Meu padre, batizai-me logo, pois se eu morrer antes de vossa próxima passagem, eu irei para o inferno".

   Nós lhe respondíamos: "Não; se não tendes pecado mortal na consciência e se tendes o desejo do batismo, já tendes a sua graça em vós."

   Tal é a doutrina da Igreja, que reconhece também o batismo de desejo implícito. Ele consiste no ato de fazer a vontade de Deus. Deus conhece todas as almas e sabe, por consequência que nos meios protestantes, muçulmanos, budistas e em toda a humanidade, existem almas de boa vontade. Elas recebem a graça do batismo sem o saberem, mas duma maneira efetiva. Por aí mesmo elas se unem à Igreja. 

   Mas o erro consiste em pensar que elas se salvam por meio de sua religião. ELAS SE SALVAM EM SUA RELIGIÃO MAS NÃO POR MEIO DELA. (Destaque meu). Não há salvação por meio do Islão ou pelo xintoísmo. Não há Igreja budista no céu, nem Igreja protestante. São coisas que podem parecer duras de ouvir, mas esta é a verdade. Não fui eu quem fundou a Igreja, foi Nosso Senhor, o Filho de Deus. Nós, sacerdotes, somos obrigados a dizer a verdade.

   Mas a preço de quantas dificuldades os homens dos países não penetrados pelo cristianismo chegam a receber o batismo de desejo! O erro é um obstáculo ao Espírito Santo. Isto explica porque a Igreja tenha sempre enviado missionários a todos os países do mundo, que inúmeros dentre eles tenham conhecido aí o martírio. Se se pode encontrar a salvação em qualquer religião, para que atravessar os mares, ir submeter-se, em climas insalubres, à uma vida penosa, à doença, a uma morte precoce? Desde o martírio de Santo Estêvão, o primeiro a dar sua vida por Cristo e o qual por esta razão se festeja no dia seguinte ao do Natal, 26 de dezembro, os Apóstolos puseram-se a caminho para ir difundir a boa nova na bacia do Mediterrâneo; te-lo-iam feito se se soubesse que haveria salvação também no culto de Cibele ou pelos mistérios de Eleusis? Por que Nosso Senhor lhes teria dito: "Ide evangelizar as nações"?

   É assombroso que hoje em dia alguns pretendam deixar cada um seguir o seu caminho para Deus segundo as crenças em vigor no seu "meio cultural". A um padre que queria converter crianças muçulmanas, o seu bispo disse: "Não, fazei delas boas muçulmanas, será muito melhor do que torná-las católicas!" Foi-me certificado que os monges de Taizé tinham pedido, antes do concílio, para abjurar seus erros e tornar-se católicos. As autoridades disseram-lhes então: "Não, esperai! Depois do concílio, vós sereis a ponte entre os católicos e os protestantes".

   Os que deram esta resposta assumiram uma grave responsabilidade diante de Deus, pois a graça vem num momento, talvez não venha sempre. Atualmente os caros padres de Taizé, que têm sem dúvida boas intenções, estão ainda fora da Igreja e semeiam a confusão no espírito dos jovens que os vão ver.

   Falei das conversões que cessaram brutalmente em países como os Estados Unidos, onde se contavam cerca de 170. 000 por ano, a Grã Bretanha, a Holanda... O espírito missionário se extingue porque se deu uma falsa definição da Igreja e por causa da declaração conciliar sobre a liberdade religiosa..." 


   

sexta-feira, 29 de julho de 2016

VALOR DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

   A Santa Missa como ação de Cristo, considerando-se o Sacerdote principal e a Vítima, tem valor INFINITO.
   Considerando, porém, a aplicação aos homens (pois a Missa distribui e aplica os merecimentos da Cruz), os frutos são proporcionados às disposições das pessoas por quem se oferece. Quanto melhores as disposições, maiores os frutos. Frutos são a nossa participação de fato aos efeitos propiciatório e impetratório da Santo Sacrifício.
   Estes frutos são de três categorias:
   Frutos gerais - são os que aproveitam a todos os fiéis cristãos, vivos e defuntos, a toda a Igreja. Daí vemos, sem dificuldade, que "todas as Missas são comunitárias (mesmo as celebradas privadamente), porquanto dizem respeito ao bem e à salvação comum de todos os homens". (Cat. Romano).
   Frutos especiais - os que são atribuídos às pessoas, vivas ou defuntas, pelas quais o Sacrifício é aplicado pelo sacerdote celebrante.
   Frutos especialíssimos - são os que competem ao celebrante, aos ajudantes e aos que assistem à Santa Missa.

   A QUEM E POR QUEM SE CELEBRA O SANTO SACRIFÍCIO?

   I - A Santa Missa, por ser verdadeiro sacrifício incluindo, portanto, a adoração, só pode ser oferecida a DEUS.
   Por que então se celebram tantas Missas em honra de Maria Santíssima e dos Santos? Quando se celebra a Missa em honra de Maria Santíssima e dos Santos, não se lhes oferece o sacrifício, mas sim a DEUS, para agradecer-Lhe as graças que lhes fez ou para obter, por intercessão deles, as graças de que necessitamos.
   Esta é a razão por que o sacerdote nunca costuma dizer: "Ofereço-te este Sacrifício, ó Pedro, ou, ó Paulo. "Mas oferecendo o sacrifício só a DEUS, rende-Lhe graças pela insigne vitória dos Santos, aos quais implora proteção, de maneira que "no céu se dignem interceder por nós, aqueles cuja memória celebramos na terra".

   II - POR QUEM SE CELEBRA?

   Ensina o Concílio de Trento que o Santo Sacrifício da Missa pode ser oferecido pelos vivos e pelos defuntos.
   A. Pelos vivos: a) Pode-se oferecer a Santa Missa na intenção dos fiéis, justos ou pecadores; b) pelos infiéis, hereges, cismáticos e excomungados: privadamente, evitando possíveis escândalos, assim mesmo para obter que se convertam a fé católica.

   B. Pelos defuntos: a) Não pode ser oferecido o sacrifício da Missa por quem não for capaz de recolher os frutos: os condenados do inferno, as crianças que morrem sem o batismo e os santos do céu. b) É proibido, por leis eclesiásticas, celebrar a Missa pelos que morreram fora da comunhão da Igreja: infiéis, hereges, excomungados - sem terem dado sinais positivos de arrependimento. Estes não têm direito aos sufrágios públicos. A Igreja, porém, permite a celebração de Missas por eles privadamente. c) Pelas almas do Purgatório para livrá-las mais depressa do purgatório.
   Se os sacrifícios da Antiga Lei já tinham virtude PROPICIATÓRIA, como se deduz do procedimento de Judas Macabeu (I Mac. XII, 44), que oferecia sacrifícios pelos seus soldados mortos na guerra, quanto maior eficácia não terá a Santa Missa, para obter a remissão das penas devidas ao pecado!

   "QUANDO O SACERDOTE CELEBRA A SANTA MISSA, HONRA A DEUS, ALEGRA OS ANJOS, EDIFICA A IGREJA, AJUDA OS VIVOS, PROPORCIONA DESCANSO AOS DEFUNTOS E FAZ-SE PARTICIPANTE DE TODOS OS BENS". (Imitação de Cristo IV, 5).

quinta-feira, 28 de julho de 2016

COMO ASSISTIR À MISSA SEGUNDO S. PEDRO JULIÃO EYMARD

   Extraído do Livro "A SANTÍSSIMA EUCARISTIA". 


   Sabemos que a Santa Missa é o Sacrifício perfeito, pelo qual oferecemos a Deus os deveres de adoração, de ação de graças, de propiciação e de impetração que Lhe são devidos, e para os quais existiam, no Antigo Testamento, distintos sacrifícios. 

   Para acompanhar a Santa Missa com mais fruto, convém pois assistir a ela no espírito do santo Sacrifício.

   Antes de iniciar a Missa, o Sacerdote, ao pé do altar, ora e se humilha por seus pecados. A seu exemplo, confessai os vossos, a fim de assistir mais dignamente ao santo Sacrifício.

   A Missa propriamente dita abrange três partes: a primeira vai desde o Introito até o Ofertório; era outrora chamada Missa dos catecúmenos.

   A segunda principia no Ofertório, terminando na Comunhão.

   A terceira compreende as orações seguintes à Comunhão.

   Primeira parte.  -  Durante o Introito e o Kyrie eleison, recordai os desejos dos Patriarcas e dos Profetas, suspirando pelo advento do Messias; a seu exemplo, desejai a vinda e o reino de Jesus Cristo em vós.

   Ao Gloria in excelsis, uni-vos em espírito aos Anjos, para louvar a Deus e agradecer-Lhe o mistério da Encarnação. 

   Às orações, uni vossas intenções e pedidos aos da Igreja.

   Escutai a Epístola como se ouvísseis a pregação de um Apóstolo ou de um Profeta, e o Evangelho como se Jesus Cristo mesmo vos falasse.

   Recitai o Credo com sentimento de viva fé, disposto a morrer para confessar cada um dos artigos da doutrina revelada. 

   Segunda parte.  -  Uni vossas intenções às do sacerdote, e oferecei a Deus o santo Sacrifício segundo os quatro deveres:
  1. Como latrêutico, isto é, de soberana adoração, oferecendo ao Pai eterno as adorações de Seu Filho encarnado, e unindo às Suas as vossas, em união com as da Santa Igreja.
  2. Como eucarístico, isto é, de ação de graças pela glória e méritos de Seu Filho muito amado, da Santíssima Virgem Mãe, e de todos os Santos; em reconhecimento por todos os benefícios que d'Ele recebestes e recebeis pelos méritos de Seu Filho. 
  3. Como impetratório, apresentando-o ao Pai eterno como penhor que nos deu de Seu amor, a fim de fazer com que d'Ele esperemos todos os bens espirituais e corporais de que necessitamos. - Exponde-Lhe as vossas necessidades e rogai-Lhe especialmente que Vos auxilie na correção do defeito dominante. 
  4. Como satisfatório, oferecendo-o em expiação de todos os vossos pecados e em reparação de tantos crimes que se cometem no mundo.

   Lembrai ao Pai eteno que tudo vos deve dar, pois que vos deu o Seu Filho, e que este divino Filho ainda Se coloca diante d'Ele, nesse estado de sacrifício, a fim de ser vítima de propiciação por vossos pecados e pelos de todos os homens.

   Terceira parte.  -  À Comunhão do sacerdote, aproximai-vos da sagrada Mesa. Se não vos for possível, fazei ao menos a Comunhão espiritual: 
  1. Concebendo um verdadeiro desejo de estar unido a Jesus Cristo e reconhecendo a necessidade de viver da Sua vida.
  2. Produzindo um ato de contrição de todos os pecados passados e presentes.
  3. Recebendo espiritualmente Nosso Senhor no íntimo de vossa alma, como Zaqueu em sua casa; - e pedindo-Lhe instantemente a graça de viver para Ele, pois que só por Ele viveis. 
  4. Imitai Zaqueu nas boas resoluções, e agradecei a Nosso Senhor que vos permitiu assistir à Santa Missa, fazendo então a Comunhão, ao menos espiritual; oferecei uma homenagem particular, um sacrifício, um ato de virtude.
   Pedi-Lhe a bênção para vós, assim como para os vossos parentes e amigos.    

quarta-feira, 27 de julho de 2016

SACRIFÍCIO DO ALTAR E SACRIFÍCIO DA CRUZ

   Sermão de São Pedro Julião Eymard.

  De todas as qualidades de Jesus Cristo, parece que nenhuma Lhe é mais honrosa que a de Sacerdote.

   Nos títulos de Salvador, de Rei, de Pastor, de Juiz, Ele considera mais imediatamente os homens, a sua Igreja; sob tais aspectos, de certo modo, aplica-Se apenas em arrancá-los da perdição eterna, em governá-los, alimentá-los, tratá-los segundo as obras.

   Na qualidade de Sacerdote, porém, eleva-Se diretamente ao Pai: adora-O por Si mesmo e presta-Lhe, em nome da humanidade, todos os deveres da religião. Por Seu sacerdócio, considera, antes de tudo, a glória do Pai celeste: é com este fim principal que Se imola em sacrifício. Se pensa também nos homens é porque, sendo Sacerdote, é Mediador: quer restabelecê-los na graça com Deus; desce até eles para elevá-los consigo até Deus.

  Portanto, a qualidade de Sacerdote é n'Ele a mais excelente.

  Ora, ensina-nos a Fé que Jesus Cristo operou a obra da nossa Redenção pelo Sacrifício cruento da Cruz. Sua morte expiou todos os pecados, satisfez rigorosamente a Justiça divina, reconciliando assim o céu com a terra, Deus com o homem.

   Entretanto, Seu amor não se limitou à imolação cruenta. Antes mesmo de morrer, Ele instituiu o sacrifício do Altar que renova o da Cruz, a fim de nos aplicar seus méritos e tonar-se o bem particular, a glória da Igreja católica.

   É meu desejo demonstrar-vos que, por esse motivo, o santo Sacrifício da Missa assume uma tríplice excelência que lhe é peculiar. Com efeito, pela Santa Missa:

   Deus é honrado sem ser simultaneamente ofendido, como o foi pelo deicídio dos judeus;  Jesus Cristo é imolado sem ser entregue à morte; os cristãos participam do Sacrifício, sem ser, como os judeus, cúmplices dos carrascos.

   De início, invoquemos Maria, Mãe de Deus, que deu à Vítima adorável a Carne e o Sangue para o divino sacrifício que, no altar, continua a ser diariamente oferecido por nós. Ave Maria.

(O sermão  continua em duas postagens: I - Excelência própria do Sacrifício da Missa; II - Máxima estima que devemos ter pelo Santo Sacrifício da Missa). 

terça-feira, 26 de julho de 2016

II - MÁXIMA ESTIMA PELO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Continuação e término do sermão de São Pedro Julião Eymard: "SACRIFÍCIO DO ALTAR E SACRIFÍCIO DA CRUZ".

   Devemos ter a maior estima por esse Sacrifício e ilimitado reconhecimento para com Jesus Cristo, que o instituiu.

   1. Tenhamos primeiro a mais elevada estima por esse augusto Sacrifício. Se Deus lhe é o fim, é-lhe também o meio. É um Deus encarnado que adora a Santíssima Trindade, que satisfaz, por Sua imolação, à justiça divina. Numa palavra, é por Jesus Cristo que a Igreja presta diariamente a Deus o culto que Lhe é devido.

   Por si mesmos, os homens nada podem oferecer a Deus, nada que seja digno d'Ele, de Sua grandeza. Como poderia o finito atingir o infinito? Mas, ó bondade divina! O próprio Pai celeste nos proporciona o nosso resgate. Entregou-nos o Seu próprio Filho, e com Ele todas as coisas (Cf. Rom 8, 32). De modo que, com Jesus Cristo e por Ele, somos nossos salvadores.

   Eis o motivo pelo qual a Igreja só se dirige a Deus por intermédio de seu Filho; adora-O, louva-O, suplica-Lhe, aplaca-O por meio d'Ele: per Christum Dominum nostrum; é assim que conclui todas as orações. 

   E o Pai celeste escuta o Filho que Lhe fala, no Altar, em nosso favor, com tanta força quanto na Cruz. Assim, podemos repetir, depois de São Paulo, que Deus opera ainda todos os dias, no altar, a reconciliação do mundo com Ele: Deus erat in Chisto mundum reconcilians sibi (2 Cor 5, 19). Não exprime a palavra erat uma perpetuidade de ação, iniciada no Calvário e continuada, de maneira incruenta, no altar? ´E por isso que, na Secreta da Missa do Santíssimo Sacramento, pedimos a Deus nos conceda os benefícios da unidade e da paz, simbolizados nas ofertas que Lhe apresentamos no altar. Pois se, de certo modo, a guerra esteve misturada com a paz no Calvário, a reconciliação entre o céu e a terra acha-se pecificamente assegurada pelo sacrifício do Altar. 

   Ó admirável invenção do amor de Deus! 

   Portanto, que confiança não devemos ter no poder e eficácia desse augusto Sacrifício? Decerto que é verdade bem temível saber que podemos, a toda hora, ofender a Deus a ponto de nos perdermos eternamente; mas que consolação pensar que a toda hora também, Jesus Cristo se imola em nossa defesa e pede perdão para as nossas faltas! "É ali, diz São Cipriano, que oferecemos ao Pai eterno um presente escondido, sempre capaz de apaziguar a cólera de Deus". Assim, quaisquer que sejam os nossos pecados, repitamos confiantes ao pé do altar: "Ó Deus, olha para nós e põe os olhos no rosto do teu Ungido" (Sl 83, 10).

   2. Que reconhecimento não devemos também a Deus por tão excelente Sacrifício; que honra não prestaremos a Jesus Cristo que tanto nos amou? Pois o Sacrifício do altar é verdadeiramente nosso bem particular, dá-nos a parte pessoal nos frutos da Redenção.

   Ora, de que maneira se deve manifestar o nosso reconhecimento? "Quereis, responde São João Crisóstomo, honrar dignamente esse divino Sacrifício? Oferecei a Jesus Cristo vossa alma, pela qual Ele se imolou".

   "Eis um dever, diz Santo Agostinho, a fim de corresponder aos desígnios de Jesus Cristo que, no altar, sacrifica seu Corpo natural para demonstrar à Igreja que, no Sacrifício que Ela oferece, é também oferecida".

   Pois que o amor imola Jesus Cristo, o amor deve também imolar-nos com Ele.

   Se o amor O coloca em estado de vítima e de morte mística, devemos também morrer realmente ao pecado; para isso, fechamos os olhos às vaidades do mundo e os lábios às más palavras, guardemos as mãos de toda injustiça e o corpo, da sensualidade.

   Assim, continuamente entregues à morte por causa de Jesus, a vida de Jesus manifestar-se-á também na nossa carne mortal (Cf. 2 Cor 4, 11). 

domingo, 24 de julho de 2016

I - EXCELÊNCIA PRÓPRIA DO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Continuação do sermão de São Pedro Julião Eymard sobre "SACRIFÍCIO DO ALTAR E SACRIFÍCIO DA CRUZ".

   1. No altar, Deus recebe um culto exclusiva e totalmente de glória.

   O Sacrifício tem por fim honrar duas grandes perfeições de Deus: a Soberania e a Justiça. O homem foi criado por Deus, d'Ele depende em absoluto e d'Ele tudo espera. Mas é também pecador e necessita de Sua misericórdia e perdão.

   Ora, no Calvário, foi o Filho de Deus encarnado que a malícia dos homens empreendeu destruir e que, ao menos, entregou à morte.

   Assim, em vez de aplacar a Justiça divina, oferecendo-Lhe expiação pelas próprias faltas, os homens se tornaram culpados do mais horrendo crime que se haja cometido.

   Bem sei que, examinando tal Sacrifício da parte de Jesus Cristo, nada há de mais santo nem de mais agradável a Deus; Sua morte é o mais ilustre testemunho de obediência, o derradeiro esforço de amor e a maior honra que prestou ao Pai. Mas que indignação não deve ter concebido esse Pai celeste, pois, considerando a morte do Filho, da parte dos judeus, era o mais execrável atentado, o mais espantoso sacrilégio que os homens poderiam consumar. Poderia até parecer estranho que Deus tenha resolvido tirar tão grande bem: a Redenção, de tão grande mal: o deicídio.

   Tal pensamento causava o pasmo de Santo Agostinho: "Quanta bona egit passio Christi, et tamen passio hujus iusti non esset, nisi Dominum iniqui occidissent": "Quão admiráveis são as vantagens trazidas ao mundo pela Paixão de Jesus Cristo, e, no entanto, é necessário reconhecer que não se teria realizado a Paixão desse Justo, se os maus não houvessem entregue à morte o Filho de Deus". 

   Portanto, o Pai eterno recebeu simultaneamente ultraje e satisfação na tragédia do Calvário. Considerando o sacerdócio de Jesus Cristo na Cruz somente quanto às aparências exteriores, quão humilhado nos aparece o divino Salvador em Sua dignidade de Sacerdote! Seu sacrifício apresenta-se encoberto por monstruoso crime; pergunta-se onde está o culto de Deus e como poderão os homens tirar proveito de um ato onde só se manifesta a sua própria crueldade.

   Quanto ao sacrifício dos altares, faz resplandecer a glória de Deus e o proveito dos homens. É o mesmo que o do Calvário, mas despojado de todas as circunstâncias reclamadas pela imolação cruenta. É a oblação toda pura: oblatio munda, anunciada pelo Profeta (Mal 1, 11); é a função própria do sacerdócio de Jesus Cristo segundo a ordem de Melquisedech (Sl 109, 4); é o sacrifício do Cordeiro divino que, sempre vivo, é ao mesmo tempo Vítima e Sacrificador. 

   2. No altar, Jesus Cristo é imolado sem ser entregue à morte.

   Embora a morte da vítima não seja a mais nobre condição do sacrifício, não deixa de ser o sinal mais sensível. Com efeito, é preciso que a vítima, para prestar a Deus completa homenagem, aceite livremente a morte.

   No Calvário, Jesus Cristo morreu porque quis: "Ninguém, dizia Ele, me tira a vida, mas Eu por mim mesmo a dou" (Jo 10, 18). Os suplícios que padeceu eram apenas um meio que deixou agir na hora determinada pelo Pai. 

   Devemos, pois, encontrar no Sacrifício do altar, para que seja um verdadeiro sacrifício, ao menos um sinal sensível da imolação da vítima ali oferecida. Sem o que, jamais poderíamos confundir os hereges que negam o valor da Santa Missa, nem crer no amor que, todos os dias, ainda imola Jesus Cristo.

   Ora, tal maravilha se realiza pela força das palavras divinas que, na consagração, separariam realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, se Ele não fora agora imortal.

   Assim, os santos Padres não recearam afirmar que Jesus Cristo morre todos os dias em nossos altares e que milhares de vezes se realiza em nossas igrejas o que só uma vez se realizou no Calvário. Santo Tomás cita a palavra atribuída a Santo Agostinho: "Cristo só uma vez se imolou a Si mesmo; e, contudo, imola-Se cada dia no Sacramento".

   É o que lemos também numa oração litúrgica: "Sempre que se renova a memória dessa hóstia (oferecida na Santa Missa), opera-se o fruto de nossa redenção" (Secreta do 9º Domingo depois de Pentecostes). 

   O mais admirável, porém, é que essa imolação, tantas vezes renovada, realiza-se sem que a Vítima sofra. O amor tem a glória de repetir no altar, a obra que preparara no Cenáculo e perfizera nos sofrimentos do Calvário. 

   Sim, o Filho de Deus morre, de certo modo, na instituição desse adorável Sacramento, e nos dá Sua vida antes de perdê-la na Cruz. Tanto O constrange o amor que nos dedica, que não quer esperar até ao dia seguinte; começa a satisfazer, nessa instituição, o Seu desejo de morrer por nós, desejo que tão claramente manifestara: "Eu tenho de ser batizado num batismo; e quão grande é a minha ansiedade, até que ele se conclua!" (Lc 12, 50). Assim, com que solicitude se dirigiu ao Cenáculo, a fim de celebrar a última Páscoa legal: "Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer" (Lc 22, 15).

   O quê! Judas não realizou ainda seu execrável desígnio, os carrascos não se acham prontos para detê-Lo no jardim de Getsêmani, e já o adorável Salvador, pondo-Se à mesa, ergue o altar onde Se vai imolar. Ele mesmo separa, com Suas palavras, o próprio Sangue do próprio Corpo. "Tomai, diz Ele, isto é o meu Corpo", e, à parte, acrescenta: "Tomai, este é o meu Sangue". Não é colocar-Se num estado de morte? Considerando apenas a força dessas palavras, não coloca o amor o corpo de Jesus Cristo num estado semelhante àquele em que logo O colocará na cruz a crueldade dos carrascos?

   Ora, Jesus Cristo não se contenta em separar assim o Corpo e o Sangue; quer também acreditemos que seu Corpo e Sangue são oferecidos em sacrifício desde então. Escutai as palavras que acrescenta, segundo o texto original: "Isto é o meu Corpo, que é dado por vós; este é o meu Sangue, que é derramado por vós" (Lc 22, 19-20).

   Mas direis talvez: apesar desta afirmação, Jesus Cristo permanecia vivo; só o sofrimento O fez morrer realmente.

   Concordo; mas admirai como, na Eucaristia, a morte se harmoniza com a vida: "Jesus Cristo, diz São Gregório de Nissa, unindo em Si as qualidades de Sacerdote e de Vítima, preveniu o papel dos carrascos e, por um misterioso gênero de sacrifício, ofereceu-Se a Si mesmo, Hóstia e Vítima. Praevento carnificis officio, seipsum, arcano sacrificii genere, hostiam offert et victimam, simul sacerdos et agnus".

   Assim, no Sacrifício Eucarístico, o que prevalece é o amor que quer imolar-Se e toma da morte tudo quanto lhe é possível. Portanto, não foi a Sinagoga a primeira a imolar Jesus Cristo: foi causa da morte cruenta. Foi a mão do amor que realizou o primeiro Sacrifício da nova Lei, dando-lhe união necessária ao da Cruz, fonte de toda graça e de toda redenção.

   3. No altar, os cristãos participam santamente do sacrifício de Jesus Cristo. - Na Cruz, Jesus Cristo padecia pela justificação e salvação de todos os homens, até dos seus carrascos. Motivo pelo qual observa Santo Agostinho: "Entregavam-No à morte, sem dúvida, mas, em última análise, não era a Ele que matavam e sim a si mesmos, salvos por Aquele mesmo que por eles Se imolava".

   No sacrifício de nossos altares, porém, não há mais, como tal, crime em imolá-Lo: ao contrário, cercam-No a fé submissa, a terna piedade, o amor ardente. O sacerdote, sacrificador visível, é santo, pelo menos o deve ser; os fiéis que se unem ao sacerdote e comungam a divina Vítima, são puros e acham-se animados pelo desejo de amar cada vez mais a Jesus Cristo.

   Portanto, o altar não é mais que o triunfo perpétuo e a glória do amor do Salvador. A Missa é a adoração perfeita prestada a Deus por Jesus Cristo, sumo Sacerdote; é a infinita ação de graças, expressa pelo Cordeiro divino. Dessa cruz mística fluem todas as graças da Redenção; as chagas abertas e gloriosas de Jesus Cristo as derramam abundantemente sobre os fiéis. Ali, termina-se e consuma-se a obra da salvação. O amor dá, o amor recebe, o amor torna-se a vida que jorra até ao céu.

   Poder-se-á dizer que não há mais, em absoluto, crimes que acompanhem o sacrifício incruento de Jesus Cristo, sacrilégios que o profanam? Ah! não deveria haver.

   Jesus Cristo foi crucificado uma vez pelo povo deicida; não deve mais ser ultrajado pelos cristãos regenerados em seu Sangue. Pagou o nosso resgate; seria, de nossa parte, espantoso atentado crucificá-Lo  em nosso coração, insultá-Lo pela blasfêmia ímpia e escarnecedora, sepultá-Lo no lodo de nossos vícios. O crime do judeu seria escusável comparado ao do cristão, iluminado pela fé e filho de Deus pelo batismo. Seria atacar a glória de Deus, seus benefícios, o dom mais excelente de seu Amor.

   Mas passemos a cortina do silêncio sobre tão triste quadro. Quero terminar com uma visão de consolação e felicidade. Bendigamos, pois, a bondade infinita de Jesus Cristo que deu à Igreja Católica o verdadeiro e divino Sacrifício do Altar.   

HOMILIA DOMINICAL - 10º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, 12, 2-11.
                    Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 18, 9-14.


   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   A Santa Madre Igreja coloca hoje para nossa meditação a parábola do fariseu e do publicano. São Lucas observa de início qual é a finalidade desta parábola: "Disse Jesus esta parábola a alguns que se tinham a si mesmos em conta de justos, e desprezavam os outros."E, no fim, Nosso Senhor deixou bem claro o ensinamento da mesma parábola: "O que se eleva será humilhado, e o que se humilha, será exaltado."
   Pelos gestos e atitudes exteriores e pelas palavras, Jesus mostra as disposições interiores destes dois homens: o fariseu e o publicano. Ambos sobem a encosta do Mória, colina sobre a qual se encontrava o Templo. Vão orar. Entram no pátio dos gentios, o mais espaçoso, o mais concorrido de todos. O fariseu avança em atitude solene, como quem tem consciência do seu próprio valor e da sua importância social. O gesto grave, o andar majestoso, o manto amplo com as largas franjas de filactérias, coalhadas de textos de Moisés. O nosso homem caminha indiferente a todas saudações, chega ao pátio das mulheres, sobe os degraus da grande escadaria de mármore, que conduz ao Átrio de Israel, e pára por fim para dizer a sua oração. Está de pé, empertigado como se houvesse engessado a espinha dorsal, diante de todos, faz o sua oração: "Senhor, dou-vos graças, porque não sou como os outros homens: os outros afora eu, são ladrões, injustos, adúlteros... como este publicano... Jejuo duas vezes por semana, pago os dízimos de tudo o que possuo". Que singular e estranha oração! Esse homem nada tem que pedir a Deus, não precisa de nada! Basta-lhe contar o bem que faz e o mal que não faz. Nada tem de que se acusar!... Lança os olhos em torno de si, com a satisfação de quem tivesse a consciência alvíssima como a neve, e encontra um publicano, um pecador, um miserável digno de todo o desprezo! Mas, caríssimos, não é mais ou menos assim que muitos não querem se confessar dizendo que: não mato, não roubo, não mexo com família de ninguém, não desejo mal a ninguém; dou esmola aos pobres, faço o bem que posso! - Portanto, deviam eles concluir, sou um santo! Mas a consciência protesta contra esta hipocrisia. 
   "O publicano, diz Nosso Senhor, pelo contrário, conservando-se à distância, nem ao menos ousava levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo - Meu Deus, tende compaixão de mim que sou um pecador". Eis, caríssimos irmãos, o reverso da medalha. Colocado no último lugar, em atitude humilde e penitente, o publicano mantém-se longe do santuário, à entrada do pátio das mulheres, trêmulo não vê o que passa no Templo, não conhece o fariseu que ali está, na sua frente, cheio de orgulho e de supostas virtudes. Só pensa em Deus a fim de alcançar misericórdia para os seus pecados. E oprimido pela consciência de suas culpas, repete muitas vezes: "Senhor, tende piedade deste pecador!"
   Na verdade o fariseu não ora. Suas palavras não são mais que um alarde de suas virtudes e um inventário, sem dúvida exagerado, dos vícios dos demais. É possível que seja verdade o que diz: nunca roubou, nem cometeu adultério, nem quebrantou o mínimo ponto da Torah. Mas, deitou tudo a perder: aquela complacência na sua virtude e aquele desprezo pelos outros envenenavam todas as suas obras. Deus não o pôde ver nem ouvir e, pelo contrário, olha com complacência o pobre publicano, que talvez um dia tenha manchado as mãos com a rapina, mas agora entra na casa de Deus arrependido, humilhado, cheio de confusão e vergonha. É o que Jesus nos diz: 
   - Eu vos asseguro que, ao deixar o Templo, este publicano era mais agradável aos olhos de Deus do que aquele fariseu, porque o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.
   Santo Agostinho diz: "Tanto mais agrada a Deus a humildade nas coisas mal feitas do que a soberba nas bem feitas!"
    Nem todos os que vão para o Paraíso pregaram o Evangelho aos povos infiéis; nem todos derramaram o seu sangue ou perderam sua vida por amor de Cristo; nem todos têm a estola sacerdotal ou vêm do claustro. Mas todos, sem exclusão de nenhum, devem ter praticado a humildade, porque só será exaltado quem  se houver humilhado.
   Jesus, manso e humilde de coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso! Amém
   
                   

domingo, 17 de julho de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 9º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras:Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, X, 6-13.
                   Evangelho segundo São Lucas, XIX, 41-47. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


Capela "Dominus Flevit"(=O Senhor chorou)
construída no Monte das Oliveiras no local
em que Jesus chorou. Observam-se
decorações em forma de lágrimas. 
   A Santa Madre Igreja, através da Epístola e do Evangelho deste domingo, quer que meditemos sobre o grave problema da nossa correspondência à graça. Dificilmente se poderá compreender o amor de Deus pelo seu povo escolhido, o povo judeu, especialmente pela cidade de Jerusalém. ! São Paulo, depois de ter lembrado algumas prevaricações de Israel e os consequentes castigos, conclui: "Estas coisas lhes aconteciam em figura e foram escritas para advertência de todos nós... Aquele, pois, que crê estar de pé, veja que não caia". Na verdade, quantos benefícios, milagres, instruções e graças de toda a espécie concedidos àquele povo! Certa vez Jesus chegou a exclamar: "Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes eu quis juntar teus filhos como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintainhos e tu não quisestes" (S. Mat. 23, 37). É o abuso de tantos dons e a perspectiva dos castigos, de que é consequência, que provocam as lágrimas de Nosso Senhor. Mas Jesus chorou também sobre numerosos cristãos de hoje não menos infiéis e ingratos do que Jerusalém; pois, não cessam de abusar das graças do Senhor. Ouve-se a voz de Deus que chama ou ameaça, ouve-se Jesus que bate à porta do coração, sente-se o Espírito Santo que inspira a deixar o pecado, a praticar a virtude... E muitos fecham o coração e não se comovem diante das lágrimas de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que deplorável e funesta malícia! Muitos vivem demasiadamente preocupados com as coisas exteriores. Choram quando perdem algum dinheiro; mas não choram quando perdem a graça de Deus. Muitos caem por inconstância. Faltam-lhes a coragem e a energia. São terreno pedregoso. Não têm profundidade na fé ou na humildade. Sente-se o toque da graça, fica-se abalado num retiro, com uma comunhão, com um sermão e começa-se até a viver melhor. Mas logo depois, pouco a pouco, a boa vontade enfraquece; esquecem-se as boas resoluções e as promessas.
Mosaico que se encontra no interior da Capela
"Dominus Flevit"
   Caríssimos e amados irmãos, a graça é um dom de Deus infinitamente precioso. É o preço do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. A graça é a chave do céu, o talento com que compramos a vida eterna. Por isso, resistir à graça, abusar dela, perdê-la é fazer injúria a Deus, é cometer uma monstruosa ingratidão. E, como ela é indispensável, resistir-lhe é também fazer a si mesmo um mal irreparável. É uma temeridade funesta, pois que é expor-se à condenação. É expor-se a muitos castigos, como alerta o Apóstolo São Paulo na Epístola deste domingo. O abuso da graça priva-nos de numerosos e preciosos méritos; causa a insensibilidade espiritual. Nada emociona, nada comove; fica-se indiferente a tudo! Vede Saul, Salomão, Judas...! Depois de suas desobediências a Deus, Saul pediu ao Profeta Samuel que intercedesse por ele e fosse com ele para adorar ao Senhor. Ao que Samuel respondeu: "Não irei contigo, porque desprezaste a palavra do Senhor, e o Senhor te repeliu" (I Reis, 15, 26). " o Senhor te repeliu": que coisa terrível!!! Reflitamos também sobre o exemplo do rei Baltasar, que achando-se num festim a profanar os vasos do templo, viu mão misteriosa a escrever na parede: Mane, Thecel, Fhares. Veio o profeta Daniel e explicou assim as palavras: "Foste pesado na balança e achado demasiadamente leve" (Dan. 5, 27), dando-lhe a entender que o peso de seus pecados havia inclinado até ao castigo a balança da justiça divina. E, com efeito, Baltasar foi morto naquela mesma noite. 
Monte das Oliveiras, à direita vê-se um antiquíssimo
cemitério judeu. No meio da foto, um pouco abaixo do
cume, vê-se a capela "Dominus Flevit". Na subida do
asfalto, na primeira curva, vê-se o túmulo de Absalão.
    Mas, caríssimos, meditemos sobretudo nas palavras do manso Cordeiro de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, ao avistar Jerusalém e chorar: "Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque , dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão e por todos os lados te apertarão. Arrasar-te-ão a ti e a teus filhos, que estão dentro de ti e em ti não deixarão pedra sobre pedra, porque tu não conheces o tempo de tua visitação". 
   Ó se tivéssemos reconhecido sempre o momento em que o Senhor nos visitou com a sua graça! Ah! se abríssemos sempre de par em par a porta de nosso coração à ação da graça divina! Procuremos, caríssimos, recomeçar hoje de novo, resolvidos outrossim, a recomeçar todas as vezes que nos acontecer ceder à natureza. E Aquele único que nos pode trazer a verdadeira paz, a felicidade e a santificação, premiará esta nossa adesão contínua aos impulsos da graça. Amém! 
   
   

domingo, 10 de julho de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 8º Domingo depois de Pentecostes

Leitura: Epístola aos Romanos VIII, 12-17.
              Evangelho segundo São Lucas XVI, 1-9. 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   No Santo Evangelho de hoje, através da parábola do "Feitor infiel" Nosso Senhor Jesus Cristo quer exortar-nos, a nós os "filhos da luz" a não sermos menos hábeis em olhar pelos interesses eternos do que "os filhos das trevas" em assegurar os bens deste mundo.
   Sob a imagem de um ecônomo, que chama infiel, o Divino Mestre nos faz ver o cuidado que devemos ter em assegurarmos uma boa morte, e como o melhor meio de a conseguir é a prática das obras de misericórdia. Certo ecônomo, diz Jesus Cristo, ao serviço de um rico proprietário, vendo que ia ser despedido, por causa da sua má administração, recorre a um expediente injusto, porém hábil, a fim de converter os devedores de seu amo em amigos que, no momento oportuno, o recebam em sua casa. Assim o pecador deve empregar todos os meios para ser recebido, depois da morte, nos tabernáculos eternos, ou seja, no Céu. Tal é o sentido da parábola que lemos em São Lucas XVI, 1-9.
   O homem rico é a figura de Deus, Senhor absoluto de todas as riquezas que possuem os anjos no céu,,e os homens na terra. O ecônomo é todo o homem que está neste mundo. Se o homem aqui na terra é considerado proprietário diante dos outros homens, não o é diante de Deus, mas apenas um administrador, um simples ecônomo. Tudo o que possuímos, de fato, não nos pertence, pois tudo nos foi confiado por Deus, a quem havemos de prestar contas.
   À hora da nossa morte, encontraremos um livro onde se acha notado, com rigorosa precisão (um copo d'água, uma palavra ociosa etc.) todo o nosso ativo e todo o nosso passivo; todo o bem e todo o mal. 
  Como o ecônomo infiel, seremos também acusados, diante de Deus, pelo demônio e pelos nossos próprios pecados.
   O pecador é chamado ao tribunal de Deus pela voz dos superiores, pelos bons exemplos que recusa imitar, pelos conselhos e salutares avisos dos seus amigos, pelas inspirações da graça, pelo remorso da consciência e, finalmente, pela morte que se aproxima lentamente e cai de súbito sobre ele. A vida inteira nos é concedida para regular as nossas contas, e podemos fazê-lo pelo exame de consciência e pela confissão sacramental. 
   -Presta-me contas da tua administração. Esta intimação será feita, um dia, a cada um de nós, à hora da morte. Para uns será horrível, como o prelúdio do castigo; para outros será cheia de consolação, como o anúncio da recompensa - Depois da morte já não podemos exercer a nossa administração, é já passado o tempo de expiar os nossos pecados. É agora, enquanto temos vida, tempo e saúde, que devemos refletir - Que hei de fazer? Agora não nos faltam os meios, e se refletirmos seriamente, logo encontraremos a resposta - Já sei o que devo fazer. No dia do Juízo o pecador dirá também - Que hei de fazer? mas será um grito de desespero, a sua perda é irremediável.
   Trabalhar cavando a terra, exposto ao sol e à chuva, é o penoso trabalho da penitência e da mortificação. Mendigar é orar, é suplicar o necessário para alimento da nossa alma.
As sete obras de misericórdia corporais
   Se, porém, não temos força ou coragem para as duras penitências da vida cristã, se não temos tempo e vagar para longas orações, podemos sempre praticar outras boas obras, fazer esmolas ainda mesmo do pouco que possuímos. Qual o pobre que não pode dar a outro pobre o óbulo da viúva ou ainda um copo d'água? A esmola é, pois, um grande meio de salvação, sem excluir, todavia, a penitência e a oração que, segundo as circunstâncias, nos for permitido fazer. 
   Caríssimos, vê-se bem a astúcia deste mau servo da parábola. Perdoando a uns mais do que a outros, toma precauções para que não seja descoberta a sua fraude. Além disso, ele conhecia talvez as disposições de cada um, e procede com toda a prudência, habilidade e espírito de previdência. Enquanto o ecônomo não tinha o direito de dispor dos bens de seu amo, nós recebemos de Deus, não somente uma permissão, mas ainda uma ordem formal de distribuir com largueza e liberalidade, os bens corporais e espirituais que Ele nos confiou. Quis o Divino Mestre fazer-nos compreender, diz Santo Agostinho, que se aquele mau servo é elogiado por saber acautelar os seu interesses, com mais razão seremos nós agradáveis a Deus, se, conformando-nos com a lei divina, praticarmos as obras de misericórdia.
   Jesus fala de "riquezas injustas",isto é, enganadoras, mentirosas. São assim chamadas porque são às vezes mal adquiridas, ou porque são mal empregadas, e, neste sentido, são a fonte de muitas injustiças. Em si mesma, porém, a fortuna é um dom de Deus, é uma graça que convém aproveitar para a nossa salvação, proporcionando-nos a amizade dos pobres, conquistando-nos o coração de Jesus que neles se incarna e representa. 
   Caríssimos e amados fiéis, quem tem pouco, dê pouco; quem tem muito, dê muito. Lembrai-vos que os bens desta terra em vossas mãos são perdidos para a eternidade; mas depositados nas mãos dos pobres e dos amigos de Nosso Senhor, frutificarão ao cêntuplo, resgatarão vossos pecados, e vos valerão o paraíso. Amém!