SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

POSSESSÃO DIABÓLICA


                                                   "Não deis lugar ao demônio" (Efésios IV, 27).
                                                                     "Sede, pois, sujeitos a Deus e resisti ao demônio, e ele fugirá de vós" (S. Tiago IV, 7).

Considerando que há muita desinformação atinente a este assunto tão angustiante, e isto até por parte de alguns exorcistas, achei por bem, visando a maior glória de Deus e o bem das almas, expô-lo aqui.

Caríssimos e amados leitores, em primeiro lugar serão de enorme utilidade algumas noções preliminares.

É certo que o demônio pode, por permissão de Deus, exercer influência e dirigir ataques contra o homem, produzindo nos sentidos externos ou internos, operações e impressões, anômalas, dolorosas e/ou aflitivas. Radicalmente perverso e maligno, lança mão de quanto possa contrariar a glória de Deus e a felicidade do homem.

Jesus Cristo diz que o demônio é invejoso e homicida deste o início da humanidade. Realmente com o pecado original dos nossos primeiros pais, o inimigo das almas passou a ter um grande império e a exercer uma acerba tirania. Mas com a vinda de Jesus Cristo que venceu este príncipe do mundo, do orgulho, da avareza e da impureza, o domínio do demônio diminuiu muito e visa muito mais atormentar as almas antes do que os corpos, acorrentando-as (quando elas se afastam de Jesus) com as cadeias do pecado. Quem não está com Jesus, estará com o demônio, como afirmou o divino Mestre: "Quem não está comigo, está contra mim" (Mat. XII, 30) . Este ataque do demônio às almas, é feito ordinariamente através das tentações de que já falamos em outro artigo. O ódio insaciável que o Maligno tem à humanidade leva-o também a lançar mão de todos os meios e, se lhe for dado, descarregar também sobre o corpo os mais pesados golpes. São os ataques extraordinários: possessão e obsessão.

O maior mal que pode acontecer a uma pessoa é ter sua alma possuída pelo demônio por meio do pecado mortal. De Judas Iscariotes Nosso Senhor Jesus Cristo disse que ele não estava limpo porque estava com o demônio. É infinitamente pior do que a possessão porque esta atinge o corpo, e, só indiretamente, às vezes, atinge a alma. Mas como a habitação da alma pelo demônio é algo invisível, são poucas as pessoas que se preocupam em sair deste estado o mais lastimável possível.

Falemos, então, da possessão propriamente dita. "Dois elementos  -   diz o Padre Tanquerey  -  constituem a possessão: a presença do demônio no corpo do possesso, e o império que ele exerce sobre esse corpo, e, por intermédio dele, sobre a alma. É este último ponto que nos cumpre explicar. O demônio não está unido ao corpo como a alma o está; não é com relação à alma senão um motor externo, e, se influi sobre ela, é por intermédio do corpo em que habita. Pode atuar diretamente sobre os membros do corpo e fazer-lhes executar toda a sorte de movimentos; indiretamente influi sobre as faculdades, na medida em que estas dependem do corpo para as suas operações". E continua o grande teólogo Padre Tanquerey: "Podem-se distinguir nos possessos dois estados distintos: o estado de crise e o estado de sossego. A crise é como uma espécie de acesso violento, em que o demônio manifesta o seu império tirânico, imprimindo ao corpo uma agitação febril que se traduz por contorções, explosões de raiva, palavras ímpias e blasfemas. Os pacientes parece que perdem então todo o sentimento do que neles se passa, e, voltando a si mesmos, não conservam lembrança alguma do que disseram ou fizeram, ou antes do que o demônio fez por eles. Só ao princípio é que sentem a irrupção do demônio; depois, parece que perdem a consciência de tudo isso".(...) "Nos intervalos de repouso, nada vem revelar a presença do espírito maligno: dir-se-ia que se retirou". [E aí alguns exorcistas se enganam].  

Como dizia o afamado exorcista, o Padre Gabriele Amorth, recentemente falecido: o demônio, às vezes, demora muito tempo para sair de um possesso.

Se, por um lado, muitos exorcistas  menos avisados ou nímia e apressadamente crédulos, fazem em vão o exorcismo, quando deveriam encaminhar o paciente ao médico; por outro lado, às vezes,  manifesta-se a presença do demônio por uma espécie de enfermidade crônica que desconcerta todos os recursos da medicina. O Exorcista prudente, quando subsiste alguma dúvida, deve enviar logo o paciente aos médicos. Daí, caríssimos leitores, será de suma importância conhecer os sinais certos da possessão diabólica. Um médico católico praticante, por outro lado,  como tenho a dita de conhecer alguns, pode fazer um bem imenso as almas. Quando fui Capelão de Hospitais, médicos católicos, procuravam-me e diziam: Padre,  V. Rev.ma pode atender tal paciente, porque não é caso para nós. E realmente não o era! E assim, pela graça de Deus, pude ajudar muitas almas e, talvez muitas vidas. 

Segundo o Ritual Romano Tradicional (De exorcizandis obsessis a daemonio), há três sinais principais que podem dar a conhecer a possessão: Primeiro: "ignota lingua loqui pluribus verbis vel loquentem intelligere", isto é, "falar uma língua desconhecida, fazendo uso de muitas palavras dessa língua, ou compreender quem a fala". Vede, caríssimos como o Ritual Tradicional é judicioso: "fazendo uso de muitas palavras dessa língua". (Certa vez, um falso exorcista fez um exorcismo de uma sua criada,  e querendo ela demonstrar que estava possessa, falou algumas poucas palavras em grego e hebraico, só com um detalhe, que ela as havia ouvido de seu amo. É preciso que todos saibam também que muitos pretensos exorcistas usam o hipnotismo de palco e enganam até multidões).  Mas passemos ao segundo sinal: "distantia, et occulta patefacere" "descobrir coisas remotas e ocultas". Por prudência, o exorcista deve hoje em dia, sobretudo por causa da Internet, procurar indagar se a pessoa não soube através da mídia (pode o sujeito dizer: em tal dia e em tal lugar haverá uma grande tempestade); e, em se tratando de predição do futuro, é prudente esperar se realmente vai realizar, e não se deve dar crédito com facilidade. Também o Exorcista não deve deixar se enganar por predições vagas. Hoje podemos dizer que este segundo sinal só oferece segurança juntamente com os outros dois sinais. Terceiro sinal: "vires supra aetatis seu conditiones naturam ostendere" "dar mostra de energias que ultrapassam as forças naturais da idade ou da condição". É evidente que se reunirem estes três sinais é quase certo que se trate de possessão. O Ritual Romano Tradicional, faz 21 observações antes das Orações do Exorcismo. Vou apenas resumir as principais: a que fala sobre os sinais de possessão já acabamos de mostrar. O Exorcista deve estar atento para descobrir possíveis artimanhas empregadas pelo demônio para se ocultar e não acontecer o Exorcismo, como p. ex. fazendo o possesso dormir, ou, então, deixando no momento o possesso em tranquilidade, fingindo não estar nele. Às vezes, também o demônio finge que já saiu e o exorcista, se não for prudente, cai na cilada. Outra coisa importante é o Exorcista está bem lembrado do que Jesus Cristo disse: "Há uma casta de demônios que só se expulsa pela oração e pelo jejum". O Exorcista, a exemplo do que fez Jesus Cristo, pode perguntar o número de demônios, seu nome e procurar saber por quanto tempo o possesso sofre nas garras do demônio. O Exorcista deve fazer o Exorcismo e ler com império e autoridade, com grande fé, humildade e fervor. Deve empregar palavras das Sagradas Escrituras e não próprias ou alheias. Deve obrigar o demônio a dizer se traz naquele corpo por magia signos ou instrumentos maléficos; e se os engoliu, obrigá-lo a vomitá-los. Também deve obrigar o diabo a revelar se existem tais coisas fora do corpo. Sendo encontrados, tudo deve ser recolhido e queimado. Deve, outrossim, admoestar o possesso a relatar ao Exorcista as tentações que sofre da parte do demônio. Finalmente, caso tenha certeza que o demônio foi expulso, o Exorcista deve admoestar o paciente que tenha todo o cuidado para evitar o pecado e não dar assim lugar ao demônio que volte, porque neste caso o estado do possesso ficaria bem mais crítico do que o anterior.

Gostaria ainda de fazer uma outra observação: o demônio pode querer mascarar a possessão aproveitando de certa loucura ou problemas de nervo. Uma vez levaram até ao Santo Cura d'Ars uma mulher furiosa e que se contorcia toda. E perguntaram ao santo o que ele achava. Ele disse: "É um pouco de loucura, um pouco de nervo e um pouco de "grapin" (=diabo). 

Além dos sinais indicados no Ritual Romano Tradicional, a experiência nos ensina muita coisa! Um padre contou-me certa vez, que ao fazer um exorcismo, tirou do bolso da batina o vidrinho de água benta e aspergiu o possesso, que riu escarninhamente; o padre achou estranho e procurou indagar se realmente aquela água tinha sido benta com os exorcismos, e verificou com certeza que não. Aí pegou água benta de fato e lançou no possesso e este ficou furioso e se contorcia. Os Exorcistas devem ter cuidado porque o demônio pode também querer ridicularizar as coisas sagradas e zombar do próprio exorcista e enganar os fiéis. Que faz o pai da mentira? Tenta alguém a dissimular que está possesso. Seria uma tentação do demônio, fazendo a pessoa pensar que seria uma maneira de resolver algum problema. E, então, o exorcista fica fazendo papel de palhaço e, pior ainda, usando inutilmente as coisas sagradas, e o que é mais grave, há padres que usam até a Hóstia Consagrada. 

Caríssimos, se às vezes se enganaram alguns Exorcistas, é porque se haviam afastado das regras traçadas pelo Ritual Tradicional. Para evitar esses erros, é oportuno fazer examinar o caso não somente por sacerdotes mas também por médicos católicos e de preferência, médicos especialistas em síndromes nervosas.

Indico sempre três grandes remédios contra a possessão: 1 - Purificação da alma com uma boa confissão, e de preferência, uma confissão geral. 2 - Usar a água benta, mas ter o cuidado de usar a água benta com o Ritual Romano Tradicional, que já inclui vários exorcismos. 3 - Ter o crucifixo em casa, e melhor ainda trazê-lo sempre consigo. Trazer consigo a Medalha Milagrosa, a medalha de São Miguel Arcanjo e também a do Anjo da Guarda.


Para terminar, quero lembrar o frase de Santo Agostinho: "O demônio é um cão amarrado e só morde em quem dele se aproxima". Daí dizer São Paulo: "Não deis lugar ao demônio".


O ROSÁRIO PROVA A MARIA O NOSSO RECONHECIMENTO


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 31 de outubro



"14. Mas há outra razão que torna as nossas coroas mais agradáveis e mais meritórias em presença da Virgem. Quando, com devota recordação, repetimos a tríplice ordem dos mistérios, vimos a demonstrar-lhe mais claramente o nosso afetuoso reconhecimento; porque com isto nós professamos que nunca nos fartamos de recordar os benefícios dispensados pela sua inexaurível caridade, para a nossa salvação. Ora, nós podemos ter apenas uma vaga ideia da alegria, sempre nova, que a lembrança destes grandiosos fatos, repetidos com freqüência e com amor em sua presença, pode infundir no seu ânimo bendito, movendo-o a sentimentos de solicitude e de generosidade materna. Além disto, estas mesmas lembranças fazem com que as nossas orações se tornem mais ardentes e eficazes; porque cada mistério que passa diante do nosso pensamento fornece-nos um novo estímulo para orar, maximamente eficaz perante a Virgem. Sim, a ti recorremos, santa Mãe de Deus; e tu não desprezes estes míseros filhos de Eva! A ti suplicamos, ó poderosa e benigna Mediadora da nossa salvação, conjuramos-te com toda a alma; pelas suaves alegrias recebidas de teu Filho Jesus; pela participação nas suas indizíveis dores, pelo esplendor da sua glória que em ti se reflete. Eia, pois escuta-nos, se bem que indignos, e atende-nos!

domingo, 30 de outubro de 2016

O ROSÁRIO AJUDA-NOS A BEM REZAR


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 30 de outubro

"12. Outra fortíssima razão para contarmos com maior segurança com a generosa bondade de Maria reside na própria natureza do Rosário, tão adequado para nos fazer rezar bem. Pela sua fragilidade, o homem, durante a oração, muitas vezes é levado a distrair-se do pensamento de Deus e a faltar ao seu louvável propósito. Ora, quem considera atentamente este fenômeno logo verá quão eficaz é o Rosário não só para fazer aplicar a mente e para sacudir a preguiça da alma, como também para excitar um salutar arrependimento das culpas, e, finalmente, para elevar o espírito às coisas celestes. E isto porque, como é bem sabido, o Rosário é composto de duas partes, distintas entre si, porém inseparáveis: a meditação dos mistérios e a oração vocal. Por consequência, este gênero de oração requer da parte do fiel uma atenção particular que não só o faz elevar, de algum modo, a mente a Deus, mas o leva também a refletir tão seriamente sobre as coisas propostas à sua consideração e contemplação, que ele é induzido também a tirar delas estímulo para uma vida melhor e alimento para toda forma de piedade. Realmente, não há nada maior ou mais maravilhoso do que estas coisas, que são como que o resumo da fé cristã, e que, com a sua luz e íntima força, têm sido fonte de verdade, de justiça e de paz, que assinalaram para o mundo uma nova ordem de coisas, rica de frutos maravilhosos.

13. Atende-se, além disso, no modo como estes profundíssimos mistérios são apresentados a quem reza o Rosário: isto é, um modo que bem se adapta às mentes mesmo dos simples e dos menos instruídos. O Rosário não tem em mira fazer-nos perscrutar os dogmas da fé e da doutrina cristã, mas principalmente pôr como que diante do nosso olhar e evocar à nossa memória fatos.  Visto como os fatos que são apresentados quase nas mesmas circunstâncias de lugar, de tempo e de pessoa em que aconteceram, impressionam mais a alma e a comovem salutarmente. E, visto que estas coisas são geralmente inculcadas a gravadas nas alma desde a infância, daí se segue que, apenas enunciado um mistério, todo aquele que efetivamente tem amor à oração percorre-o sem nenhum esforço de imaginação, mas com movimento espontâneo da mente e do coração, e, pelo auxílio de Maria, tira dele em abundância um orvalho de graças celestes".


(Encíclica "JUCUNDA SEMPER" de Leão XIII). 

sábado, 29 de outubro de 2016

FESTA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI

Último Domingo de Outubro  -  22º Domingo depois de Pentecostes


  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses, 1, 12-20.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 18, 33-37.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Meditemos um pouco sobre alguns trechos da Encíclica "Quas Primas" (11/12/1925) do Papa Pio XI:

  "Na primeira Encíclica, dirigida, em princípio do nosso Pontificado, aos Bispos do mundo inteiro, indagamos a causa íntima das calamidades que, ante os nossos olhos, avassalam o gênero humano. Ora, lembra-nos haver abertamente declarado duas coisas: uma - que esta aluvião de males sobre os universo provém de ter a maior parte dos homens removido, assim da vida particular como da vida pública, Jesus Cristo e sua lei sacrossanta; e outra - que baldado era esperar paz duradoura entre os povos, enquanto os indivíduos e as nações recusassem reconhecer e proclamar a Soberania de Nosso Salvador. (...).
  "Muito há que a linguagem corrente dá a Cristo o nome de "Rei em sentido metafórico e transposto". "Rei" é Cristo, com efeito, atenta a eminente e suprema perfeição com que sobrepuja a todas as criaturas. Assim, dizemos que "reina sobre as inteligências humanas", por causa da penetração do seu espírito e da extensão de sua ciência, mas sobretudo porque é a própria Verdade em pessoa, de quem, portanto, é força que recebam rendidamente os homens toda a verdade. Dizemos que "reina sobre as vontades humanas", porque n'Ele se alia a indefectível santidade do divino querer com a mais reta, a mais submissa das vontades humanas; e também porque suas inspirações entusiasmam nossa vontade libre pelas causas mais nobres. Dizemos, enfim, que é "Rei dos corações", por causa daquela inefável "caridade que excede a toda humana compreensão" (Ef. 3, 19); e porque sua doçura e sua bondade atraem os corações: pois nunca houve, no gênero humano, e nunca haverá quem tanto amor tenha ateado como Cristo Jesus". 
  "Profundemos sempre mais o nosso argumento. É manifesto que o nome e o poder de "Rei", no sentido próprio da palavra, competem a Cristo em sua Humanidade, porque só de Cristo enquanto homem é que se pode dizer: do Pai recebeu "poder, honra e realeza" (Dan. 7, 13-14). Enquanto Verbo, consubstancial ao Pai, não pode deixar de Lhe ser em tudo igual e, portanto, de ter, como Ele, a suprema e absoluta soberania e domínio de todas as criaturas".
Testemunho do Antigo Testamento: Que Cristo seja Rei, não o lemos nós na Escritura? Ele é o "Dominador oriundo de Jacó" (Núm, 24, 19), Ele o "Rei dado pelo Pai a Sião, sua Santa Montanha, para receber em herança as nações, e dilatar seu domínio até os confins da Terra" (Sl 2, 6-8), Ele o verdadeiro "Rei vindouro" de Israel, que o cântico nupcial nos representa sob os traços de um soberano opulento e poderoso, a quem se dirigem estas palavras: "O teu trono, ó Deus, subsistirá por todos os séculos: vara de retidão é a vara de teu reino" (Sl 44, 7). Omitindo muitos passos análogos, deparamos além, como, para delinear com maior nitidez a fisionomia de Cristo, vem predito que seu reino desconhecerá fronteiras e desfrutará os tesouros da justiça e da paz. "Nos dias d'Ele, aparecerá justiça e abundância de paz... E dominará de mar a mar, e desde o rio até os confins da Terra" (Sl 71, 7-8). A estes testemunhos, juntam-se mais numerosos ainda os oráculos dos Profetas, e notadamente a tão conhecida profecia de Isaías: "Já um pequenino se acha nascido para nós, e um filho nos foi dado, e foi posto o principado sobre o seu ombro; e o nome com que se apelide será Admirável, Conselheiro, Deus, Forte, Pai do futuro século, Príncipe da Paz  O seu império se estenderá cada vez mais, e a paz não terá fim; assentar-se-á sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer em juízo e justiça, desde então e para sempre" (Is 9, 6-7).
  "Não é outro o modo como se expressam os demais Profetas. Assim fala Jeremias, quando prenuncia à descendência de Davi "um germe de justiça", esse filho de Davi, que reinará como Rei, "será sábio e obrará segundo a equidade e justiça na Terra" (Jeremias, 23, 5). Assim Daniel, quando prediz a constituição por Deus de um reino "Que não será jamais dissipado... e que durará eternamente" (Daniel, 2, 44). E pouco depois acrescenta: "Eu considerava estas coisas numa visão de noite, e eis que vi um, como o Filho do Homem, que vinha com as nuvens do Céu, e que chegou até o Antigo dos dias; e eles o apresentaram diante d'Ele. E Ele Lhe deu o poder, e a honra, e o reino; todos os povos, e tribos e línguas o servirão: o seu poder é um poder eterno, que Lhe não será tirado, e o seu reino tal, que não será jamais corrompido" (Daniel 7, 213-14). Assim Zacarias quando profetiza a entrada em Jerusalém, entre as aclamações do povo, do "Justo e Salvador", do Rei cheio de mansidão "montado sobre um jumento, e sobre o potro duma jumenta (Zac. 9,9). E não apontaram os Evangelistas o cumprimento desta profecia?
Fortaleza Antônia. Foi destruída pelos romanos no ano 70 DC
e  vemos na foto um modelo, reconstituindo-a.  Aí era
provavelmente, pelo menos nas festividades pascais, o
Pretório de Pilatos, onde, em particular, o governador
 perguntou a Jesus: Tu és  Rei? Jesus respondeu:
 "Tu dizes:
 Eu sou Rei. Eu para isto nasci e para isto vim ao mundo,
a fim de dar testemunho à verdade.
Todo aquele que é da verdade,
ouve a minha voz". 
  Testemunho do Novo Testamento: Esta doutrina de "Cristo Rei", que acabamos de esboçar segundo os livros do Antigo Testamento, bem longe de apagar-se nas páginas do Novo, vem ali, ao invés, confirmada do modo mais esplêndido e em termos admiráveis. Bastará lembrar apenas a mensagem do Arcanjo à Virgem, a anunciar-lhe que dará à luz um Filho; a este Filho, Deus outorgará "o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reino não terá fim" (S. Luc. 1, 32, 33). Ouçamos agora o testemunho do próprio Cristo no tocante à sua soberania. Sempre que se Lhe oferece ensejo, - em seu último discurso ao povo, sobre a recompensa e os castigos que , na vida eterna, aguardam os justos e os maus; em sua resposta ao governador romano que Lhe perguntara se era Rei; depois de sua ressurreição, quando confia aos Apóstolos a missão de instruírem e batizarem todas as nações, - reivindica o título de "Rei" (S. Jo. 18, 37) e que "todo poder Lhe foi dado no Céu e sobre a Terra" (S. Mat. 28, 18). Que entende com isto, senão afirmar a extensão de sua potência, a imensidade do seu reino? À vista disto, deverá fazer-nos estranheza que São João o proclame "Príncipe dos reis da terra? (Apoc. 1, 5) ou que, aparecendo o próprio Jesus ao mesmo Apóstolo em suas visões proféticas "traga escrito no vestido e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores"? (Apoc. 19, 16). O Pai, com efeito, constituiu a Cristo "herdeiro de todas as coisas" (Heb. 1, 1). Cumpre que reine até o fim dos tempos, quando "arrojará todos os seus inimigos sob os pés de Deus e do Pai" (1 Cor. 15, 25). 

O ROSÁRIO COMOVE MARIA EM NOSSO FAVOR


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia  29  de outubro


"10. Porém a virtude que o Rosário tem de inspirar a confiança em quem o reza, possui-a também em mover à piedade para conosco o coração da Virgem. Quanto deve ser suave para ela o ver-nos e o escutar-nos, enquanto entrelaçamos em coroa pedidos para nós justíssimos e louvores para ela belíssimos! Assim rezando, nós desejamos e tributamos a Deus a glória que lhe é devida; procuramos unicamente o cumprimento dos seus acenos e da sua vontade; exaltamos a sua bondade e a sua munificência, chamando-lhe Pai e pedindo-lhe, embora indignos deles, os dons mais preciosos. Com tudo isto Maria exulta imensamente, e, pela nossa piedade, de coração "magnifica o Senhor". Porque, quando nos dirigimos a Deus pela oração dominical, nós o suplicamos mediante uma oração digna d'Ele.

11. Mas às coisas que nela pedimos, já de per si tão retas e ordenadas e tão conformes à fé, à esperança, à caridade cristã, junta-se um valor que não pode deixar de ser sumamente apreciado pela Virgem Santíssima. Este: que à nossa voz se une a de seu Filho Jesus, o qual, depois de nos haver ensinado, palavra por palavra, essa fórmula de oração, autorizadamente no-la impõe dizendo: "Vós, pois, rezareis assim" (Mt 6,9). Certos estejamos, pois, de que se formos fiéis a este mandato com a recitação do Rosário, de sua parte Maria não deixará de exercer com maior benevolência o seu ofício de solícita caridade; e, acolhendo com semblante benigno estas místicas coroas de orações, recompensar-nos-á com abundância de graças."

(Encíclica "JUCUNDA SEMPRER" de Leão XIII).  

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

NAS ORAÇÕES VOCAIS


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 28 de outubro

[Confiança em Maria como mediadora nas orações vocais].

"8. Para este mesmo fim, em perfeita harmonia com os mistérios, tende a oração vocal. Procede, como é justo, a oração dominical dirigida ao Pai celeste. Em seguida, após haver invocado o mesmo Pai com a mais nobre das orações, do trono da sua majestade a nossa suplicante volve-se para Maria, em obséquio à lembrada lei da sua mediação e da sua intercessão, expressa por S. Bernardino de Sena com as seguintes palavras: "Toda graça que é comunicada a esta terra passa por três ordens sucessivas. De Deus é comunicada a Cristo, de Cristo à Virgem, e da Virgem a nós" (S. Vern. Sen., Serm. VI in festis B. M, V., De Annunc., a. 1, c. 2). E nós, na recitação do Rosário, passamos por todos os três graus desta escala, em diversa relação entre eles; porém mais longamente e de certo modo com mais gosto, detemo-nos no último, repetindo por dez vezes a saudação angélica, como que para nos elevarmos com maior confiança aos outros graus, isto é, por meio de Cristo a Deus Pai. Porquanto, se tornamos a repetir tantas vezes a mesma saudação a Maria, é para que a nossa oração, fraca e defeituosa, seja reforçada pela necessária confiança, confiança que surge em nós se pensarmos que Maria, mais do que rogar por nós, roga em nosso nome. De certo as nossas vozes serão mais agradáveis e eficazes na presença de Deus se forem apoiadas pelos rogos da Virgem; à qual Ele mesmo dirige o amoroso convite: "Ressoe a tua voz ao meu ouvido, porque suave é a tua voz" (Cânt. 2, 14). Por esta mesma razão, no Rosário nós tornamos tantas vezes a celebrar os seus gloriosos títulos de Mediadora. Em Maria saudamos aquela que "achou favor junto a Deus"; aquela que foi por Ele, de modo singularíssimo, "cumulada de graça", para que tal superabundância se entornasse sobre todos os homens; aquela a quem o Senhor está unido pelo vínculo mais estrito que existir possa; aquela que, "bendita entre as mulheres", "só ela dissolveu a maldição e trouxe a bênção" (S. Tom., op. VIII, sobre a saudação angélica, n. 8), ou seja o fruto bendito do seu seio, no qual "todas as nações são benditas";  aquela, enfim, que invocamos como "Mãe de Deus". Pois bem, em virtude de uma dignidade tão sublime, que coisa haverá que ela não possa pedir com segurança "para nós pecadores", e, por outro lado, que coisa haverá que não possamos esperar nós, em toda a vida e nas nossas extremas agonias?

9. Quem com toda diligência houver recitado estas orações e meditado com fé estes mistérios, não poderá deixar de admirar os desígnios divinos que uniram a Virgem Santíssima à salvação dos homens; e, com comovida confiança, desejará refugiar-se sob a sua proteção e no seu seio, repetindo a súplica de S. Bernardo: "Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido à vossa proteção, implorado o vosso auxílio, invocado a vossa intercessão, tenha sido por vós desamparado".


(Encíclica "JUCUNDA SEMPER" de Leão XIII).  

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

NOS MISTÉRIOS GLORIOSOS


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 27 de outubro

[Confiança em Maria como Mediadora nos mistérios gloriosos].

"7. Finalmente, nos mistérios gloriosos, que seguem os dolorosos, é mais copiosamente confirmado este mesmo misericordioso ofício da Virgem excelsa. Com tácita alegria ela saboreia a glória do filho triunfante sobre a morte; segue-o depois com maternal afeto na sua volta à sede celeste. Mas, conquanto digna do Céu, ela é mantida na terra, como suprema consoladora e mestra da Igreja nascente; "ela penetrou, além de tudo o que se possa crer, nos profundos arcanos da sabedoria divina" (S. Bern., De praefogtivis B. M. V., n. 3). E, pois que a obra santa da redenção dos homens não podia dizer-se completa antes da descida do Espírito Santo, prometido por Cristo, eis que a vemos lá naquele Cenáculo cheio de recordações, orar-lhe, juntamente com os apóstolos e em vantagem dos Apóstolos, com gemidos inenarráveis; a apressar para a Igreja a sabedoria do Espírito consolador, supremo dom de Cristo, tesouro que nunca lhe faltará. Porém em medida ainda mais cheia e perene poderá ela advogar a nossa causa quando tiver passado à vida imortal. E, assim, deste vale de lágrimas vemo-la assunta à cidade santa de Jerusalém, por entre as festas dos coros angélicos; veneramo-la elevada acima da glória de todos os Santos. coroada de estrelas por seu divino Filho, sentada junto d'Ele, rainha e senhora do universo. Em todos estes mistérios, ó Veneráveis Irmãos, se tão bem se manifesta "o desígnio de Deus, desígnio de sabedoria e desígnio de misericórdia" (S. Ber., Serm. em Nativ. B. M. V., n. 6), não menos claramente brilham ao mesmo tempo os grandíssimos benefícios da Virgem-Mãe para conosco: benefícios que não podem deixar de nos encher de alegria, porque nos infundem a firme esperança de obtermos, pela mediação de Maria, a clemência e a misericórdia de Deus."


(Encíclica "JUCUNDA SEMPER" de Leão XIII).  

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

CONFIANÇA EM MARIA COMO MEDIADORA


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 26 de outubro

Passamos agora a transcrever alguns textos da Encíclica "JUCUNDA SEMPER" também escrita por Leão XIII, em 8/9/1894.

"4. O nosso suplicante recurso ao patrocínio de Maria funda-se no seu ofício de Mediadora da graça divina; ofício que ela  -  agradabilíssima a Deus pela sua dignidade e pelos seus méritos e de longe superior em poder a todos os Santos  -  continuamente exerce por nós junto ao trono do Altíssimo. Ora, este seu ofício talvez por nenhum outro gênero de oração seja tão vivamente expresso como pelo Rosário, onde a parte tida pela Virgem na Redenção dos homens é posta tão em evidência que parece desenrolar-se agora ante o nosso olhar; e isto traz um singular proveito à piedade, seja na sucessiva contemplação dos sagrados mistérios, seja na recitação repetida das preces.

Nos mistérios gozosos

5. Primeiramente se nos apresentam os mistérios gozosos. O Filho eterno de Deus abaixa-se até aos homens, feito Ele próprio homem; mas com o assentimento de Maria, "que concebe do Espírito Santo". Daí ser João, por uma graça especial "santificado" no seio materno e enriquecido de escolhidos dons "para preparar os caminhos do Senhor". Mas isto sucede em seguida à saudação de Maria, que, por divina inspiração, vai visitar sua parenta. Finalmente vem à luz o Cristo, "o esperado das nações", e vem à luz do seio da Virgem. Os pastores e os Magos, primícias da fé, dirigem-se com ânsia pressurosos ao seu berço, e "acham o Menino com Maria sua Mãe". Depois Ele quer ser levado em pessoa ao templo para se oferecer publicamente em holocausto a Deus Pai. Mas é por obra da Mãe que ali "é apresentado ao Senhor". É sempre ela que, na misteriosa perda do Filho, o procura com ansiosa solicitude e o reencontra com alegria imensa.

Nos mistérios dolorosos

6. No mesmo sentido falam os mistérios dolorosos. É verdade que Maria não está presente no horto de Getsêmani, onde Jesus treme e está triste até à morte, e no pretório, onde é flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte, Mas já desde tempo ela conhecera e vira claramente todas estas coisas, Com efeito, quando ela se ofereceu a Deus como escrava, para depois se tornar sua mãe, e quando no templo se consagrou inteiramente a Ele, juntamente com o Filho, já desde então, em virtude destes dois fatos, ela se tornou participante da dolorosa expiação de Cristo, para vantagem do gênero humano. Não há, pois, dúvida alguma de que, mesmo por tal razão, durante as cruéis angústias e torturas do Filho ela experimentou no seu coração as mais agudas dores. Aliás, na sua própria presença e sob seus olhos devia consumar-se aquele divino sacrifício para o qual, com o próprio leite, ela generosamente criara a vítima. Isto se contempla no último e mais comovente destes mistérios. "Estava junto à Cruz de Jesus Maria sua Mãe", a qual, movida por um imenso amor a nós, para nos ter como seus filhos ofereceu, ela mesma, seu Filho à justiça divina, e com Ele morreu no seu coração, traspassada pela espada da dor".


(Encíclica "JUCUNDA SEMPER" de Leão XIII).

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O DESCASO DOS BENS ETERNOS


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 25 de outubro

"13. O terceiro mal para o qual é preciso achar um remédio é particularmente próprio dos homens dos nossos dias. Com efeito, os homens dos tempos passados, mesmo quando com excessiva paixão procuravam as coisas terrenas, contudo não desprezavam totalmente as celestes; antes, os mais sábios entre os próprios pagãos ensinaram que esta nossa vida é um lugar de hospedagem e uma estação de passagem, antes que uma morada fixa e definitiva. Ao contrário, muitos dos modernos, embora educados na fé cristã, procuram de tal modo os bens transitórios desta terra, que não somente esquecem uma pátria melhor na eternidade bem-aventurada, mas, por excesso de vergonha, chegam a cancelá-la completamente de sua memória, contra a advertência de S. Paulo: "Não temos aqui uma cidade permanente, porém demandamos a futura"(Hebr. 13, 14). Quem quiser examinar as causas desta aberração logo notará que a primeira delas é a convicção de muitos de que o pensamento das coisas eternas extingue o amor da pátria terrena e impede a prosperidade do Estado. Calúnia odiosa e insensata. E, de fato, os bens que esperamos não são de natureza tal que absorvam os pensamentos do homem até o ponto de o distrair inteiramente do cuidado dos interesses terrenos. O próprio Cristo, embora recomendo-nos procurarmos antes de tudo o reino de Deus, com isto nos insinua que não devemos descurar tudo o mais. E, de fato, se o uso dos bens terrenos e dos gozos honestos que deles derivam servem de estímulo à virtude; se o esplendor e o bem-estar da cidade terrena  -  que depois redundam em glória da sociedade humana  -  são considerados como uma imagem do esplendor e da magnificência da cidade eterna, eles não são nem indignos de homens racionais, nem contrários aos desígnios de Deus. Porque Deus é ao mesmo tempo autor da natureza e da graça; e por isto não pode ter disposto que uma obsta à outra e estejam entre si em luta; mas, ao contrário, que, amigavelmente unidas, nos guiem, por uma trilha mais fácil àquela eterna felicidade a que, embora mortais, somos destinados.

14. Mas os homens dados ao prazer e egoístas, que tal modo mergulham e aviltam os seus pensamentos nas coisas caducas a ponto de não saberem elevar-se a mais alto, estes, antes que procurarem os bens eternos através dos bens sensíveis de que gozam, perdem completamente de vista a eternidade, caindo assim numa condição verdadeiramente abjeta. Na verdade, Deus não poderia infligir ao homem punição mais terrível do que abandonando-o por toda a vida às seduções dos vícios, sem ter jamais um olhar para o Céu.

As lições dos mistérios gloriosos

15. A este perigo não estará exposto aquele que, rezando o santo Rosário, meditar com atenção e com freqüência as verdades contidas nos mistérios gloriosos. Desses mistérios, com efeito, brilha na mente dos cristãos uma luz tão viva, que nos faz descobrir aqueles bens que o nosso olho humano nunca poderia perceber, mas que Deus  -  assim o veremos com fé inabalável  -  preparou  "para aqueles que o amam". Deles aprendemos, além disto, que a morte não é um esfacelamento que tudo perde e destrói, mas sim uma simples passagem e uma mudança de vida. Aprendemos que o caminho do céu está aberto a todos; e, quando observamos Cristo que volta ao Céu, recordamos a sua bela promessa: "Vou preparar-vos o lugar". Aprendemos que haverá um tempo em que "Deus" enxugará toda lágrima dos nossos olhos; em que não haverá mais nem lutos nem pranto, nem dor, mas estaremos sempre com o Senhor, semelhantes a Deus, porque o veremos como Ele é, bebendo na torrente das suas delícias, concidadãos dos santos", em feliz união com a grande Mãe e Rainha.

16. Uma alma que se nutra destas verdades deverá necessariamente inflamar-se delas e repetir a frase de um grande Santo: "Oh! como me parece sórdida a terra quando olho o Céu"; deverá necessariamente alegrar-se ao pensamento de que "um instante de um leve sofrimento nosso produz em nós uma medida eterna de glória". E, verdadeiramente, só aqui está o segredo de harmonizar o tempo com a eternidade, a cidade terrena com a celeste, e de formar caracteres fortes e generosos. E se estes se tornarem muito numerosos, sem dúvida estará com isso consolidada a dignidade e a grandeza do Estado; e florescerá tudo o que é verdadeiro, tudo o que é bom, tudo o que é belo; florescerá em harmonia com aquela norma que é o sumo princípio e a fonte inexaurível de toda verdade, de toda bondade e de toda beleza.

17. Ora, quem não vê a verdade disso que havemos observado desde o princípio, isto é, de que preciosos bens é fecundo o santo Rosário? O quanto ele é maravilhosamente eficaz em curar os males dos nossos tempos, e em opor um dique aos gravíssimos males da sociedade?

(Encíclica "LAETITIAE SANCTAE" de Leão XIII).


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A AVERSÃO AO SACRIFÍCIO


LEITURA ESPIRITUAL  - Dia 24 de outubro

A aversão ao sacrifício

"9. O segundo mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre mais difusa e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por todos os meios as adversidades. De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como deveriam, a serena liberdade da espírito como um prêmio para quem exercita a virtude e suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas. Ora, este agudo e desenfreado desejo de uma vida cômoda debilita fatalmente as almas, que, mesmo quando não se arruínam totalmente, ficam sem embargo, tão enervados, que primeiro cedem vergonhosamente em face dos males da vida, e depois sucumbem miseravelmente.

As lições dos mistérios dolorosos


10. Pois bem: ainda contra este mal é bem justificado esperar do Rosário de Maria um remédio que, pela força do exemplo, pode grandemente contribuir para fortalecer os ânimos. E isto se obterá se os homens, desde a sua primeira infância, e depois constantemente em toda a sua vida, se aplicarem, no recolhimento, à meditação dos mistérios dolorosos. Através destes mistérios vemos que Jesus, "guia e aperfeiçoador da fé", começou a fazer e a ensinar, a fim de que víssemos n'Ele próprio o exemplo prático dos ensinamentos que Ele daria à nossa humanidade, acerca da tolerância da dor e dos trabalhos; e o exemplo de Jesus chegou a tal ponto, que voluntariamente e de grande coração, Ele mesmo abraçou tudo o que há de mais duro de suportar. Com efeito, vemo-Lo como um ladrão, julgado por homens iníquos, e feito alvo de ultrajes e de calúnias. Vemo-lo flagelado, coroado de espinhos, crucificado considerado indigno de continuar a viver, e merecedor de morrer entre os clamores de todo um povo. Consideremos a aflição de sua santíssima Mãe, cuja alma não foi somente roçada, mas verdadeiramente "traspassada" pela "espada da dor"; de modo que ela mereceu ser chamada e realmente se tornou, a Mãe das dores.

11. Todo aquele que se não contentar com olhar, porém meditar amiúde exemplos de tão excelsa virtude, oh! como se sentirá impelido a imitá-los! Para esse , ainda que seja "maldita a terra, e faça germinar espinhos e abrolhos", ainda que o espírito seja oprimido pelos sofrimentos, ou o corpo pelas doenças, nunca haverá nenhum mal causado pela perfídia dos homens ou pelo furor dos demônios, nunca haverá calamidade, pública ou privada, que ele não consiga superar com paciência. É, pois, realmente verdadeiro o dito: "É de cristão fazer e suportar coisas "árduas"; porque todo aquele que não  quiser ser indigno desse nome não pode deixar de imitar Cristo que sofre. E repare-se em que como resignação não entendemos a vã ostentação de um ânimo endurecido à dor, como o tiveram alguns filósofos antigos; mas sim essa resignação que se funda no exemplo d'Aquele que "em lugar do gozo que tinha diante de si, suportou o suplício da Cruz, desprezando a ignomínia" (Hebr. 12, 2); essa resignação que, depois de pedir a Ele o necessário auxílio da graça, de modo algum recusa afrontar as adversidade; antes, alegra-se com elas, e considera um lucro qualquer sofrimento, por mais acerbo que seja. A Igreja Católica sempre teve, e tem ainda agora, insignes campeões de tal doutrina: homens e mulheres, em grande número, em todas as partes do mundo, de todas as condições. Estes, seguindo as pegadas de Cristo, em nome da fé e da virtude suportam contumélias e amarguras de todo gênero, e têm como seu programa, mais com os fatos do que com as palavras, a exortação de S. Tomé: "Vamos também nós, e morramos com Ele" (Jo. 11, 16).
12. Oh! praza ao Céu que exemplos de tão admirável fortaleza se multipliquem sempre mais, a fim de que deles brote segurança para a sociedade, e virtude e glória para a Igreja".


(Encíclica "LAETITIAE SANCTAE" de Leão XIII).  

domingo, 23 de outubro de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 23º Domingo depois de Pentecostes

  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses, 3, 17-21; 4, 1-3.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 9, 18-26. 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ruínas da cidade de Cesareia Marítima. Aqui
morava a mulher hemorroíssa, e também o
Historiador Eusébio. Pôncio Pilatos residia
aí, e tive oportunidade de, quando lá estive
(2000) ver um pedaço de um monumento
em que estava gravado o nome de Pôncio
Pilatos. Não confundir com Cesareia de
Filipe. Cesareia Marítima não aparece nos
Evangelhos, mas sim nos Atos dos
Apóstolos: Aí São Pedro batizou
Cornélio (At. 10); São Paulo esteve preso aí
por dois anos (At. 26); aí o Diácono
Filipe exerceu o seu ministério (At. 8, 40).
A construção maior circular que vemos
no centro, são as ruínas do teatro. 
  Jesus Cristo havia acabado de curar um possesso entre os Gerasenos, e, tendo tornado a atravessar o lago de Genesaré, foi rodeado pela multidão acorrida para o ouvir. Foi enquanto ensinava esta multidão que Jairo, chefe da Sinagoga (provavelmente de Cafarnaum) veio procurá-Lo pedindo que fosse à sua casa para tocar e ressuscitar sua filha. 
  O boníssimo Salvador sabia antecipadamente o milagre que, no caminho, ia operar em favor da hemorroíssa. Podia com uma palavra só e sem se mover, dominar a morte como a doença. Mas, por motivos dignos da sua infinita sabedoria, quis ir ressuscitar esta jovem pela sua presença, permitindo-nos assim admirar a sua suprema sabedoria, unida à sua bondade e ao seu poder sem limites.
  Ia Jesus com o chefe da Sinagoga e acompanhava-O uma inumerável multidão, comprimindo-O de todos os lados. E eis que uma pobre mulher, que há doze anos sofria dum fluxo de sangue, se aproximou por detrás e tocou a fimbria da sua túnica, porque ela dizia a si mesma: se eu tocar somente a sua túnica, serei curada. 
  Segundo uma respeitável tradição, seria a piedosa mulher, conhecida pelo nome de Verônica, que na via dolorosa do Calvário (VI estação) enxugou o suor e o sangue de Jesus com um pano de linho no qual ficou miraculosamente impressa a Santa Face. 
  Diz-se também que esta mulher era pagã, muito rica, provavelmente de Cesareia Marítima. Conta o Historiador Eusébio, também de Cesareia, que, em memória do favor imenso que tinha recebido de Jesus, mandara ela colocar, sobre a porta da sua casa, uma imagem do Salvador, a cujos pés estava uma mulher, em atitude suplicante, tocando-lhe a fímbria dos vestidos. Eusébio acrescenta ainda que teve ocasião de ver este monumento e, na sua base, uma planta cuja virtude curava muitas enfermidades. Juliano Apóstata mandou quebrar este grupo substituindo-o pela sua própria estátua que, também, foi derrubada por um raio. Finalmente o Historiador Sozômeno confirma a narração de Eusébio, atestando que os fragmentos desta imagem, recolhidos pelos cristãos, eram ainda conservados no seu tempo , isto é, no século V. 
  Antes de passarmos à consideração do outro milagre, admiremos a bondade do Coração de Jesus! Esta mulher, cheia de confusão à vista da sua enfermidade, merece da parte de Jesus o tratamento de filha. Ainda mais feliz por ter perseverado nos sentimentos de gratidão ao médico de sua alma e do seu corpo, ela é para nós um modelo tanto mais digno de imitação, quanto mais viva é a sua fé, e mais profunda a sua humildade. 



  Passemos ao outro milagre. Imaginemos a angústia daquele pai! Sua única filha e com 12 anos está morta. Jesus diz a este angustiado chefe da Sanagoga: "Não temas. Crê somente, e ela será salva! Em face dos nossos mortos queridos, somente a fé pode acalmar a tempestade que se levanta dentro em nós. Não, eles não morreram; dormem apenas, para despertar no seio de Deus.
  Jesus, ordenando que saíssem todos, tomou o pai e a mãe da moça, e os que o acompanhavam, entrou no quarto onde ela jazia e, tomando-a pela mão, disse-lhe: "Talitha cumi", que quer dizer - moça, eu te ordeno, levanta-te". Imediatamente, voltou-lhe a vida, levantou-se e começou a andar, e todos ficaram possuídos de grande admiração.
  Jesus mandou depois que se lhe desse de comer, e proibiu severamente aos pais que contassem o que se tinha passado. Mas a notícia divulgou-se por todo o país. 
   O fato de Jesus mandar que dessem de comer a esta moça há pouco ressuscitada pela sua onipotência e misericórdia, não está destituído também de um belíssimo significado:  Fê-lo para indicar que o pecador ressuscitado para a graça, deve ainda alimentar-se; que depois de ter recebido o sacramento da Penitência, deve ainda comungar para que se firmem os seus bons propósitos, e se fortaleça a sua alma na prática do bem e da virtude. 
  Caríssimos e amados irmãos e irmãs, terminemos com a oração da Santa Missa de hoje: Dignai-Vos, Senhor, perdoar os delitos de vosso povo, a fim de que por vossa benignidade, sejamos livres dos laços dos pecados que por nossa fraqueza contraímos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que, sendo Deus, convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém!

O ROSÁRIO E OS MALES DO NOSSO TEMPO


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 23 de outubro

Vamos apresentar para nossas reflexões apenas alguns excertos de outra encíclica de Leão XIII: "LAETITIAE SANCTAE".

"4. ...  No estado presente da sociedade civil, sobejas são as causas que debilitam os ligames da ordem pública e desviam os povos da justa honestidade dos costumes. Todavia, os males que mais perigosamente minam o bem comum parecem-nos ser principalmente os três seguintes: "aversão à vida humilde e laboriosa; o horror ao sofrimento; o esquecimento dos bens futuros, objeto das nossas esperanças".

Aversão ao viver modesto

5. Lamentamos  -  e conosco devem reconhecê-lo e deplorá-lo mesmo aqueles que não admitem outra regra senão a luz da razão, nem outra medida afora a utilidade,  -  lamentamos que uma chaga verdadeiramente profunda tenha ferido o corpo social desde quando se começou a descurar os deveres e as virtudes que formam o ornamento da vida simples e comum. De fato, daí se segue que, nas relações domésticas, os filhos, intolerantes de toda educação que não seja a da moleza e da volúpia, recusam arrogantemente a obediência que a própria natureza lhes impõe. Por esse mesmo motivo os operários se afastam do seu próprio mister, fogem do labor, e, descontentes com a sua sorte, levantam o olhar a metas demasiado altas, e aspiram a uma inconsiderada repartição dos bens. Ao mesmo tempo daí se segue o afanar-se de muitos que, depois de abandonarem o torrão natal, buscam o bulício e as numerosas seduções da cidade. Por este motivo ainda, veio a faltar o necessário equilíbrio entre as classes sociais; tudo é flutuante; os ânimos são agitados por invejas e rivalidades; a justiça é abertamente violada; e aqueles que foram iludidos nas suas esperanças procuram perturbar a tranquilidade pública com sedições, com desordens e com a resistência aos defensores da ordem pública.

As lições dos mistérios gozosos

6. Pois bem: contra estes males pensamos que se deve buscar remédio no Rosário de Maria, composto de uma bem ordenada série de orações e da piedosa contemplação de mistérios relativos a Cristo Redentor e a sua Mãe. Expliquem-se de forma exata e popular os mistérios gozosos, apresentando-os aos olhos dos fiéis como outros tantos quadros e vivas figurações das virtudes. E assim cada um verá que fácil e rica mina eles oferecem de ensinamentos aptos para arrastar com maravilhosa suavidade as almas à honestidade da vida.

7. Eis diante do nosso olhar a Casa de Nazaré, onde toda santidade, a humana e a divina, colocou a sua morada. Que exemplo de vida comum! Que perfeito modelo de sociedade! Ali há simplicidade e candura de costumes; perpétua harmonia de almas; nenhuma desordem; respeito mútuo; e, enfim, o amor: mas não o amor falso e mendaz, e sim aquele amor integral, que se alimenta na prática dos próprios deveres, e tal que atrai a admiração de todos. Ali não falta a solicitude de se proporcionar a si mesmos tudo quanto é necessário à vida, mas com o "suor da fronte", e como convém àqueles que, contentando-se com pouco, se esforçam antes por diminuir a sua pobreza do que por multiplicar os seus haveres. E, sobre tudo isto, reina ali a maior serenidade de ânimo e alegria de espírito: duas coisas que sempre acompanham a consciência do dever cumprido.

8. Ora, estes exemplos de modéstia e de humildade, de tolerância da fadiga, de bondade para com o próximo e de fiel observância dos pequenos deveres da vida quotidiana, e, numa palavra, os exemplos de todas estas virtudes, assim que entram nos corações e nele se imprimem profundamente, certamente produzem nele pouco a pouco a desejada transformação dos pensamentos e dos costumes. Então os deveres do próprio estado não mais serão nem descurados nem considerados enfadonhos, mas serão, antes, agradáveis e deleitáveis; e a consciência do dever, imbuída de senso de alegria, será sempre mais decidida no obrar o bem. Por consequência, os costumes tornar-se-ão mais brandos sob todos os aspectos; a convivência familiar transcorrerá no amor e na alegria; as relações com os outros serão pautadas por um maior respeito e caridade. E, se estas transformações se estenderem dos indivíduos às famílias, às cidades, aos povos e às suas instituições, é fácil ver que imensas vantagens devam daí derivar para a sociedade inteira."

(Encíclica "LAETITIAE SANCTAE" que Leão XIII escreveu em 8 de setembro de 1893). 

sábado, 22 de outubro de 2016

O ROSÁRIO NOS REVOCA AOS EXEMPLOS DE MARIA


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 22 de outubro

"7. Mas, para que nós, aterrados pela consciência da nossa natural fragilidade, não desfaleçamos em face dos exemplos verdadeiramente sublimes de Cristo, Deus e Homem, juntamente com os seus mistérios oferecem-se à nossa contemplação os mistérios da sua Mãe Santíssima. Ela descende, é verdade, da linhagem real de Davi; mas da riqueza e do esplendor dos seus antepassados não lhe resta mais nada; leva um vida obscura, numa humilde cidade, e numa casa ainda mais humilde; tanto mais satisfeita com a sua solidão e com a sua pobreza quanto pode, com coração mais livre, elevar-se a Deus, e unir-se totalmente ao seu sumo e desejadíssimo bem. Mas o Senhor está com ela, e cumula-a e a faz bem-aventurada da sua graça. E é justamente ela que o celeste mensageiro designa como a mulher da qual, por virtude do Espírito Santo, deverá vir para entre nós homens o esperado Salvador das gentes. Quanto mais ela admira a sublime altura da sua dignidade, e por ela rende graças à onipotente e misericordiosa benignidade de Deus, tanto mais se humilha e se julga destituída de toda virtude.  E, enquanto se Lhe torna a Mãe, sem hesitação se proclama e se protesta sua escrava. E, conforme santamente prometeu, santa e prontamente estabelece desde então uma perpétua comunhão de vida com seu Filho Jesus, tanto na alegria como no pranto. Assim ela atingirá tal altura de glória qual nenhum homem nem Anjo poderá jamais atingir, porque ninguém poderá ser-lhe jamais comparado em virtude e em méritos. Assim, a ela caberá a coroa do Céu e da terra, porque ela se tornará a invicta Rainha dos mártires. Assim, na celeste cidade de Deus, ela se assentará, eternamente coroada, junto de seu Filho, porque constantemente, durante toda a sua vida, porém de modo particular no Calvário, beberá com Ele o cálice transbordante de amargura. Eis, portanto, que a bondade e a Providência divina nos deu em Maria um modelo de todas as virtudes, todo feito para nós. Porque, considerando-a e contemplando-a, as nossas almas já não ficam ofuscadas pelos fulgores da divindade, senão que atraídas pelos vínculos íntimos de uma comum natureza, com maior confiança se esforçarão por imitá-la. Se,amparados pelo seu eficaz auxílio, nós nos dedicarmos com todas as nossas forças a esta obra, certamente conseguiremos reproduzir em nós ao menos algum traço de tão grande virtude e santidade; e, depois de havermos imitado a sua admirável conformidade com as divinas vontades, poderemos juntar-nos a Ela no céu. Se bem que a nossa peregrinação terrena seja áspera e eriçada de dificuldades, caminhemos intrépidos e corajosos rumo à meta. E, nas nossas penas, nos nossos trabalhos, não cessemos de estender para Maria as nossas mãos súplices, dizendo com a Igreja: "A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas... Eia, pois, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei! Dai-nos uma vida pura, preparai-nos uma trilha segura, para que possamos gozar eternamente da vida de Jesus" (Da sagrada liturgia). E ela, que, mesmo sem jamais a haver experimentado, conhece a fraqueza e a corrupção da nossa natureza, ela que é a melhor e a mais solícita de todas as mães, oh! como virá propícia e pressurosa em nosso auxílio! E com que ternura nos consolará! Com que força nos sustentará! Percorrendo a trilha, consagrada pelo Sangue de Cristo e pelas lágrimas de Maria, também nós chegaremos, segura e facilmente, à participação da bem-aventurada glória."


(Encíclica " MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII). 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O ROSÁRIO ESTÍMULO PARA OBRAS SANTAS


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 21 de outubro

"6. Mas há outra utilidade, não menos importante, que do Rosário a Igreja espera para seus filhos, ou seja, a de empenhá-los em conformar a sua vida e os seus costumes às normas e aos preceitos da santa fé. De todos é conhecida a divina afirmação de que "a fé sem as obras é ineficaz" (Tiago 2, 20); porque a fé haure vida da caridade, e a caridade se manifesta numa floração de ações santas. Por isto o cristão certamente não tirará nenhum proveito da sua fé para a aquisição da eternidade, se por esta sua fé não houver inspirado a sua conduta. "Que adianta, irmãos meus, se um diz que tem fé, mas não tem as obras? Acaso poderá salvá-lo a fé?" (Tiago 2, 14). Antes, tais cristãos serão por Cristo Juiz bem  mais asperamente exprobrados do que aqueles míseros que não conhecem nem a fé nem a moral cristã; porque estes últimos não creem de um modo e vivem de outro, como sem razão fazem aqueles outros, mas, sendo privados da luz do Evangelho, têm uma certa atenuante, ou certamente a sua culpa é menos grave. Ora, a contemplação dos mistérios propostos no Rosário ajuda a fazer brotar da nossa fé uma abundante e alegre messe de frutos, porque incita maravilhosamente a alma a propósitos de virtude. Ora, que sublime e esplêndido exemplo nos oferece, sob todos os aspectos, a obra de salvação realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo! O grande, o onipotente Deus, impelido por um excesso de amor para conosco, abaixa-se até à condição do mais mísero homem; entretém-se conosco como um de nós; conversa fraternalmente, ensina os indivíduos e as multidões em toda ordem de justiça; mestre eminente pela sua palavra, Deus pela sua autoridade. Mostra-se pródigo de benefícios para com todos; cura os que sofrem de moléstias corporais, e com misericórdia paternal leva alívio às moléstias, mais graves estas, da alma; de modo particular volve-se para aqueles que estão abatidos pela dor, ou estão oprimidos pelo peso das suas inquietações, e convida-os: "Vinde a mim, vós todos que estais fatigados e oprimidos e eu vos consolarei" (Mt 11, 28). Quando, pois, repousamos nos seus braços, Ele nos inspira algo desse místico fogo que trouxe aos homens; infunde-nos amorosamente algo da mansidão e da humildade de sua alma; e deseja que, pela prática destas virtudes, nós nos tornemos participante da paz verdadeira e estável, de que Ele é o autor. "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis repouso para vossas almas" (Mt 11, 29). Todavia, em compensação de tanta luz de sabedoria celeste e da abundância de tão excepcionais benefícios, que deveriam granjear-lhe a gratidão dos homens, Ele sofreu o ódio e os insultos mais atrozes; sem embargo, quando, pregado na cruz, derrama todo o seu sangue, não tem desejo mais ardente do que este: por meio da sua morte regenerar os homens para a vida. Absolutamente não é possível que alguém considere e contemple atentamente estes belíssimos testemunhos de amor do nosso Redentor, sem arder de viva gratidão para com Ele. Antes, a fé, se for autêntica, terá então um poder tal, que, iluminando o mente do homem e comovendo-lhe o coração, com que o arrastará a seguir as pegadas de Cristo, através de todos os obstáculos, até fazê-lo prorromper naquele protesto digno de Paulo: "Quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação. ou a angústia, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a perseguição. ou a espada? (Rom. 8, 3)". "... Já não vivo eu, mas vive em mim Cristo" (Gál. 2, 20)."


Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII). 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O ROSÁRIO REAVIVA A NOSSA FÉ


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 20 de outubro

"5. Além do valor que o Rosário tira de própria natureza da oração, ele contêm uma maneira fácil para fazer penetrar e inculcar nas almas os dogmas principais da fé cristã; o que certamente constitui outro título insigne de recomendação. De feito, é sobretudo pela fé que homem direta e seguramente se aproxima de Deus e aprende a adorar com a mente e com o coração a imensa majestade desse Deus único, a sua autoridade sobre todas as coisas, o seu sumo poder, a sua sabedoria e a sua providência: "porquanto, quem se aproxima de Deus deve crer que Ele existe, e que é remunerador daqueles que o procuram" (Hebr. 11, 6). Mas, visto que o eterno Filho de Deus assumiu a natureza humana, viveu no meio de nós, e continua a ser para nós caminho, verdade e vida, por isto é necessário que a nossa fé abrace também os profundos mistérios da augusta Trindade das divinas pessoas, e do Filho unigênito do Pai, feito homem: "E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo" (Jo 17, 3). Em verdade, Deus nos deu um benefício inestimável quando nos deu esta santa fé; porque, por meio dela, nós não só nos elevamos acima de todas as coisas humanas, até nos tornarmos como que contempladores e participantes da natureza divina, mas adquirimos outrossim um direito, de mérito imenso, às eternas recompensas. De modo que se alimenta e se consolida em nós a esperança de que um dia poderemos contemplar a Deus, não mais através das pálidas imagens das coisas criadas, porém no seu pleno esplendor, e poderemos gozar eternamente d'Ele, nosso sumo bem. Mas o cristão é de tal forma empolgado pelas diversas preocupações da vida, e se inclina tão facilmente para as vaidades deste mundo, que, sem uma freqüente e salutar evocação, pouco a pouco esquecerá as coisas mais importantes e mais necessárias,  e destarte a sua fé se esmorecerá e finalmente se extinguirá. Para preservar seus filhos deste gravíssimo perigo da ignorância, a Igreja não descura nenhum dos meios que a sua vigilância e s sua solicitude lhe sugerem; e o Rosário em honra de Maria não é, certamente, o último que ela emprega para sustentar a fé. Com efeito, com a sua maravilhosa e eficaz oração, ordenadamente repetida, ele nos leva à recordação e à contemplação dos principais mistérios da nossa religião? em primeiro lugar, daqueles pelos quais "o Verbo se fez carne" e Maria, Virgem intacta e Mãe, lhe prestou  com santa alegria os seus maternais ofícios.Vêm depois as amarguras, os tormentos, a morte de Cristo, preço da salvação do gênero humano. Finalmente, são os mistérios gloriosos: o triunfo sobre a morte, a ascensão ao céu, a descida da Espírito Santo, o esplendor radiante de Maria assunta ao céu, e, por último, com a glória de Mãe e do Filho, a glória eterna de todos os Santos. E esta ordenada sucessão de inefáveis mistérios no Rosário é freqüente e insistentemente evocada à memória dos fiéis, e como que desenrolada diante dos seus olhos; de modo que aqueles que rezam bem o Rosário têm a alma inundada por ele de uma doçura sempre nova, experimentam a mesma impressão e emoção que experimentariam se ouvissem a própria voz de sua dulcíssima Mãe., e no ato de lhes explicar esses mistérios e de lhes dirigir salutares exortações. Não poderá, pois, parecer excessiva a Nossa afirmação, se dissermos que a fé absolutamente não deve temer os perigos da ignorância e dos nefastos erros naqueles lugares, no seio daquelas famílias e no meio daqueles povos onde se mantém na primitiva honra a prática do Rosário".


Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS"  de Leão XIII). 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

AS TERNURAS DE NOSSA MÃE CELESTE


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 19 de outubro

"4. Difícil é, pois, dizer o quanto se torna agradável a Maria o nosso obséquio, quando a saudamos com o louvor do Anjo, e depois repetimos o mesmo elogio, como que formando com ele uma devota coroa. Porque, a cada vez, nós como que despertamos nela a lembrança da sua sublime dignidade e da redenção do gênero humano, iniciada por Deus por meio dela: por consequência, nós também lhe recordamos esse divino e indissolúvel vínculo com que ela está unida às alegrias e às dores, às humilhações e aos triunfos de Cristo, em guiar e em assistir os homens para a salvação eterna. Jesus Cristo, na sua bondade, quis assemelhar-se a nós e dizer-se e mostrar-se filho do homem, e por isto nosso irmão, a fim de que mais luminosa nos aparecesse a sua misericórdia para conosco: "Em tudo ele teve de ser feito semelhante a seus irmãos, para se tornar misericordioso" (Hebr. 2, 17). Assim Maria, pelo fato de haver sido escolhida como Mãe de Jesus, Nosso Senhor  -  que é ao mesmo tempo nosso irmão  -  teve, entre todas as mães, a singular missão de manifestar e de derramar sobre nós a sua misericórdia. Além disto, assim como nós somos devedores a Cristo de nos haver, de certo modo, tornado participantes do seu próprio direito de chamar e de ter a Deus por pai, assim também lhe somos igualmente devedores de nos haver amorosamente tornado participantes do seu direito de chamar e de ter Maria por Mãe. E, visto como, por natureza, o nome de mãe é entre todos o mais doce, e no nome de mãe está posto o termo de comparação de todo amor terno e solícito, todas as almas piedosas sentem  -  embora a sua língua não consiga exprimi-lo  -  que uma imensa chama de amor condescendente e operoso arde em Maria, que, não por natureza, mas por vontade de Cristo, é nossa Mãe. Por isto ela vê e penetra, muito melhor do que qualquer outra mãe, todas as nossas coisas: as necessidades da nossa vida; os perigos públicos e particulares que nos ameaçam; as dificuldades e os males em que nos debatemos; e sobretudo a áspera luta que devemos sustentar para a salvação da alma, contra inimigos violentíssimos. E nestas, como em todas as outras angústias da vida, mais do que qualquer outro ela pode e deseja trazer a seus caríssimos filhos consolação, força, auxílio de todo gênero. Recorramos, pois, confiantes e alegres a Maria. Supliquemo-la por esses laços maternos com que ela está tão estreitamente unida a Jesus e a nós. E invoquemos com máxima devoção o seu poderoso auxílio, servindo-nos dessa fórmula de oração que ela mesma nos indicou e que lhe é tão grata. Então poderemos, com razão, repousar com coração tranqüilo e alegre sob a proteção da mais terna entre as mães."


(Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII).  

terça-feira, 18 de outubro de 2016

NECESSIDADE DE PRATICAR O ROSÁRIO


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 18 de outubro

"3. Ora, para aplacar a majestade de Deus ofendida, e para proporcionar o necessário remédio àqueles que tanto sofrem, certamente não há melhor meio do que a oração devota e perseverante, contanto que unida ao espírito e à prática da vida cristã. Para alcançarmos, pois, estes dois escopos, consideramos que o meio mais indicado é o "Rosário Mariano". A sua poderosíssima eficácia tem sido experimentada e exaltada desde a sua bem conhecida origem; conforme notáveis documentos atestam e como Nós mesmo, mais de uma vez, temos lembrado. Quando a seita dos Albigenses  -  aparentemente paladina da integridade da fé e dos costumes, mas, na realidade, perturbadora e péssima corruptora dela  - era para muitos povos causa de grande ruína, a Igreja combateu contra ela e contra as suas infames facções, não com milícias ou com armas, mas principalmente com a força do santo Rosário, que o patriarca S. Domingos propagou, por inspiração da própria Mãe de Deus. Assim, gloriosamente vitoriosa de todos os obstáculos, a Igreja, nessa como em outras tempestades semelhantes, proveu sempre com esplêndido êxito à salvação de seus filhos. Por isto, na presente situação, que Nós deploramos como lutuosa para a religião e perigosíssima para a sociedade, é necessário que todos juntos  -  com piedade igual à dos nossos antepassados  -   roguemos e supliquemos a grande Mãe de Deus, para que, consoante os votos comuns, possamos alegrar-nos de haver experimentado igual eficácia do seu Rosário. E, verdadeiramente, quando recorremos a Maria recorremos à Mãe da misericórdia; a qual está tão bem disposta para conosco, que em qualquer necessidade nossa, sobretudo nas espirituais, ela logo, espontaneamente, sem sequer ser invocada, vem em nosso socorro, e faz-nos participar desse tesouro de graça cuja plenitude ela desde o princípio recebeu de Deus, para que pudesse tornar-se sua digna Mãe. Esta superabundância de graça  -  o mais eminente dos seus outros inúmeros privilégios  -  é que eleva a Virgem muito acima de todos os homens e de todos os Anjos, e a aproxima de Cristo, mais do que se aproxima qualquer outra criatura: "É coisa grande em qualquer santo o possuir tanta graça que baste para a salvação de muitos: mas, se ele a tivesse tanta que bastasse para a salvação de todos os homens do mundo, isto seria o máximo; e isto se verifica em Cristo e na bem-aventurada Virgem" (S. Tomás, op. VIII, Super Salut. angel.).


(Encíclica "MAGNAE DEI MATRIS" de Leão XIII). 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A AUDÁCIA DOS ÍMPIOS

LEITURA ESPIRITUAL


Passemos à outra encíclica de Leão XIII sobre o Rosário de Nossa Senhora: "MAGNAE DEI MATRIS", escrita 8/09/1892.

"2. Já agora é de todos conhecidíssimo com quantos e quais meios de corrupção a malícia do mundo iniquamente se esforça por enfraquecer e por extirpar inteiramente dos corações a fé cristã e a observância da lei divina, que alimenta esta fé e a faz frutificar. E já por toda parte o campo do Senhor, como que talado por uma terrível peste, quase se asselvaja, pela ignorância da religião, pelo erro e pelos vícios. E o que é ainda mais doloroso é que aqueles que teriam o poder disso, antes, que disso teriam o sagrado dever, longe de porem um freio ou de infligirem justas penas a uma perversidade tão arrogante e culposa, muitas vezes, pelo contrário, parece que a tal audácia deem incentivo, ou pela sua inércia, ou com o seu apoio. Por isto, com bem razão deve contristar-nos que às escolas públicas tenha sido deliberadamente dada uma organização tal que consente que o nome de Deus seja nelas calado ou ali seja ultrajado; devemo-Nos entristecer com a licença, cada vez mais disfarçada, de imprimir ou pregar toda sorte de ultrajes contra Cristo, Deus e a Igreja. Nem é menos deplorável esse consequente langor e entibiamento da prática cristã, se não é uma franca apostasia da fé, certamente está próximo de vir a sê-lo; porque a prática da vida já agora não é mais aderente à fé. Quem considerar esta perversão e esta ruína dos interesses mais vitais, certamente não se admirará se por toda parte as nações vão gemendo sob o peso dos castigos divinos, e são consternadas pelo temor da calamidades ainda mais graves". 

OBERVAÇÃO: Se há mais de um século atrás o Papa Leão XIII já denunciava a a audácia dos ímpios em procurar extirpar a fé dos corações, afastar os homens cada vez mais da observância dos mandamentos, de banir o Sacrossanto Nome de Deus, de fazer os mais horrendos ultrajes a Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje tudo isto é feito com muito mais audácia dos maus, e menor repúdio e resistência dos que ainda se dizem cristãos. No século passado tivemos duas guerras mundiais, e na Igreja um grande castigo que foi a vitória dos Modernistas no Concílio Vaticano II e sobretudo nestes tempos tristíssimos de após-concílio. Paira sobre a humanidade uma terceira guerra mundial. Mas o maior castigo dentro da Igreja já se está espalhando como fogo no canavial: é a apostasia quase geral. Mas Nossa Senhora disse em Fátima: "POR FIM meu Imaculado Coração triunfará"!






domingo, 16 de outubro de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 22º Domingo depois de Pentecostes

   Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses I, 1-11.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 22, 15-21: 

 
 "Naquele tempo, retiraram-se os fariseus para consultarem entre si a ver como apanhariam a Jesus em alguma palavra. E enviaram-Lhe seus discípulos com alguns herodianos, dizendo: Mestre, sabemos que sois amigo da verdade e ensinais o caminho de Deus, segundo a verdade, sem Vos preocupardes com quem quer que seja, porque não julgais o homem segundo a sua carne. Dizei-nos, pois, o vosso parecer. É lícito pagar o tributo a César, ou não? Conheceu-lhes, porém, Jesus a maldade, e disse: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. Eles Lhe apresentam um dinheiro. E Jesus lhes disse: De quem é esta imagem e esta inscrição? Responderam-Lhe: De César. Então disse-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! 

   "Começam pela lisonja, diz Bossuet, porque é por ela que se começa, quando se quer enganar alguém". 
Na verdade, ainda que sob uma forma capciosa e mal intencionada, os fariseus fazem um verdadeiro elogio do Salvador e prestam homenagem a sua doutrina e a sua santidade. Pois, Jesus é a Verdade, o Caminho e a Vida. Como diz São João: Ele é cheio de graça e verdade. Os sacerdotes, a exemplo de Jesus, devem ter um zelo de fogo pela verdade, não procurar e não ensinar senão a verdade, quer agrade, quer desagrade; devem também ser cheios de sinceridade e de retidão em todas as suas palavras e em toda a sua conduta; devem, outrossim, estar acima de todo respeito humano e de considerações pessoais e, portanto, castigar os vícios com santa liberdade. 

   "É ou não permitido pagar o tributo a César?" Que malícia! Achavam que Jesus não teria saída: se dissesse, pois: Sim, ali estavam os Judeus para acusarem a Jesus por aprovar o pagamento de tributo a um pagão, e, se Ele não tem outro Rei e Senhor senão Jeová, não é Ele obrigado a recusá-lo? E, portanto, os Judeus O apresentariam ao povo como um traidor, e um inimigo de Deus. Se Jesus dissesse: Não, ali estavam os herodianos para denunciá-Lo e entregá-Lo ao governador romano como um agitador e um rebelde digno dos maiores castigos. 
   Querendo Jesus fazer-lhes ver que conhecia perfeitamente todos os pensamentos dos seus corações, diz-lhes: hipócritas, por que me tentais? "Considerando antes os seus pérfidos desígnios, comenta São João Crisóstomo, que os seus especiosos discursos, o Senhor responde aos elogios com severas censuras para assim nos ensinar a detestarmos a adulação e a repelirmos aqueles que parecem louvar-nos. Depois chama-os hipócritas, para que reconhecendo a ciência que tinha dos seus corações, não ousassem acabar o que tinham começado. Eles lisonjeiam-No para O perder, Ele confunde-os para os salvar. A cólera de Deus é mais útil que o favor dos homens". 

  Mudando os papéis, como gostava de fazer em tais circunstâncias, Jesus interroga-os por sua vez. Quando Lhe apresentam o dinheiro, pergunta-lhes: "De quem é esta efígie e esta inscrição?" "Porque, diz São Jerônimo, a sabedoria procede sempre sabiamente, de modo a confundir os seus tentadores pelas suas próprias palavras". Eles responderam-Lhe: De César. É apoiado nesta resposta que Nosso Senhor Jesus Cristo vai dar a sua decisão, a doutrina que estabelecerá a distinção dos dois poderes e estabelecerá o princípio da paz e da concórdia entre a autoridade civil e a autoridade religiosa, as quais não deverão nem estar confundidas nem separadas, mas intimamente unidas para, em conjunto, procurarem o bem dos povos. 

"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Nesta frase do Divino Mestre está contido o cumprimento exato dos nossos deveres para com Deus e para com o próximo, dando a cada um o que lhe pertence. Na verdade, todo poder vem de Deus: "Não haveria poder algum se não fosse dado do alto" (cfr. Jo. 19, 11). A autoridade política legitimamente constituída provém de Deus e há de ser respeitada como um reflexo da autoridade divina. Por isso, todo o cristão está obrigado a obedecer à autoridade política, desde que esta não ordene coisas contrárias à Lei de Deus, porque neste caso já não representaria a autoridade divina, e, então, como diz São Pedro, "deve-se obedecer antes a Deus que aos homens" (Atos V, 29). 

   Na oração final quero incluir mais um pensamento: Ó Jesus, fazei que guardemos  pura de toda mancha, a vossa imagem impressa na nossa alma com o Vosso bendito Nome, para merecermos ser reconhecidos por Vós no dia do Juízo e introduzidos no Céu. Amém!


NECESSIDADE DA PENITÊNCIA

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 16 de outubro

"29. Certamente, nem a todos é dada a possibilidade, nem todos têm a obrigação de fazer o mesmo; mas cada um é obrigado, segundo o seu poder, a mortificar a sua vida e os seus costumes. Exige-o a justiça divina, à qual é dada estrita satisfação das culpas cometidas; e é preferível dar essa satisfação enquanto se está em vida, com penitências voluntárias, porque assim também se tem o mérito da virtude. Além disto, já que nós todos estamos unidos e vivemos no corpo místico de Cristo, que é a Igreja, daí se segue, consoante S. Paulo, que, tal como os gozos, assim também as dores de um membro são comuns a todos os outros membros: quer dizer que os irmãos cristãos devem vir voluntariamente em auxílio dos outros irmãos nas suas enfermidades espirituais ou corporais, e, na medida em que estiver em seu poder, cuidar da cura deles; "os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros; e, se um membro sofre, sofrem com ele todos os membros; ou, se tem glória um membro, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois corpo de Cristo, e particularmente sois membros deste" (1 Cor. 12, 25-27). Nesta prova que a caridade nos pede, de expiarmos as culpas de outrem, a exemplo de Jesus Cristo, que com imenso amor deu a sua vida para redimir todos do pecado, está este grande vínculo de perfeição que une estreitamente os fiéis entre si, com os Santos e com Deus.

30. Em suma, o espírito da santa mortificação é tão vário, industrioso e extenso, que qualquer um   -  desde que animado de piedade e de boa vontade  -  pode praticá-lo com muita freqüência e sem esforço excessivo.

31. [...] Oh! como será belo e vantajoso o espetáculo de milhões de fiéis que, em todo o orbe católico  -  nas cidades, nas aldeias, nos campos, em terra e no mar,  -  fundindo juntos seus louvores e as suas preces, os seus pensamentos e as suas vozes, saudarem a todas as horas do dia Maria, invocarem Maria, e tudo esperarem de Maria! Roguem-lhe todos, com confiança, queira Ela obter de seu Filho que a nações transviadas voltem às instituições e aos princípios cristãos, nos quais assenta a base do bem-estar público, e da qual jorram os benefícios da desejada paz e da verdadeira felicidade. Porém ainda mais insistentemente lhe peçam aquilo que deve estar no ápice dos desejos de todos os bons, ou seja a liberdade da Igreja e a pacífica posse dessa liberdade, de que ela não se serve senão para proporcionar aos homens o bem supremo. Desta liberdade, nem indivíduos nem Estados sofreram jamais dano algum; antes, dela hauriram sempre inúmeros e inestimáveis benefícios".

(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII).


sábado, 15 de outubro de 2016

COM A ORAÇÃO, A MORTIFICAÇÃO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 15 de outubro

"27. A esta altura, a dor e o afeto de Pai impele-nos a implorar de Deus, doador de todos os bens, para todos os filhos da Igreja, não somente o espírito da oração, mas também o da mortificação. Isto fazendo de todo coração, Nós exortamos todos, com a mesma solicitude, a praticarem esta virtude, tão estreitamente unida à outra. Porquanto, se a oração conforta a alma, robustece-a e eleva-a à coisas celestes, a mortificação habitua-nos a dominar-nos a nós mesmos, e especialmente o corpo, que, por motivo de antiga culpa, é o mais perigoso inimigo da razão e da lei evangélica. Há entre estas virtudes  -  como é evidente  -  um nexo indissolúvel. Elas se ajudam reciprocamente, e juntas tendem ao mesmo fim, que é o de desapegar o homem, nascido para o Céu, das coisas caducas deste mundo, para elevá-lo quase a uma celeste intimidade com Deus. Ao contrário, aquele que tem o ânimo aceso pelas paixões e amolecido pelos prazeres tem náusea da alegrias celestes, que nunca experimentou. A sua oração não passa de uma voz fria e lânguida, certamente indigna de ser escutada por Deus.

O exemplo dos Santos.

Santa Teresa d'Ávila (pintura).
28. Temos sob os olhos os exemplos de mortificação a nós deixados pelos Santos. Pois bem: era justamente esse espírito de mortificação que tornava aceitas a Deus as suas orações; tanto que, como nos atesta a história sagrada, eles tiveram até mesmo o poder de operar milagres. Esses Santos eram assíduos em regular e refrear a mente, o coração e as paixões; submetiam-se sempre com grande docilidade e humildade à doutrina de Cristo, aos ensinamentos e aos preceitos da sua Igreja; nada queriam, nada recusavam, sem antes haver sondado a vontade de Deus; nas suas ações não se propunham outro escopo
senão a maior glória de Deus; continham e reprimiam energicamente os apetites da carne; tratavam o próprio corpo duramente e sem piedade; e, por amor da virtude, abstinham-se até mesmo das coisas por si mesmas lícitas. Assim podiam com razão aplicar a si mesmos as palavras que o Apóstolo Paulo dizia de si: "já que a nossa cidadania é nos céus" (Fil. 3, 20); e, pela mesma razão, as suas orações eram tão eficazes em lhe tornar Deus propício e benigno."


(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII).