SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 24 de dezembro de 2016

FELIZ E SANTO NATAL!



 Aos caríssimos e amados leitores desejo do fundo do coração um feliz e santo Natal com graças e bênçãos copiosas e escolhidas do Menino Deus e de Sua Mãe Santíssima!

  É o aniversário de Jesus. E qual o presente que Lhe vamos dar?
   Lemos o seguinte episódio na vida de Santo Antônio de Pádua: Enquanto estava atento aos seus jogos, o pequeno Antônio viu, um dia, um menino da sua idade: belo de uma beleza nova na terra. Mantinha ele o aventalzinho levantado, e girava em torno os olhinhos, como que desejoso de receber algum presente.
   Perguntou-lhe o pequeno Antônio: "De onde vens? Como te chamas? Que você quer? - De onde venho? respondeu-lhe o encantador menino: Do céu. Como me chamo? O meu nome encontra-se escrito em letras de fogo sobre uma gruta em Belém; em letras de sangue sobre uma cruz em Jerusalém; em letras de ouro sobre todos os sacrários da terra. Sou o Menino Jesus, e ando em busca dos corações dos homens".
   "Ó Menino Jesus, que quereis de mim!" suplicou o pequeno Antônio pressurosamente.
  - "Antônio, dá-me o teu coração".
   Hoje no Santo Natal, Jesus chama cada um de nós pelo nome e diz: "Dá-me o teu coração".
   Mas, Menino Jesus, o meu coração não está preparado para vós, ele é muito diferente do de Antônio de Pádua. Infelizmente o pecado cavou nele tremenda voragem, um profundo poço lodoso e repelente.

   Recorramos ao exemplo de um homem de grande santidade e pureza: São Geraldo Majella.
   A São Geraldo, quando ainda menino sucedeu um caso tão belo que quase não pareceria verdadeiro, mas que é digno de fé porque foi examinado e reconhecido pela Igreja quando se tratou da sua beatificação.
   Geraldo Majella era muito pobre e servia como empregado ao Bispo de Lacedônia. O bispo, indo viajar, deixou as chaves da casa com o pequeno empregado e deixou-lhe a ordem de apanhar água no poço que ficava em frente da igreja.
   Na beira do poço, nem Geraldo saberia explicar como fora: em certo momento ele ouviu um baque na água, e eram as chaves da casa paroquial que lhe haviam escorregado dos dedos. Foi visto com a face pálida e cheia de espanto. Tendo nos olhos uma muda angústia, ele olhava para aquela escura profundeza. E agora, que fazer? Que lhe diria seu patrão que, pela idade e doenças, não era lá modelo de muita mansidão. Talvez o pusesse na rua. E para onde iria ele, sozinho, sem trabalho, sem teto? De repente luziu-lhe uma ideia. Atravessa, correndo, a praça, entra na catedral, e, do presépio apanha a imagenzinha do Menino Jesus.
   "Menino Jesus - suplica Geraldo como se estreitasse, não uma figura de gesso, ma o próprio Menino Jesus de carne, vivo e respirante. - Só tu podes ajudar-me. Tu e ninguém mais: faze-me, pois, apanhar a chave!" Em seguida, amarrou o Menino Jesus à corda do poço e fê-lo descer devagarinho. Quando sentiu dentro da água, gritou-lhe lá para dentro com toda a força de sua esperança: "Menino Jesus, traze-me para cima a chave!' E começou a puxar a corda.
   Um grito de alegria! Qual não foi a surpresa de todos que ali estavam quando viram nas mãozinhas da imagem do Menino Jesus as chaves. Geraldo apanhou-as da imagem, e depois, impelido como por um vento de alegria e de gratidão, correu a levar a imagem do Menino Jesus de novo para a manjedoura na catedral.
   Caríssimos e amados irmãos, quando pecamos, perdemos as chaves do Paraíso, a graça de Deus. Com astúcia e mentira, o demônio fizera-as escorregar das nossas mãos, ou seja, das nossas almas. Só Jesus pode no-las restituir. Para nos arrancar do fundo do poço lodoso e repelente do pecado nos oferece a corda da Confissão. Náufragos que fomos, Jesus nos oferece esta segunda tábua de salvação.

   Agora, Jesus quer vir ao nosso coração por Ele mesmo purificado, livre das águas imundas do pecado. Com que paz, com que alegria podemos agora nos aproximar da Mesa da Santa Comunhão. Temos aí o mesmo Jesus que nasceu em Belém, morreu em Jerusalém e ressuscitou imortal e impassível.
  
   Na noite de Natal, São Caetano de Thiene velava em oração ardente diante do presépio, na basílica de Santa Maria Maior em Roma. Com a sua fé viva ele recompunha a história daquela noite santa, e parecia-lhe ser também ele um pastor a quem o Anjo anunciasse a grande alegria. Parecia-lhe acorrer também, pelas estradinhas rupestres, à gruta de Belém, onde com um fio de voz gemia o Onipotente, nascido menino.
   E eis que, enquanto assim meditava, apareceu-lhe deveras a Virgem Maria carregando o Menino Jesus. E veio até ele, e sobre os seus braços abertos e trêmulos reclinou o pequenino Filho de Deus feito homem. E Caetano olhava-o, e ao seu coração de pobre homem estreitava aquele Coração de Deus, e sentiu   em si o Paraíso.
   Caríssimos e amados fiéis, reavivemos o nosso amor e a nossa fé para com o Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Que Jesus eucarístico não seja mais para nós o Desconhecido! Na Comunhão de Natal será Nossa Senhora mesma que colocará no nosso trêmulo coração de pobres pecadores, o seu pequenino Filho de Deus. Ó Maria, Mãe do Amor! Preparai meu coração para receber o Senhor!
   Que gratidão devemos ter também a Nossa Senhora que nos trouxe Jesus! No ano 2000 tive a graça de celebrar em Belém ao lado da mesma gruta em que Jesus nasceu. Depois da Consagração eu disse a Maria Santíssima: "Minha Mãe e Senhora, há 2000 mil anos atrás a Senhora trouxe aqui neste lugar o mesmo Jesus que eu também acabo de trazer pelas palavras da Consagração. Mas eu não o poderia fazer, se a Senhora não O tivesse trazido primeiro".
   Deus Pai quis que tivéssemos Jesus através de Maria. Por gratidão a Nossa Senhora, quero terminar com mais um exemplo da vida de um grande devoto de Nossa Senhora: São Bernardo.
   Entre as recordações que da sua infância São Bernardo narrava, a mais doce era esta. Chegara a véspera do Natal, esperada com aquela fascinação que só conhecem as crianças de alma pura. A todo custo ele quis que os seus o levassem consigo à Missa da meia-noite. Mas, quando ele chegou na igreja, embalado pelo murmúrio das orações, envolto no calor da multidão, como a Missa demorasse a começar, vencido pelo sono ele adormeceu. Teve um sonho lindo, que, embora sonho, quem não o quisera ter? Ei-lo: Viu atravessar os céus a Virgem Maria, que segurava, estreitando ao coração, o seu belíssimo Menino, recém-nascido. Curvada sobre Ele com maternal gesto, ela dizia: "Olha lá na terra, no meio daquela gente, o meu pequeno Bernardo". O Menino abriu as pálpebras, girou os olhinhos para baixo, e viu-o. E os dois se sorriram mutuamente.
   Ó doce, ó Santa Mãe, essa palavra que um dia disseste para São Bernardo, repete-a hoje ao teu Filho Jesus também para nós! Dize-Lhe  que nos olhe.
   Dize-Lhe que O revestiste de pobres panos para que Ele nos revestisse com a glória da imortalidade.
   Dize-Lhe que o acomodaste entre o hálito de dois animais para que Ele nos elevasse para entre o canto dos anjos.
   Dize-Lhe que o puseste na estreita manjedoura para que Ele nos colocasse no imenso palácio dos céus. Amém!

domingo, 18 de dezembro de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 4º DOMINGO DO ADVENTO

   Leituras: 1ª Epístola de S.Paulo Apóstolo aos Coríntios, 4, 1-5; Evangelho segundo S.Lucas, 3, 1-16.

  "Sic nos amantem quis non redamaret?"
"Amor com amor se paga!"

   Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   "Amor com amor se paga!" Eis o lema que fez os santos, que estimulou uma multidão de almas a uma maior generosidade.
    Caríssimos, preparemo-nos para o Santo Natal com este amor e nele permaneçamos fiéis. "O que se requer dos dispenseiros, diz S. Paulo na Epístola, é que eles sejam encontrados fiéis".
   Da parte de Nosso Senhor, o seu amor por nós é eterno e infinito. A Encarnação do Verbo é a maior prova deste amor infinito pelos homens: "Eu, diz Deus pelo profeta Jeremias, amei-te com um amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim". Na verdade, Deus amou o homem desde toda a eternidade e para o atrair a Si não hesitou enviar-lhe o "Seu Filho em carne semelhante à do pecado" (Rom. VIII, 3). Vamos ao encontro deste Amor que está prestes a aparecer, "encarnado", no doce Menino Jesus! Vamos a Ele com o coração vazio de nós mesmos pela penitência, para que o próprio Jesus o encha de Si.
   "Preparai o caminho do Senhor, prega S. João Batista no deserto por ordem de Deus, endireitai as suas veredas; todo vale se encherá, e todo monte e colina serão abaixados; os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos e os ásperos, planos; e toda carne, isto é, todo o homem verá o Salvador enviado por Deus".
   Quando se quer receber triunfalmente um grande rei, preparam-se os caminhos por onde ele deve passar, endireitando-os, refazendo-os, nivelando os acidentes do terreno, aplanando-os. Ora, todas estas figuras, todas estas imagens alegóricas significam o trabalho e os efeitos da penitência, que deve preparar as almas a fim de receberem o Messias. Todo vale será cheio: isto quer dizer que toda a vida estéril, tíbia e inútil será resgatada pela prática da virtude, e dará uma rica messe de méritos segundo aquilo das Escrituras no Salmo 64, 14: "...os vales estarão cheios de trigo"; todo coração verdadeiramente contrito e humilhado será repleto de graças e de bens espirituais, e encher-se-á de boas obras. - Todo monte e colina serão abaixados: isto é, os espíritos soberbos, os orgulhosos e ambiciosos deverão ser rebaixados e humilhados, porque o Deus que vai descer até à nossa miséria e ao nosso nada, resiste aos soberbos e dá, porém, a sua graça aos humildes. Até aqui as paixões tirânicas entorpeceram todas as almas, e tornaram difícil o caminho da virtude e da santidade. Mas eis que um Deus feito homem vem expiar o pecado na sua carne, e desde então todo o caminho será aplanado; todo aquele que quiser avançar na perfeição, não mais encontrará vale ou colina que lhe ponha obstáculos.
   Os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos: Quer dizer que os corações que tenham sido entortados pela injustiça, pela dissimulação, pela mentira e por toda a espécie de vícios, serão endireitados pela conformidade com as regras da justiça, da verdade, da sinceridade e da pureza.
   Os caminhos ásperos e desiguais tornar-se-ão planos: isto é, as almas violentas e duras, que se deixam levar da ira, do rancor, da vingança, voltarão à doçura, à mansidão e à caridade por influência da graça de Deus; pelo exemplo do doce Menino Jesus. "Apareceu na terra a bondade e doçura de Deus, Nosso Salvador."
    Portanto, caríssimos e amados fiéis, é necessário que uma penitência sincera e generosa mortifique todas as paixões, destrua todos os vícios, tudo o que é feito do pecado, a fim de que todo o homem possa colher os frutos da salvação que o Messias traz ao mundo: "E todo homem verá o Salvador enviado por Deus".Quer dizer, todo o homem assim preparado pela penitência verá o Salvador, e participará dos seus méritos e da sua glória.
   Caríssimos, limpemos o nosso coração de tudo o que é indigno de Jesus, de tudo o que poderia desagradar-Lhe e contristá-Lo. Esforcemo-nos por viver de uma maneira digna de Jesus.
    Quantos comungam, e todavia não sentem Jesus, não recebem os frutos de salvação e de santidade que Ele traz consigo! Um protestante estava se convertendo, mas me expôs sua última dúvida: "Tenho visto católicos comungarem e não melhoram, e não se santificam. Se a Hóstia consagrada é Jesus, não posso entender que alguém receba Jesus e não melhore. Tenho dúvida se a Hóstia é realmente Jesus. Respondi-lhe: Infelizmente a preparação para a comunhão deixa a desejar em muitos. A própria maneira de muitos comungarem, lhes vai tirando imperceptivelmente a fé. E sem a fé, não podem agradar a Deus. Não trabalham na sua conversão, na correção dos seus defeitos, não se importam da recomendação de Isaías e da santa Igreja: Preparai o caminho para o Senhor, isto é, preparai os vossos corações... É a mesma explicação porque muitos não receberam a Jesus quando esteve entre os homens. Não aproveitaram a pregação do Precursor.
   Os ladrões Amalecitas tinham vindo pilhar  nos campos do povo de Israel. Mas, no tumulto da fuga, um pobre escravo, abandonado por seu amo porque estava doente, ficara estendido na terra nua, a morrer de febre e de prostração.
   E eis que passaram por ali os soldados do rei Davi, e viram-no estirado no campo como um morto. Levaram-no ao rei, o qual teve compaixão dele e ordenou lhe dessem pão para comer e água para beber, e uma porção de figos e alguns cachos de uvas.
   Pouco a pouco o infeliz escravo voltou a si e restaurou-se. "Não mais escravo, porém livre serás. Na guerra combaterás a meu lado como valoroso, e na paz viverás honrado com muitas recompensas". Assim lhe falou o rei Davi, e conduziu-o consigo a fazer grande matança de inimigos".
   Caríssimos e amados fiéis, o escravo Amalecita é um símbolo da nossa alma. Ela tem servido, quem sabe? o demônio, depredador e assassino dos corações, e, cansada e febricitante por causa dos pecados e dos afetos mundanos, tem ficado a definhar na estrada da vida. Mas eis que já vem o nosso rei Jesus: vem com o seu santo Natal.
   Ó Jesus, Salvador! Sede compassivo conosco. Restaurai-nos com o vosso alimento e com a vossa bebida, aquecei-nos com o hálito do vosso amor. Depois levai-nos sempre a Vosso lado: na guerra contra o demônio, a carne e o mundo. Na paz da vossa graça nesta vida e depois na Glória da outra, na Pátria do repouso eterno. Amém!

QUARTO DOMINGO DO ADVENTO - Explicação do Evangelho

Homilia dominical com explicação do Santo Evangelho da Missa do 4º Domingo do Advento.

Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios, 4, 1-5.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 3, 1-6:
  
  "No décimo quinto ano do império de Tibério César, governando Pôncio Pilatos a Judeia, sendo Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca de Itureia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilínia, sendo Anás e Caifás príncipes dos sacerdotes, foi a palavra do Senhor ouvida no deserto por João, filho de Zacarias. E veio por toda a região do Jordão, pregando o batismo da penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo vale se encherá, e todo monte e colina serão abaixados: os caminhos tortuosos tornar-se-ão retos e os ásperos, planos; e todo o homem verá o Salvador enviado por Deus". 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, vamos meditar nesta passagem do Santo Evangelho de hoje: "Foi a palavra do Senhor ouvida no deserto por João".  Estas palavras significam que São João recebeu positivamente de Deus, por inspiração ou pelo ministério dum Anjo, a ordem de anunciar o advento do Messias, e de Lhe preparar os caminhos, pregando a penitência. A vocação do Precursor era portanto autêntica e divina. São Paulo, falando da vocação ao sacerdócio, diz que ninguém pode assumir esta honra se não for chamado por Deus como Aarão (Cf. Heb. V, 4). Em Jeremias XIII, 16 e segs. e em Ezequiel XIII, Deus queixa-se em termos severos dos pregadores sem missão, que ousam, por sua própria e ilegítima autoridade, assumir o ministério da palavra.
Zona tradicional do ministério de S. João Batista, segundo
os Gregos Ortodoxos, que visitam o local uma vez por ano.
Na íngreme margem, no alto, construíram o Mosteiro
de São Jerônimo (foto abaixo). 
  João Batista se tinha retirado para o deserto desde tenra idade. Ali se preparou para a missão divina com uma vida de recolhimento, de penitência, de oração e intimidade com Deus.

   Na verdade, exige-se uma vocação especial para ser sacerdote ou religioso(a). Não seguir a vocação a que Deus nos destina, escolher por capricho, presunção ou leviandade, um ou outro estado de vida diferente daquele a que Deus nos destina, é uma desordem. Fora da vocação nada sucede bem; fora da vocação não há perfeição, não há felicidade. É como um peixe fora d'água. O Profeta Jonas, em vez de embarcar para Nínive, como Deus tinha mandado, foi para Tarso. O que aconteceu? ...
   É, pois, necessário examinar a que estado Deus nos chama, conhecer qual a vontade de Deus a nosso respeito. Vai nisso a nossa felicidade neste mundo e no outro. No entanto, com que ligeireza muitos escolhem tal ou qual estado e se lançam nele!

Mosteiro de São Jerônimo, mantido pelos Gregos
Ortodoxos. Construção do período bizantino.
   É outrossim necessário dispor-se a ouvir o chamamento divino. A exemplo de São João Batista é mister passar uma vida de recolhimento, de oração, de penitência e de trabalho para se conhecer a vontade de Deus e ouvir com presteza e docilidade a Sua voz. O retiro é necessário porque Deus não está na agitação. A oração é indispensável porque conhecer a vontade de Deus é uma graça e é necessário pedi-la durante muito tempo.
   É preciso acrescentar uma vida de trabalho e penitência, evitando toda ociosidade. É preciso mortificar a carne. A ociosidade e a carne tornam a alma surda à voz de Deus. Quem se deixa escravizar pelas suas paixões nunca vai ouvir a voz de Deus.

   Mas como faz Deus conhecer a sua vontade atinente à vocação? Comumente Deus não chama miraculosamente como fez, por exemplo com São Paulo. Mas com certeza cumpre a sua promessa ajudando com as suas luzes todos aqueles que têm boa vontade e Lhe pedem. Mostrar-lhe-á o caminho a seguir, quer despertando neles uma inclinação interior e forte, dando-lhes aptidões especiais para tal ou tal estado, quer por meio de um confessor e diretor espiritual sábio e esclarecido, que fala em nome de Deus, ou ainda suscitando tal ou tal acontecimento inesperado que decide da vocação e do futuro duma pessoa. Deus conduz os justos por um caminho admirável.

   É também necessário ouvir a voz de Deus com coragem, prontidão e fidelidade. Corajosamente, isto é, custe o que custar. E quando se trata de seguir a vocação sacerdotal ou religiosa sempre aparecem obstáculos, às vezes até dos familiares, que neste caso são os nossos maiores inimigos.
    É preciso seguir o chamado de Deus, prontamente, isto é, sem demora. Toda a demora é uma espécie de resistência à vontade de Deus, que priva a vontade da sua graça e a enfraquece. A um rapaz que Jesus convida a que o siga, e que pede tempo até sepultar seu pai, Jesus responde: "Deixe que os mortos sepultem os mortos, tu, porém, vem e anuncia a reino de Deus".
    Por último, é preciso seguir a Jesus com fidelidade, isto é, é necessário ser muito exato no cumprimento de todos os deveres da sua vocação.
    Meus caríssimos irmãos, vede a vossa vocação. Que cada um se esforce, quanto possível, por conhecer a sua vocação e ser-lhe fiel. Livrem-se os pais de violentar seus filhos em assunto de tanta importância e de lhes impor a sua vontade com manifesto prejuízo da de Deus. Recordem-se que a fidelidade em seguir a vontade de Deus na escolha dum estado de vida é um penhor de bênçãos divinas e de salvação. Amém!
 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE


Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do Mexico e de toda a América Latina





Igreja antiga na colina
de Tepejac
   O Breviário Romano traz um resumo da História de Nossa Senhora de Guadalupe: Segundo reza uma antiga e constante tradição, em 1531 a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus apareceu na colina de Tepejac ao neófito Juan Diego, piedoso e inculto indígena, e comunicou-lhe seu desejo de ele se dirigir ao bispo com o pedido de, naquele local, construir uma igeja. O bispo, Dom João de Zumárraga adiou a resposta, prometendo fazer antes um exame meticuloso do caso. Pela segunda vez a Santíssima Virgem apareceu a Juan Diego renovando, e desta vez com insistência o seu pedido anteriormente feito. O indígena aflito e entre lágrimas se apresentou novamente ao sr. Bispo e suplicou, fosse atendido o pedido da Mãe de Deus. Dom João de Zumárraga exigiu como prova da veracidade, que Juan Diego trouxesse um sinal pelo qual a Mãe de Deus mostrasse sua vontade. Juan Diego estava de viagem à cidade do México, para procurar um padre para ir dar os últimos sacramentos a um tio seu  com grave enfermidade. Era bem longe da colina de Tepejac e a benigníssima Virgem lhe apareceu pela terceira vez. Primeiramente Nossa Senhora assegurou a Juan Diego que o seu tio já estava completamente curado. Era inverno e num lugar árido. Juan Diego, em atitude de devoção, estendeu aos pés da Santíssima Virgem o seu manto, e este, imediatamente se encheu de belíssimas rosas. "É este o sinal, disse-lhe Maria Santíssima, que darei a quem tal pediu: leva estas rosas ao Sr. Bispo". E a ordem foi cumprida, e no momento em que o índio Juan Diego espalhou as flores diante do Prelado, apareceu sobre o tecido do manto uma linda pintura de Nossa Senhora, reprodução fiel da primeira aparição na colina de Tepejac. O fato causou grande estupefação, e às centenas acorreram os fiéis ao palácio episcopal para verem as rosas e a imagem. Esta foi respeitosamente guardada na residência episcopal, e mais tarde em triunfo foi levada à grandiosa igreja que se construiu na colina de Tepejac, local indicado pela Santíssima Virgem. Desde então Guadalupe é o grande santuário nacional do México, visitado pelas multidões, atraídas pelos inúmeros milagres. O Papa Bento XIV proclamou Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira principal de todo México. E o Papa Pio XII declarou-a a Padroeira de toda a América Latina.
   O índio Juan Diego, o vidente de Nossa Senhora, hoje já é venerado nos altares, canonizado pela Santa Madre Igreja. O manto de Juan Diego, perfeitamente conservado apesar de se terem passado mais de 460 anos, é ainda hoje venerado no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe.
  

domingo, 11 de dezembro de 2016

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo do Advento

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses, 4, 4-7.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, 1, 19-28: 

   "Naquele tempo, os judeus enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas a João, para lhe perguntar: Tu quem és? Ele confessou e não negou. E confessou: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então, quem és? És tu Elias? Ele respondeu: Não sou. És tu o Profeta? Ele repetiu: Não. Disseram-lhe, então: Quem és, pois. para respondermos aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo? E respondeu-lhes: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. Os que tinham sido enviados eram da seita dos fariseus. E interrogaram-no dizendo: Por que, então batizas se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o Profeta? Respondeu-lhes João, dizendo: eu batizo na água, mas, no meio de vós está Um que vós não conheceis. Este é o que virá depois de mim, que existiu antes de mim e de quem não sou digno de desatar a correia dos sapatos. Isto se deu em Betânia, além do Jordão, onde João batizava."

  Caríssimos e amados fiéis em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Vamos, hoje, meditar nestas palavras do Precursor: "Medius vestrum stetit, quem vos nescitis", "No meio de vós está Um que vós não conheceis". É como se São João Batista dissera: eu já vos declarei que sou unicamente o que vai à frente, a voz que anuncia o Cristo, o Messias tão esperado! Ora, Aquele que anuncio, não é necessário esperá-Lo mais, nem ir procurá-Lo mais longe. Já O tendes no meio de vós, como homem e como Deus: e vós não O conheceis, vós que vos vangloriais de conhecer as Escrituras. Pelo que me diz respeito, eu conheço-O e vim adiante d'Ele para vos anunciar a realidade de Sua aparição no meio de vós. Se Ele não vem senão depois de mim, não penseis que seja por motivo de inferioridade; não, é ao contrário, por ser meu Mestre que Ele envia o seu servo a anunciar a sua próxima vinda. Ele existiu antes de mim. Sendo Deus, Ele existiu sempre. Portanto, Ele é infinitamente superior a mim pela sua excelência, pela sua nobreza, pelo seu poder e pela sua autoridade. Eu não sou mais que humilde lâmpada, destinada a mostrar-vos Aquele que se esconde ainda no meio de vós, e que é o Sol da justiça, a verdadeira Luz que ilumina o mundo. Sou tão pouca coisa diante d'Ele, que não me julgo digno de desatar as correias de suas sandálias. 
Trecho do Rio Jordão. Nasce aos pés do
Monte Hermon, a 300 metros acima do nível
do mar, desce até o lago de Tiberíades
(Mar da Galileia) que vem a ser o alargamento
e aprofundamento do rio e que se encontra
210 metros abaixo do nível do mar, daí
voltando a descer até o Mar Morto, cuja
superfície está  412 metros abaixo do nível
do mar.
     João Batista não deixou de fazer aos judeus uma censura, de certo muito merecida: "Ele está no meio de vós, e vós não O conheceis". Aqueles judeus censurados pelo Precursor, eram dignos filhos daqueles que, trinta anos antes, no reinado de Herodes, afetaram despreocupação por aquele Menino maravilhoso procurado pelos Magos. Sabiam as profecias, souberam indicar a esses estrangeiros o lugar exato do nascimento do Messias esperado; e todavia não foram adorá-Lo. Como os orgulhosos estão longe do reino dos céus! É que não são dignos dele. 
    Mas, caríssimos e amados irmãos, quantos cristãos de hoje, apesar de tantas luzes e graças recebidas, são cegos e surdos voluntários como estes fariseus! Ai! se compreendessem a sua desgraça!
     Como a vida de Jesus não correspondia às ideias ambiciosas do povo judeu, eles não fizeram caso de Jesus, embora constatando que n'Ele se realizavam todas as profecias. Hoje, são as mesmas paixões do orgulho, da avareza e da luxúria que impedem muitos de reconhecer a Jesus como seu Mestre e Rei. Muitos, se envergonhariam se não conhecessem os ídolos da Televisão, do Cinema, do futebol etc., mas não se envergonham de desconhecer a Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Na verdade, Jesus está no meio de nós de muitos modos: Está na sua Igreja: "Eis que eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos". Está presente no seu Santo Evangelho, que contém suas ações, sua vida, sua doutrina, seu espírito. É a Palavra de Deus. Verbum Dei. Jesus Cristo está presente sobretudo na Santíssima Eucaristia. Está realmente e substancialmente presente. Ele a instituiu para permanecer no meio de nós, noite e dia, até o fim do mundo. Em toda parte em que há um padre, um altar, um tabernáculo, Ele consente em estar ali, como um terno pai no meio de seus filhos, para nos consolar, nos alimentar espiritualmente, para nos cumular de toda sorte de bens. 
Rio Jordão perto de Betânea da Transjordânia. Aí
São João Batista administrava o batismo de
penitência. 
      E por que muitos não conhecem a Jesus e muitos o conhecem mas O desprezam? Como já disse: por causa das paixões humanas, sobretudo, por causa dos vícios capitais. O orgulho que impede a pessoa de submeter sua inteligência aos mistérios de Deus e não creem em Jesus. A procura desenfreada dos bens terrenos impede muitos de meditar a vida de Jesus. Só pensam nas coisas da terra. Não querem conhecer o reino de Deus. A sensualidade impede muitos e muitos de gostar das coisas de Deus, de compreendê-las, pois, diz São Paulo: O homem animal não percebe as coisas que são de Deus. A luxúria impede os mundanos de ver a Deus. Pois, só os limpos de coração é que poderão ver a Deus. E assim Nosso Senhor Jesus Cristo é o grande desconhecido dos nossos tristes tempos.
    Terminemos com as palavras de Santo Agostinho: "Fazei, Senhor, que eu conheça a mim e conheça a Vós. Conheça a mim para me desprezar; conheça a Vós para Vos amar! Amém!
    

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo do Advento - Com explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses 4, 4-7.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 1, 19-28. 

LEITURA DA EPÍSTOLA DA MISSA DESTE 3º DOMINGO DO ADVENTO

   "Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Ainda uma vez vos digo: alegrai-vos. Seja a vossa modéstia conhecida de todos os homens; o Senhor está perto. De nada vos inquieteis; mas, em toda oração e súplica, dando graças, apresentai a Deus os vossos pedidos. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde os vossos corações e os vossos espíritos em Cristo Jesus, Senhor nosso". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 A Epístola de hoje é curta; mas, embora, apresentando poucas palavras, oferece muitos pontos importantíssimos de meditação: a alegria, a modéstia, a oração e a paz. 
  Farei uma explicação sucinta de toda Epístola e depois me deterei um pouco mais em alguns tópicos. 

  São Paulo quer nos ensinar o seguinte: Meus irmãos caríssimos: Alegrai-vos sempre porque tendes no Senhor o motivo de vossa alegria. Repito: alegrai-vos. Que a vossa modéstia, simplicidade, humildade e doçura sejam manifestas a todos. O Senhor não tardará a socorrer-vos. Portanto, não vos inquieteis com coisa alguma deste mundo, quer presente, quer futura; mas em vossas necessidades recorrei a Deus, a Ele manifestando o que precisais, suplicando-o com vossas orações e pedidos, e agradecendo-o pelos benefícios já recebidos. E a paz de Deus que está acima de todo entendimento, aquela paz sobrenatural que não compreende senão quem já a provou, guardará os vossos corações e as vossas inteligências, unindo-os e sujeitando-os ao coração e à vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

   Caríssimos, embora o mundo não compreenda, ao cristão sobram motivos de alegria, de santa alegria. E o motivo é porque Jesus Cristo está perto de nós e, pela graça santificante, está mesmo dentro de nós. 

   Mestre experimentado, São Paulo acrescenta os meios para adquirir a alegria: "Manifestai a todos a vossa modéstia, que segundo o grego, pode ser traduzido como suavidade. Depondo todo hábito de violência, à ira e preferindo a bondade, a todos oferecendo o perdão, então, não tardaremos a ver que somos felizes. Diz ainda o Apóstolo: "Não vos angustieis por coisa alguma". A riquezas e os muitos prazeres não são portadores de felicidade. Quem já o experimentou, sendo sincero, o confessará. 

   Seria tão fácil ser feliz! É só fazer o que São Paulo diz nesta pequena Epístola lida na Missa deste domingo. Só não é feliz quem não quer. Coisa admirável! A Religião de Nosso Senhor Jesus que se nos afigura tendo como única meta a outra vida, na realidade faz-nos felizes já nesta terra. É só ter Jesus Cristo e segui-Lo fielmente. Embora as Bem-aventuranças de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam diametralmente opostas às máximas do mundo, nelas verdadeiramente encontra-se a felicidade. Esta é a paz que está acima de todo entendimento humano! Só a entende aquele a quem o Divino Espírito Santo a revelar e a fizer entender. 

   Em troca da excessiva solicitude, o Apóstolo nos pede que em todas as coisas recorramos a Deus: Não vos afaneis por nada, mas as vossas petições sejam apresentadas a Deus". É muito mais o que podemos esperar da graça do que podemos esperar de nosso ardor. E isto "em tudo", sabendo com certeza que nunca seremos importunos a Deus ou insuportáveis com a multiplicidade de nossas instâncias. Multipliquemo-las generosamente. É o próprio Jesus que no-lo ensina fazer. Basta que as nossas petições sejam dignas de ser apresentadas diante de Deus, isto é, que não peçamos ao Senhor Deus e Pai, coisas não boas ou inúteis. Pelo resto, não nos espantem nem o número nem a grandeza dos nossos pedidos. Os grandes pedidos são justamente os mais dignos de um tal Senhor. Jesus disse para seus discípulos: "Até agora não pedistes nada" (S. João XVI, 24). 

   Caríssimos, não vos aflijais, mas em todas as coisas, em todas as vossas necessidades e dificuldades, apresentai as vossas súplicas a Deus, Nosso Senhor, e Nosso Pai. Amém!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Tota pulchra es, Maria, et macula originalis non est in te".

   "Não, Maria não pôde cometer o pecado atual, como não pôde contrair o pecado original; pois se ela tivesse sido manchada pelo pecado, teria havido um instante em que a Mãe de DEUS foi inimiga de DEUS". (Duns Scotto).
     Achando-se em 1823, os Padres Mestres em Teologia Cassitti e Chignatara, da Ordem dos Pregadores, presentes ao exorcismo de um menino iletrado de 12 anos, em Ariano da Apúlia, Itália, impuseram-lhe provar teologicamente com um soneto de rimas obrigadas, a Imaculada Conceição de Maria Santíssima. Soneto estemporâneo, que em 1854, lido pelo imortal Pontífice Pio IX, hoje beatificado, lhe arrancou lágrimas de ternura. Para não me alongar vou dar só a versão portuguesa:

   Mãe verdadeira, eu sou dum DEUS que é Filho, 
   E d'Ele Filha sou bem que sua Mãe,
   Ab aeterno nasceu, e Ele é meu Filho, 
   Se bem nasci no tempo, eu sou sua Mãe:

   Ele é meu Criador, mas é meu Filho,
   Sua criatura eu sou e sou sua Mãe;
   Prodígio foi divino o ser meu Filho
   Um DEUS  eterno, e o ter-me por Mãe:

   Comum é quase o ser à Mãe e ao Filho:
   Porque do Filho teve o ser a Mãe,
   E da Mãe o ser também o Filho:

   Ora, se o ser do Filho teve a Mãe;
   Ou se dirá que foi manchado o Filho,
   Ou sem labéu se há de dizer a Mãe.

   Saudemos a Imaculada Conceição, com as palavras de São João Damasceno: "Salve, ó trono e assento de DEUS magnificentíssimo, no qual DEUS repousa mais dignamente que mesmo sobre os coros das potestades celestiais. Salve, ó lírio, cujo broto, Jesus Cristo, veste todas as açucenas do campo. Salve, ó paraíso, mais belo que o Eden, no qual medram todas as flores da virtude e se levanta a árvore da vida da qual saboreamos o fruto da imortalidade, não mais retidos pela espada chamejante do anjo".  

A IMACULADA CONCEIÇÃO

A  IMACULADA  (Murilo)
  Se o amor restrito, com que Deus amou João Batista, bastou para purificá-lo no seio materno, por que não preservaria da culpa hereditária a sua futura mãe o amor irrestrito com que Deus a quis?
  Tanto mais perfeita uma pessoa quanto mais perto de Deus ela está constituída. Ora, Maria está tão perto de Deus, seus liames com Deus são tão estreitos e inefáveis que não é possível haver criatura mais intimamente unida às três Pessoas Divinas. Filha predileta de Deus Pai, Mãe amorosíssima de Deus Filho e Esposa amantíssima e fidelíssima de Deus Espírito Santo. Maria Santíssima teve uma Predestinação singular, isto é, foi preparada por Deus para ser Sua Mãe. Daí, todos os privilégios concedidos à Maria Santíssima lhe foram outorgados por Deus em vista desta missão de trazer ao mundo o Filho de Deus para operar a Redenção de toda a Humanidade. Deus assim decretou: seu Filho seria "factus ex muliere". E, malgrado a obstinação protestante, ninguém poderá mudar os desígnios de Deus. 
   Em se tratando do pecado original, cada uma das três Pessoas Divinas tinha suas razões a alegar para que se decretasse uma exceção em favor de Maria. Deus Pai via nela uma criatura toda privilegiada, uma filha prediletíssima. No tempo Ela seria Mãe daquele Filho que Ele gera por via de inteligência deste toda eternidade. Podia acaso permitir que ela fosse manchada, ainda por um instante, pela nódoa do pecado? 
  Deus Filho via nela sua Mãe, que Ele amava já infinitamente mais do que pode ser amada qualquer outra mãe. Podendo dispor da sorte dela, sendo a própria Onipotência e a própria Bondade, como não faria por sua Mãe tudo quanto podia!? Salomão vai ao encontro de Betsabé e previne os desejos de sua mãe: "Pedi, minha mãe, nada te posso negar". Um Deus que escolhe mãe para si mesmo, será porventura menos bom filho que Salomão? Ele sabe o que pediria Maria, se existisse já, e se pudesse pedir alguma coisa. Ouve-a dizer de antemão: Ó meu Filho, ó meu Deus, o que prefiro a tudo, é ser sempre pura aos vossos olhos, é que nenhum instante da minha vida, e ainda menos o primeiro, pertença a outrem senão a vós. Maria Santíssima dará o Coração e o Sangue a Jesus. Seu sangue correrá nas veias de Jesus Cristo; e sofreria Ele que o sangue divino, que havia de lavar o mundo, fosse manchado na sua origem? 
  O Espírito Santo via nela a Sua Esposa, pois ela conceberia milagrosamente pelo Seu poder. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade via em Maria a obra prima da graça, uma criatura em quem Ele operaria mais maravilhas que em todas as criaturas juntas. Ela será por excelência o tabernáculo de Deus entre os homens; e o Espírito Santo é encarregado de preparar este santuário vivo. Ele quer que nada falte à sua obra, que a morada seja digna d'Aquele que a há de habitar, e d'Aquele que é o seu arquiteto. E tê-lo-ia sido, se o Divino Espírito não tivesse coberto com sua sombra a conceição de Maria para afastar dela ainda a mais leve mácula? 
   A Imaculada Conceição de Maria Santíssima é portanto a base em que se assenta todo o edifício de suas grandezas. E devemos ter em mente que este privilégio foi singular, isto é, só concedido a ela. Há santos em favor dos quais Deus tornou impotente o furor dos leões, a atividade das chamas,,, Há alguns que foram por Deus santificados no seio materno como Jeremias, São João Batista e provavelmente São José; mas a isenção de toda a mácula original é um benefício só privativo de Maria Santíssima. E este detalhe importantíssimo faz parte do dogma. "Por um privilégio singular", disse Pio IX nas palavras da Definição do Dogma da Imaculada Conceição.(1854). 
  Oh! quantas maravilhas nesta grande maravilha! O demônio prende em suas cadeias toda a descendência de Adão; só uma menina lhe escapa, e ela lhe esmagará a cabeça! Um fogo abrasador assola tudo; e no meio do incêndio geral, só uma vergôntea fica intacta; não só não é queimada nem tisnada, mas antes produz a mais bela das flores, e dá um fruto que será a salvação dos povos! Um tirano furioso desola toda a terra, e estende por todo a parte a sua cruel dominação; só uma cidade lhe resiste e vem a ser a senhora do universo! A serpente infernal terrivelmente mancha com sua baba impura a toda pobre criatura logo no primeiro instante de existência, mas vemos  uma criatura humana privilegiada, não só defendida desta afronta, mas pisando e esmagando a cabeça envenenada deste monstro infernal. Pois bem, caríssimos e amados irmãos, esta menina, esta vergôntea, esta cidade, esta criatura privilegiada é a Bem-aventurada Virgem Maria.
   Do privilégio da Maternidade Divina brota a Conceição Imaculada, e, desta brotam todos os outros privilégios: plenitude de graças e dons espirituais, que desde este primeiro instante eleva a santidade de Maria acima da dos maiores Santos; perfeito uso da sua razão e de todas as faculdades desde aquele primeiro momento; isenção da concupiscência e de outros funestos efeitos do pecado original; abundância de luzes sobrenaturais; facilidade em adiantar continuamente nos caminhos sublimes da santidade, por uma perfeita correspondência a todas as graças que recebe, sem que a menor imperfeição venha jamais deter os seus progressos e impanar  toda sua beleza. A incorruptibilidade no túmulo, a ressurreição antecipada, sua Assunção em corpo e alma aos céus, sua coroação como Rainha do Céu e da Terra, tudo isto é porque, sendo Mãe de Deus, foi Imaculada desde o primeiro instante de sua existência. 
   Antes de terminar gostaria de desfazer de antemão todas as possíveis dificuldades. Na verdade, para os católicos não há a minima dúvida. Trata-se de um dogma definido "ex cathedra" e aí o Papa é infalível. Mas o próprio Papa antes de definir os dogmas, apresenta os argumentos a favor dele, e responde as objeções feitas contra ele. Pois bem, em síntese, podemos dizer que nada se opõe à Imaculada Conceição de Maria. Nem o dogma da transmissão do pecado original, porque dessa nódoa Deus podia eximir sua Mãe por singular privilégio. Nem o dogma da universalidade de Redenção, porque Deus podia remi-la com redenção preservativa, aliás mais perfeita. Nem o dogma da Redenção por meio de Cristo, porque Deus podia remi-la, aplicando os seus méritos futuros. E Maria Santíssima foi a primeira remida por Nosso Divino Salvador. 
   A primeira mártir da Ação Católica Mexicana foi Maria da Luz Camacho. Varada por balas comunistas às portas da igreja de Coyacan, no desempenho da sua missão catequética, foi uma alma sinceramente apaixonada por Maria Santíssima. Durante a vida não teve outro fito senão estudar e copiar esse protótipo de perfeição. Não admira, pois, que, ao ver o seu corpo varado por balas selvagens, somasse as energias do seu amor acrisolado pela Mãe de Deus, e expirasse com o seu nome nos lábios. Viva Nossa Senhora de Guadalupe! Foi com efeito, o último canto desse cisne mariano. 
   Não posso sopear o desejo de terminar este sermão com palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus. Durante a novena que precedeu a sua primeira comunhão (8 de maio de 1884) a Florzinha de Lisieux pediu a Virgem lhe tornasse a alma mais pura, mais e mais alvinitente: "Ô ma Mére, pouisque vous êtes si pure, vois devez savoir comment on fait éclore cette fleur d'innocence... Montre-le-moi! et just'au jour tant desiré ne me laissez pas perdre une occasion de rendre mon âme plus blanche et plus limpide". 

TOTA PULCHRA ES MARIA, ET  MACULA ORIGINALIS NON EST IN TE!
  

domingo, 4 de dezembro de 2016

HOMILIA DOMINICAL: 2º Domingo do Advento - Explicação da Epístola

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 15, 4-13.
   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 11, 2-10. 

EPÍSTOLA DE SÃO PAULO APÓSTOLO AOS ROMANOS 15, 4-13:

   "Irmãos: Tudo o que está escrito foi escrito para nosso ensinamento, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos dê que tenhais entre vós sentimentos segundo Jesus Cristo, para que, unânimes, a uma voz, honreis a Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, socorrei uns aos outros, como também Cristo vos recebeu para glória de Deus. Digo-vos, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, em testemunho da fidelidade de Deus, e para confirmar as promessas feitas aos nossos pais. Quanto aos gentios, que também glorifiquem a Deus em sua misericórdia, como está escrito: Por isso confessar-Vos-ei entre os povos, Senhor, e cantarei hinos a vosso nome. E novamente diz: Alegrai-vos, nações, com o seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, todos os povos: engrandecei-O, todas as nações. E também diz Isaías: Sairá uma raiz de Jessé e as nações esperarão n'Aquele que dela se levantará para regê-las. O Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz em vossa fé; para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Com a graça de Deus, vou explanar apenas a primeira frase da Epístola da missa deste segundo domingo do Advento. Na verdade, só estas palavras já nos oferecem assunto para mais de uma homilia. Trata-se, pois, de mostrar o valor da palavra de Deus e não a de um homem. 

   "Para mim, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, nada mais encontro nos outros livros que me desperte interesse. Tudo o que eu quero está no Evangelho". E o Livro da Imitação de Cristo afirma: "Duas coisas são necessárias para a vida do homem, o alimento e a luz. Por isso, deu-nos o Senhor o seu Corpo para alimento espiritual e a sua santa palavra para dirigir nossos passos". Dizia Taine: "O Evangelho é a força indispensável para alevantar o homem acima de si mesmo, de sua vida rasteira e de seus horizontes limitados, para conduzi-lo através da paciência, da resignação e da esperança até a tranquilidade de espírito; para conseguir a temperança, a pureza e a bondade até a dedicação e ao sacrifício". Belas são igualmente as palavras do Cardeal Maffi: "Náufrago no mar tempestuoso, o pobre Camões com uma das mãos batia as ondas e com a outra levantava fora d'água o manuscrito dos Lusíadas que o haviam de imortalizar. Sobre as ondas que se elevam e me envolvem está o poema de Deus que levantarei para o alto. É meu guia, minha esperança e minha salvação". 

   Tudo o que está na Sagrada Escritura foi escrito para a nossa instrução moral e religiosa, a fim de que, admoestados à paciência pelos exemplos dos livros santos e confortados com as palavras divinas, aumente em nós a esperança dos bens celestiais a que temos direito como filhos de Deus. 

   Toda doutrina, para ser perfeita, deve ser útil seja a inteligência como à vontade. Tal é a doutrina das Sagradas Escrituras: "Eu sou o Senhor teu Deus que te ensino coisas úteis" (Isaías 40, 17): é útil à inteligência: ensina a verdade e rejeita a falsidade; é útil à vontade: afasta-nos do mal e nos leva ao bem. Só uma grande doutrina pode fazer isso. Por isso São Paulo diz expressamente: "Toda a Escritura divinamente inspirada, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça" (2 Timóteo 3, 16). A Sagrada Escritura é útil para ensinar a verdade; para repreender a falsidade e o erro; para corrigir o mal; para formar no bem, na virtude e na santidade. Como devemos ser agradecidos a Deus, Nosso Senhor e Pai, por nos ter dado tão inestimável dom!

   O fim primário que Deus teve em mira ao dar aos homens a instrução perfeita das Escrituras foi robustecer a nossa atitude em vista da bem-aventurança eterna, fim último para o qual fomos criados. Sua consecução exige violência, por causa das muitas dificuldades. Mas Deus dispôs as suas Escrituras, doutrinais e práticas, para que nos acompanhem e nos ajudem a superar estas dificuldades; e isto dando-nos ensinamentos e exemplos acerca do sofrimento e das consolações que dele promanam. Não se pode imaginar quanto os sofrimentos e as consolações nos ajudam; destas dois coisas estão cheias as Escrituras. "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação (das quais lemos nas Escrituras), tenhamos esperança".

   As Escrituras, outrossim, não tratam só da paciência e da consolação de que falamos, mas as infundem, As palavras de Deus são operativas porque são dotadas de uma força admirável, não só de apresentar, mas de infundir o que querem: propõe-nos paciência e consolação e ao mesmo tempo nolas infundem. A palavra de Deus penetra até o íntimo sendo mais penetrante que uma espada de dois gumes: com um gume penetra na inteligência, com o outro, na vontade, apoderando-se completamente de nós. Como a espada de dois gumes, a palavra de Deus penetra também com suma rapidez e profundidade.

   Sejam, pois, caríssimos, as Sagradas Escrituras o nosso alimento predileto: tomemo-lo, e procuremos assimilá-lo. Assim teremos paciência e consolação como aqueles nobres Macabeus, que, em duríssimas provas, protestavam que não precisavam de nenhum auxílio neste mundo, porque tinham conforto suficiente nas Sagradas Escrituras que manuseavam continuamente, juntamente com as armas: "Temos para nossa consolação os livros santos, que estão em nossas mãos" (I Macabeus 12, 9).

   Este é o fim maravilhoso ao qual se destinam as Escrituras Sagradas: "Tudo o que está escrito para o nosso ensino está escrito; a fim de que pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança". Amém!

   

HOMILIA DO 2º DOMINGO DO ADVENTO

Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos, 15, 4-13.
                Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 11, 2-10: 

  "Naquele tempo ouvindo João no cárcere, as obras de Cristo, tendo enviado dois dos seus discípulos disse-Lhe: És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados e bem-aventurado é aquele que de Mim não se escandalizar. E quando eles partiram, começou Jesus a falar ao povo acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que saístes a ver? Um homem vestido suntuosamente? Ora, os que vestem roupas finas habitam os palácios dos reis. Então, que saístes a ver? Um Profeta? Sim, eu vos digo, e mais que um Profeta. Porque, este é aquele do qual foi escrito: Eis que envio diante de tua face o meu Mensageiro, que preparará o teu caminho adiante de ti". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Hoje vamos meditar nas provas da missão divina de Jesus, que nos mostra este Evangelho colocado pela Santa Igreja à nossa meditação neste segundo domingo do Advento. 
  "És tu o que há de vir, ou devemos esperar por outro? E respondendo, Jesus lhes disse: Ide repetir a João o que ouvistes e vistes...
   Como já o explicamos no ano passado, o Santo Precursor, ao enviar seus discípulos para fazer esta pergunta a Jesus, evidentemente não duvidava de nenhum modo que Jesus fosse o Messias; queria, isto sim, vencer a incredulidade deles colocando-os na oportunidade de reconhecer a missão divina de Jesus vendo pessoalmente as suas obras, obras estas antecipadamente preditas pelos profetas como demonstração da veracidade do futuro Messias.
    Infelizmente ainda hoje quantos cristãos semelhantes a estes discípulos de João Batista! Não têm uma fé firme e prática em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ficam apegados a certos pretensos sábios e se esquecem da verdadeira Sabedoria, d'Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida. Uns por malícia e impiedade, outros por cegueira provocada pelas paixões, outros ainda por uma ignorância mais ou menos culpável... Que todos estes escutem e meditem a resposta do Divino Mestre. 
  Ora, o Salvador prova a divindade de sua missão mediante três meios:  1º - por sua doutrina; 2º - pela santidade de sua vida; 3º - por seus milagres.
   Consideremos brevemente cada uma destas provas: 
Sermão da Montanha. Na década de 1930 foi construída
esta igreja em forma octogonal e com oito vitrais onde se
encontram escritas as 8 Bem-Aventuranças.
O sermão que Jesus fez aí resume toda sua doutrina,
assim como as oito Bem-Aventuranças com que o
inicia, resumem todo o sermão. 
   Primeira: Pela sua doutrina: Todos a ouviam. Pois, Jesus pregava por toda parte, a todos, publicamente. Sua doutrina é sublime, celeste, divina, e portanto, simples e ao alcance de todos. Ele instrui os homens sobre a bondade e a providência de Deus, e, ao mesmo tempo, mostra Seu poder e Sua justiça; Jesus em suas pregações fala contra as fraquezas e misérias da humanidade, sobre a vida presente e a futura. Ensina a todos claramente seus deveres para com Deus, o próximo, e para consigo mesmos. Mostra todas a virtudes que devem praticar: a humildade, o desprendimento dos bens materiais e o amor à pobreza, a castidade, a penitência, a paciência, a caridade ... etc. Temos no sermão da montanha um resumo admirável de toda a sua doutrina.
   É claro que uma moral tão pura, uma doutrina tão santa não poderiam vir senão do céu, senão de um Deus. Assim os que a ouviam ficavam convencidos da missão divina do Divino Pregador: "Todos ficavam admirados a respeito de Sua doutrina... E perguntavam entre si: Que é isto? Que nova doutrina é esta?... Todos ficavam estupefatos, porque percebiam que Ele falava com autoridade. Nenhum homem, diziam as turbas, falou até hoje como este homem" (Cf. S. Mt. VII, 28; S. Mc, I, 27; S. Lc. IV, 32; S. Jo. VII, 46). 
   Quão culpáveis eram aqueles judeus ou que simplesmente não quiseram ouvir esta doutrina, ou, ouvindo-a, ficaram admirados, tocados pela graça, mas não quiseram segui-la, porque não quiseram reconhecer seu autor como Deus! Se Jesus diz que são bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática, devemos concluir que até muitos cristãos não são bem-aventurados. 
   
   Segunda: Pela santidade da vida de Jesus. São Lucas diz que Jesus começou a fazer e a ensinar... Ele é o modelo vivo e mais completo de todas as virtudes e de todas as perfeições. Que zelo pela glória de Seu Pai e pela salvação das almas! Como reluziam n'Ele a pobreza, a pureza, a humildade, a misericórdia, a caridade, a doçura, a paciência, a bondade e todas as demais virtudes. Jesus Cristo nos deu o exemplo para que façamos como Ele fez. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração!" Mostrou que era Deus em toda sua vida e na Sua morte. Por isso, aqueles que seguem a Jesus não andam nas trevas!

 Terceira: Pelos milagres que Jesus fez. "Ide dizer a João o que vistes: os cegos vêem, os coxos andam.. etc. Os discípulos de João, nesta ocasião, foram testemunhas, com todos os judeus, dos milagres de toda espécie, e sem número que Jesus fazia. Eles podiam e deviam claramente reconhecer nestes prodígios que Jesus era verdadeiramente o Messias prometido, anunciado, e esperado; porque Jesus Cristo operava exatamente aqueles milagres que os profetas atribuíam antecipadamente ao Messias. E os milagres eram evidentes, públicos, múltiplos, feitos em seu nome e as vezes, com uma única palavra sua. O próprio Jesus dizia aos judeus: "Estas mesmas obras que Eu faço,  dão testemunho de mim: provam que o Pai me enviou... Se não quereis acreditar em mim, acreditai em minhas obras". 
   Os próprios judeus eram tocados fortemente pelas obras maravilhosas que Jesus operava. Muitos chegavam a dizer: "Será que quando vier o Messias, ele fará tantas obras maravilhosas como este homem faz? Infelizes, mesmo assim se recusavam em acreditar. O pior cego é aquele que não quer ver, diz o ditado popular. Corações endurecidos, que recusam adorar e seguir a Jesus, malgrado tantos milagres!

  Ó Jesus, nós vos adoramos de todo nosso coração. Cremos firmemente que Vós sois o Cristo, o Filho de Deus vivo, descido do céu à terra para nos salvar, para nos ensinar o caminho da virtude e do céu. 
   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo! que a vossa fé seja firme e prática. Glorificai a Jesus Cristo por vossa fidelidade aos Seus preceitos, pela imitação de todas as suas virtudes. 
   Senhor! eu creio, mas aumentai a minha fé! Amém!
   

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como o moribundo deve vencer certas tentações do demônio

   
 Devemos resistir ao demônio, firmes na fé. Deus é fiel e nunca permite que o inimigo de nossa alma nos tente acima das forças. Quando Deus permite a tentação, é para a gente tirar dela proveito. Deus dá a todos a graça suficiente para se salvarem.

   Não há dúvida que as tentações na proximidade da morte, são mais terríveis. Quando o corpo está debilitado, a alma perde muitas vezes parte do seu vigor. É pois da maior importância estar premunido contra estes últimos e temíveis assaltos do demônio. 

   NAS TENTAÇÕES CONTRA FÉ: Não disputar com o inimigo. Quando o moribundo se sentir agitado por pensamentos de dúvida, contente-se com dizer, ou mesmo exprimir por sinais que crê em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja. Católica. 

   NAS TENTAÇÕES DE PRESUNÇÃO: Quanto mais uma pessoa tenha durante a vida se empenhado em dar bom exemplo, quanto mais tenha sofrido e dado mais edificação, tanto mais também o demônio a incita a confiar na sua própria justiça. É tentada a considerar os elogios que lhe dão, como prova certa de sua pretensa virtude. Neste caso, humilhe-se profundamente, e diga com o santo Jó: "Eu sei verdadeiramente que é assim, que o homem comparado com Deus não é justo. E, se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma só" (Jó, IX, 2 e 3). 

   NAS TENTAÇÕES DE DESESPERAÇÃO: O Espírito das trevas procura lembrar ao moribundo as suas obrigações e os favores talvez extraordinários que recebeu de Deus em sua vida. Pinta-lhe, então, as suas faltas com as cores mais vivas, e algumas vezes as mais exageradas: esforça-se o demônio por lhe persuadir que não poderá escapar à ira de um Deus tão santo, por ter abusado dos seus benefícios. 

É preciso fazer um último ato de esperança e de amor. 
  
 Bossuet diz a respeito da morte: "Os meus sentidos extinguem-se, a minha vida esvai-se; em breve passarão por onde eu estava: eis o seu quarto, dirão, eis o seu leito; e não me encontrarão lá. Como isto é triste! Sim, seria muito triste, se eu não tivesse esperança. Mas se tudo cai em redor de mim, vou para onde está tudo. Deus poderoso, Deus eterno, Deus feliz, alegro-me do vosso poder, da vossa eternidade, da vossa felicidade. Quando vos verei, ó luz, ó bem, ó fonte do bem. ó bem único, ó todo o bem, ó toda a perfeição, ó única perfeição; ó vós, que sois o ser por excelência, que sois tudo, em que eu estarei, que estareis em mim, que sereis tudo a todos, com quem eu serei um só espírito! Quando vos verei, ó princípio que não tendes princípio? Quando verei sair do vosso seio vosso Filho, que vos é igual? quando verei o vosso Santo Espírito proceder da vossa união, terminar a vossa fecundidade? Cala-te alma minha, não fales mais; para que balbuciar ainda, quando te vai falar a mesma verdade?..."

   Na verdade, uma boa morte não se improvisa, prepara-se. Geralmente como for a vida, será a morte. Quem procurou viver com o coração reto diante de Deus. vigiando sempre para observar os mandamentos e cumprir os deveres de estado; tendo todo empenho e cuidado em receber os sacramentos com as devidas disposições, deve confiar na misericórdia divina e desprezar as tentações do demônio na hora da morte. Os humildes e de coração reto poderão dizer adeus à Igreja militante já saudando a Igreja triunfante: Meus novos irmãos, ou melhor dizendo, meus amigos concidadãos, meus antigos irmãos, eu vos saúdo; brevemente vos abraçarei. Adeus, meus irmãos mortais, adeus! Ó Santa Igreja, eu não me despeço de vós. vou ver os profetas e os apóstolos, vossos fundamentos; os mártires, vossas vítimas; as virgens, vossa flor; os confessores, vosso ornamento; os Anjos e os Santos, vossos intercessores... Sinto-me morrer, fechai-me os olhos, envolvei-me nesta mortalha, enterrai-me... Jesus, Maria, José, recebei a minha alma. Assim seja!