SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 15 de abril de 2017

SANTA PÁSCOA

SANTA PÁSCOA

  
"Vós não sabeis que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Nós fomos, pois, sepultados com Ele, a fim de morrer (para o pecado) pelo batismo, para que assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim nós vivamos uma vida nova" (Rom. VI, 3 e 4).

 Desejo aos caríssimos leitores uma FELIZ E SANTA PÁSCOA!

Os méritos de Jesus Cristo adquiridos pela sua Paixão e Morte, subsistem para depois da Sua gloriosa Ressurreição. Para isto significar, quis conservar as cicatrizes das chagas: apresenta-as ao Pai em toda a sua beleza, como títulos à comunicação da sua Graça. Como diz São Paulo: "... (Jesus) porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa. Por isso pode salvar perpetuamente  os que por Ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós"(Hebr. VII, 25).

É logo no Batismo que participamos da graça da Ressurreição. É também o que diz S. Paulo, como acima transcrevemos.  A água santa em que mergulhamos no Batismo é, segundo o Apóstolo, a imagem do sepulcro (na época se administrava o batismo também por imersão). Ao sair dela, fica a alma purificada de toda a falta, de toda a mancha, livre da morte espiritual e revestida da graça, princípio da vida divina. Jesus Cristo tem infinito desejo de nos comunicar a Sua vida gloriosa, assim como teve um ardente desejo de ser batizado com o batismo de sangue para nossa salvação. E o que é mister seja feito para correspondermos a este desejo divino e nos tornarmos semelhantes a Jesus ressuscitado? É preciso viver no espírito do nosso Batismo: renunciar de verdade (e não só de lábios) a tudo o que na nossa vida é viciado pelo pecado; fazer "morrer" cada vez mais o "velho homem". Continuando o texto supracitado no início: "Porque, se nos tornarmos uma só planta com Cristo, por uma morte semelhante a d'Ele, o mesmo sucederá por uma ressurreição semelhante, sabendo nós que o nosso homem velho foi crucificado juntamente com Ele, a fim de que seja destruído o corpo do pecado, para que não sirvamos jamais ao pecado" (Rom. VI, 5 e 6). Assim, tudo em nós deve ser dominado e governado pela graça. Nisto consiste para nós toda a santidade: afastar-nos do pecado, das ocasiões do pecado, desapegarmo-nos das criaturas e de tudo o que é terreno, para vivermos em Deus e para Deus com a maior plenitude e estabilidade possíveis.  E São Paulo continua explicando: "De fato aquele que morreu, justificado está do pecado. E, se morremos com Cristo, creiamos que viveremos também juntamente com Cristo"...

Caríssimos, esta obra de santidade inaugurada no Batismo, continua durante toda a nossa existência. São Paulo dizia: "Eu morro todos os dias". É certo que Jesus Cristo só morreu uma vez; deu-nos assim o poder de morrer com Ele para tudo o que é pecado. Nós, porém, devemos "morrer" [espiritualmente falando] todos os dias, pois conservamos em nós as raízes do pecado, raízes estas que o demônio trabalha para fazer brotar de novo. Portanto, destruir em nós essas raízes, fugir de toda a infidelidade, desapegar-se de toda criatura amada por si mesma, afastar das nossas ações todo o motivo, não só culpável, mas puramente natural; libertar-nos de tudo o que é criado, terreno, conservar o coração livre duma liberdade espiritual, - eis, caríssimos, o primeiro elemento da nossa santidade. Mostra-o S. Paulo em termos os mais expressivos: "Purificai-vos do velho fermento para serdes uma massa nova; pois, desde que Jesus Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado por nós, tornastes-vos pães ázimos. Participemos portanto do banquete, não com o fermento antigo, o fermento do mal e da perversidade, mas com os ázimos da verdade e da sinceridade".

Aqui também faz-se mister uma explicação: Entre os Israelitas, nas vésperas da festa da Páscoa, deviam desaparecer das casas toda a espécie de fermento; No dia da festa, depois de imolado o cordeiro pascal, comiam-no com pães ázimos, isto é, sem fermento, não levedados (Cf. Ex. XII, 26 e 27).  Pois bem! Tudo aquilo eram apenas "figuras e símbolos" da verdadeira Páscoa, a Páscoa cristã. Naquele momento da regeneração batismal, participamos da morte de Cristo, que fazia morrer em nós o pecado: tornamo-nos, e assim devemos permanecer pela graça, uma nova massa, isto é, "nova criatura", "novo homem", a exemplo de Jesus Cristo saído glorioso do sepulcro.

Os judeus, chegada a Páscoa, se abstinham de todo  o fermento para comer a cordeiro pascal, "assim também vós, cristãos,  que quereis participar do mistério da Ressurreição e unir-vos a Jesus Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado por vós, deveis, doravante, levar uma vida isenta de todo o pecado; deveis abster-vos desses maus desejos que são como que um fermento de malícia e perversidade. Fermento velho são, ainda, as paixões desregradas que subvertem o coração, na revolta  contra as leis naturais e sobrenaturais, para levá-lo à condenação final. Fermento velho é, também, a vaidade que, motivando as boas obras, impede-lhes todo o merecimento divino. Fermento velho enfim, é aquele espírito mundano que, impregnando as mentes dos fiéis, leva-os a conciliarem máximas terrenas e ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim este fermento velho mina a vida espiritual dos cristãos. Envenenados por ideias mundanas ,vivem completamente alheios aos destinos eternos, apenas buscando uma felicidade efêmera. Baseados numa noção deturpada de "misericórdia" e levados por um espírito ecumênico e não missionário, aprovam os erros dos inimigos da Igreja, e a eles se conformam. Curvando-se à leis do mundo, preferem a liberdade desenfreada dos homens deste século à moral puríssima e imutável dos Santos Evangelhos.

É contra tudo isto que São Paulo alerta veementemente: "Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma nova massa, vós que constituís a sociedade dos filhos de Deus". Caríssimos, não mais o fermento do pecado e, sim o pão ázimo da virtude; não mais o fermento doas paixões desregradas, e sim o pão ázimo da pureza; não mais o fermento da vaidade e sim o pão ázimo da verdade que busca a glória de Deus; não mais o fermento do espírito mundano e, sim, o pão ázimo dos princípios tradicionais que nos ensinam a andar na terra com as vistas voltadas para o reino dos céus, e nos impõem a profissão integral da nossa fé sem as mesquinhas concessões ao respeito humano, e sem as vulgares condescendências ao espírito moderno.

Em um palavra: celebrar a Páscoa com o pão ázimo de pureza e da verdade.   

Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo. E, se renunciamos ao demônio, suas obras que são os pecados, e suas pompas e vaidades que levam ao pecado, digo, se renunciamos a tudo isto, é justamente para vivermos para Deus. E este viver para Deus encerra em si uma infinidade de graus. Supõe em primeiro lugar afastamento total de todo pecado mortal; pois, entre este e a vida divina há incompatibilidade absoluta. Há depois a separação do pecado venial, das raízes do pecado, de todo o motivo natural; desapego de tudo quanto é criado. Quanto mais completa for esta separação, mais libertados estamos, mais livres espiritualmente e mais se desenvolve e desabrocha também em nós a vida divina; à medida que a alma se liberta do humano, abre-se para o divino, vive na verdade a vida de Deus.

Caríssimos, permaneceremos em Jesus que é a Vida, pela graça, pela fé que n'Ele temos, pelas virtudes de que Ele é o modelo perfeito. E é preciso que Jesus Cristo reine em nossos corações. É mister que tudo em nós Lhe seja submetido.  Jesus deve ser a nossa vida. Oxalá pudéssemos dizer com todo verdade como São Paulo: "Vivo, mas não sou mais que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim!"

Enfim, os sinos da Páscoa anunciam  não apenas Jesus Cristo ressuscitado, mas, afinados na misericórdia divina, repicam alegres, também para os pecadores, mas para os pecadores arrependidos e penitentes, pecadores que também surgiram do sepulcro dos seus pecados. E assim aproximam-se também eles do Banquete Eucarístico de uma Santa Páscoa.


Vamos resumir tudo com palavras de São Paulo: "Portanto, se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são lá de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus; afeiçoai-vos às coisas que são lá de cima, não às que estão sobre a terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Col. III, 1-3). Amém! Aleluia!


quinta-feira, 13 de abril de 2017

A COMUNHÃO : Fé e Reverência

   "Sem a fé - diz São Paulo - é impossível a pessoa agradar a Deus". Assim devemos dizer que sem a fé é impossível a pessoa ter a devida reverência a Jesus imolado na Cruz e ressuscitado glorioso, mas que está oculto sob as humildes aparências do pão e do vinho. A fé é a base de toda a justificação e é outrossim a condição fundamental de todo progresso na vida sobrenatural. A fé é a primeira das disposições para receber o fruto da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo: renascer para a vida divina da graça e tornar-nos participantes da adoção eterna. É o que o celebrante reza no fim da Missa: "Quotquot autem receperunt eum, dedit eis potestatem filios Dei fieri, HIS QUI CREDUNT IN NOMINE EJUS... qui ex Deo nati sunt" - "Mas a todos os que O receberam, deu poder de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no seu nome... os quais nasceram de Deus" (S. João I, 12 e 13). 

   A Comunhão une-nos primeiramente à santa Humanidade de Cristo; e esta união opera-se pela fé. Caríssimos, quando credes que a Humanidade de Jesus é a Humanidade do Filho de Deus, e que n'Ele há só uma pessoa DIVINA, quando com muita fé, adorais esta santa Humanidade, por ela entrais em contato com o Verbo, o Filho Unigênito do Pai, pois é ela o caminho que vos leva à própria Divindade. Se na hora da Comunhão ouvíssemos Jesus perguntar: Quem julgais que eu sou? Deveríamos repetir com toda segurança de uma fé viva, as palavras de São Pedro: "Vós sois o Cristo, o Filho do Deus vivo". Deveríamos ainda dizer: Ó Jesus, vejo apenas um pedaço de pão; mas Vós, que sois o Verbo, a Sabedoria Eterna e a Verdade infinita, dissestes: "Isto é o meu corpo"; e justamente por isso que o dissestes, creio que estais presente sob esta humilde e ínfima aparência de pão. Ó Jesus, os sentidos nos enganam, eles nada nos dizem além dos acidentes, mas creio porque Vós, a própria Verdade, o dissestes". O que certamente Jesus nos responderia? O que disse ao Centurião: "Faça-se conforme a tua fé" (S. Mateus VIII-13). Então - continuaria Jesus - porque acreditais que sou Deus, dou-me a vós com todos os tesouros da minha Divindade, para vos cumular e transformar em mim; dou-me a vós com as inefáveis relações da minha vida íntima de Deus. Caríssimos, na verdade, pela santa Comunhão, nos unimos a toda Santíssima Trindade. Porque Cristo é um só com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Quando comungamos, Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, toma conta de nós, une-nos ao Pai como Ele mesmo Lhe está unido. Mas o Verbo une-nos também ao Espirito Santo. Assim, podemos dizer que depois da santa Comunhão, somos  santuário da Santíssima Trindade. 

   A Santíssima Eucaristia é um mistério de fé por excelência, como já tivemos oportunidade de demonstrar. Portanto, só a fé nos pode fazer compreender estas maravilhas e penetrar nestes abismos de amor de Deus. Só quem tem fé, por conseguinte, terá o devido respeito, veneração, reverência e adoração ao Santíssimo Sacramento. Esta reverência nasce e alimenta-se unicamente da fé.

A revolução litúrgica grandemente implantada na Igreja latina pós-conciliar está diminuindo visivelmente a fé nos corações. A falta de reverência, para não dizer desrespeito sacrílego  para com a Santíssima Eucaristia é demonstração insofismável do que acabo de dizer. É uma verdadeira desordem que ocasiona um horrendo retrocesso na vida espiritual. Abriu-se o caminho para as mais desastrosas experiências litúrgicas, para sacrílegas profanações! 

   Senhor, aumentai a minha fé e eu terei todo respeito e reverência possíveis diante de Vós oculto sob as aparências do pão e do vinho!. Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé! Amém!

COMUNHÃO FRUTUOSA

   Caríssimos, sabeis muito bem que este divino Sacramento produz os seus frutos na alma que o recebe em estado de graça e com reta intenção. Mas sabeis também que a abundância dos seus frutos é proporcional ao grau de fervor de cada um. Aproximemo-nos, portanto deste banquete eucarístico com as melhores disposições possíveis. Já tive oportunidade neste blog em mostrar quais estas disposições. Aqui quero apenas ressaltar uma: A VENERAÇÃO. Ela é, pois, indicada pela própria Igreja na Oração do Santíssimo Sacramento: "Dai-nos, Senhor, uma tal veneração pelos sagrados mistérios do Vosso Corpo e Sangue, que possamos sentir constantemente em nós os frutos da Vossa Redenção". 

   Jesus Cristo é Deus. Esta a primeira razão desta "veneração" de adoração no sentido próprio. Só a Deus podemos honrar com adoração no sentido próprio. Só Ele é o Senhor, a Perfeição infinita, o Criador. A Igreja fala de "sagrados mistérios". A palavra "mistérios" indica que sob as espécies eucarísticas se oculta uma realidade; ao acrescentar "sagrados", dá-nos a entender que esta realidade é santa e divina. Na verdade, Aquele que se oculta na Eucaristia é Aquele que, com o Pai e o Espírito Santo, é o Ser infinito, o Todo-poderoso, o princípio de todas as coisas. Se Nosso Senhor nos aparecesse no esplendor da Sua glória, a nossa vista não poderia suportar aquele esplendor. Para se dar a nós, oculta-se, não sob a fraqueza duma carne passível, como no mistério da Encarnação, mas sob as espécies do pão e do vinho. Caríssimos, quanto mais, Jesus, por amor de nós, para nos atrair a Ele, para Se tornar nosso alimento, Ele vela a Sua Majestade, mais devemos cercá-lo de toda veneração e adorá-lo com grande respeito e amor. 

   Jesus se humilhou e entregou-se por nós: Esta a segunda razão para amar a Jesus e adorá-Lo. Jesus disse que a quem se humilha, Ele o exalta. Pois bem, quando vemos o Ser infinito se humilhando por nosso amor, vamos humilhá-lo ainda mais (colocando-O por ex. em copos de plásticos, como aconteceu na JMJ no Rio de Janeiro)? Claro que não. Não é pelos fato de o Papa Francisco ter preferência pelos pobres que os organizadores da JMJ iriam colocar  copos de plásticos descartáveis em sua mesa! 

   A Igreja lembra-nos que "este admirável Sacramento é o memorial por excelência da Paixão de Jesus Cristo". Ora, durante a Sua santa Paixão, Jesus Cristo sofreu humilhações inauditas e ignomínias sem nome. Mas, diz São Paulo, por isso mesmo que Jesus Cristo se aniquilou e desceu a tais humilhações, o Pai O exaltou e Lhe deu um nome acima de todo o nome, a fim de que diante d'Ele se dobrasse todo o joelho e toda a língua proclamasse que Jesus Cristo, Filho de Deus, reina para sempre na glória do Pai. Assim, quanto mais Nosso Senhor Jesus Cristo se humilhou e aniquilou, mais devemos nós, como o Pai, exaltá-Lo neste sacramento que nos recorda a Sua Paixão; mais Lhe devemos prestar as nossas homenagens. A justiça e sobretudo o amor assim nos levam a agir. Mas para isto é preciso fé. Sobretudo neste mistério, devemos botar o máximo de fé. Sem a fé, não se respeita a Eucaristia. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

AS SETE DORES DE MARIA SANTÍSSIMA

   Na sexta-feira da 1ª Semana da Paixão a Santa Madre Igreja faz a Comemoração das Sete Dores de Nossa Senhora, e no dia 15 de setembro celebra a Festa de Nossa Senhora das Dores. 

   Em primeiro lugar, lembremos sucintamente estas sete dores de Maria Santíssima: 
  1. A PROFECIA DE SIMEÃO: "Eis aqui está posto este Menino como alvo a que atirará a contradição: e uma espada de dor transpassará até a tua alma" (São Lucas II, 34).
  2. A FUGIDA DE JESUS PARA O EGITO: "Foi, então que o anjo apareceu em sonhos a José com a ordem: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito" (São Mateus II, 13).
  3. PERDA DE JESUS NO TEMPLO: "Seus pais iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando estava com doze anos, subiram a Jerusalém, por ocasião daquela solenidade, segundo o costume. Passados os dias da festa, quando voltaram, ficou em Jerusalém o menino Jesus, sem que seus pais o notassem. Julgando que ele estivesse na comitiva, caminharam um dia inteiro. Mas quando o procuraram entre os parentes e conhecidos e não o encontraram, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Depois de três dias o encontraram no templo,... E sua mãe lhe disse: 'Filho, por que procedeste assim conosco? Teu pai e eu te procurávamos, cheios de aflição" (São Lucas II, 41-48).
  4. ENCONTRO COM JESUS CAMINHANDO COM A CRUZ AOS OMBROS PARA O CALVÁRIO: Sabemo-lo pela Tradição que o Apóstolo São João assim anunciara a Maria: "Ah! Mãe dolorosa, já vosso Filho foi condenado à morte; já o levam para o Calvário carregando ele mesmo a cruz aos ombros, saiu para aquele lugar que se chama Calvário (São João XIX, 17). Se quereis vê-lo, Senhora, e dar-lhe o último adeus, vinde comigo à rua por onde deve passar". 
  5. MORTE DE JESUS: "Estava de pé junto à cruz de Jesus, sua Mãe" (S. João XIX, 25). "Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo a quem amava, disse a sua mãe: 'Mulher, eis o teu filho'. Depois disse ao discípulo: 'Eis tua mãe' (S. João XIX, 26 e 27).
  6. A LANÇADA E A DESCIDA DA CRUZ: "Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que tinham sido crucificados com ele. Quando se aproximaram de Jesus, viram que já estava morto e por isso não quebraram as pernas. Mas um dos soldados penetrou-lhe o lado com a lança. Imediatamente saiu sangue e água" (S. João XIX, 32-34). 
  7. SEPULTURA DE JESUS: "Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente por medo dos judeus, pediu a Pilatos que o deixasse levar o corpo de Jesus. Pilatos deu permissão. Ele foi e tomou o corpo de Jesus. Nicodemos, aquele que antes tinha ido procurar Jesus à noite, veio também, trazendo cerca de cem libras de um mistura de mirra e de aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em lençóis com perfumes, de acordo com o modo de sepultar seguido pelos judeus. Havia um jardim no lugar onde Jesus foi crucificado. E no jardim havia um sepulcro novo, no qual ainda ninguém tinha sido sepultado. Ali puseram Jesus, por causa da preparação dos judeus, pois o sepulcro ficava próximo" (S. João XIX, 38-42). 

domingo, 2 de abril de 2017

HOMILIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA PAIXÃO

   Leituras: Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus, 9, 11-14.
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 8, 40-59:


Tempo da Paixão: Em espírito ao pé
da Cruz, passemos este tempo mais
recolhidos, meditando a Paixão e
Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
   "Naquele tempo, disse Jesus às turbas dos judeus: Qual de vós me arguirá de pecado? Se vos digo a verdade, por que não me credes? Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus. Por isto não as ouvis: porque não sois de Deus. Responderam-Lhe, pois, os judeus: Não dizemos bem nós, que és Samaritano, e que estás possesso do demônio? Respondeu Jesus: Eu não estou possesso do demônio; mas honro a meu Pai, e vós me desonrais. Eu não procuro a minha glória; há quem a procure e faça justiça. Em verdade, em verdade, eu vos digo que se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte para sempre. Disseram-Lhe, então, os judeus: Agora conhecemos que estás possesso do demônio. Abraão morreu assim como os Profetas. E tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte para sempre. És, porventura, maior que o nosso Pai Abraão, que morreu? Ou maior que os Profetas que morreram? Por quem pretendes passar? Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, nula é minha glória. Quem me glorifica é meu Pai, Aquele que dizeis que é vosso Deus. E vós não O conheceis, porém, O conheço; e, se dissesse que não O conheço, seria mentiroso como vós. Eu, porém, O conheço e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, sentiu júbilo porque havia de ver meu dia; ele o viu e alegrou-se. Disseram-Lhe então os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade, eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu sou. Apanharam eles, então, pedras para Lhe atirar; mas Jesus escondeu-se e abandonou o templo". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Dirijo-me a todos vós, amados leitores, mas especialmente aos meus caríssimos colegas de sacerdócio.

   Se alguém merecia absoluta admiração e afeição universal, era por certo Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é  o Caminho, a Verdade e a Vida. É nosso Salvador, Mestre e nosso Exemplo: "Aprendei de mim, diz Jesus, que sou manso e humilde de coração". A doçura, a mansidão, a humildade, a amabilidade, a multidão e natureza de seus milagres, que mostravam sua bondade e seu poder, deviam ganhar-Lhe todos os corações. E, todavia, homem algum foi objeto de mais implacáveis ódios. 

   Caríssimos, que lemos neste Evangelho do 1º Domingo da Paixão? Conhecendo que os fariseus se obstinavam em maquinar contra a sua vida, Jesus procura abrir-lhes os olhos sobre a enormidade de um tal atentado: "Mas, por fim, lhes diz, de que me acusais vós? Apontai um fato e provai-o: qual de vós me arguirá de pecado?" Caríssimos, era necessário estar muito seguro de si, para falar assim a inimigos tão perversos e sagazes.

   Mas que pode a verdade sobre homens que não querem ouvir senão a paixão? Depois deste desafio tão simples e modesto, não replicar era reconhecer que Jesus era irrepreensível. "É, pois um justo, um profeta, talvez, o Messias, concluiria qualquer homem sensato. Mas a inveja diz: "É um samaritano, um inimigo de Deus e de seu povo, é um possesso: "Não dizemos bem nós, que és Samaritano, e que estás possesso do demônio?" Quê? sou inimigo de Deus e um endemoniado, porque não tenho pecado?... É que o ódio quando confundido, enfurece-se; já não sabe senão insultar e blasfemar. Toda paixão cega. 

   Caríssimos colegas de sacerdócio, se nós ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo, cumprirmos fielmente nossos deveres, participaremos sempre da sorte de nosso Divino Mestre: "Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque vós não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que o senhor. Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós"... Portanto, tudo foi predito pelo próprio Jesus. Nós sacerdotes devemos ser a luz do mundo e o sal da terra: a luz fere os olhos doentes e a virtude desagrada ao vício: "Se eu vos digo a verdade, por que não me credes?"  Na verdade, caríssimos, aqueles orgulhosos não acreditaram em Jesus precisamente porque Ele lhes dizia a VERDADE. Lisonjeemos o soberbo, falemos o que está de acordo com seus desejos mundanos, dirijamo-nos a ele com agradáveis mentiras, e ele nos acreditará sem custo; mas, instruamo-lo com verdades que contrariam suas inclinações, e será uma felicidade, se não empregar violência contra nós: "Apanharam, então, eles pedras para Lhe atirar".

   Caríssimos, a contradição virá algumas vezes daqueles que tínhamos por amigos. São Paulo queixa-se disto de um modo especial. Escrevendo aos Gálatas, diz-lhes: "Vós recebestes-me como um Anjo de Deus, como Cristo Jesus. Era tão grande a vossa afeição para comigo, que arrancaríeis os olhos, para mos dar! Tornei-me eu logo vosso inimigo, porque vos disse a verdade?" (Cf. Gálatas IV, 16). Não há  meio termo: ou faltar aos deveres do meu ministério, sacrificando a minha consciência, ou sujeitar-me a ser estorvado nos meus desígnios, combatido, perseguido. Se quero ser bem visto do mundo, devo submeter-me aos seus erros e paixões. Ó meu Deus, preservai-me de tão culpável fraqueza! Ó meu doce Jesus, fazei que eu só procure agradar a Vós!

   No sacerdócio colegas caríssimos, aprendamos do próprio Jesus como devemos proceder para com os nossos perseguidores.

   Para um judeu, chamar-se samaritano, era um grande insulto; é-o para qualquer pessoa, chamar-se endemoniado; quanto mais para o Filho de Deus! Nosso Senhor Jesus não responde à primeira invectiva, porque não passava de um insulto; à segunda, que devia desconsiderá-Lo diante o povo, e não podia conciliar-se com o zelo da glória de seu Pai, Jesus repele-a expondo simplesmente a verdade: "Não, Eu não tenho demônio; mas honro o meu Pai, e vós em paga desonrais-Me". Que domínio sobre si mesmo! Que divina calma! Quando repreendia os vícios, diz São Jerônimo, sua voz era áspera; mas, quando se defendia de alguma afronta, usava maior mansidão. Negou que fosse possesso, afirmou que honrava o seu Pai: foi a sua única justificação.

   Caríssimos, eis o nosso modelo. Vinguemos com energia as injúrias que se referem a Deus, e desprezemos as que só a nós se referem. Trabalhemos por poder dizer como Jesus, sem que o coração desminta os lábios: "Eu, porém, não procuro a minha glória; há quem a procure e faça justiça". Sim, outro cuidará da nossa honra: Deus que vê tudo, dirige tudo, julga e manifestará tudo.

   Caríssimos, a exemplo do divino Salvador, reservemos para o juízo de seu Pai as injúrias que nos fazem. Entreguemos-Lhe a nossa reputação; a nossa causa é a sua, fá-la-á triunfar com certeza, no dia do juízo, e talvez na vida presente. Amaldiçoados pelos homens, seremos abençoados por Deus, que proporcionará a alegria dos seus servos às tribulações que tiverem padecido por ele. Sobretudo nesta conjuntura tão triste em que se encontra a Santa Madre Igreja, sofremos muitas incompreensões! O importante é que Nosso Senhor sabe que estas acusações não são verdadeiras. E é Ele quem vai nos julgar.

   A bondade de Jesus não faz mais que exasperar esses endurecidos; pegam em pedras, e querem condená-Lo, ao suplício dos blasfemos. Mas o amor que nos tem, fizera-O escolher um tormento ainda mais ignominioso e cruel. Mas, não tinha Ele poder e direito para os punir? Sim, mas quer ensinar-nos, que o poder deve muitas vezes ceder à paciência, o direito à caridade, e que há mais verdadeira grandeza em padecer do que em vingar, em não querer o que se pode, do que em poder o que se quer.

   Caríssimos colegas no sacerdócio, não esqueçamos que somos enviados como cordeiros para o meio dos lobos, e tenhamos sempre tanta paciência, que nem sequer os mais indignos tratamentos nos arranquem nunca uma palavra ofensiva. Retribuamos mal com bem e ódio com amor. O Cordeiro de Deus, que oferecemos em sacrifício no Altar, e que recebemos todos os dias como alimento da nossa alma, nos comunique estas santas disposições. Amém!